Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Por Isaias Costa

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Um dos melhores filmes que já assisti se chama “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, com os atores Jim Carrey e Kate Winslet. Já tive muita vontade de escrever sobre ele, mas não tive a devida inspiração. Contudo, a poucos dias eu li um texto que exprime tudo o que eu gostaria de ter escrito, então decidi compartilhá-lo. É um texto da Palestrante, Jornalista e Consultora de relacionamentos Rosana Braga!

Já fica a dica de filme também, ele é maravilhoso e possui uma trama extremamente inteligente, em minha opinião, foi o melhor filme que o Jim Carrey já atuou. Vamos viver a vida com intensidade e amor, lembrando com carinho as boas experiências e utilizando as lembranças ruins como experiências para lapidar a nossa personalidade e para amadurecermos…

E SE VOCÊ PUDESSE APAGAR UMA LEMBRANÇA?

Nesta semana, assisti com a família ao filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Um clássico do cinema que conta a história de um casal que, como todos, vive uma fase difícil de um relacionamento que também já passou pela fase de intensa paixão, sonhos e muita vontade de fazer dar certo.

O sucesso da trama se deve a muitos detalhes de como ela foi criada. A história é entremeada por uma ficção científica, isto é, a possibilidade de realizar um desejo que, certamente, muitos de nós já tivemos: poder apagar uma lembrança ruim. Pelo menos ruim num determinado momento.

E quem já não teve de lidar com lembranças difíceis de digerir? Quem já não sofreu e chorou ao reviver internamente um amor que acabou, ou um relacionamento que, como no filme, entrou em crise e a paixão cedeu lugar à impaciência, intolerância, desentendimentos e desencontros?

Sim, em alguns momentos, é mesmo bastante dolorido relembrar. É muito angustiante não saber como parar de lembrar e lembrar e lembrar… daquela pessoa, daquele beijo, daquele tempo em que tudo era felicidade. Para lembrar que agora já não é bem assim. Que virou tensão, confusão, chatice.

E a polêmica estava armada. Na sala, ainda com o filme inacabado, cada um dava a sua opinião. Um dizia que seria ótimo poder apagar algumas lembranças. O outro dizia que não, que as lembranças são todas importantes e ainda bem que não podem ser apagadas. E o outro ficou em dúvida. Será? Será mesmo que até as lembranças ruins têm alguma função?

Eu, em particular, imediatamente me lembrei (e que bom poder lembrar!) do querido Evandro Mesquita, vocalista da ótima banda de rock Blitz, que fez muito sucesso nos anos 80, quando cantava a música “O romance da Universitária Otária” e num dos versos, repetia “Todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer”.

É isso que penso. A gente quer só a parte boa da vida. Só o que nos convém. Só o que não dói. Só o prazer. Em princípio, essa ideia pode mesmo parecer bem interessante. Mas sabemos que não é assim que o ser humano funciona. Aliás, não é assim que a natureza funciona. O que é vivo precisa, essencialmente, da adversidade, da superação. O crescimento é filho da aprendizagem. E não há lição sem nenhuma dor.

Sim, claro, muito melhor que nossa intenção seja viver com prazer. Mas não pode ser, de modo algum, viver em função de evitar a dor. Não faz sentido apagar o que, em algum momento, parece-nos ruim. São as percepções de cada instante vivido que nos fazem enxergar a beleza de toda a história.

E isso também me faz lembrar da brilhante sensibilidade do poeta Rainer Maria Rilke ao dizer “Se você leva embora meus demônios, estará levando também meus anjos”. Pois bem, quem continua desejando eliminar o que lhe parece chato, ruim, dolorido e angustiante neste momento, deve estar preparado para a inevitável perda do que poderia se transformar no maior tesouro de uma vida inteira.

Numa das últimas cenas do filme, as falas dos personagens centrais, vividos por Jim Carrey e Kate Winslet, fica claro que mais do que as lembranças, que podem mesmo por quaisquer razões se esvaírem de nossa memória, o que importa são os sentimentos – inapagáveis, posto que são vivos, mutantes e em constante reciclagem.

Hoje amor, amanhã dúvida, depois mágoa, depois saudade. E num outro dia qualquer, acorda amor, mais uma vez… e mais forte do que nunca! Amor por si, pelo outro, pelo mesmo, pelo novo. E se tiver coragem, desejo que você se lembre de tudo o que conseguir! E que haja lágrimas e sorrisos. Que haja história pra contar. Que haja vida pra brotar e amor pra recomeçar!

Site: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=13476

Convivência-excessiva

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

2 Comentários

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2 Respostas para “Brilho eterno de uma mente sem lembranças

  1. Suhh

    Excelente texto! Obrigada por compartilhar conosco. As vezes sim, a gente tem vontade de apagar algumas lembranças do passado, principalmente as ruins, mas como apagá-las se elas fazem parte do livro da nossa história,do nosso aprendizado, das nossas rugas… não dá para simplesmente arrancar a página, como se arranca de um caderno quando escrevemos errado. Não que devamos viver do passado,longe disso, porém, às vezes é necessário fazer uma rápida visita, tomar uma xícara de café com bolinhos e voltar ao presente para continuar nossa história, sempre recomeçando e se reinventando…
    “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”, assim Roberto Carlos canta.
    Desculpe meu longo comentário. Um abraço!

    • Muito bom o seu comentário Suhh! Eu gosto sempre de pensar nas lembranças ruins como experiências para o amadurecimento. Hoje eu agradeço cada uma das experiências ruins pelas quais passei, pois elas me fizeram enxergar mais longe e mudar muitas rotas, e se estas fossem apagadas, minha vida ficaria repleta de lacunas e tristezas. Essa é uma das mais belas mensagens transmitidas nesse filme!

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