Arquivo do mês: julho 2013

De volta pra casa

Por Isaias Costa

Eu li um texto que me fez refletir sobre uma realidade que acontece muito mais frequentemente do que imaginamos, ainda mais neste mundo frenético e voltado para o TER, ou seja, para a conquista de bens materiais, para as competições entre as pessoas, rivalidades das mais diversas possíveis, egocentrismos, vaidades, prepotências…

Nessa corrida sem destino certo nos esquecemos de cultivar o que é belo, as relações interpessoais, o convívio com os amigos, com a família, os afetos entre pais e filhos, os diálogos…

Corremos para realizar nossos sonhos e crescer profissionalmente, mas temos que lembrar de voltar para casa, para os braços amorosos dos nossos pais, ou do marido, da esposa, receber o carinho dos filhos… Isso é o ESSENCIAL, é o que faz a nossa vida ter sentido pleno e alegria.

Para refletir sobre isso, deixo o texto da jornalista e publicitária Téta Barbosa. E ao final uma belíssima música que tem tudo a ver com este texto, a música “De volta pro aconchego”, da Elba Ramalho, na versão do grande Dominguinhos.

Quero aproveitar a oportunidade para homenagear este músico que vai deixar muita saudade no meu coração, o querido Dominguinhos, que infelizmente faleceu na semana passada (23/07/13). Que ele continue alegrando o coração das pessoas com suas belíssimas canções e com a lembrança do bom humor, alegria e sorriso sempre contagiantes…

DE VOLTA PRA CASA

Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta.

Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras.

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!

Mas, com quase 40 eu estava chegando lá.

Onde mesmo?

No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra FIM. Antes dela, avistei a placa de RETORNO e nela mesmo dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo.) É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo.

E num é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram 4 vezes em quatro anos) agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta e eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove a internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook , o Twitter e o Orkut juntos.

Aqui se chama ALDEIA e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama.

No São João, assamos milho na fogueira. Nos domingos converso com os vizinhos. Nas segundas vou trabalhar contando as horas para voltar.

Aí eu lembro da placa RETORNO e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: RETORNO – ÚLTIMA CHANCE DE VOCÊ SALVAR SUA VIDA!

Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “compre um e leve dois”.

Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta.

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Levantar do sofá

Por Isaias Costa

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Outro dia li um artigo de uma das maiores referências do Brasil quando o assunto é produtividade. Trata-se do escritor e pesquisador Christian Barbosa e o título do artigo é “O sedentarismo e o impacto na sua saúde”.

Eu sou um rapaz bastante observador e vejo que muitas pessoas obesas (a maioria) não têm bons hábitos alimentares, têm uma autoestima péssima, não procuram evoluir em ter gerais, muitas vezes se colocam como vítimas, etc. O artigo que li vem falar um pouco sobre o EQUILÍBRIO. O equilíbrio é fundamental para permanecer saudável e no peso ideal. Muitas vezes comer demais é apenas um MECANISMO DE FUGA para problemas que precisam ser resolvidos primeiro em nível de pensamento. Um dos provérbios mais conhecidos da humanidade é esse: “mente sã, corpo são”. Ele é muito verdadeiro, pois você só permanecerá sempre no peso ideal se sua mente estiver totalmente focada no seu peso ideal. Pode parecer brincadeira, mas muitas pessoas tem um “pensamento obeso”, isso mesmo! Algumas frases que eu escuto por aí são: “A vida passa muito depressa. Todo mundo vai morrer! Então eu vou morrer feliz, comendo tudo o que eu quero…” ou “Eu vou me empanturrar de comida enquanto sou jovem, vou aproveitar, porque sei que quando for velho não vou mais poder comer essas coisas…”, ou a pior de todas “Meu corpo não tem mais jeito, pra que fazer regime se depois eu vou engordar de novo, vai ser só pra ter raiva, me estressar…”. Nossa! Quando escuto essas palavras me dá um arrepio na espinha! Isso é o “pensamento obeso” e essa última frase que coloquei é terrível, porque a pessoa já desiste antes mesmo de tentar emagrecer. Eu conheço várias pessoas que estão nesse grupo e suas autoestimas são baixíssimas.

Uma coisa que percebo que tem levado mais pessoas ao sedentarismo são as muitas DISTRAÇÕES, principalmente na internet. As redes sociais (facebook, twitter, linkedin, flickr, youtube, myspace e por aí vai) entre outras distrações da internet e da televisão tem tirado o foco das pessoas e tomado todo o seu tempo livre. Não estou querendo dizer que as redes sociais não são importantes, são sim, mas elas devem tomar uma pequena parte do nosso tempo livre, tem que sobrar tempo para a convivência com amigos, com a família, com o namorado, a namorada, para leituras, etc, mas um tempo fundamental e precioso que precisa ser reservado é para alguma ATIVIDADE FÍSICA. E qual o meu conselho para você? O que praticamente todos dizem! Encontre algo que lhe dê prazer, não importa o que seja, pode ser ciclismo, futebol, natação, basquete, ou até algo radical como downhill ou escalada, desde que você reserve esse tempo. Eu consigo dividir meu tempo entre trabalho, faculdade, curso de língua estrangeira, convívio com amigos, namorada, leituras diárias, meus textos, o querido facebook e ainda tenho tempo de fazer exercícios todos os dias. Como eu consigo isso? Tendo FOCO. O foco é extremamente importante no sucesso em todas as realizações. Se você aprender a focar bem a sua energia para o que está fazendo no momento, tudo vai dar certo e sua produtividade será bem maior.

Eu intitulei este post como “levantar do sofá”. Você precisa levantar do sofá se quiser se manter saudável e no peso ideal, não pode haver preguiça. Tem que haver DETERMINAÇÃO. Você tem que fazer atividades físicas de forma constante e gradual, até que elas se tornem um hábito na sua vida. Como você já sabe, todo hábito leva tempo para ser cultivado, mas o hábito por atividades físicas é extremamente prazeroso, é um pouco ruim no começo, mas depois que você começa a ver os resultados na vida, na autoestima, na produtividade, etc, não vai mais querer saber de outra coisa, vai é sentir falta de um dia sem fazer exercícios.

Há muito que se falar sobre esse tema, mas vou ficar por aqui. Para concluir, quero compartilhar esse ótimo artigo do Christian Barbosa. Leia! É uma leitura que vale muito a pena…

O sedentarismo e o impacto na sua vida

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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O que os nossos filhos vão ouvir?

Por Isaias Costa

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Eu sou apaixonado por música e, principalmente, as nacionais. Desde garoto fui apresentado a grandes artistas da música brasileira e, posteriormente, aos internacionais. Lembro até hoje as duas bandas que fizeram de mim esse apaixonado por música, os Titãs e o Skank. Depois delas vieram muitas outras: Engenheiros do Hawaii, Raul Seixas, Legião Urbana, Kid Abelha, Nando Reis, Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto, Vanessa da Mata, etc. E tendo um pai bem eclético, também fui apresentado a muitos músicos antigos e aumentei meu repertório, tais como: Roberto Carlos, Os Incríveis, Odair José, Erasmo Carlos, Elis Regina, Nara Leão, Belchior, Milton Nascimento, Chico Buarque e por aí vai.

A música brasileira é riquíssima e sempre vou repetir isso! Porém, as músicas da atualidade estão me deixando perplexo e triste ao mesmo tempo. Grandes músicos talentosíssimos estão morrendo, outros já estão bem velhinhos, e não estou vendo tanta gente brilhante os substituindo. É uma pena dizer isso, mas é um fato. Então, pensando nisso, fiquei refletindo sobre o futuro e o que deixaremos de legado musical para os nossos filhos.

Há algumas semanas assisti a um vídeo que me deixou super emocionado, inclusive ficou famoso no youtube. Esse pequeno vídeo expressa completamente esse meu sentimento. Confira…

Veja só a qualidade da música que o pai estava ensinando ao seu filho? Nem preciso comentar não é? Simplesmente BEATLES! A maior banda de todos os tempos, que inspirou e ainda inspira milhões e milhões de artistas no mundo todo.

É assim que eu quero ser. Da mesma forma que fui apresentado a músicas de qualidade na minha infância, quero fazer o mesmo com meus filhos, futuramente. Hoje quero lhe fazer esse convite. Seja mais seletivo com as músicas que escuta! Existe uma beleza tão grande na música brasileira! E na internacional também! Só não vê isso quem não procura! Quem fica parado só ouvindo as músicas comerciais que tocam no rádio ou os lixos que passam na TV. Tempos atrás escrevi um texto falando um pouco sobre a música brasileira e coloquei várias que adoro ouvir. Se você ainda não leu o link é esse.

A degradação da música brasileira

Para concluir, quero dizer que nem tudo está perdido! Ainda temos grandes músicos compondo preciosas músicas e vou deixar algumas bem atuais para você conhecer (caso ainda não conheça). Espero que goste!





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Alma jovem

Por Isaias Costa

Hoje é o dia dos avós e quero fazer a minha homenagem a todos os avós. Eu admiro demais as pessoas idosas e gosto de aprender com as suas lições de vida. Adoro ouvir as histórias bonitas que eles têm pra contar. Eu sou jovem, mas tenho o desejo de me tornar um velhinho sábio e cheio de histórias bonitas para contar aos netos. Então, nesse dia tão especial, quero compartilhar uma história muito bonita que li uma vez, de uma jovem de 87 anos que se formou na universidade e era querida por todos.

Idosos

E como eu adoro música, nada melhor do que a célebre “Se você é jovem ainda”, do querido seriado Chaves. Boa leitura e parabéns a todos os avós do mundo inteiro! Que vocês permaneçam sempre jovens na alma e no espírito. “Existem jovens de 80 e tantos anos, e também velhos de apenas 26…”.

No primeiro dia na Universidade, nosso professor se apresentou e nos pediu que procurássemos conhecer alguém que não conhecíamos ainda. Fiquei de pé e olhei ao meu redor, quando uma mão me tocou suavemente no ombro.

Era uma velhinha enrugada cujo sorriso lhe iluminava todo seu ser. “Oi, gato. meu nome é Rose. Tenho oitenta e sete anos. Posso te dar um abraço?” Ri e lhe respondi com entusiasmo: “Claro que pode!” Ela me deu um abraço muito forte. “Por que a senhora está na Universidade numa idade tão jovem, tão inocente”, perguntei-lhe. Rindo, respondeu: “Estou aqui para encontrar um marido rico, casar-me, ter uns dois filhos, e logo me aposentar e viajar.” “Eu falo sério, lhe disse.

Queria saber o que a tinha motivado a enfrentar esse desafio na sua idade.” E ela disse: “Sempre sonhei em ter uma educação universitária e agora vou ter!” Depois da aula caminhamos ao edifício da associação de estudantes e compartilhamos uma batida de chocolate.

Nos fizemos amigos em seguida. Todos os dias durante os três meses seguintes saíamos juntos da classe e falávamos sem parar. Fascinava-me escutar a esta “máquina do tempo”. Ela compartilhava sua sabedoria e experiência comigo. Durante esse ano, Rose se fez muito popular na Universidade. Fazia amizades aonde ia. Gostava de vestir-se bem e se deleitava com a atenção que recebia dos outros estudantes. Desfrutava muito.

Ao terminar o semestre convidamos Rose para falar no nosso banquete de futebol. Não esquecerei nunca o que ela nos ensinou nessa oportunidade. Logo que a apresentaram, subiu ao pódio. Quando começou a pronunciar o discurso que tinha preparado de antemão, caíram no chão os cartões aonde tinha os apontamentos.

Frustrada e um pouco envergonhada se inclinou sobre o microfone e disse simplesmente: “Desculpem que eu esteja tão nervosa. Deixei de tomar cerveja pela quaresma e este whisky me está matando! Não vou poder voltar a colocar meu discurso em ordem, assim, se me permitem, simplesmente vou dizer-lhes o que sei.”

Enquanto nós riamos, ela aclarou a garganta e começou: “Não deixemos de brincar só porque estamos velhos; ficamos velhos porque deixamos de brincar. Há só quatro segredos para manter-se jovem, ser feliz e triunfar. Temos que rir e encontrar o bom humor todos os dias. Temos que ter um ideal. Quando perdemos de vista nosso ideal, começamos a morrer. Há tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem sequer sabem!”

“Há uma grande diferença entre estar velho e amadurecer. Se vocês têm dezenove anos e ficam na cama o ano inteiro sem fazer nada produtivo se converterão em pessoas de vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e fico na cama por um ano sem fazer nada terei oitenta e oito anos. Todos podemos envelhecer. Não requer talento nem habilidade para isso. O importante é amadurecemos encontrando sempre a oportunidade na mudança”.

“Não me arrependo de nada. Os velhos geralmente não se arrependem do que fizeram, senão do que não fizeram. Os únicos que temem a morte são os que têm remorso.” Terminou seu discurso cantando ‘A Rosa’. Nos pediu que estudássemos a letra da canção e a colocássemos em prática em nossa vida diária.

Rose terminou seus estudos. Uma semana depois da formatura, Rose morreu tranquilamente enquanto dormia. Mais de dois mil estudantes universitários assistiram as honras fúnebres para render tributo à maravilhosa mulher que lhes ensinou com seu exemplo que nunca é demasiado tarde para chegar a ser tudo o que se pode ser.

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Mamando na teta- Parte 2

Por Isaias Costa

No post passado eu falei sobre a relação entre egoístas e generosos no campo profissional e dos relacionamentos.

Mamando na teta – Parte 1

Hoje vou tratar da relação entre egoístas e generosos em um campo muito mais amplo, o Brasil. A população é a vaca com muito leite e o governo é um bezerrinho faminto por leite, que você sabe muito bem a cor e a textura. Esse leite se chama dinheiro público.

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Falar sobre o governo é sempre algo que deixa a maior parte das pessoas indignada e com os nervos a flor da pele, e não é pra menos! Você sabia que o Brasil possui uma das maiores cargas tributárias do mundo? Ou seja, os impostos pagos pelos brasileiros estão entre os maiores do mundo. Segundo os dados de 2012, a carga tributária do Brasil era de 34% do PIB. Se for fazer um balanço, o que cada brasileiro assalariado paga de impostos em relação ao tempo de serviço prestado segue uma relação mais ou menos assim, de janeiro até aproximadamente meados de maio tudo o que você trabalha é só para pagar impostos! É pouco? Pois é, esse é o nosso querido Brasil!

Mas para onde vai tanta riqueza material? Por que não temos educação de qualidade? Sistema público de saúde eficaz? Segurança? Boas oportunidades de emprego? A situação é muito complicada. Vivemos em um país assim exatamente porque existem muitos bezerros mamando nas tetas da população, ainda extremamente passiva e desinformada.

O que deve ser feito para que os bezerros (governo) parem de mamar nas tetas da população? Isso só será possível quando se fizer uma absoluta reforma política e econômica. Não quero me estender nisso porque ainda não tenho conhecimento ou autoridade suficiente para falar sobre algo tão sério e amplo. Ainda preciso amadurecer bastante e aprender sobre assuntos políticos para me expressar com mais embasamento. Como não quero falar sem ter embasamento, quero deixar um texto magnífico de um senhor que com certeza absoluta, tem grande conhecimento de política e uma visão privilegiada quanto ao governo e a sociedade. Estou falando do grande Frei Betto! Quer uma boa sugestão? Imprima essa reportagem que estou passando logo abaixo! Essa foi uma das melhores reportagens que li em toda a minha vida!

É mudando o mundo que a gente se transforma

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Mamando na teta- Parte 1

Por Isaias Costa

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Outro dia eu assisti a uma palestra do médico e psicoterapeuta Flávio Gikovate em que ele falava sobre os EGOÍSTAS e GENEROSOS. Nesta palestra ele deu um exemplo maravilhoso e extremamente didático para acabar com essa relação entre os egoístas e generosos, principalmente no campo profissional.

O exemplo utilizado foi o das vacas e suas tetas. Ele falou que um bezerrinho só mama porque sua mãe vaca tem tetas, se não existe a teta ele não mama. Não é tão simples e óbvio? É aqui que vem a grande questão. O bezerrinho é o egoísta e a vaca é a generosa. Em outras palavras, o bezerrinho só mama nas tetas da vaca porque ela permite isso, ela é generosa.

Como podemos aplicar isso no campo profissional? Ou até mesmo no campo dos relacionamentos? Pode-se aplicar perfeitamente! Para que acabe essa relação entre egoístas e generosos, é preciso haver uma mudança nos pensamentos e atitudes dos generosos, pois um egoísta só existe porque um generoso deixa que ele mame nas suas tetas. Uma palavra mágica que deve passar a fazer parte com mais frequência e determinação na vida do generoso se chama NÃO. É fundamental aprender a dizer não em determinadas situações. Se aquilo que o egoísta está propondo for algo que irá apenas lhe beneficiar (o que acontece em grande parte das vezes), e ele receber um não com veemência, não haverá a mamação de tetas, entende? Foi por isso que o Flávio deu esse exemplo! Uma forma muito simples e direta de como proceder!

Agora eu vou fazer um questionamento? É simples agir assim? Dizendo não ao egoísta? Posso garantir que não! Muitos generosos têm uma enorme dificuldade de dizer não a outra pessoa. Na realidade é um exercício que se faz e pode ser melhorado dia após dia. Tomo por mim. Quem me conhece sabe que já fui extremamente ingênuo e generoso, e por isso os egoístas se aproveitavam. Eu passei e continuo passando por muitas mudanças para não ser tão generoso ao ponto de ser um otário.

Existe um ponto muito sutil no que estou dizendo, é importante ser generoso. A generosidade é aguçada em nós a partir do sentimento de compaixão, que significa “sentir com”, ou seja, sentir alguma coisa sob a perspectiva do outro. A generosidade nos torna mais humanos, mas generosidade em demasia nos torna alvo de aproveitadores, que existem aos montes.

Ainda existe outro ponto importante, muitas vezes as pessoas mais generosas tem uma péssima autoestima, e são generosas para tentarem ser mais aceitas ou reconhecidas. Isso pode ser terrível! Ao invés de ajudar, faz com que se enterrem ainda mais na lama. Tempos atrás escrevi um texto e expliquei melhor isso. Se você ainda não leu, o link está logo abaixo.

O risco de querer agradar a todos

Nos relacionamentos essa relação entre egoístas e generosos é ainda mais complicada de se explicar, pois às vezes leva a muito sofrimento, porém, em muitas vezes leva a uma situação de CONFORMISMO, que é a pessoa se habituar a um relacionamento doentio e não mais vislumbrar algo diferente do que já vive. São aqueles relacionamentos em que não se tem mais novidades, diversões juntos, surpresas, enfim, um tédio total, com sofrimento dobrado, triplicado para o generoso da relação. Nossa! Esses casos são muito complicados e o mais indicado seria um acompanhamento com um bom psicólogo, uma pessoa de confiança e que dê boa liberdade para a pessoa se expressar e contar a sua situação. Talvez você conheça alguém assim! Eu conheço várias! E não há muito que se possa fazer, pois decisões quanto a relacionamentos são absolutamente pessoais e ninguém que esteja como espectador tem o direito de interferir diretamente, dizendo o que é certo ou errado, o que fazer ou não fazer. Inclusive alguns desses relacionamentos entre egoístas e generosos levam uma vida inteira e os cônjuges não vivem a plena alegria de um relacionamento saudável e equilibrado exatamente por causa do CONFORMISMO que citei acima ou por questões de ordem religiosa, educacional, etc. Infelizmente é uma dura realidade. Sempre que leio ou escrevo sobre isso me vem em mente uma belíssima frase da música “Nuvem“, dos Engenheiros do Hawaii: “Não vá perder a vida inteira com a pessoa errada, diga adeus, adeus…“. Essa música traz grandes lições e ensinamentos. Tempos atrás escrevi sobre ela, confira…

Nuvem que não se vai

Há muito mais a ser falado sobre isso, mas deixarei para outras oportunidades! No próximo post vou falar sobre a relação de egoístas e generosos no campo da política e dos governos do Brasil. Aguarde!

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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A propaganda é a arma do negócio

Por Isaias Costa

Eu já falei algumas vezes neste blog que não assisto televisão e tenho procurado não seguir o caminho imposto pelo sistema, o caminho do consumismo desenfreado. Hoje vou falar um pouco sobre o poder das propagandas no cérebro das pessoas.

Bens materias x felicidade

Lembre as propagandas de carros. Como elas são? De forma praticamente unânime, mostram um indivíduo “boa pinta”, vestido de forma super elegante, mostrando uma enorme vaidade e um poder quase infinito. É como se o carro o transformasse em um super-homem. As pessoas na rua param tudo o que estão fazendo para olharem o carro e alimentarem a vaidade do rapaz que o dirige. Mas o que acho mais interessante é que todos os carros estão colocados em “cidades fantasmas”, ou seja, a rua é exclusiva do carro da propaganda. Nada alimenta mais o desejo de comprar do que você se vê como o dono da rua, você ter toda a rua só para si. Com esses jogos de marketing todas as empresas de carros faturam bilhões de dólares todos os anos.

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As propagandas de cerveja. Em todas as propagandas a cerveja é oferecida com um bônus extra de uma mulher extremamente sexy e linda. Estas propagandas mexem com o desejo sexual dos homens e os levam a comprar cerveja para tentarem conquistar garotas lindas. Eu riu demais dessas propagandas, porque acontece justamente o contrário. Os homens bebem feito “loucos” e abordam as mulheres estando totalmente embriagados, com um hábito terrível, falando um monte de bobagens sem noção e como resultado você já sabe, levam um belíssimo “fora”. E então? Cadê a princesa encantada que apareceu na propaganda? Ela evaporou? Não! Ela nunca existiu! Ela aparece nas propagandas apenas para encher de dinheiro o bolso dos seus fabricantes.

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As propagandas de roupas. Sempre aparecem modelos lindas e homens charmosos. Eles usam uma tática infalível, a palavra APENAS. As propagandas dizem: “Leve esta roupa por apenas X reais…”. Mas as propagandas nunca contas os detalhes, as pessoas se encantam com os preços colocados e esquecem que o preço é o da TV se for à vista, mas poucos são os que compram à vista. Com isso, resolvem comprar à prazo pagando juros enormes e dividindo em várias prestações. As dívidas do cartão de crédito começam a crescer e a desordem total se instala. Essa é a nossa querida sociedade consumista.

As propagandas de remédios ou aparelhos de exercícios para emagrecer. Elas sempre mostram homens e mulheres sarados e malhados. Homens com tríceps enormes e barriga de tanquinho e mulheres com cinturinha de pilão e uma bunda arrebitada. As pessoas olham e pensam que estes remédios e aparelhos vão fazer um “milagre” em suas vidas. Eu não consigo entender como que as pessoas conseguem se influenciar por essas propagandas. Desde que era criança me fazia a pergunta: “Será que essas pessoas que aparecem na propaganda um dia já foram obesas?”. A resposta é simples e direta, NÃO. Elas são contratadas e quase sempre são modelos ou pessoas da área de Educação Física. Eu já falei várias vezes aqui, mas vou repetir. Quer emagrecer? Reduza a quantidade de alimentos gordurosos e vá fazer exercícios físicos. Não existe nenhuma mágica para quem quer emagrecer. O caminho é através de muito esforço e dedicação.

A geração fat e fast

As propagandas de produtos de limpeza. Todas mostram uma casa linda e maravilhosa, as roupas brancas como as nuvens, o chão brilhando com estrelinhas prateadas, as pessoas felizes e bem vestidas, tudo impecável. O que as pessoas fazem? Compram! Porque querem uma casa maravilhosa como a da propaganda e querem ser felizes como as pessoas que aparecem nela.

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Propagandas de eletrodomésticos e móveis. Elas utilizam outra tática infalível. O DESPENCAR DE PREÇOS. Elas dizem: “O guarda roupa que custava R$ 1200,00; baixou para R$ 1000,00; para R$ 900,00; mas agora está por R$ 800,00. Aproveite, porque é só até quinta-feira…”. O que as pessoas fazem? Compram! Porque não podem perder a “liquidação”, que não tem nada de liquidação. O guarda roupa deve valer no máximo uns R$ 600,00, mas eles fazem você acreditar que vale R$ 1200,00; e você cai como um patinho nesta cilada.

Você percebe o poder de persuasão destas propagandas? Todas elas seguem PADRÕES DEFINIDOS. Se você entender bem como são esses padrões não vai se deixar levar pelas propagandas e não se tornará um consumidor compulsivo. Espero que tenha feito você refletir sobre isso.

Para terminar, vou retransmitir uma frase que já coloquei em dois posts e vale ouro: “Pessoas saudáveis e felizes não sentem que precisam de muita coisa que já não tenham, e isso significa que elas não compram um monte de porcarias, não precisam de tanto entretenimento e acabam não assistindo a tantos comerciais…”. Escreva esta frase em um lugar importante e leia quantas vezes for possível. Vamos deixar o mundo consumista apenas para as pessoas consumistas. Vamos fazer parte de um time de pessoas mais conscientes!

E se você gostou desse tema e quer ler um pouco mais a respeito sugiro que leia o link abaixo! Tem tudo a ver com o que falei aqui…

A publicidade pode estar acabando com a sua vida

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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A sua natureza última

Por Isaias Costa

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Outro dia li uma transcrição de uma palestra do mestre Dalai Lama e uma parte em especial me chamou a atenção. Esta aqui:

“A natureza da água é ser limpa e pura, mas muitas vezes quando ela se mistura com o barro ou outra substância, ela fica turva, porém por mais suja que ela possa estar, a sua natureza essencial é límpida. Isso vale para a nossa mente: por mais turva que a nossa mente possa estar pelas nossas emoções destrutivas, a realidade última da nossa mente é que ela é límpida e por isso essa separação se torna possível. As emoções destrutivas nos divorciam da realidade. A sabedoria pode dar a compreensão da realidade última e esse é o antídoto. Por mais potentes que possam ser as emoções destrutivas, por mais sobrecarregada de negatividades que possa estar uma mente, essas negatividades podem ser absolutamente limpas, pois elas não são a natureza última.”

A nossa natureza última é o BEM, o AMOR, a COMPAIXÃO. Porém, vivemos em uma sociedade em que a natureza última é exatamente o contrário, o MAL, o ÓDIO, o EGOÍSMO. Isso que estou dizendo também foi dito de forma extraordinária pelo Dalai Lama. Veja…

“Nós humanos existimos em nossa forma atual por algo em torno de cem mil anos. Acredito que, se durante esse tempo a mente humana tivesse sido primordialmente controlada por raiva e ódio, nossa população teria decrescido. Todavia, hoje, apesar de todas as nossas guerras, nos damos conta que nossa população é a maior de todos os tempos. Isto claramente me diz que o amor e a compaixão predominam no mundo.

E, é por isso que eventos desagradáveis são notícia. As atividades compassivas são tão comuns em nossa vida diária, que são dadas como certas e, portanto, largamente ignoradas.”

É importante que tenhamos bem estabelecido nas nossas mentes que vivemos em um mundo muito melhor do que vemos noticiado na TV. É como eu já falei outras vezes, a mídia tem como um dos maiores objetivos nos EMBRUTECER, ou seja, retirar a nossa esperança por dias melhores e por uma sociedade melhor. Essa sociedade melhor pode existir SIM, e milhões e milhões de pessoas estão construindo essa sociedade todos os dias, mas essas pessoas trabalham em silêncio, não se importam de aparecer no “Jornal Nacional”, entende? O “Jornal Nacional” não quer perder tempo mostrando notícias de uma sociedade feliz e harmonizada, porque isso não dá IBOPE, o que dá IBOPE são notícias de desgraça, como as que vemos diariamente. Mas eu estou aqui hoje para lhe mostrar a vida e o mundo sob uma perspectiva totalmente original e sábia…

Se focarmos toda a nossa vida e, principalmente, os pensamentos, no bem, na harmonia, no amor, na concórdia, etc. O resultado disso é que as nossas águas se tornarão límpidas e o rio da nossa vida se tornará cada vez mais puro. O contrário também pode acontecer. Se focarmos nossa vida e pensamentos no que é destrutivo, pouco a pouco as nossas águas vão se tornando mais turvas e poluídas pelo mal.

Portanto! Reflita sobre essas sábias palavras e torne-se um rio de águas límpidas, com águas puras, ou seja, com pensamentos positivos, que se refletirão nos comportamentos, na saúde do corpo, nas amizades, nos relacionamentos amorosos, no trabalho, etc…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Quantidade e qualidade do sono

Por Isaias Costa

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Um tema de extrema importância é o sono. Eu levo a qualidade e quantidade do sono muito a sério, porque sei dos enormes prejuízos que isto pode acarretar na minha saúde, no ânimo, na produtividade, nas emoções e comportamentos, no metabolismo, na memória, e por aí vai.

Um dos primeiros textos que escrevi foi falando da relação que existe entre o sono e a assimilação de novos conteúdos pelo cérebro. Aos que não leram segue o link.

https://paralemdoagora.wordpress.com/2012/09/23/a-assimilacao-de-novas-ideias/

Hoje quero compartilhar uma excelente reportagem que fala sobre a quantidade e qualidade do sono, feita pelo endocrinologista Alfredo Halpern e pela neurologista Dalva Poyares.

Quantas horas você precisa dormir para ficar bem durante o dia? Quais os efeitos a longo prazo de descansar pouco? E o que fazer para relaxar durante a noite e acordar mais disposto?

Uma pesquisa feita durante quatro anos pela Universidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, mostra que exercícios constantes melhoram, além da saúde física, a capacidade de decisão e a memória das pessoas. Segundo Dalva, a privação de sono a longo prazo pode encurtar a expectativa de vida, desencadear problemas metabólicos (como obesidade e diabetes), aumentar doenças cardiovasculares e diminuir o rendimento físico e mental.

Para dormir bem, a médica recomendou não fazer atividade física intensa até 3 horas antes de deitar, tirar os sapatos e vestir uma roupa confortável, esvaziar a mente e pôr as pendências e preocupações no papel, comer uma fruta ou algo leve à noite (evitar café e alimentos de difícil digestão), fazer uma leitura leve e ouvir uma música relaxante.

Quem tem filho pequeno sabe que é ainda mais complicado ter uma noite restauradora. É o caso da psicóloga Clodine Teixeira, que acorda várias vezes de madrugada para cuidar do bebê, Rafael. “A falta de sono vai gerando uma tensão e, a cada vez que levanto, é mais difícil voltar a dormir”, afirmou.

Nessa história de privação, também há a figura do pai, o arquiteto Miguel Otávio Landi. “Consigo ter um ciclo maior de sono, de 5 horas seguidas. Às vezes acordo no meio da noite, quando a situação está muito pesada”, contou. Miguel já passou por vários momentos como esse, por causa do Exército, de excesso de trabalho e outros motivos.

O casal planeja, em um futuro próximo, dormir oito horas por noite para ter mais bem-estar, se sentir mais relaxado e atento ao longo do dia e cuidar melhor do filho.

A experiência de descansar pouco é compartilhada pelo motoboy João Vianey Freitas, que dorme cerca de 4 a 5 horas diárias por conta dos três contratos de trabalho que cumpre. “Há horas em que dá um pouquinho de sono, depois do almoço, mas aí dou uma cochilada se tiver um intervalo, dou uma ‘pescada’”, disse.

Quando não tem compromissos na agenda, João aproveita para dormir 12, 14 horas seguidas. “Mas é meio atrapalhado, porque você acorda no outro dia desnorteado, sem saber onde está, o que aconteceu”, explicou. Na opinião do motoboy, que começa suas atividades às 6 horas e só termina à meia-noite, o dia deveria ter pelo menos 36 horas para comportar tudo o que precisa fazer. Mas, como isso não é possível, a dica é organizar melhor a agenda e reservar um tempo mínimo de 6 horas para descansar.

Dormir bem não tem idade

As pessoas que dormem melhor ficam mais dispostas. É o caso de um grupo de idosos superativos que dorme bem e acorda cheio de energia. A aposentada Maria do Carmo levanta às 6 horas, de segunda a domingo, e vai direto para a caminhada. Ela também é adepta da ioga e da natação.

Repousar durante o dia também pode ajudar. “Depois do almoço, dou uma cochiladinha, antes da novela da tarde, por meia hora, e já estou bem”, revelou a aposentada Neide Milon.

A neurologista Dalva Poyares destacou os benefícios da atividade física para o sono e também para o humor. De acordo com ela, o ideal é terminar o exercício até três horas antes de deitar, para baixar a temperatura corporal.

Por fim, Halpern disse que os adolescentes dormem melhor e têm mais necessidade de sono. Segundo Dalva, nessa época há um “atraso de fase”, que faz com que o jovem durma mais tarde e acorde mais tarde, hábito que pode ter uma explicação fisiológica.

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Gente nasceu pra querer

Por Isaias Costa

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O ser humano é um ser que nunca se satisfaz 100% com nada, sempre fica com aquela sensação de “eu quero mais”, ou reclamações do tipo “só isso?”, e as clássicas expectativas “Quando eu tiver tal coisa eu…”. Eu fico impressionado com essa enorme capacidade do ser humano de achar que nada é bom o suficiente. Para entender melhor o que estou tratando, quero compartilhar um texto excelente que fala sobre isso, de autoria do psicanalista Flávio Bastos, com o título “Insatisfações latentes”.

E para terminar com música, uma que tem tudo a ver com o tema, a música “Gente”, do grande Raul Seixas: “Gente tá sempre querendo chegar lá no alto, pra no fim descobrir já cansado que tudo é tão chato…”.

Insatisfações Latentes

O homem é um ser insatisfeito?

Se analisarmos a questão pela observação das demais espécies vivas da natureza planetária, o homem, por ser dotado de capacidade intelectual, diferencia-se das outras espécies porque questiona a sua existência. E, ao questioná-la, costuma levantar muitas dúvidas a respeito de porque ele existe num pequeno planeta perdido na imensidão de um universo sem fim.

O problema não é o questionamento existencial que é necessário e saudável. O problema maior, digamos, é o sentimento de insatisfação que o homem experimenta consigo mesmo. Insatisfeito, o indivíduo acumula durante sua vida, pequenos descontentamentos que ao acumularem-se tornam-se focos (origens) de psicossomatizações.

Frustrações, desilusões e, principalmente, desamor são as principais causas das depressões traduzidas por sentimentos de insatisfação e incompletude perante a vida.

Atualmente, impressiona o que se observa no relacionamento interpessoal: as pequenas queixas diárias que se fossem analisadas revelariam um conteúdo inconsciente de recentes e atávicas insatisfações acumuladas.

Observa-se pessoas que criaram o hábito diário de reclamar de tudo: da fila do banco que não anda, do tempo frio e chuvoso, do tempo quente e seco, do olhar de determinada pessoa, enfim, encontram sempre um motivo para reclamar de alguma coisa aonde estiverem.

A insatisfação “crônica” é um estado de espírito asfixiante e paralisante que além de comprometer o bem estar bio-psico-espiritual do ser, atrasa o seu crescimento integral. Necessita de tratamento psico-espiritual, o indivíduo que insatisfeito consigo mesmo introjeta e projeta os venenos diários em si mesmo e no outro.

Estudos científicos revelaram que nos “bastidores” dos comportamentos psicóticos de poder (auto)destrutivo, encontra-se em ebulição um psiquismo que esconde insatisfações diante de um mundo que tornou-se, para esses indivíduos, extremamente ameaçador.

As doenças, em grande parte, são o resultado da “contaminação” psíquico-espiritual pelo comportamento queixoso, insatisfeito e pessimista do ser humano. Situação que o mantém indefinidamente refém de suas próprias limitações.

Muitas pessoas possuem o suficiente para viver a vida com dignidade: têm um teto para morar, comida na mesa, acesso aos estudos, família saudável, amigos e um certo conforto no lar. No entanto, continuam a experienciar a sufocante sensação de incompletude como se uma energia desconhecida forçasse caminho na tentativa de preencher vazios de desejos recalcados.

Torna-se praticamente impossível para o indivíduo sentir-se satisfeito e realizado na vida se não aceitar em si a natureza transcendental que pede passagem e lugar em seu desenvolvimento integral. Sentir-se um ser de natureza espiritual é o primeiro passo para quem quiser erradicar de seu interior o vício das reclamações diárias que contaminam alma e corpo. No contexto vital, as manifestações da espiritualidade, inerentes a todos os seres dotados de inteligência, sensibilidade e poder criador, devem fluir com naturalidade…

Não somos mais minúsculos organismos vivos perdidos na imensidão dos oceanos. Somos criaturas que evoluíram com o passar dos milênios. A exemplo do universo, expandimos ininterruptamente a nossa consciência. Hoje, no terceiro milênio, temos uma visão além do sol e da lua e já contemplamos o cosmos com uma consciência mais próxima de Deus.

A fábula “O círculo vicioso”, de Machado de Assis, retrata as mazelas humanas representadas pelo ciúme e pelo sentimento de insatisfação. É um belo exercício de reflexão sobre a vida.

Bailando no ar, gemia inquieto o vagalume:
“Quem me dera que fosse aquela loura estrela
que arde no céu azul como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
“Pudesse eu copiar o transparente lume,
que da grega coluna à gótica janela,
contemplou suspirosa, a fronte amada e bela!”
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal que toda luz resume!”
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
“Pesa-me esta brilhante auréola de nume…
Enfara-me esta azul e desmedida umbrela…
Porque não nasci eu um simples vagalume?”

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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