Martin Luther King e seu sonho

Por Isaias Costa

Semana passada, publiquei um texto refletindo um pouco sobre a trajetória de vida de um homem extraordinário, o querido Mahatma Gandhi. Ele criou um princípio chamado Satyagraha, que é o princípio da não violência como forma de revolução. O dos grandes mártires da história que seguiu este princípio foi o grande Martin Luther King, e hoje quero compartilhar um artigo muito interessante publicado pela revista “Vida Simples” e que conta um pouco sobre a sua trajetória de vida e seu grande sonho de um mundo mais humano e sem preconceitos raciais. Se você ainda não leu o texto sobre o Gandhi, segue o link.

Gandhi e a comunicação não violenta

Ao final também vou deixar o vídeo com o seu discurso mais famoso, proferido há exatos 50 anos, no dia 28 de agosto de 1963. Eu me arrepio dos pés a cabeça a cada vez que assisto a esse discurso. Foi e sempre será um dos discursos mais emocionantes da história da humanidade. Uma grande viva a esse homem inesquecível!… martin-luther-king Martin Luther King Jr. tinha um sonho: que homens e mulheres fossem considerados iguais, sem levar em conta a cor da pele. Que todos pudessem frequentar as mesmas escolas, sentar-se lado a lado em ônibus, comer em mesas vizinhas no restaurante uma realidade distante para os negros norte-americanos há 40 anos.

Para realizá-lo, o líder negro usou os métodos de outro libertário. Assim como o indiano Mahatma Gandhi, ele mobilizou milhares de pessoas para mudar o mundo de forma pacífica. A luta contra a segregação racial acabou se transformando em um pesadelo pessoal para King, que foi preso 20 vezes, sofreu quatro atentados, teve a família ameaçada. Aquele que defendeu até o fim a resistência pacífica foi calado em 4 de abril de 1968 por um tiro de fuzil. Mas seu sonho de igualdade começou a se tornar realidade.

As palavras de Gandhi

A formação cristã e o brilho pessoal tiveram tudo a ver com o papel que o líder negro assumiu na luta pelos direitos civis, que mudou a cara dos Estados Unidos. King nasceu em 1929, em uma família em que o pai e o avô eram pastores protestantes na Geórgia. Desde cedo, percebeu que capacidade intelectual não era privilégio de nenhuma raça. Seu desempenho escolar fez com que os professores logo cedo o considerassem apto a ir para a faculdade. Aos 15 anos se matriculou na Morehouse College, uma universidade só de negros. Ao se formar em sociologia, aos 19 anos, King partiu para um novo desafio: estudar em uma instituição que aceitasse negros e brancos em pé de igualdade. Começava ali o caminho que iria transformá-lo em liderança mundial.

Naquela época, o jovem King só queria se tornar um pastor protestante. Foi para a Pensilvânia, estado um pouco mais ao norte, além da fronteira dos preconceitos raciais. O primeiro contato com a nova realidade não foi nenhum choque. Ao contrário, foi uma surpresa boa. King se tornou líder de uma classe de maioria branca. Outra vez a vida lhe mostrava que capacidade dessa vez para liderar não tinha cor.

A resposta definitiva viria em uma nova temporada de estudos, quando King se mudou para Boston, para concluir um doutorado em teologia. Lá conheceu Coretta, com quem se casou, e entrou em contato com o pensamento de Mahatma Gandhi (1869-1948).

Depois de uma palestra na universidade sobre o líder da independência indiana, King se apaixonou pelas ideias dele. E passou a adotar seus métodos na luta pelos direitos civis. O pacifista ajudou a libertar os indianos. O método, chamado de satyagraha (verdade e firmeza, em sânscrito), pregava a mobilização sem violência. King se convenceu de que ódio gera mais ódio, uma mensagem de Gandhi que caía como uma luva em seu pensamento cristão. Essa crença passou a ser pregada por King aos seus fiéis, no Alabama.

Marcha pela liberdade

King promoveu marchas e mais marchas pela igualdade no transporte público, sempre pacíficas, contrastando com os métodos violentos dos racistas. A casa dele sofreu um ataque a bomba, que não o feriu fisicamente, mas serviu para arranhar sua crença. A polícia, que fazia vista grossa aos ataques, tentou reprimir com violência quem se manifestava pela causa negra. Prevaleceu a justiça. A Suprema Corte reconheceu a inconstitucionalidade da lei de segregação do Alabama. Após 382 dias de mobilização,os moradores de Montgomery passaram a dividir igualmente assentos e portas dos ônibus da cidade. King virou celebridade nacional.

De fato, não foram poucas as derrotas que sofreu. Em Albany,King foi espancado pela polícia junto com outros participantes de uma marcha contra restrições a negros em locais públicos. Em outro protesto, em Birmingham, a repressão foi ainda mais violenta. King foi preso. Da cadeia, escreveu uma carta em resposta a religiosos cristãos e judeus que lhe pediam mais serenidade.

Depois veio a virada. A repercussão da violência empregada pela polícia de Birmingham, transmitida pela TV, e a carta escrita por King da prisão chamaram a atenção do norte do país. Ele aproveitou o momento para convocar uma marcha a Washington em favor dos direitos civis. Em 28 de agosto de 1963, 200 mil pessoas ouviram o discurso “I Have a Dream”. A mensagem era forte: “Eu tenho o sonho que meus quatro filhos um dia viverão em uma nação em que não serão julgados pela cor de sua pele, mas pela essência de seu caráter“.

A marcha de Washington provocou manifestações em várias localidades do sul. Várias vozes se juntaram contra a segregação. O debate sobre direitos civis avançou e chegou à esfera federal. O presidente da época era John Kennedy, o primeiro integrante do Partido Democrata eleito depois de muitos anos e o primeiro católico a ocupar a Casa Branca. O momento era ideal para o sonho começar a virar realidade.

Em 1964, Kennedy promulgou a Lei dos Direitos Civis, que proibia em todo o país a segregação em locais públicos e a discriminação em escolas e para postos de trabalho. Outra vitória aconteceu no ano seguinte, os negros receberam o direito de votar. King passou a ser conhecido em todo o mundo como uma espécie de seguidor negro de Gandhi. Aos 35 anos, foi o homem mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

Contra o Vietnã

King alimentava seus seguidores com uma retórica com ares religiosos. Em outro discurso que ficou famoso, em 3 de abril de 1968, o líder negro disse: “Nós teremos dias difíceis pela frente. Mas isso realmente não importa para mim porque estive no topo da montanha.Vi a terra prometida. Posso não chegar lá com vocês, mas eu quero que vocês saibam que nós, como um povo, iremos chegar à terra prometida“.

Parte do discurso soou depois como premonição. No dia seguinte, King foi assassinado na varanda de um hotel em Memphis, no Tennessee. A autoria do disparo até hoje é um mistério. James Earl Ray, um segregacionista que foi preso pelo crime, chegou a confessar. Foi condenado a 99 anos e voltou atrás, dizendo que só havia assumido o assassinato atrás de uma pena menor. Histórias de conspiração envolvendo o FBI foram levantadas, mas nunca provadas. Em 1997, a família de King considerou Ray inocente e apoiou um novo julgamento, mas ele morreu um ano depois, antes que fosse realizado.

É verdade que a terra prometida ainda está longe. A desigualdade social entre negros e brancos persiste até hoje. Mas as mensagens de King mantêm seu poder, como convite às mudanças pessoais e sociais.

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