A arte de se perder

Por Isaias Costa

Outro dia me aconteceu uma coisa extremamente comum na minha vida e fiquei filosofando sobre isso, depois de um tempo só filosofando resolvi compartilhar aqui uma arte que sou um verdadeiro mestre, perito como ninguém jamais viu igual, a ARTE DE SE PERDER. Eu gosto até de me comparar com o personagem Ryoga, do anime Ramma ½. Quem já assistiu a esse anime sabe muito bem do que estou falando. Toda vez que o Ryoga quer brigar com o Ramma ele percorre metade do mundo correndo, quando na realidade o local da briga era no quintal da sua casa. Acho esse desenho muito engraçado, se você ainda não assistiu, recomendo, você vai dar boas risadas com ele.

Eu sou muito parecido com o Ryoga...

Eu sou muito parecido com o Ryoga…

Quem nunca se perdeu ao andar no trânsito não é mesmo? Acho interessante que a grande maioria das pessoas se estressa em demasia por causa disso. O meu objetivo com esse post é mostrar o lado positivo, e muito positivo, de se perder no trânsito.

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O primeiro ponto positivo tem a ver com o cérebro. O nosso cérebro é extremamente habilidoso, um verdadeiro campeão, mas ao mesmo tempo se habitua muito rapidamente às situações da vida e do cotidiano. Essa é a palavra, HÁBITO. Quando fazemos certo percurso de carro ou moto pela primeira vez e se está andando por um trajeto totalmente desconhecido, o cérebro trabalha a mil por hora para que você memorize esse percurso, saiba qual rua deve entrar à direita ou à esquerda, subir viaduto, descer viaduto, etc. O gasto de energia com ele é muito grande e as conexões neurais são fortificadas, é o que os neurologistas chamam de NEUROPLASTICIDADE, que é a capacidade do cérebro de fazer novas conexões, melhorando a nossa capacidade intelectual e a memória. Depois que você aprende o caminho, o cérebro trabalha muito menos, porque ele ativa apenas os neurônios da memória, aqueles que trabalharam feito uns condenados para você encontrar seu local de destino. Resumindo! Quando você se perde, sem querer está ficando mais inteligente. Isso não é fantástico? Eu tomo por mim. Ando muito de moto pela cidade e me perco feito uma “barata tonta”, mas isso está me ajudando a ter uma memória privilegiada. Alguns dos meus amigos mais íntimos às vezes chegam até mim dizendo assim: “Nossa! Isaias. Eu queria ter uma memória boa como a sua…!”. Essa minha memória boa se deve em parte por ser um verdadeiro artista em se perder.

No Japão é assim! Acho que eununca vou morar lá...

No Japão é assim! Acho que eu nunca vou morar lá…

O segundo ponto positivo é ainda mais interessante que o primeiro. Se perder no trânsito é uma forma direta de treinar a HUMILDADE. E essas palavras vão principalmente para os homens. Muitos homens se acham verdadeiros “mapas ambulantes”, estão sempre certos e “NUNCA” se perdem. O que acontece é que o EGO desses rapazes é muito exacerbado e muitos deles adoram aquelas historinhas contadas nas aulas de Ciências do jardim de infância: “Os homens têm um senso de direção muito mais aguçado que o das mulheres por causa da questão evolutiva, eles precisavam caçar e saber muito bem o caminho a seguir para encontrar as suas caças e ter um visão mais focada e blablabla…”. Sabe o que eu digo? Isso tem fundamento, mas muitos homens querem dizer que isso é a maior verdade do universo. Eu não tenho um pingo de vergonha de dizer que milhões e milhões de mulheres têm um senso de direção muito mais aguçado do que o meu. E aí? Eu vou ser menos homem por causa disso? É isso que estou questionando. É a dualidade HUMILDADE x EGO. Quanto mais treinamos a humildade, menos o ego prevalecerá. Não custa nada perguntar a uma pessoa que passa assim: “Como eu faço para chegar ao lugar x?”. Garanto que nenhum pedaço do seu corpo será arrancado quando você fizer essa simples pergunta.

https://paralemdoagora.wordpress.com/2013/01/07/o-ego-do-ser-humano-parte-1/

https://paralemdoagora.wordpress.com/2013/01/09/o-ego-do-ser-humano-parte-2/

Gostou de saber que se perder não é tão ruim assim! Essa arte pode fazer de você uma pessoa muito mais inteligente e humilde. Mas se não quiser se perder tanto você pode usar o querido GPS. Eu ainda não tenho um, mas admito que ele ajuda pra caramba a não se perder feito uma “barata tonta”. Boas viagens pela cidade…

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