O futuro da humanidade

Por Isaias Costa

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Um dos livros que mais me trouxe ensinamentos e me fez refletir se chama “O futuro da humanidade”, do psiquiatra e escritor Augusto Cury. Vou fazer uma pequena abordagem desse livro e deixá-lo como excelente sugestão de leitura.

Do que esse livro trata? Ele conta a estória do estudante de Medicina Marco Polo, que acaba de iniciar o curso e está super empolgado para aprender sobre o universo do ser humano. Toda a estória se inicia quando ele faz uma pergunta extremamente audaciosa e imprevisível na primeira aula de anatomia, para um dos professores mais renomados e respeitados da instituição. Os alunos olham para os corpos despidos nas macas com certo medo de dissecá-los e conhecerem as entranhas do corpo humano. Nesta hora ele faz a pergunta fatal.

Qual o nome das pessoas que vamos dissecar?

E o doutor, incomodado com a pergunta responde:

Esses corpos não têm nome.

Então Marco Polo indaga:

Como não têm nome? Eles não choraram, não sonharam, não amaram, não tiveram amigos, não construíram uma história?

E o professor, com imensa frieza diz:

Esses cadáveres não têm história. São mendigos, indigentes, sem identidade e sem família. Morrem pelas ruas e nos hospitais e ninguém reclama a existência deles. Não seremos nós que a reclamaremos.

E continuou:

Se você quiser tentar identificá-los, procure informações na secretaria do departamento. Ah! E se, por acaso, encontrar uma história interessante de um desses indigentes, por favor, traga-nos para que possamos ouvi-la.

Ele tomou tais palavras como um desafio e fez exatamente isso. Olhou os arquivos na universidade e ficou inquieto e curioso com um dos cadáveres que era chamado de “poeta da vida” e havia sido identificado por um mendigo chamado Falcão.

Ele procura o local onde esse mendigo chamado Falcão vivia e tenta alguma comunicação com ele. Aos poucos Marco Polo vai percebendo que ele não era um homem qualquer, mas era dono de uma sabedoria incomum. Intrigado com o homem ele inicia diálogos cada vez mais complexos e ricos. E desta forma, vão se tornando amigos.

Um dos grandes ensinamentos desse livro é sobre o JULGAMENTO e sobre a EMPATIA. Este mendigo sábio podia muito facilmente ser tachado de louco ou de escória da humanidade, mas Marco Polo viu nele o que praticamente nenhum de nós consegue ver, um ser humano, cheio de complexidades e com um universo particular infinito. E sobre a empatia, porque o estudante de Medicina, sendo da alta sociedade, conseguiu enxergar o mendigo não a partir do seu olhar cheio de preconceitos, mas a partir do olhar dele, e pôde enxergar a vastidão do seu universo.

O Falcão era o amigo mais próximo do “Poeta da vida” e Marco Polo o instigou pouco a pouco a contar sua fascinante estória de vida. Depois de conhecer tal estória ele teve a ousada atitude de levar o Falcão a uma aula de anatomia para falar aos estudantes a belíssima estória do “Poeta da vida”, deixando todos perplexos e seu professor se sentindo humilhado e insignificante diante do “Poeta da vida”.
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Esse livro nos ensina a apreciar as pequenas coisas da vida e a desenvolver a verdadeira sabedoria, que não vem dos livros, mas da vida. Uma frase que acho maravilhosa neste livro é a seguinte: “Ricos são os que extraem muito do pouco e livres são os que perdem o medo de ser quem são”. Ser rico é ver a beleza escondida no que é simples, é ter sempre motivos para sorrir, mesmo quando passamos por situações que nos entristeça. Essa frase questiona os que são ricos financeiramente, mas miseráveis na emoção e na psique. Estes são mais miseráveis do que o mais pobre dos mendigos. E ser livre é ser autêntico, é ter coragem de se mostrar como uma pessoa frágil, imperfeita e incompleta, isso é a perda do medo de ser quem é. Nós sempre crescemos quando reconhecemos nossas fragilidades, e é justamente as nossas fragilidades que nos tornam fortes. Essa é uma das contradições mais bonitas que consegui extrair deste livro e aplicar na minha própria vida. Pense sobre isso…

Outro ensinamento maravilhoso que aprendi nesse livro e quero deixar como um pensamento para os leitores é a arte do elogio. O Augusto Cury mostra o quanto um elogio pode ser terapêutico, muitas vezes até mais do que as terapias convencionais, pois leva as pessoas a se sentirem mais autoconfiantes. O ser humano é carente de amor e afeto por natureza, e nossa sociedade está proliferando pessoas que perderam esta magnífica arte. Depois que li esse livro passei a elogiar muito mais as pessoas e ver na prática o quanto elas se sentem bem, felizes, realizadas, úteis, belas, através de um simples gesto. Uma das frases que gravei profundamente na mente diz o seguinte: “Elogie as pessoas em público e as critique em particular”. Infelizmente, a maior parte das pessoas faz exatamente o contrário, critica em pública e elogia em particular, ou simplesmente nem elogia. Isso gera grandes problemas de autoestima e amor próprio. Como pode alguém ter autoestima sendo criticada veementemente e em público? Isso é extremamente doloroso. Portanto! Desenvolva a arte do elogio! Tenho certeza que seus frutos serão eternos, tanto para você, quanto para aqueles a quem você elogiar.

Outro ensinamento muito profundo deste livro é sobre a humildade e simplicidade para aprender com tudo e com todos, principalmente com os mais humildes. Eu realmente vivo essa grande verdade. Uma das pessoas que mais me ensinou grandes virtudes foi a minha avó, que era analfabeta, não sabia nem escrever seu próprio nome, mas criou divinamente bem seus nove filhos, e sempre serei grato a ela por sua imensa sabedoria, que me ensinou a extrair muito do pouco, a valorizar as pessoas especiais que cruzam o nosso caminho, a ajudar quem tem menos do que eu, a deixar as portas abertas para acolher quem pedir ajuda etc. Aprenda que muitas vezes, aqueles que tem menos conhecimento acadêmico são os que mais nos ensinam grandes coisas para a vida real, esta que não se define nos livros ou artigos científicos. Procuro ser simples e aprender com todos que cruzam o meu caminho, até mesmo com aqueles que me causam raiva. Já constatei o quanto eu me tornei uma pessoa melhor justamente porque várias pessoas já me deixaram com raiva. Isso pode parecer contraditório, mas essas pessoas me ajudaram a cultivar cada vez mais os meus relacionamentos mais ricos. Essas pessoas me ensinaram que ninguém pode agradar a todos, que por mais que procuremos fazer o bem, sempre terá alguém querendo nos derrubar. Tudo isso eu aprendi com as pessoas que já tive raiva. Não é fantástico? Se você já sentiu raiva de alguém, em vez de se irritar ainda mais, agradeça pela sua existência! Aprenda a extrair muito do pouco! Você pode fazer uma revolução desta forma, sabia?

https://paralemdoagora.wordpress.com/2012/11/09/o-risco-de-querer-agradar-a-todos/

Esse livro inteiro é um convite à humanização, a interiorização, ao cultivo de virtudes nobres como a humildade e a simplicidade, ao desenvolvimento da arte da dúvida, da crítica, do elogio. Ao crescimento da nossa alma poética, para todos sermos poetas da vida.

Quero deixar esse magnífico livro como sugestão de leitura. Um livro que me ajudou a ser um ser humano melhor, mais rico e mais livre. Para terminar, deixo uma bela frase dita pelo personagem Falcão:

Vocês podem calar a minha voz, mas não os meus pensamentos! Vocês podem acorrentar meu corpo, mas não a minha mente! Não serei plateia dessa sociedade doente, serei autor da minha história! Os fracos querem controlar o mundo; os fortes, o seu próprio ser! Os fracos usam as armas; os fortes, as ideias!

Vamos ser autores da nossa própria história? Cada dia, cada instante, cada experiência, cada sonho, cada mudança, cada realização, nos leva a construirmos nossa história. Que a sua seja repleta de alegrias e de sonhos, para que, assim, uma nova humanidade surja, com pessoas cada vez mais ricas no território da emoção e conscientes do seu papel no mundo. Que este seja o futuro da humanidade…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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1 comentário

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Uma resposta para “O futuro da humanidade

  1. Simplesmente fantástico.
    Não conseguia para de lê esse link!

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