Quem sabe não fala, não diz

Por Isaias Costa

Estamos vivendo numa época em que as informações estão se tornando cada vez mais acessíveis e baratas, por causa do avanço tecnológico e, principalmente, da internet. Praticamente a população inteira tem acesso ao conhecimento. Hoje quero falar um pouco do que essa “sede” por conhecimento está fazendo com muitas pessoas.

É comum você ter qualquer dúvida ou dificuldade e as pessoas lhe dizerem assim, “Olha no Google, que você logo vai saber a resposta!”. É impressionante a quantidade de informação que tem ali, eu mesmo já me surpreendi inúmeras vezes. Colocava perguntas um tanto quanto sem nexo, só pra ver se aparecia alguma coisa. Clicava e ficava abismado com os vários sites falando sobre coisas que nunca iria imaginar serem comentadas e esclarecidas.

Pode parecer piada, mas hoje em dia, se você souber utilizar a internet, dá pra se tornar um PhD em praticamente tudo. Você vai vasculhando os sites e se deparando com informações cada vez mais complexas e detalhadas. Sem contar com os arquivos pdf’s. Eles estão se alastrando como nunca. Se você gosta de ler no computador, praticamente não vai mais gastar um centavo com livros. Esses livros de fácil acesso têm milhares de páginas de download na web. Você aumenta o seu conhecimento e nem gasta dinheiro com isso. É incrível! Uma verdadeira revolução!

Mas onde quero realmente chegar é no que todo esse conhecimento está fazendo com determinadas pessoas. Muitos estão começando a se achar “sabe tudo”, ou “donos da verdade”, ou “gênios da lâmpada”, ou qualquer outro adjetivo que queira dar. Muitos chegam para falar sobre algum assunto e já vão logo com aquele ar de, “eu sou foda nesse assunto!”. Mas não é bem assim. Pra você ser realmente muito bom em alguma coisa deve estudar a fundo. Não pode ficar só na superficialidade. Eu mesmo! Gosto muito de escrever, mas sei que não sou tão bom assim. Para eu ser bom mesmo, deveria estudar linguística, gramática, semântica, etc. Coisa de quem estuda línguas. Mas sou apenas um Físico cheio de ideias malucas na cabeça, que gosta de ficar divagando um pouco, filosofando e refletindo sobre a vida.

Eu sei de tudo! Eu sou o cara!!

Eu sei de tudo! Eu sou o cara!!

Comecei o texto com a frase do mestre Raul Seixas. Essa é uma das frases que mais me inspira na vida. Porque o melhor que uma pessoa pode fazer para si e para os outros é não se mostrar como o dono da verdade. Sei que ninguém gosta de estar ao lado de uma pessoa que pensa que já sabe de tudo, não é mesmo? Ninguém sabe de tudo! E aí que está a beleza da vida! Que graça teria a vida se nós já soubéssemos de tudo? A vida é um aprendizado diário, que nos leva ao amadurecimento e a novas perspectivas.

Quem sabe não fala, não diz”. Essa frase também remete a algumas características humanas que muito me agradam. A introspecção, a observação e a escuta. Sempre que observo uma pessoa com essas características, fico curioso de falar com ela. Pois, quase sempre, trata-se de uma pessoa que tem muito conhecimento. Posso falar isso abertamente, pois os meus melhores amigos são pessoas um pouco introspectivas.

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A observação e a escuta também são muito importantes. Essas pessoas sempre escutam mais do que falam. Uma coisa que todos deveriam fazer, mas muitos não fazem. Elas ficam só ouvindo até que chega o momento de falarem, e quando falam, tem argumentos tão bem estruturados e consistentes, que os que escutam ficam sem palavras, perplexas. E elas observam com cuidado, analisam se o grupo que estão tem pessoas que vão entender sua mensagem com facilidade, se vale a pena dar sua opinião ou ficar só ouvindo, entre outros fatores.

Cada vez mais eu tenho procurado não ser dono da verdade. Tenho vontade de escutar as opiniões dos outros e pensar a respeito. O que acho fantástico também é que, quando divido minhas opiniões com a dos outros, eu mudo algumas ideias que antes não faziam muito sentido, reforço outras que já tinha, às vezes mudo completamente um pensamento, faço os outros repensarem os seus. Enfim, é uma troca de experiências que me faz crescer e faz crescer também os meus amigos.

Vou deixar como uma reflexão o link com a música do Raul Seixas que tem a frase do título do texto. É uma música engraçada. Tem umas ideias bem interessantes, geniais para uns, maluca para outras, indiferente para outros tantos. Resta a você ter também sua conclusão a respeito…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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