O Medo de amar- Parte 1

Por Isaias Costa

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Hoje eu vou falar sobre um tema em que levei muito tempo para começar a compreender alguma coisa. O MEDO DE AMAR. Um sentimento quase que unânime entre as pessoas, e vou explicar alguns dos porquês que existem por trás desse sentimento.

É muito comum, principalmente nos dias de hoje, observarmos que existem muitos homens e mulheres com grandes valores e ideais, mas que estão solteiros. É engraçado isso, mas é verdade. Um dos fatores que contribui para que isso aconteça é o medo de amar, um medo que, infelizmente, tem raízes sociais, históricas e às vezes até familiares. É aquela coisa da desconfiança, de ficar “pé atrás” e tudo mais. Vou explicar melhor para que a ideia fique clara.

Uma garota conhece um rapaz. Ele é educado, trata-a bem, é estudioso, faz faculdade, tem planos para o futuro, quer ganhar muito dinheiro, não tem vícios de bebidas, drogas, etc, tem um papo legal, gosta das mesmas coisas que a garota, escuta as mesmas músicas que ela, sai para os mesmos lugares que ela, etc, etc. Às vezes acontece o seguinte, a garota pensa: “Meu Deus! Esse garoto é perfeito. O quê que falta nele?…”. Por incrível que pareça, essa perguntinha faz com que ela sinta medo de se entregar a ele e possa iniciar um relacionamento, é o famoso medo de amar. No fundo, o que acontece é que ela sabe que se iniciar um relacionamento com ele, a probabilidade de haver um envolvimento emocional vai ser muito grande e tenderá a crescer cada vez mais, podendo levar a um futuro noivado ou até mesmo a um casamento. Aí ela aciona uma espécie de “freio”, que nada mais é do que medo. Nessa hora a melhor coisa a fazer é não ter medo, tirar todas as “minhocas” da cabeça, tirar todos os pessimismos e as possibilidades de frustração. Ainda digo mais, quando se conhece alguém que tem muita compatibilidade com você, é normal sentir medo. Existe uma dualidade chamada ENCANTAMENTO X MEDO, a pessoa se encanta, mas ao mesmo tempo sente um medo horrível de se envolver. O ser humano é, por natureza, um ser que duvida de tudo, sempre vem com aquele “e se?”, ou com o “será?” ou até mesmo com o “quando a esmola é demais o santo desconfia…”. Tudo frutos do medo. Dei esse exemplo assim, mas ele se encaixa perfeitamente na condição oposta, um garoto que conhece uma garota cheia de qualidades e um bom caráter, ele fica com medo de amar também, mas deve deixar isso de lado e se envolver mesmo. A alegria que ele vai sentir será muito maior do que esse medo de se entregar à pessoa.

Se você encontrou alguém especial, ame essa pessoa com tudo o que você pode...

Se você encontrou alguém especial, ame essa pessoa com tudo o que você pode…

Sabe de outra coisa que contribui muito para sentir medo de amar? Comparar a pessoa que se está conhecendo com alguém que já se relacionou antes. Agir dessa forma é terrível, é uma das formas de AUTOSSABOTAGEM. Adoro uma frase do Raul Seixas que sempre repito para meus amigos, ela diz assim: “cada um de nós é um universo…”. Essa pequena frase é uma das grandes verdades universais. Cada pessoa tem suas peculiaridades, e por causa de julgamentos e sofrimentos antigos, você pode estar deixando escorrer pelas suas mãos aquela pessoa que poderia ser até seu futuro esposo ou esposa.

Outra coisa que quero falar também é sobre o tempo, o medo de amar tem uma forte relação com o tempo. Por quê? Muito simples. Porque se leva muito tempo para se conhecer uma pessoa e saber se ela realmente é alguém para ter um relacionamento duradouro. Mais uma vez eu digo que a sociedade em que vivemos hoje tem muita influência, principalmente sobre os jovens. Se você é alguém que tem 20 anos, a sociedade lhe ensina que você deve “curtir a vida adoidado”, ficar com quem quiser, quando quiser e como quiser. Essa é a cultura do medo, e não da liberdade, como muitos afirmam. Será que é realmente uma liberdade ficar com muitas pessoas e depois voltar pra casa e continuar sentindo aquela sensação de desamparo? Deitar a cabeça no travesseiro e saber que talvez nunca mais veja de novo aquela pessoa que você ficou hoje ou até mesmo transou? Ou pior que isso? Saber que aquela pessoa não criou nenhum vínculo com você? Foi pura troca de carícias, beijos e fluidos? Aquele sentimento de se achar de todos e de ninguém ao mesmo tempo, como se fosse uma espécie de terreno baldio onde se joga o lixo? Essa é uma reflexão muito profunda, pense um pouco sobre isso…

Esse tema é muito amplo e complexo. Vou continuar falando dele no próximo post. Nele vou me voltar para aspectos mais psicológicos e vou indicar um livro que com certeza pode ajudar a todos que lerem. Enquanto isso eu vou deixar uma das músicas mais bonitas da cantora Vanessa da Mata que fala sobre o medo de amar, a música “Te amo”. Até o próximo post…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

5 Comentários

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5 Respostas para “O Medo de amar- Parte 1

  1. joaquim jeronimo

    Adorei !!!! Parabéns!!!

  2. Erika

    Adorei e verdade…parabens

  3. Adorei o texto! Em um dia desses eu estava pensando nisso, em como as pessoas estão com medo de se relacionar profundamente. Ontem assisti um vídeo em que, ao meu entender, o Renato Russo expunha também esse medo de amar e dizia que era adepto ao “relacionamento aberto”. Não sou fã dele, gosto de algumas músicas do legião, mas o título do vídeo me chamou a atenção quando o vi em uma postagem de um amigo no facebook. Sei que além das pessoas que são adeptas ao “viver a vida adoidado”, existe muita gente que é fã e acaba influenciado, seguindo a maneira de viver de seu ídolo e isso me preocupa. Se puder assista para ver o que você acha.

    • Entendi a sua colocação Carla e assisti a esse vídeo do Renato Russo. Sabe! Eu achei interessante o que ele falou nesse vídeo e vou te explicar o porquê. O Renato era um cara bastante intenso e extremamente sentimental. Ele sofreu demais nos relacionamentos que teve por causa disso, então o que ele expressou nessas palavras são as experiências amorosas e as conclusões DELE, exclusivamente dele.
      Ele viveu de uma forma intensa e aproveitou ao máximo. A grande questão é que existem mesmo pessoas que assistem querendo imitá-lo, mas aí já é de cada um. Eu não acho que a gente deve imitar ninguém. Sou totalmente adepto da autenticidade. Todos os dias falo para todo mundo que uma vida plena é uma vida autêntica.
      O Renato era um cara autêntico, mas autenticidade não tem absolutamente nada a ver com certo ou errado, entende? Isso são nossos pensamentos voltados para o ego que dizem. Não existe certo ou errado, só existe as experiências.
      E o amor sem medo exige sinceridade e logicamente a autenticidade. Se você é sincero tem tudo para ter relacionamentos incríveis. Como diria o grande Vinicius de Moraes: “Que seja eterno enquanto dure…”.
      É tanta coisa! Tantas reflexões! hehehe
      Em resumo o que quero dizer é isso! Siga sua verdade. Só isso. Isso já é muito, na realidade é o objetivo final de toda a nossa vida…
      Grande abraço!

  4. Obrigada pela resposta Isaias! Seus textos tem me ajudado muito. Abraço!

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