Ando só

Por Isaias Costa

facebook-narcisismo

Eu já falei algumas vezes nesse blog a respeito da solidão, ela aparece na vida de todas as pessoas, mas uma das coisas que mais tem agravado a solidão nos tempos de hoje são as queridas REDES SOCIAIS. Essa febre que existe de ter que postar alguma coisa para mostrar aos amigos o que está sentindo, o que anda pensando, o que vai comer no jantar, para onde vai sair no final de semana, como foi a balada ou o “happy hour” da sexta-feira, etc etc. Tudo isso e muito mais tem feito de forma bem sorrateira as pessoas se tornarem mais solitárias, e saiba que não estou me colocando como um espectador viu? Eu também faço o que estou dizendo agora e estou procurando dar um “freio” nisso, porque sei o que é o ESSSENCIAL, e sei que o essencial é invisível aos olhos, como diria o pequeno príncipe.

Quero lhe convidar a refletir sobre toda essa conexão febril do facebook e se questionar: Será que eu estou mais feliz com tanta comunicação virtual? Será que os meus relacionamentos estão mais ricos agora que tenho 800, 1000, 1500, 2000 amigos no facebook? As curtições do facebook me transmitem uma felicidade genuína ou são apenas formas de dizer: “Eu tô aqui viu?”; as fotos dos amigos no facebook me deixam feliz por eles ou me deixam com aquela pitadinha de ciúme e vontade de estar lá também ou de ter essa mesma oportunidade de viajar?…

Questione-se! Nesses últimos dias eu me fiz todos esses questionamentos e vários outros! Então resolvi expressá-los aqui com você hoje!

Quero deixar um texto incrível que fala sobre isso que questionei de uma forma bem mais aprofundada e direta. Esse texto é um verdadeiro tapa na cara dos “facebookeiros” de plantão! Leia e reflita sobre ele! Aproveite para compartilhar com os amigos e fazê-los refletir também.

E como eu adoro música, também vou deixar uma linda música que fala sobre a solidão. As redes sociais existem para nos aproximar e para compartilharmos coisas boas meus amigos, ela não existe para nos deixar tristes e solitários. Devemos ter o equilíbrio e saber como utilizá-las de forma sábia. Essa é a principal mensagem que quero transmitir a você hoje. E a música é a “Ando só”, dos Engenheiros do Havaii.

De acordo com Sherry Turkle, uma famosa psicóloga, escritora e diretora da Iniciativa “Tecnologia e Self” do MIT, a mídia “social” é, na realidade, apenas um meio para nos permitir estar sozinhos enquanto permanecemos conectados a muitas outras pessoas!

Um menino de 16 anos, que produz de mensagens de texto sobre quase tudo, disse melancolicamente: “Algum dia, mas não agora, eu gostaria de aprender a ter uma conversa.” Os jovens têm mudado de “ter uma conversa” para “permanecer conectado “. Quando você tem 3.000 “amigos” no Facebook, você não tem conversas reais com nenhum deles. Você só faz ologin para poder falar sobre si mesmo para um público seguro.

Conversas virtuais são momentâneas, rápidas, e às vezes brutais. Face a face, as conversas têm uma natureza completamente diferente: elas são mais lentas, repletas de nuances, e nos ensinam a sermos pacientes. Participar de uma conversa significa que precisamos ver as coisas do ponto de vista do outro, que é um pré-requisito para desenvolver empatia e altruísmo.

Muitas pessoas hoje sentem-se felizes em falar com máquinas que parecem se importar com elas. Está sendo feita uma pesquisa para desenvolver robôs sociais, destinados a se tornarem companheiros para crianças e idosos. Sherry Turkle viu uma mulher idosa confidenciar a um bebê foca robô sobre a perda de seu filho; o robô parecia olhá-la nos olhos e realmente seguir a conversa, e a mulher admitiu que isso a confortava.

Será que o individualismo foi tão longe em levar as relações humanas ao empobrecimento e ao isolamento ao ponto de conseguirmos encontrar compaixão apenas em robôs? Parece que estamos cada vez mais atraídos por tecnologias que oferecem a ilusão de companhia sem as demandas de relações humanas. Corremos o risco de desenvolver simpatia apenas por nós mesmos, e desenvolver o hábito de lidar com as alegrias e tristezas dentro de uma bolha de egocentrismo.

As pessoas costumam dizer: “Ninguém me ouve.” Facebook e Twitter agora proporcionam uma audiênca automática. No entanto, verificou-se que as redes sociais são principalmente um meio de auto-promoção.

Curiosamente, o desenvolvimento destas relações pseudo-humanas anda de mãos dadas com o medo da solidão. As pessoas agora estão com medo de ficar sozinhas consigo mesmas. Entregues a si próprias, sentem a necessidade de fazer um login. Segundo Turkle, as pessoas passaram da fase “Eu sinto algo, vou compartilhá-lo enviando uma mensagem”, à compulsão “Preciso sentir alguma coisa, preciso enviar uma mensagem “.

Falta-nos a capacidade de estarmos sós conosco mesmos, e assim nos voltamos para os outros, não para estabelecer uma relação altruísta e desenvolver um interesse sobre quem eles são, mas para usá-los como peças de reposição para apoiar nossas personalidades cada vez mais frágeis. Nós pensamos que, permanecendo “conectados” nos sentiremos menos solitários, mas na verdade acontece o oposto. Se não somos capazes de estar sós, somos mais propensos a sofrer de solidão. A pesquisa constatou que o americano comum sofre de uma forte crise de solidão, em média, uma vez a cada quinze dias. De acordo com Turkle, “Se não ensinarmos nossas crianças a ficarem sozinhas, sofrerão sempre de solidão”.

Nós também precisamos revitalizar o hábito de conversar no trabalho e em casa. Pessoas que participam com frequência de conferências e reuniões sabem que é geralmente durante as conversas de cafezinho que as interações mais frutíferas acontecem.

Matthieu Ricard

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