A volta às origens da Igreja- Parte 1

Por Isaias Costa

Hoje vou tratar de um assunto muito sério e também muito controverso. Pode ser que alguém leia esse texto e pense que estou difamando ou coisa parecida. Quero que você procure me entender muito bem. Vou tentar me expressar o mais claramente possível. Esse assunto é tão complexo que resolvi dividir em duas partes. Enfim, vou falar sobre a origem da igreja católica, sobre um preceito que até hoje não é bem compreendido, o CELIBATO e sobre a CULTURA DO MEDO que foi implementada pelos homens.

noti2009812

Desde quando era menino me perguntava: “Por que os padres não podem casar?”. Então as pessoas grandes, como diria o pequeno príncipe, inventavam histórias sem pé nem cabeça para mim, e isso me deixava ainda mais encucado. Elas davam um jeito de distorcer a conversa pensando que conseguiriam me enganar. Que pena! Não conseguiram!

Hoje em dia eu consigo entender tão claramente o porquê de um padre ser celibatário! Posso explicar em poucas linhas o motivo. Sabe qual é? Um padre precisa ser celibatário por causa da vocação do sacerdócio, que se trata de uma vocação bastante desgastante e que exige muita dedicação e um dispêndio de energia muito grande. Ou seja, é muito difícil para um padre dividir as responsabilidades entre a igreja, com todas as suas obrigações, com uma esposa e uma família. O dia para ele teria que ter umas 50 horas para que ele pudesse dar conta do recado. Pronto! Simples assim! É por isso que os padres não podem se casar. As pessoas grandes ficavam me enrolando para dizer algo tão simples e rápido como isso. Não é simples? Não vejo porque complicar tanto isso!

A partir de agora eu vou me aprofundar mais. A igreja proposta por Jesus Cristo NUNCA impôs que um padre não poderia ser casado. Está chocado com essa afirmação? Para provar isso, quem foi o primeiro papa da igreja católica? São Pedro, que era casado e muito bem casado. Vou explicar porque estou dizendo isso. A 1ª carta de São Paulo aos Coríntios, no capítulo 7 (seria ótimo que você lesse o capítulo inteiro para entender melhor), São Paulo explica de uma forma extremamente clara a divisão entre CASAMENTO e CELIBATO. Vou transcrever a parte principal deste capítulo.

Eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O celibatário cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se das coisas do mundo, de como agradar a sua mulher, e assim está dividido. A mulher não casada e a virgem só se preocupam com as coisas do Senhor, com ser santas em corpo e em espírito. Porém a casada preocupa-se com as coisas do mundo, como agradar ao marido. Digo isto para vossa conveniência e não para vos armar uma cilada, mas tendo em vista o que é melhor e que possa unir-vos mais ao Senhor, livres de impedimentos.

Se alguém, transbordando de paixão, acha que vai poder respeitar sua noiva, e que as coisas devem seguir seu curso, faça o que quiser; não peca, se casem. Quem, ao contrário, por uma firme convicção, sem constrangimento, mas por livre vontade, resolve respeitar sua noiva, fará bem. Portanto, quem se casa com sua noiva faz bem, e quem não se casa procede melhor. A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver; se o marido morrer, ela fica livre para casar com quem quiser, mas só no Senhor. Mas acho que será mais feliz se permanecer como está; pois julgo que também eu tenho o espírito de Deus”.

Meu Deus! Que palavras sábias! São Paulo está dizendo de uma forma tão clara a missão da Igreja e a missão das pessoas para com ela. Por que complicar isso? A volta às origens, que foi como intitulei esse post é isso. A igreja de Jesus Cristo é essa, aqueles que sentem o chamado, a verdadeira vocação para seguir o caminho da evangelização, é preferível que não se case, que viva o celibato, mas deve viver esse celibato por uma escolha pessoal, sem pressões e sem preocupações, ou seja, por livre e espontânea vontade, porque é o melhor a ser feito, diferente do que acontece na grande maioria das vezes, “por livre e espontânea PRESSÃO”. Agindo assim, ele pode se dedicar de corpo e alma a essa missão tão bonita e importante. Porém, se a pessoa não consegui isso de forma espontânea, é preferível que se case e constitua a sua família. Pronto! Só isso! Essa é a mensagem de São Paulo.

Este é o inferno que o homem criou com a cultura do medo...

Este é o inferno que o homem criou com a cultura do medo…

Agora vou falar rapidamente sobre a cultura do medo. Quando Jesus mandou os discípulos em missão ele falou: “Não tenham medo! Eu estarei com vocês até o fim do mundo…”. O que as pessoas precisam é compreender a mensagem de Jesus e deixar de ter tanto medo. Esta é outra coisa que me questiono desde sempre. “O que eu faço que pode me levar para o inferno e o que não me leva para lá?”. Eu fico irado com pessoas que pensam que fulano vai para o inferno por causa disso ou daquilo. Ou daqueles padres que dizem: “você não pode fazer tal coisa porque vai queimar no inferno!…”. Quem é você para afirmar isso? Isso se chama CULTURA DO MEDO, que só faz paralisar as pessoas, restringir seu universo de pensamentos e possibilidades, e o que acho pior, petrifica o que o ser humano tem de mais sagrado, a sua consciência, é a nossa consciência que liga o nosso coração ao de Deus, ela é a ponte. Jesus levou o ladrão arrependido para o paraíso na tarde da sua morte e este homem havia feito grandes atrocidades. O que eu acredito de verdade é na misericórdia de Deus e nas moradas celestiais de que Jesus fala. O seu céu é você que cria de acordo com a sua vida: “O reino dos céus está dentro de vós…”. Quero deixar uma sugestão de um filme que passa um pouquinho do que significa MISERICÓRDIA, uma palavra riquíssima e quase não compreendida. O filme “Os últimos passos de um homem”, com o ator Sean Penn. Eu já assisti a esse filme duas vezes e ele sempre me leva a refletir e pensar em Jesus. A freira deste filme agiu como Jesus gostaria que todos nós agíssemos. Assista a ele e se faça a pergunta: “Eu conseguiria agir como ela nesta situação?”. A igreja de Jesus é a igreja da misericórdia, que infelizmente, muitas estão a anos luz de distância…

Eu sempre me emociono com esse filme. Espetacular! Perfeito!

Eu sempre me emociono com esse filme. Espetacular! Perfeito!

No próximo post eu vou continuar falando desse tema e explicar um pouco porque a igreja católica é tão rígida quanto ao celibato. Espero que tenha gostado, e espero que leia o próximo post. Vou falar umas coisas bem interessantes nele…

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

2 Respostas para “A volta às origens da Igreja- Parte 1

  1. vilmar dantas primo

    No trecho da biblia que botou, parece q tem uma separação entre homem e mulher, da pra entender que antes de casar e ser virgem a mulher tem como prioridade Deus ne, mas o homem n tem isso so mesmo se virar padre? ou tem uma parte nesse capitulo explicando a parte do homem casado e homem solteiro?
    E alem disso, hj em dia é tão dificil seguir esses preceitos, mesmo o homem e a mulher não casados são divididos entre as coisas de Deus e as coisas do mundo, será que hj em dia e certo que alem de celibatario o padre precisam tambem diminuir o contato com as pessoas? apenas ter o contato em missas, encontrões e confissões?
    E eu queria saber pq tem essa permissão dos pastores se casarem? Eles teriam ” menor dedicaçaõ com Deus”?

    • Ótimos questionamentos Vilmar! A realidade é que os padres poderiam sim optar pelo casamento, mas não é o melhor a ser feito, porque ele não faria as duas coisas tão bem. Cuidar da igreja e da família. Mas se consegui, se tem essa capacidade, poderia se casar e ser padre. Essa é a mensagem de São Paulo, que acho super simples de entender.
      Essa questão do contato com pessoas também é muito interessante. Os padres não são tão colocados no contato com as pessoas porque são vistos como salvadores, aliviadores, médicos da alma, etc, e não como pessoas comuns, como eu e você. Isso atrapalha demais, porque os próprios padres já se sentem pressionados a serem como Messias na vida dos outros. Não precisa ser assim. Eu escrevi um texto falando sobre isso também, e quando postar vou te mandar uma mensagem no face.
      Por fim! Acho que os pastores não tem menor dedicação com Deus. Eles só compreendem melhor essa história do celibato. Eles seguem o que São Paulo diz, estão livres de preocupações com relação a isso.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s