O canto do sabiá

Por Isaias Costa

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Em 2013 eu tive o prazer e a honra de conhecer alguns dos escritos de um dos maiores poetas brasileiros, o grande Manoel de Barros. Sou um leigo em se tratando da sua obra, conheço pouco, pouco mesmo, mas esse pouco já me encantou absolutamente.

Hoje quero fazer uma breve reflexão a partir de uma pequena frase de sua autoria:

“A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá mas não pode medir os seus encantos.”

Essa frase é extremamente profunda. Ela está falando sobre a sensibilidade artística e poética, que infelizmente não existe no mundo científico. Eu procuro ser bastante sensível para a Literatura e para a Filosofia e garanto que isso faz toda diferença na minha vida. Devo boa parte da minha criatividade para a escrita a isso. Os assuntos que gosto de ler, leio como se fossem uma comida deliciosa, que deve ser saboreada e degustada com todo o prazer. Dessa forma consigo extrair a poesia escondida por trás das palavras e também inspiração para escrever.

Ainda não falei isso aqui, mas eu já pensei bastante em seguir carreira acadêmica como pesquisador em Física e depois como pesquisador em Engenharia Mecânica, mas sabe qual foi um dos principais motivos para que esse desejo arrefecesse? O motivo possui 4 letras, ABNT. Para os que não sabem, ABNT significa Associação Brasileira de Normas Técnicas. Elas formam um conjunto de regras de escrita que devem ser seguidas pelos trabalhos científicos e eu, particularmente acho “um saco”, não gosto nem um pouco. Esse tipo de linguagem mina completamente a minha criatividade e me faz pensar que não possuo talento algum para a escrita, o que não é verdade, não tenho talento para a linguagem científica, é bem diferente. Não foi nada fácil concluir isso, conclui a duras penas, sofrendo com os diversos trabalhos e artigos que tinha que escrever e que tinham data marcada para entregar. Mais do que com qualquer outra coisa utilizava o famoso método do “deixar tudo para a última hora”. Não tinha a menor vontade de escrever e quando percebia que não tinha mais tempo me enchia de uma coragem indescritível e escrevia o que tinha que escrever, mas sem sentir alegria e satisfação.

Este foi um dos principais motivos para não ter tentado doutorado. Eu me imaginei por mais 4 anos escrevendo artigos científicos e teses e depois como professor universitário fazendo o mesmo pelo resto da vida. Então disse: “NÃO, eu não quero isso pra mim”. Estou agora fazendo o que amo, que é ensinar e escrever sobre tudo aquilo que acredito e vivo. Acredito piamente que posso contribuir muito mais para as pessoas e para o mundo desta forma do que se estivesse seguindo carreira acadêmica.

O canto do sabiá representa a beleza da poesia e da sensibilidade, que quero manter sempre viva em mim.

Se quiser ler um pouco mais sobre essa questão da linguagem científica x linguagem poética, recomendo uma incrível série de crônicas do mestre Rubem Alves intituladas como “O que é científico?”. Estas crônicas podem muito facilmente ser baixadas na internet. Foram elas que me inspiraram a escrever esse texto aqui!

E para concluir com música, uma clássica da querida Marisa Monte, chamada “Sou seu sabiá”, pura poesia numa voz maravilhosa. Confira…

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