Arquivo do mês: dezembro 2013

Gratidão, simplicidade e felicidade

Por Isaias Costa

Há poucos dias assisti a um vídeo incrível do publicitário Deivison Pedroza que fala sobre várias coisas, mas em especial para a gratidão, a simplicidade e a felicidade. Fiz questão de transcrever o texto para que você tenha a oportunidade de ler sempre que quiser, de imprimir, de levar para os amigos, para o trabalho, para onde for.

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Uma frase em especial neste vídeo me fez lembrar de um excelente livro chamado “Você é insubstituível”, do psiquiatra e escritor Augusto Cury. A seguinte frase: “Você esquece de que você é único no mundo. Privilegiado diante dentre 7 bilhões de habitantes”. Esse é um livro bem pequeno, dá pra ler em menos de três horas, mas mostra a riqueza da nossa vida e o quanto nós somos importantes nesse mundo. Ele mostra de forma brilhante o quanto nós somos insubstituíveis! Este livro pode facilmente ser baixado em pdf na internet.Vale muito a pena!

Você reclama. Diz que sua vida não muda. Que nasceu por sorte. Você esquece de que você é único no mundo. Privilegiado diante dentre 7 bilhões de habitantes.
Você come, bebe, dorme, fica aí parado esperando que as coisas mudem.
Mas você nãoé capaz de se lembrar do que comeu ontem.
Sequer se lembra do aniversário de seus poucos amigos. Fica aí, parado e anestesiado pelo individualismo. Pela falsa ideia que seu dinheiro lhe proporciona. Você apenas sobrevive.
E por que não vive?
O difícil mesmo é quebrar a inércia. O dia acaba e a noite chega, todos os dias. E você envelhece sem pensar no amanhã. Dizendo que sua vida não presta.
Acha pouco o que tem?
Já parou para olhar ao seu redor?
Tirar os olhos do óbvio e contemplar aquilo que ninguém vê, o que passa despercebido pela pressa do seu cotidiano.
Nos pequenos detalhes, nos mais ínfimos gestos, pode estar ali a felicidade.
Pare de reclamar e procure ver a vida por outros ângulos.
Saia do quarto, de sua casa, vá para outro bairro, mude de cidade, e se puder, visite outro país, e volte melhor do que era.
Não tenha vergonha de suas origens.
Lembre-se! Tem muita gente que come pouco ou quase nada.
Que bebe o que tem e implora para que suas crias não morram de fome e sede. E morrem.
Tem gente que não tem quase nada, mas mesmo assim é feliz.
E você? Não é feliz por quê?
Por que não foi ao shopping?
Por que não tem o emprego dos sonhos?
Por que não comprou o carro da moda?
Por quê?
A felicidade que você procura, às vezes está na simplicidade da vida que você leva agora e que muitos de nós invejamos.
Mas você acha difícil ser simples e quer mudar tudo e todos.
Para que acumular as riquezas e abrir mão da paz, dos amigos e familiares, do bem-estar?
Saiba que o dinheiro não compra essas dádivas.
Paz, serenidade e uma vida simples ao lado de pessoas simples em uma cidade pequena. Vivendo em comunidade, de forma colaborativa, onde tudo é compartilhado e os auxílios são recíprocos.
Esse lugar é o mesmo onde provavelmente você já vive hoje. Onde a vida, apesar das dificuldades, nos proporciona a felicidade. Então, se quer que o mundo mude, mude você primeiro, que o mundo muda com você.

Gratidão sempre...

Gratidão sempre…

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A luta pela paz

Por Isaias Costa

O nosso mundo conheceu e ainda há de conhecer muitos mártires, recentemente um deles se foi nos deixando saudades eternas, o querido e amado Nelson Mandela. A sua missão de vida era a luta pela paz, pela liberdade e por igualdade entre as pessoas. Ele sempre será uma imensa fonte de inspiração para milhões e milhões de pessoas no mundo todo. Inclusive uma de suas célebres frases diz: “A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias”.

Mas por que estou falando sobre isso? Porque de todas as lutas, eu acredito que a mais bonita e honrosa é a luta pela paz. Outro dia li alguma palavras de um homem muito sábio que revolucionou a educação no nosso país. É claro que estou falando do ilustríssimo Paulo Freire. Veja o que ele pensa a respeito da luta pela paz:

“De anônimas gentes, sofridas gentes, exploradas gentes aprendi sobretudo que a paz é fundamental, indispensável, mas que a paz implica lutar por ela. A paz se cria, se constrói, na construção incessante da justiça social. Por isso, não creio em nenhum esforço chamado de educação para a paz que, em lugar de desvendar o mundo das injustiças, o torna opaco e tanta miopizar as suas vítimas.”

Paulo Freire: Um homem inequecível

Paulo Freire: Um homem inesquecível

O Paulo Freire foi um dos homens mais inteligentes e sábios no campo da educação que esse país já teve. Não é à toa que a sua obra é tão estudada e sua pedagogia é tão levada para as salas de aula, pois se trata de uma pedagogia revolucionária. Ele lutava pela paz com unhas e dentes, e não utilizava armas de fogo nessa luta, mais utilizava um arsenal muito mais poderoso: o conhecimento, a inteligência, a sabedoria e os sonhos.

Sonhos e Inteligência

Com essas armas muito mais poderosas do que qualquer bomba atômica esse senhor registrou para sempre o seu nome no universo educacional e no coração de milhões de pessoas, e eu me incluo na lista.

Como realizar a luta pela paz? Não é tão simples! Mas acredito que a primeira coisa é desenvolver o nosso caráter! Pois através de um bom caráter nós desenvolvemos o que de melhor existe dentro de nós, passamos a nos conhecer e desenvolver os talentos individuais com mais facilidade, harmonia e equilíbrio. Com certeza o caráter dos grandes mártires foi crucial para que eles realizassem as suas lutas pela paz. Temos vários exemplos, mas vou citar os que mais me influenciam: o próprio Nelson Mandela, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, São Francisco de Assis, Santa Teresa de Ávila, e acima de todos esses, o mestre dos mestres Jesus Cristo. Todos eles tinham um caráter forte, determinado, e tinham um poder de liderança indescritível. Se quiser ler um pouco mais sobre eles, já escrevi sobre todos. Vou deixar os links logo abaixo:

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* Nelson Mandela

* Mahatma Gandhi

* Martin Luther King

* Madre Teresa da Calcutá

* São Francisco de Assis

* Santa Teresa de Ávila

* Jesus Cristo

O Paulo Freire sabia muito bem que nós vivemos em um país corrupto e cheio de injustiças, por isso ele fala sobre esse verbo “miopizar”, ou seja, não enxergar com clareza a nossa realidade cheia de injustiças. A luta pela paz é a mesma luta por justiça, por direitos humanos, por igualdade. Sabendo disso eu poderia até dizer que a missão de vida do querido Freire tem sim muita semelhança com a desses mártires que citei anteriormente, pois ele levou a sua pedagogia revolucionária até o último dia de sua vida, da mesma forma que fizeram os mártires, porém, pouquíssimas são as pessoas que param para pensar sobre isso, mas hoje você está tendo essa oportunidade de pensar sobre essa perspectiva e também se tornar um bom guerreiro, que luta pela paz juntamente com tantos outros.

Quero encerrar com uma música que acho incrível e tem uma letra divinal. A música “Soldado da Paz”, dos Paralamas do Sucesso! Vamos nos tornar soldados da paz e nunca nos deixemos abater pelas adversidades, ainda que a guerra pareça perdida, pois quanto mais se sacrifica a vida, mais a vida e o tempo são os nossos aliados…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

 

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Espiritualidade básica

Por Isaias Costa

Cambodia, Angkor Wat, Buddhist Monk at sunset

Eu estou aprendendo muito a ter uma percepção mais aguçada da vida e da espiritualidade a partir de um grande mestre, o Dalai Lama. Hoje vou compartilhar algumas palavras suas para falar sobre o que ele chama de espiritualidade básica e que foram extraídas de seu livro “A arte da felicidade”.

“Quando falamos em ter na nossa vida uma dimensão espiritual, já identificamos nossas crenças religiosas como um nível de espiritualidade. Agora, com relação à religião, se acreditarmos em qualquer religião, isso é bom. Porém, mesmo sem uma crença religiosa, ainda podemos nos arranjar. Em alguns casos, podemos nos sair melhor. Mas esse é nosso próprio direito individual. Se quisermos acreditar, ótimo! Se não quisermos, tudo bem. É que existe um outro nível de espiritualidade. É o que chamo de espiritualidade básica- qualidade humanas fundamentais de bondade, benevolência, compaixão, interesse pelo outro. Quer sejamos crentes, quer não sejamos, esse tipo de espiritualidade é essencial. Eu particularmente considero esse segundo nível de espiritualidade mais importante do que o primeiro, porque, por mais maravilhosa que seja uma religião específica, ainda assim ela só será aceita por um número limitado de seres humanos, somente uma parte da humanidade. No entanto, enquanto formos seres humanos, enquanto formos membros de uma família, todos nós precisamos desses valores espirituais básicos. Sem eles, a existência humana é difícil, é muito árida. Resultado, nenhum de nós consegue ser feliz, toda a nossa família sofre com isso e a sociedade acaba ficando mais perturbada. Logo, torna-se claro que cultivar valores espirituais básicos dessa natureza passa a ser crucial.”

Se as pessoas compreendessem bem o que o Dalai Lama está transmitindo com essas palavras o mundo seria totalmente diferente. Leia com atenção! Em nenhum momento ele fala sobre religião A, B, C! Ele fala sobre a espiritualidade de uma forma muito mais ampla do que puramente religião! O que acho mais interessante é que ele fala dos níveis de espiritualidade. O primeiro nível com as crenças religiosas e o segundo nível como a espiritualidade básica. Sendo o segundo nível bem mais importante que o primeiro. Aqui está a maior sutileza dessas palavras. As crenças religiosas são muito importantes, mas existe algo ainda mais importante, que é a espiritualidade básica, esta que é vivida no dia a dia e nas experiências acumuladas.

Se você é alguém que só desenvolve a espiritualidade no primeiro nível, dificilmente atingirá um grau de felicidade e harmonia grandes como o que o Dalai Lama propõe. A religião e as práticas religiosas são formas de se buscar Deus e conviver com os irmãos de forma que todos estejam juntos por um mesmo ideal. Aqui já está incutida a ideia dos grupos de oração. Eles são muito importantes, estes grupos existem para aproximar os irmãos com ideias em comum, e isso traz uma grande alegria e satisfação, sentimento de pertença e utilidade, de valorização dos talentos etc. Agora a espiritualidade vivida no cotidiano está no segundo nível. Apenas ter crenças ou participar de grupos não dá todos os recursos necessários para uma vida completamente harmoniosa e feliz, é preciso mais que isso, é preciso desenvolver os sentimentos nobres citados pelo Dalai Lama e outros mais (compaixão, benevolência, interesse pelo outro, honra, caridade, justiça, humildade etc).

Para reforçar a ideia que estou transmitindo transcrevo também algumas palavras do psiquiatra Howard C. Cutler que falam sobre a verdadeira espiritualidade.

“A verdadeira espiritualidade é uma atitude mental que se pode praticar a qualquer hora. Por exemplo, se nos encontramos numa situação na qual poderíamos nos sentir tentados a insultar alguém, imediatamente tomamos precauções e nos impedimos de agir dessa forma. De modo semelhante, se encontrarmos uma situação na qual talvez percamos as estribeiras, ficamos alertas imediatamente e dizemos a nós mesmos que não, que essa não é a atitude adequada. Na realidade, isso é a prática espiritual. A partir dessa perspectiva, sempre teremos tempo para as práticas espirituais.”

Está compreendendo? Você pode não seguir uma religião e mesmo assim ser uma pessoa religiosa. Um ateu pode ser uma pessoa religiosa, e pode ser até mais do que alguém que passa o dia inteiro enfurnada dentro de uma igreja e não vive a espiritualidade básica. O que vai garantir que você é uma pessoa espiritual é a própria vida, o dia a dia, o convívio com as pessoas e com as adversidades.

Enfim. Eu quero lhe levar a refletir sobre essas questões tão importantes e que procure buscar elevar seu nível de consciência e espiritualidade. Vou deixar um link antigo em que falei sobre algumas experiências simples que considero “Experiências religiosas”, se você não leu ainda, recomendo que leia, tem tudo a ver que o que foi exposto aqui.

Experiências religiosas

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Um homem que expandiu meus horizontes

Por Isaias Costa

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É com imensa alegria que hoje faço menção a um dos homens que mais expandiu os meus horizontes. Ontem ele completou 75 anos. O seu nome é Leonardo Boff e ele nasceu no dia 14 de dezembro de 1938. Quem é ele? Provavelmente você já leu ou ouviu este nome alguma vez. Ele é um grande intelectual que ficou famoso por ser um dos precursores da Teologia da Libertação, que se trata de uma Teologia mais voltada para os pobres e para a mística da simplicidade e desprendimento.

O Leonardo Boff escreveu muitos livros e vários deles foram publicados em diversas línguas. Ele era padre e teve uma coragem colossal de bater de frente com muitas doutrinas católicas que fugiam e ainda fogem totalmente à mística de Jesus Cristo. Por mexer diretamente com assuntos do Vaticano e do cerne da Igreja Católica, ele foi ameaçado inúmeras vezes e recebeu punições, por conta deste clima tenso e restritivo, ele decidiu abdicar do sacerdócio em 1992.

Este homem possui um nível de consciência avassalador. Com ele aprendi muitas coisas, inclusive sobre temas que são um pavor para quase 100% da população, como a morte. Com ele eu aprendi a ver a morte sob uma perspectiva libertadora, redentora e santificadora. Aprendi também a apreciar todas as belezas provindas da natureza. Aprendi a observar a divindade da natureza. Deus não é um senhor severo, forte e de barba branca, esse deus não passa de uma alegoria criada pelo homem para tentar apresentá-lo como sua imagem e semelhança. Deus está em mim, em você, nos animais, nas plantas, no ar que você respira, na água que você ingere, no vento que toca seu corpo. Deus é uma energia, não um objeto, algo material, algo concreto. Não! Essa compreensão holística de Deus e sua natureza eu devo muito a esse meu grande amigo chamado Leonardo Boff.

Não vou me estender, porque vou compartilhar um texto magnífico que fala sobre ele de uma forma bem mais detalhada e colocando algumas de suas referências. Ele escreve constantemente em seu blog, e reescreve quase todos em inglês, espanhol, italiano e alemão, escrito por ele em todas as línguas. O link do seu blog está logo abaixo.

Blog Leonardo Boff

E o texto que compartilho é o do engenheiro florestal Danilo Scorzoni, que faz parte de uma série do site “papo de homem” chamada “homens que você deveria conhecer”. Recomendo fortemente a sua leitura, é um texto incrível e traz informações muito interessantes sobre esse grande homem. Parabéns a este intelectual que fez e continua fazendo um trabalho tão bonito. Vida longa e paz ao grande Leonardo Boff…

Leonardo Boff: homens que você deveria conhecer

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O que é ter saúde mental?

Por Isaias Costa

Meu amigo incompreendido Friedrich Nietzsche

Meu amigo incompreendido Friedrich Nietzsche

Hoje compartilho com os leitores um texto mais do que genial, do mestre Rubem Alves, em que ele fala sobre a saúde mental. Que, ao contrário do que muitos pensam, ter saúde mental é se deliciar com as obras dos escritores mais complexos e considerados doentes pela nossa sociedade, tais como o querido Nietzsche, e fugir das literaturas estreitas, superficiais, além da bendita TV, com sua programação quase que totalmente alienante.

Nós vivemos em um mundo que está emburrecendo, e a maior parte das pessoas está ficando com preguiça de pensar, de ler algo que desafie o intelecto e que nos leve para patamares mais altos do conhecimento.

Espero que ao ler esse texto você se questione sobre a mediocridade das pessoas e tenha o desejo de se tornar um pouco mais louco! Porque os considerados loucos têm bem mais saúde mental que a grande massa das pessoas que simplesmente só segue a boiada…

A mediocridade das pessoas

O mundo precisa de loucos

SAÚDE MENTAL

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maikóvski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. van Gogh se matou. Wittgenstein se alegrou ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakóvski suicidou.
Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias se comportam bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado, nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!), ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, que tenha a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa…

Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idiotas de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. É claro que nenhuma mamãe consciente quererá que o seu filho seja como van Gogh ou Maiakóvski. O desejável é que seja executivo de grande empresa, na pior das hipóteses funcionário do Banco do Brasil ou da CPFL. Preferível ser elefante ou tartaruga a ser borboleta ou condor. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego. Mas nunca ouvi falar de político que tivesse stress ou depressão, com excessão do Suplicy. Andam sempre fortes e certos de si mesmos, em passeatas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.
Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.

Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas se chama hardware, literalmente coisa dura e a outra se denomina software, coisa mole. A hardware é constituída por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. A software é constituída por entidades espirituais – símbolos, que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos, o cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo espirituais, sendo que o programa mais importante é linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e acessórios, o software, tenha a capacidade de ouvir a música que ele toca, e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta, e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei, no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.

A beleza pode fazer mal à saúde mental. Sábias, portanto, são as empresas estatais, que têm retratos dos governadores e presidentes espalhados por todos os lados: eles estão lá para exorcizar a beleza e para produzir o suave estado de insensibilidade necessário ao bom trabalho.

Dadas essas reflexões científicas sobre a saúde mental, vai aqui uma receita que, se seguida à risca, garantirá que ninguém será afetado pelas perturbações que afetaram os senhores que citei no início, evitando assim o triste fim que tiveram.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente perigosos. Já o roque pode ser tomado à vontade, sem contra indicações. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do Dr. Lair Ribeiro, por que arriscar-se a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. A saúde mental é um estômago que entra em convulsão sempre que lhe é servido um prato diferente. Por isso que as pessoas de boa saúde mental têm sempre as mesmas idéias. Essa cotidiana ingestão do banal é condição necessária para a produção da dormência da inteligência ligada à saúde mental. E, aos domingos, não se esqueca do Sílvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, ao invés de ter o fim que tiveram os senhores que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já não mais saberá como eles eram.

Site: 10 mais de Rubem Alves – Saúde Mental

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Coma os morangos da vida

Por Isaias Costa

Que morango saboroso! Uhhnn!

Que morango saboroso! Uhhnn!

Outro dia eu li uma parábola bem singela e interessante, do escritor Roberto Shinyashiki, chamada “Os morangos”. Vou fazer uma breve reflexão sobre ela.

Os morangos

“Um sujeito estava caindo de um barranco e se agarrou às raízes de uma árvore. Em cima do barranco, havia um urso imenso querendo devorá-lo. O urso rosnava, mostrava os dentes, babava de ansiedade pelo prato que tinha à sua frente. Embaixo, prontas para engoli-lo quando caísse, estavam nada menos do que seis onças absolutamente famintas.

Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso rosnando.

Quando o urso dava uma folga, ouvia o urro das onças, próximas do seu pé.

As onças embaixo querendo comê-lo e o urso em cima querendo devorá-lo.

Em determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com escamas douradas refletindo o sol.

Num esforço supremo, apoiou o seu corpo, sustentado pela mão direita, e, com a esquerda, pegou o morango.

Quando pôde olhá-lo melhor, ficou inebriado com a sua beleza. Então, levou o morango à boca e se deliciou com o sabor doce e suculento.

Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso.”

Talvez você pergunte: “Mas, e o urso?”

Dane-se o urso, coma o morango!

“E as onças?”

Azar das onças. Coma o morango!

Relaxe, e viva um dia de cada vez! Coma o morango!

Problemas acontecem na vida de todos nós, até o último suspiro.

Sempre existirão ursos querendo comer nossas cabeças e onças pulando para nos pegar pelos pés. Isso faz parte da vida e é importante que saibamos viver dentro desse cenário. Mas precisamos saber comer os morangos. A vida está acontecendo agora. Nesse exato momento deve haver um morango esperando por você. O melhor momento para ser feliz é agora. O futuro é uma ilusão que sempre será diferente do que imaginamos.

As pessoas visualizam metas e, quando as realizam, descobrem que elas não trouxeram a felicidade.

Elas esquecem que a felicidade é construída todos os dias.

Eu aqui, torço para que você descubra sua maneira de ser feliz!

Espero que coma os morangos…

Essa parábola, apesar de ser bem simples, é de uma profundidade incrível. O que são os morangos? São as muitas coisas boas que temos na nossa vida e que tem valores inestimáveis. Os morangos são todas as coisas essenciais da nossa vida. E o que é o essencial? O essencial é a família, os amigos, o esposa, a esposa, os filhos, o namorado, a namorada, a felicidade, a saúde do corpo, da alma e do espírito etc. Muitas vezes deixamos de valorizar nossos maiores tesouros em busca de coisas do futuro, ou preso ao passado. É muito comum ficarmos desesperados quando nos acontece situações de crise, seja financeira, amorosa, familiar, ou mesmo existencial. Nessa hora, é preciso aprender a viver o hoje em toda a sua plenitude e procurar os meios necessários para sair das crises. Não existe nada que dure para sempre. Todo momento de turbulência tem um fim, e vem a querida felicidade nos abraçar mais uma vez. Devemos sempre lembrar que a felicidade é uma busca diária e incessante. Ninguém consegue ser 100% feliz 100% do tempo, mas podemos buscar caminhos para conquistar uma felicidade mais plena. Pelo menos para mim, esta felicidade está ligada a vivência do HOJE, do AGORA, e não me canso de repetir.

Você tem comido os muitos morangos que a vida lhe oferece? Pegue o dia de hoje para pensar sobre isso. Quero concluir deixando uma dica preciosa que o escritor Roberto Shinyashiki costuma dizer: “Agradeça por tudo aquilo que você já tem e conquistou”. Olhe para os frutos do seu trabalho, par tudo aquilo que conseguiu comprar com seu esforço e dedicação no trabalho. Agradeça pelas pessoas mais importantes da sua vida. Os morangos mais deliciosos estão bem pertinho de você, basta que você abra bem os olhos para enxergá-los e saboreá-los…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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As coisas que mais são adiadas

Por Isaias Costa

Cuidado com a preguiça e a procrastinação...

Cuidado com a preguiça e a procrastinação…

A produtividade pessoal é um problema que está se agravando cada vez mais na nossa sociedade. As distrações ou o excesso de trabalho está fazendo muita gente perder a paz, a saúde, o bem estar, o equilíbrio, entre muitas outras coisas. A melhor forma de evitar tudo isso é a busca pelo EQUILÍBRIO e saber exatamente o que precisa ser feito para ser melhor e mais produtivo. Outro dia eu postei um texto falando sobre a preguiça das pessoas para fazerem atividades físicas. Este é um ponto crucial e o primeiro ponto que leva a maior parte das pessoas a serem improdutivas, o SEDENTARISMO. Este texto é bem interessante, confira…

https://paralemdoagora.wordpress.com/2013/07/29/levantar-do-sofa/

Hoje serei bastante breve. Este post, na realidade, é praticamente a continuação do que citei acima. Quero apenas deixar um vídeo do escritor e pesquisador Christian Barbosa, em que ele fala sobre as coisas que mais são adiadas, ou seja, as coisas que mais levam as pessoas a procrastinarem. Espero que goste, e se gostar, aproveite para compartilhar como os amigos…

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O fundamental na vida

Por Isaias Costa

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Hoje vou compartilhar um texto do empresário Flávio Augusto que fala de diversas coisas, mas com ênfase naquilo que é fundamental na nossa vida. Neste texto ele fala de forma brilhante sobre a importância do dinheiro e para que ele serve na nossa vida. E fala também sobre a verdadeira riqueza, que são os bons relacionamentos, a felicidade, a consciência tranquila etc. Leia e reflita sobre essas belas palavras…

DINHEIRO, MULHERES, DEPRESSÃO, FILHO ÓRFÃO E AFINS

Dinheiro é bom sim. Quem é que gosta de andar num trem lotado todo amassado? Desejar consumir o básico e não ter acesso? Olhar para os seus filhos e não poder dar a eles condições de competirem de igual para igual com crianças de sua idade? Hipócrita é quem diz que dinheiro não é bom.

Mas iludido é quem bate no peito e fala: “dinheiro traz felicidade”. Segundo números da Organização mundial da saúde, os campeões da depressão são os Países ricos:

21% da população da França, 19.2% da população dos EUA e 17.9% da população da Holanda tiveram pelo menos um episódio de depressão na vida. Todos os Países citados possuem alta renda per capta e são considerados Países desenvolvidos.

Eu conheço os dois lados da moeda e posso afirmar por ter me relacionado e ainda me relaciono com muitas pessoas simples em minha vida, sorridentes, alegres e principalmente felizes, apesar de todas as dificuldades. E por outro lado, já vi muita gente rica vivendo a base de anti-depressivos, com a conta bancária gordinha, mas com o coração vazio e solitário, vivendo numa jaula imaginária para se proteger de todos que se aproximam.

Nem a riqueza e nem a pobreza podem ser rotuladas de geradores de felicidade ou infelicidade. Feliz é aquele que está rodeado de pessoas que ama, de amigos sinceros e de propósito que lhe dará sentido em todas as manhãs quando acordar. Feliz é quem tem propósito.

A propósito, o dinheiro compra uma cama, mas não compra o sono. Compra o melhor plano de saúde, mas não compra a cura de uma doença em que a medicina disse não. Compra momentos alegres, mas não a felicidade. Também compra água mineral Francesa e garrafas de vinhos de U$50.000,00 (cinquenta mil dólares), mas não é capaz de matar a sede de justiça, de amor e de significado.

No último dia de sua vida, se você pudesse escolher quem passaria este dia com você ao seu lado, certamente não seria com o seu gerente do banco que faz a gestão de sua fortuna, nem na companhia de todos os seus diplomas, títulos, conquistas ou até mesmo com os puxa-sacos de plantão. Neste dia, se fosse possível escolher e prever, você certamente preferiria estar ao lado das pessoas mais importantes de sua vida.

Como conciliar este aparente paradoxo? Eu sempre pensei que todo projeto que realizei nos últimos 20 anos, as horas que trabalhei, as incontáveis viagens de negócios que fiz, todo isso foi com a finalidade de proporcionar aos que amo o melhor, ainda que eu sempre soubesse que a minha presença é fundamental para todos. Assim, estive muito presente até durante minha ausência física, ao contrário dos que chegam cedo em casa, mas passam o tempo na frente da TV.

Envolva a sua família em seus projetos. Ainda que eles não trabalhem com você, porque quando você viajar ou trabalhar num fim de semana, eles também estarão ao seu lado onde quer que eles fiquem a sua espera. Viajarão sem sair de casa, porque eles se sentem parte de seus projetos e não meros apoiadores de seus sonhos. Serão donos deles juntamente com você.

Não trabalhe por dinheiro. Pessoas valem mais do que coisas. No meio de tudo isso, o dinheiro será conquistado na medida de sua competência em produzir e empreender. Quando o dinheiro chegar, desfrute dele, faça-o trabalhar pra você em vem de se tornar o seu escravo.

E para não escrever um texto bonitinho e politicamente correto, desfrute com a sua família as suas conquistas e principalmente com a pessoa que sempre esteve ao seu lado lhe apoiando, em vez de trocá-la aos 40 anos de idade por duas mulheres de 20, o que infelizmente tem se tornado cada vez mais comum…

Certamente, no dia de nossos velórios, os que realmente venceram na vida, sejam eles pobres ou ricos, serão aqueles que deixarão saudades e não os que vão deixar filhos mal resolvidos que passaram toda a vida sendo filho órfão de pai vivo, porque em casos assim, com dinheiro ou sem dinheiro, mais um miserável será enterrado e esquecido.

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* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Almas perfumadas

Por Isaias Costa

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Hoje eu quero apenas compartilhar uma das poesias mais bonitas que li em toda a minha vida, do grande Carlos Drummond de Andrade, chamada “Almas perfumadas”. Se você conhece alguma alma perfumada VALORIZE, porque elas não aparecem todos os dias na nossa vida…

ALMAS PERFUMADAS….

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente
no balanço de uma rede que dança gostoso
numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente
comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente
chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril,
mas parece manhã de Natal
do tempo em que a gente acordava e encontrava
o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos
acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha
que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando
um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia
do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe
que a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e que a atração
que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra
que no instante em que rimos Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você que nem percebe
como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.

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O futuro da humanidade

Por Isaias Costa

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Um dos livros que mais me trouxe ensinamentos e me fez refletir se chama “O futuro da humanidade”, do psiquiatra e escritor Augusto Cury. Vou fazer uma pequena abordagem desse livro e deixá-lo como excelente sugestão de leitura.

Do que esse livro trata? Ele conta a estória do estudante de Medicina Marco Polo, que acaba de iniciar o curso e está super empolgado para aprender sobre o universo do ser humano. Toda a estória se inicia quando ele faz uma pergunta extremamente audaciosa e imprevisível na primeira aula de anatomia, para um dos professores mais renomados e respeitados da instituição. Os alunos olham para os corpos despidos nas macas com certo medo de dissecá-los e conhecerem as entranhas do corpo humano. Nesta hora ele faz a pergunta fatal.

Qual o nome das pessoas que vamos dissecar?

E o doutor, incomodado com a pergunta responde:

Esses corpos não têm nome.

Então Marco Polo indaga:

Como não têm nome? Eles não choraram, não sonharam, não amaram, não tiveram amigos, não construíram uma história?

E o professor, com imensa frieza diz:

Esses cadáveres não têm história. São mendigos, indigentes, sem identidade e sem família. Morrem pelas ruas e nos hospitais e ninguém reclama a existência deles. Não seremos nós que a reclamaremos.

E continuou:

Se você quiser tentar identificá-los, procure informações na secretaria do departamento. Ah! E se, por acaso, encontrar uma história interessante de um desses indigentes, por favor, traga-nos para que possamos ouvi-la.

Ele tomou tais palavras como um desafio e fez exatamente isso. Olhou os arquivos na universidade e ficou inquieto e curioso com um dos cadáveres que era chamado de “poeta da vida” e havia sido identificado por um mendigo chamado Falcão.

Ele procura o local onde esse mendigo chamado Falcão vivia e tenta alguma comunicação com ele. Aos poucos Marco Polo vai percebendo que ele não era um homem qualquer, mas era dono de uma sabedoria incomum. Intrigado com o homem ele inicia diálogos cada vez mais complexos e ricos. E desta forma, vão se tornando amigos.

Um dos grandes ensinamentos desse livro é sobre o JULGAMENTO e sobre a EMPATIA. Este mendigo sábio podia muito facilmente ser tachado de louco ou de escória da humanidade, mas Marco Polo viu nele o que praticamente nenhum de nós consegue ver, um ser humano, cheio de complexidades e com um universo particular infinito. E sobre a empatia, porque o estudante de Medicina, sendo da alta sociedade, conseguiu enxergar o mendigo não a partir do seu olhar cheio de preconceitos, mas a partir do olhar dele, e pôde enxergar a vastidão do seu universo.

O Falcão era o amigo mais próximo do “Poeta da vida” e Marco Polo o instigou pouco a pouco a contar sua fascinante estória de vida. Depois de conhecer tal estória ele teve a ousada atitude de levar o Falcão a uma aula de anatomia para falar aos estudantes a belíssima estória do “Poeta da vida”, deixando todos perplexos e seu professor se sentindo humilhado e insignificante diante do “Poeta da vida”.
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Esse livro nos ensina a apreciar as pequenas coisas da vida e a desenvolver a verdadeira sabedoria, que não vem dos livros, mas da vida. Uma frase que acho maravilhosa neste livro é a seguinte: “Ricos são os que extraem muito do pouco e livres são os que perdem o medo de ser quem são”. Ser rico é ver a beleza escondida no que é simples, é ter sempre motivos para sorrir, mesmo quando passamos por situações que nos entristeça. Essa frase questiona os que são ricos financeiramente, mas miseráveis na emoção e na psique. Estes são mais miseráveis do que o mais pobre dos mendigos. E ser livre é ser autêntico, é ter coragem de se mostrar como uma pessoa frágil, imperfeita e incompleta, isso é a perda do medo de ser quem é. Nós sempre crescemos quando reconhecemos nossas fragilidades, e é justamente as nossas fragilidades que nos tornam fortes. Essa é uma das contradições mais bonitas que consegui extrair deste livro e aplicar na minha própria vida. Pense sobre isso…

Outro ensinamento maravilhoso que aprendi nesse livro e quero deixar como um pensamento para os leitores é a arte do elogio. O Augusto Cury mostra o quanto um elogio pode ser terapêutico, muitas vezes até mais do que as terapias convencionais, pois leva as pessoas a se sentirem mais autoconfiantes. O ser humano é carente de amor e afeto por natureza, e nossa sociedade está proliferando pessoas que perderam esta magnífica arte. Depois que li esse livro passei a elogiar muito mais as pessoas e ver na prática o quanto elas se sentem bem, felizes, realizadas, úteis, belas, através de um simples gesto. Uma das frases que gravei profundamente na mente diz o seguinte: “Elogie as pessoas em público e as critique em particular”. Infelizmente, a maior parte das pessoas faz exatamente o contrário, critica em pública e elogia em particular, ou simplesmente nem elogia. Isso gera grandes problemas de autoestima e amor próprio. Como pode alguém ter autoestima sendo criticada veementemente e em público? Isso é extremamente doloroso. Portanto! Desenvolva a arte do elogio! Tenho certeza que seus frutos serão eternos, tanto para você, quanto para aqueles a quem você elogiar.

Outro ensinamento muito profundo deste livro é sobre a humildade e simplicidade para aprender com tudo e com todos, principalmente com os mais humildes. Eu realmente vivo essa grande verdade. Uma das pessoas que mais me ensinou grandes virtudes foi a minha avó, que era analfabeta, não sabia nem escrever seu próprio nome, mas criou divinamente bem seus nove filhos, e sempre serei grato a ela por sua imensa sabedoria, que me ensinou a extrair muito do pouco, a valorizar as pessoas especiais que cruzam o nosso caminho, a ajudar quem tem menos do que eu, a deixar as portas abertas para acolher quem pedir ajuda etc. Aprenda que muitas vezes, aqueles que tem menos conhecimento acadêmico são os que mais nos ensinam grandes coisas para a vida real, esta que não se define nos livros ou artigos científicos. Procuro ser simples e aprender com todos que cruzam o meu caminho, até mesmo com aqueles que me causam raiva. Já constatei o quanto eu me tornei uma pessoa melhor justamente porque várias pessoas já me deixaram com raiva. Isso pode parecer contraditório, mas essas pessoas me ajudaram a cultivar cada vez mais os meus relacionamentos mais ricos. Essas pessoas me ensinaram que ninguém pode agradar a todos, que por mais que procuremos fazer o bem, sempre terá alguém querendo nos derrubar. Tudo isso eu aprendi com as pessoas que já tive raiva. Não é fantástico? Se você já sentiu raiva de alguém, em vez de se irritar ainda mais, agradeça pela sua existência! Aprenda a extrair muito do pouco! Você pode fazer uma revolução desta forma, sabia?

https://paralemdoagora.wordpress.com/2012/11/09/o-risco-de-querer-agradar-a-todos/

Esse livro inteiro é um convite à humanização, a interiorização, ao cultivo de virtudes nobres como a humildade e a simplicidade, ao desenvolvimento da arte da dúvida, da crítica, do elogio. Ao crescimento da nossa alma poética, para todos sermos poetas da vida.

Quero deixar esse magnífico livro como sugestão de leitura. Um livro que me ajudou a ser um ser humano melhor, mais rico e mais livre. Para terminar, deixo uma bela frase dita pelo personagem Falcão:

Vocês podem calar a minha voz, mas não os meus pensamentos! Vocês podem acorrentar meu corpo, mas não a minha mente! Não serei plateia dessa sociedade doente, serei autor da minha história! Os fracos querem controlar o mundo; os fortes, o seu próprio ser! Os fracos usam as armas; os fortes, as ideias!

Vamos ser autores da nossa própria história? Cada dia, cada instante, cada experiência, cada sonho, cada mudança, cada realização, nos leva a construirmos nossa história. Que a sua seja repleta de alegrias e de sonhos, para que, assim, uma nova humanidade surja, com pessoas cada vez mais ricas no território da emoção e conscientes do seu papel no mundo. Que este seja o futuro da humanidade…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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