Gandhi e a comunicação não violenta

Por Isaias Costa

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Nesta semana assisti a um filme maravilhoso e vou fazer uma breve reflexão sobre ele. Trata-se do filme “Gandhi”, de 1982, que conta a sua trajetória de vida. Apesar de ser um filme bem antigo, ainda não o conhecia. É uma obra prima e recomendo fortemente que você o assista.

Mohandas Karamchand Gandhi é o nome do grande homem que veio a se tornar o Mahatma Gandhi, que o mundo inteiro conhece. Esse termo “Mahatma” significa “Grande Espírito” e ele o recebeu por ser um homem muito espiritual e também uma grande liderança na Índia. Ele era advogado e dono de um vasto saber acadêmico. Um homem baixinho e franzino, mas com uma humanidade extraordinária e um coração bondoso e pacífico. Antes de iniciar a sua missão de paz e luta pacífica pela independência da Índia, sua vida era pacata e voltada mais para os estudos, mas quando sentiu que a Índia estava vivendo momentos difíceis e conflituosos abraçou com todas as suas forças a missão de libertar seu país do cárcere e das repressões do governo inglês. Ele criou um princípio chamado Satyagraha (princípio da não agressão, forma não violenta de protesto) como um meio de revolução. Esse princípio atingiu proporções tão grandes e tantos adeptos que outras grandes personalidades da História também o praticaram, como Martin Luther King, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá ou o padre Frédy Kunz no Brasil (um santo homem que fundou a Irmandade do Servo Sofredor, tendo como baluarte o São Maximiliano Kolbe), com quem minha mãe e meu pai conviveram diretamente e visitava a nossa casa quando eu era só um garotinho. Vou deixar abaixo uma pequena biografia do padre Frédy Kunz, que, dos citados, é o menos conhecido, mais com uma história de vida tão bonita quanto à dos outros.

Histórico Frédy Kunz

Uma ideia transmitida ainda nos primeiros minutos do filme e se estende até o final é sobre a igualdade entre as pessoas. Achei incrível uma cena em que mostra o Gandhi e sua esposa lavando latrinas, uma atividade considerada nojenta e de pessoas inferiores. Ele transmite de forma brilhante a ideia de que lavar latrinas não é mais ou menos prestigioso que dar um discurso, ser um grande chefe, um juiz, um advogado, um médico. Não! Em outras palavras ele está falando sobre as profissões e mais implicitamente sobre as religiões. Todas as profissões são honrosas e os trabalhadores de todos os setores tem a mesma importância, além de não existir uma religião melhor do que a outra, todas tem a mesma importância e levam ao mesmo Deus, é uma pena que ainda existam tantas pessoas que discordam disso. Eu procuro muito levar essa filosofia e mística para minha vida diária. Não me sinto melhor do que ninguém por ter uma formação de nível superior, muito pelo contrário, me sinto na obrigação de servir e dar o melhor de mim, já que tive a oportunidade de adentrar no mundo do conhecimento e aprender com os maiores Físicos, Matemáticos, Filósofos, Teólogos, Psicólogos, Psicanalistas, Escritores, que este mundo já teve. Para mim é um dever fazer o bem e transmitir às pessoas os meus conhecimentos. De que adiantaria guardá-los só para mim? Qual seria a minha contribuição para esse mundo se tudo que eu lesse não fosse colocado em prática na minha vida? Pense sobre isso e procure servir! Utilizar os seus talentos para ajudar as pessoas, à sua forma, como diria o querido Gandhi.

Para que serve o conhecimento

O valor do serviço

A mensagem mais bonita do filme tem a ver com isso, fazer o bem à sua forma. Em um diálogo com uma moça que estava cuidando dele em sua casa, ele disse para ela o seguinte: “Quando fico desesperado eu me lembro de que, em toda a História, a verdade e o amor sempre triunfaram. Houve tiranos e assassinos que pareciam invencíveis durante algum tempo. Mas, no final, eles sempre caem. Pense nisso. Sempre. Quando estiver em dúvida se esta é a vontade de Deus ou se é assim que o mundo deve ser, pense nisso. E então, tente agir à sua maneira”. Faça o bem! À sua maneira! O mundo inteiro agradecerá por sua atitude!

Talvez seja do seu conhecimento, mas é bom tratar aqui. O Gandhi fazia sua revolução pela paz através de longos jejuns. Quando a violência e as mortes começavam a acontecer por causa dos protestos, ele simplesmente ficava em jejum até que prometessem diante dele que não fariam mais nenhum tipo de mal ou atos violentos. E desta forma ele conseguiu arrastar milhares de pessoas para a tão sonhada independência da Índia.

É triste dizer isso, mas mesmo com toda a sua vida voltada para a paz e o amor, ele morreu assassinado a tiros na cidade de Nova Déli por um hindu radical enfurecido no dia 30 de janeiro de 1948. Seu nome está e sempre estará marcado para sempre na História. Um homem que iniciou um princípio que vai se perpetuar neste mundo e será praticado por homens e mulheres de coragem e convicção, com ideais de vida sólidos e profundos.

Agora vou falar a mensagem mais importante de todas. O Gandhi vivia a não violência e este princípio é parte de um estudo muito bonito e vasto no campo da Psicologia, mas não é conhecido por muitas pessoas, se chama “Comunicação Não Violenta” e tem a sigla CNV. Sobre esse estudo há muita informação disponível na internet, mas quero compartilhar com você um texto incrível do psicólogo Frederico Mattos que trata desse tema de forma simples e fluida. É uma leitura longa, porém, muito agradável. Sugiro a você que pegue uma boa xícara de café antes de lê-lo, ou se preferir, que imprima para ler com mais cuidado e atenção, grifando os pontos mais importantes. A comunicação não violenta é uma prática de vida que se for levada a sério pode literalmente mudar este mundo tão cheio de desequilíbrios e violências. Neste texto, o Fred dá grande ênfase à comunicação verbal, inclusive através das redes sociais. Há muitos xingamentos e palavras torpes por lá, que ferem profundamente os internautas. Eu tenho um grande carinho por esse texto e ele está entre os meus favoritos, espero que goste e reserve um tempo para lê-lo.

Comunicação não violenta: o que é e como praticar

E se quiser assistir a esse filme vou deixar como sugestão que você o baixe na internet. Vamos aprender com esse homem tão simples e inesquecível, que marcou a História deste mundo com seu testemunho de vida…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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2 Comentários

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2 Respostas para “Gandhi e a comunicação não violenta

  1. É uma história incrível. Adorei o post

  2. Filme ma-ra-vi-lho-so, como o próprio Gandhiji. Nunca é demais divulgá-los.
    Forte abraço.

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