Completar e complementar

Por Isaias Costa

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Outro dia eu li um texto bem interessante que falava sobre o desapego e um trecho em especial me chamou a atenção e me inspirou a escrever. O autor fez uma breve distinção entre completar e complementar. Veja…

“A pior escravidão é aquela que acontece em função dos apegos, em que a pessoa tem a ilusão que precisa necessariamente de coisas e pessoas para ser feliz.

Muitos atribuem a arte de encontrar felicidade a um relacionamento ideal, a um emprego bom, um carro do ano, uma casa na praia. Todas essas coisas, se aproveitadas com equilíbrio, podem complementar felicidade na vida de qualquer pessoa, jamais completar, o que é bem diferente. Complementar quer dizer aumentar algo que já existe. Completar quer dizer preencher algo que está vazio.”

Bruno J. Gimenes

Completar e complementar são duas palavras extremamente parecidas, mas com significados bem diferentes. Como o próprio autor fala, o complementar é uma coisa boa, já o completar pode ser bastante prejudicial, dependendo do caso. As pessoas que esperam em pessoas ou em coisas a completude para a sua felicidade, fatalmente terão frustrações. É impossível que pessoas ou coisas nos completem, mas é possível que nos complementem, entende a diferença?

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A questão do apego tem uma forte relação com o completar. As pessoas muito apegadas criam uma espécie de campo magnético e têm uma percepção um pouco desfocada da realidade. Elas convivem com a pessoa amada como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo e as outras não tanto assim. Isso pode ser extremamente perigoso, porque interfere nas relações sociais e familiares. Eu escrevi um texto mais detalhado falando sobre isso. Vale a pena conferir…

O campo magnético dos apegados

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O apego a coisas é tão sério quanto o apego a pessoas. As que se apegam a coisas constantemente criam vícios diversos e que muitas vezes comprometem as relações com os mais próximos e o pior, comprometem as suas próprias qualidades de vida. Dois exemplos comuns são: as pessoas que se apegam a coisas velhas, elas são reféns de si mesmas, olham para os objetos velhos e sem utilidade como se fossem muito úteis e importantes. Esse transtorno faz com que muitos criem verdadeiros “montes de lixos e tranqueiras” só porque não conseguem se desfazer de tais objetos. Outro exemplo são as pessoas que se apegam ao dinheiro sendo mesquinhas demais. Elas ficam com uma obsessão e um medo terrível de que o seu dinheiro possa acabar se gastarem com algo que não seja de extrema necessidade. Esses indivíduos também vivem presos dentro de uma jaula criada pelo próprio medo de ficarem sem dinheiro, e isso leva a conflitos entre as pessoas mais próximas ou até mesmo com a família. O que posso dizer é que esses transtornos devem ser levados muito a sério e curados com a busca incessante pelo autoconhecimento, e se o transtorno tiver raízes profundas o melhor é procurar uma ajuda profissional de um psicólogo.

A importância do desapego

Quero concluir falando sobre o valor das coisas ESSENCIAIS na nossa vida. Eu sempre gosto de repetir a célebre frase do livro “O pequeno príncipe”: “O essencial é invisível aos olhos…”. O essencial é o amor a Deus, são as relações interpessoais, o relacionamento com os familiares, a relação com a natureza, etc. Essas são as coisas que nos completam. E o que é não essencial são os bens materiais. Eles servem apenas para nos complementar, veja que estou dizendo que eles são importantes, mas não são essenciais. É ótimo ter conforto, ter um bom salário, ter um carro e uma casa confortável, poder viajar, conhecer lugares bonitos, ter boas roupas, etc. Mas devemos sempre lembrar que o essencial não é isso, que o essencial se esconde na SIMPLICIDADE e nas pequenas coisas da vida.

A beleza da simplicidade

E para refletir, um ditado bem conhecido que tem tudo a ver com o que foi colocado: “Nós devemos amar as pessoas e usar as coisas e não amar as coisas e usar as pessoas…”. Pense sobre isso…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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