Voltar a ser criança

Por Isaias Costa

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Hoje quero fazer uma breve reflexão a partir de um belo texto do escritor, jornalista e radialista Flávio Siqueira.

“Quando crianças, enquanto seres tomados por profundo senso de liberdade, quando não há noção de pecado, errado, vergonha, ou nenhum tipo de contingenciamento seja de qual natureza for, livres, conectados, sensíveis, espontâneos, não percebemos que a idade tende a deixar o brilho do olhar mais opaco, especialmente na proporção que a escola, a família, as leis, a mídia, a cultura, a universidade, a sociedade, o mercado de trabalho, enfim, camadas e camadas de regras e referências que se acumulam sobre um espírito essencialmente livre, impondo verdades, criando absolutos, domesticando com o tempo, transformando liberdade em loucura, formatando, padronizando, massificando, argumentando para que aceitemos o inaceitável e nos acostumemos ao sofrimento e a dor.

É quando nascem absolutos do tipo “é bom sofrer”, “a dor purifica”, ou “é nobre sofrer”. Será? É quando o sorriso escasseia, a felicidade é relativizada e trocada pelas “alegrias” do consumo, quando crianças se tornam adultos com raros frames de memória de um tempo distante, inocente, onde, sem saber ou pensar, eram felizes.

Acostumar-se com o sofrimento é um tipo de domesticação. Aceitar que a vida não pode acontecer na dimensão da felicidade – ainda que esta seja pontuada por momentos de tristeza, mas que ainda assim não anulam o estágio da paz – é sequestro, é prisão, é encarceramento do espírito humano, essencialmente livre, essencialmente feliz. Nesse mais novo INSIGHT uma reflexão sofre significados, sobre o que de fato nos torna melhores e mais humanos.”

Eu amo as crianças e sempre aprendo algo de bom e novo com elas. Diferente do que muitos pensam, as crianças são grandes professoras, elas nos ensinam através de sutilizas e pequenas coisas. A primeira mensagem que quero passar é essa, tenha mais atenção com as crianças, principalmente aquelas que de alguma forma fazem parte da sua vida. Pode ter certeza que você pode aprender muito com elas, basta você abrir seu coração. Tempos atrás compartilhei um belíssimo texto do mestre Rubem Alves ensinando o valor da compaixão a partir da sua neta de apenas 11 anos de idade. Confira…

Aprendendo o valor da compaixão com as crianças

Voltar a ser criança é um desejo de muitas pessoas, mas estou querendo falar no sentido da abertura para a vida e para o mundo, as descobertas, o conhecimento, as experiências. Eu acho impressionante o encanto que as crianças têm quando conhecem algo interessante ou têm uma experiência marcante, elas contam para todos os coleguinhas e ficam rindo sem parar. Eu era assim e ainda busco ser, mais a nossa sociedade nos embrutece tanto que já não sinto mais as novas experiências com tanta intensidade. Lembremos sempre que os pequenos momentos de alegria são os que mais levamos na memória e que marcam a nossa vida, dando sentido e felicidade.

As pequenas coisas da vida

Outra mensagem interessante é sobre o nosso mundo frenético! As crianças estão tão atarefadas e cheias de responsabilidades que estão deixando de viver as experiências próprias de quando se é criança. Estão amadurecendo antes da hora e chegando a vida adulta cheias de lamentações, medos, inseguranças, fobias etc. Como poderia ser diferente se elas ainda não estão psicologicamente e até mesmo anatomicamente preparadas para esse bombardeio de informações e responsabilidades?

Eu acho um absurdo colocar um menino de 8 ou 9 anos para aulas durante todo um turno, aulas de reforço em casa, curso de língua estrangeira, de um instrumento musical, e muito mais. Uma criança nessa idade ainda está em processo de formação cognitiva do cérebro e, principalmente, da personalidade. Ser levada a fazer diversas coisas e dar conta com eficiência é quase um crime!

Portanto, se você é pai ou mãe, deixe seu filho brincar! Deixe ele se acidentar com as suas brincadeiras! Não seja superprotetor! Não permita que ele fique na frente do computador o dia inteiro! Oriente, mas não faça tudo por ele! Coloque novas responsabilidades aos poucos, quando perceber que ele já pode um pouco mais, etc. Eu acredito que educar dessa forma leva as crianças a um desenvolvimento muito mais sadio e satisfatório. Pense sobre isso…

É hora de desconectar

Por último a mensagem sobre o sofrimento! Esta é a mensagem mais profunda desse texto do Flávio Siqueira. Eu acredito profundamente no poder que as dores vividas têm de nos curar, de nos libertar de antigas mazelas e prisões. Encarar os sofrimentos de frente, com o firme propósito de se tornar uma pessoa melhor é o que faz com que as dores sejam como um remédio de cura e de libertação. Tempos atrás escrevi um texto falando sobre isso com mais detalhes. Deixo o link abaixo.

Não fuja da dor

Vamos voltar a ser crianças! A ter um espírito vívido e a alegria com as novas experiências, descobertas e, principalmente, os pequenos momentos, as coisas mais simples…

Mundo-da-fantasia

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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