A patologia silenciosa chamada normose- Parte 1

Por Isaias Costa

normose

Existe uma patologia bastante comum na nossa sociedade, mas conhecida por um número reduzido de pessoas. Ela se chama NORMOSE. Seu conceito está logo abaixo, feito pelo psicólogo Pierre Weil:

“A normose pode ser considerada como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria de pessoas de uma determinada sociedade, que levam a sofrimentos, doenças e mortes. Em outras palavras: que são patogênicas ou letais, executadas sem que os seus autores e atores tenham consciência da natureza patológica.”

Não vou me estender nesse tema, pois não tenho muitos conhecimentos a respeito. Meu principal objetivo é deixar a reflexão do que é a normose e os seus malefícios para si e para a sociedade.

A normose está sendo introjetada na vida de muitas pessoas, que podem até mesmo ter sucesso profissional e financeiro, mas estão profundamente infelizes no seu interior. São pessoas que têm uma enorme dificuldade de olharem para dentro de si mesmas, e se projetam o tempo todo para fora, para aquilo que não é o essencial.

O psicólogo Pierre Weil foi um dos criadores deste termo, que se tornou base de grandes estudos no campo da Psicologia. Quero compartilhar um pequeno trecho de um discurso seu, em que conta a própria experiência de ter comprovado ser um normótico. Confira…

A maneira mais simples de fazê-los entender do que se trata será contando um pouco do que se passou comigo há algumas décadas. Isso nos levará, ao mesmo tempo, aos aspectos pessoais e sociais que levaram à criação do conceito de normose. Lembro-me da crise existencial pela qual passei aos trinta e três anos de idade. Com o conhecimento que tenho hoje, identifico-a como conseqüência de uma normose. Foi, tipicamente, a crise de um normótico que ainda não sabia nada a respeito da normose. Fazia prosa sem o saber, como diz um jargão popular.

Por que afirmo que eu era normótico? Minha crise ocorreu por eu ter procurado ser normal, de ter realizado o que uma sociedade recomendava e recomenda até hoje sobre o que é ser um homem bem-sucedido. A sociedade, por meio dos meus pais, moldara um ser humano bem-sucedido aos trinta e três anos. Um homem de sucesso porque eu tinha tudo: tinha a minha residência, tinha a minha casa de campo, tinha a minha piscina, tinha meu cargo na universidade, tinha o meu cargo junto ao presidente do maior banco da América Latina, tinha o meu consultório, tinha o meu livro best-seller, tinha entrevista na televisão, tinha, tinha, tinha, tinha… E minha normose era, justamente, ter. Havia introjetado toda uma civilização do ter. Eu tinha, tinha tudo e estava muito infeliz, não era um homem realizado. Conformado a este contexto, eu acabei tornando-me normótico.

Por quê? Porque eu segui a norma que me levou à patologia: a patologia moral – era profundamente infeliz; a patologia social – me divorciei porque, quando se está infeliz, culpam-se os outros; e uma patologia orgânica – a separação me levou a fazer um câncer. Então, já temos o conceito da normose: é o conjunto de hábitos considerados normais e que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade e à doença. Embora resumida, é a definição que eu tenho seguido até hoje, muito útil e clara…

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O que acho mais interessante no seu discurso é ele ter dito que tinha, tinha, tinha, tinha… e era profundamente infeliz. O que tem de pessoas que se enquadram nesta realidade é algo impressionante e incalculável. Mais uma vez volto a questão do ESSENCIAL. Precisamos entender que o essencial está nas coisas simples da vida, e não no dinheiro, no poder, na fama. Tudo isso é passageiro!

Qual o caminho para reverter a normose? Eu acredito que o principal é: ACREDITE EM VOCÊ E NOS SEUS POTENCIAIS. Um processo importantíssimo para o desenvolvimento dos talentos é a aceitação. Quando você aceita no mais profundo da sua mente aquilo que tem como talento, ele passa a ser desenvolvido dia após dia de uma forma bastante natural. Roberto Crema foi um dos precursores desse estudo e disse o seguinte: cada um de nós tem talentos diversos, mas “o normótico padece de falta de empenho em fazer florescer seus dons e enterra seus talentos com medo da própria grandeza, fugindo da sua missão individual e intransferível”. “Quando temos necessidade de, a todo custo, ser como os outros, não escutamos nossa própria vocação”. Quer evitar a normose? Desenvolva os seus talentos até o limite do seu limite, e assim, você fará maravilhas para si, para os seus amigos, para a sociedade e para o mundo inteiro. Se quiser ler um pouco mais sobre o tema do desenvolvimento dos talentos, escrevi um texto interessante tempos atrás. Confira…

A aceitação e o desenvolvimento dos talentos

Tudo bem! Eu falei sobre a reversão da normose, mas não falei sobre pessoas que combateram e combatem a normose. Isso é assunto para o próximo post. Aguarde…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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1 comentário

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Uma resposta para “A patologia silenciosa chamada normose- Parte 1

  1. Erika

    Ja tinha lido sobre isso, é uma reflêxão sobre a vida, se é isso que realmente queremos viver na normalidade na mesmice sem tentar algum novo seguir regras dessa sociedade em que vivemos. Se optarmos viver assim seremos infelizes, mas se reagirmos conseguiremos mudar o rumo dessa sociedade!!

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