A diferença entre “O que?” e “Como?”

Por Isaias Costa

A sociedade em que vivemos se preocupa muito com esta pequena pergunta “O que você faz?”. Quando alguém conhece você ou quando você é apresentado a alguém, essa é uma clássica forma de “puxar assunto”. Porém, mais importante do saber “O que você faz?”, é saber “Como você faz?”. É simples entender o porquê. A segunda pergunta vai dizer (tanto para você, como para os outros, para a sociedade, o mundo), se você é um homem de sucesso ou não. Vejamos alguns exemplos.

Você é professora do ensino infantil e alguém lhe pergunta. “O que você faz?”. Uma primeira pessoa responde. “Eu sou professora de crianças. Acordo às 5:30 hs da manhã todos os dias e tenho que aturar aqueles pestinhas o dia todo. Além do mais, eles não recebem educação em casa, nem carinho dos pais, aí eles vem até mim e querem que eu seja uma mãe para eles. Isso é muito injusto, eu ganho uma merreca pra ter que ser professora, educadora, mãe, palhaça. É um stress…”. Viu só a sua “enorme” satisfação com o trabalho? Agora a mesma pergunta para uma segunda pessoa. “O que você faz?”. Ela responde. “Eu sou professora de crianças. Amo meu trabalho. Me sinto honrada por ajudar no desenvolvimento acadêmico, emocional, psicológico e social destes pequenos, que, futuramente, vão fazer diferença no mundo. Serão médicos, professores, arquitetos, dentistas, engenheiros. Eu olho para eles e já consigo até imaginar o que serão no futuro. Eles vem até mim dizendo. ‘Tia! Eu vou fazer um invento para que a gente não perca mais tanta energia do sol. Esse astro rei com tanta energia mal utilizada…’. Eu olho pra esse garoto e digo pra mim. Ele vai ser um grande engenheiro….”. Percebe a diferença! Duas pessoas, mesmo emprego, porém, duas realidades totalmente diferentes.

Você é trocador de ônibus e alguém te pergunta. “O que você faz?”, O primeiro diz. “Sou trocador de ônibus. Eu não durmo quase nada. Tenho que acordar todos os dias às 4 hs da manhã, vestir minha fardinha e ir bater o ponto. Ficar o dia todo rodando pela cidade, fazendo sempre a mesma coisa. Receber dinheiro e liberar a roleta. Sem contar com o stress diário do trânsito. Gente imprudente que atrapalha o trânsito e só falta destruir o ônibus, além daquela galerinha que vai trabalhar com raiva e desconta na minha cara ou nas pessoas do ônibus. Ficam me xingando e xingando o motorista. Meu Deus. Sério mesmo cara. Não faça como eu não. Pense grande. Procure um emprego de verdade…”. Eu já escutei algo parecido com isso. Agora o segundo diz. “Eu sou trocador de ônibus. Amo meu trabalho. Todos os dias eu tenho oportunidade de conversar com muitas pessoas e ouvir um pouquinho de suas estórias de vida. Eu estou me tornando um grande contador de estórias. Quando chego em casa conto muitas das estórias para minha mulher e meus filhos e eles choram de tanto rir. Aí meus filhos vem até mim com um grande sorriso e um abraço afável, dizendo, ‘Pai, eu te amo’. É maravilhoso. Sem contar com os passageiros que às vezes chegam tristes ou estressados e, só de olhar pra mim me dizem. ‘Cara! Meu dia já melhorou só por ter pego esse ônibus sabia? Aí ele começa a falar e se aliviar um pouco do stress. Ouvir isso me deixa muito feliz.

Uma palavra diferencia essas duas perguntas, mas a realidade que está por trás delas é totalmente diferente. Portanto, vamos nos ater mais no “Como fazer”. Isso vai fazer de nós profissionais brilhantes.

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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