Deixar filhos melhores para o nosso planeta

Por Isaias Costa

TVECRI1

Outro dia li um artigo do grande filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella que me fez refletir bastante sobre a educação das crianças e jovens na atualidade. Abaixo está transcrita uma parte do artigo.

A mídia como corpo docente

“Erotização precoce, consumismo desvairado, competição e não-cooperação, individualismo etc. podem estar sendo “ensinados” sem que os envolvidos na mídia se dêem conta disso.

As sociedades ocidentais contemporâneas transferiram, pouco a pouco, os cuidados com as crianças das famílias para as escolas. A formação e a informação cognitivas, morais, sexuais, religiosas, cívicas etc. passaram a ser entendidas como uma tarefa essencial do espaço escolar, em substituição a uma convivência familiar cada vez mais restrita em qualidade e quantidade.

Por isso, quando nos aproximamos do início do ano letivo, não são só as aulas que estão chegando; na prática, é a entrada ou a reentrada das nossas crianças e dos nossos adolescentes no território que se supõe seja o mais adequado para eles estarem (“em vez de ficarem nas ruas ou shoppings”). Há, assim, uma crescente sacralização do espaço escolar como um lugar de proteção/formação/salvação e, por consequência, uma maior responsabilização dos educadores na guarida das gerações vindouras. No entanto essa responsabilização beira a culpabilidade, como se a escola e os profissionais nela presentes tivessem, isoladamente, o exclusivo dever de dar conta de toda a complexidade presente na educação da juventude.

É preciso, porém, observar um fenômeno que explodiu nos últimos 20 anos: uma criança dos centros urbanos, a partir dos 2 anos de idade, assiste à televisão, em média, durante 3 horas diárias, o que resulta em mais de 1.000 horas como espectadora durante um ano (sem contar as outras mídias eletrônicas, como rádio, cinema e computador). Ao chegar aos 7 anos, idade escolar obrigatória, ela já assistiu a programação televisiva por mais de 5.000 horas. Vamos enfatizar: uma criança, no dia em que entrar no ensino fundamental, pisará na escola já tendo sido espectadora de mais de 5.000 horas de televisão!

Quando pensamos no campo da formação ética e da cidadania, os problemas na educação brasileira não são, evidentemente, um ônus a recair prioritariamente sobre o corpo docente escolar; há um outro corpo docente não-escolar com uma estupenda e eficaz ascendência sobre as crianças e os jovens.

Cinco mil horas! Imagine a responsabilidade daqueles e daquelas que produzem as programações e as publicidades! Pense no impacto formativo sobre os valores, hábitos, normas, regras e saberes que os profissionais dessa área de mídia têm sobre os infantes e sobre a chamada primeira infância, época na qual uma parte do caráter permanente da pessoa se estrutura!”

Site: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2501200122.htm

Se você fizer bem as contas, vai verificar que 5000 horas equivalem a 208 dias. Você percebe que as crianças ficam em média 208 dias diante da TV absorvendo conteúdos dos mais diversos possíveis entre os 2 e os 7 anos? Exatamente no período da formação do caráter permanente e da personalidade? Todos nós sabemos que a programação brasileira é deplorável, praticamente não ensina valores e princípios éticos, pelo contrário, estimula o consumismo, a insatisfação com o corpo, a vaidade, o luxo, a permissividade etc. O que fazer para mudar essa realidade? Essa é uma pergunta muito difícil e que não dá para responder com exatidão em poucas linhas. Eu acredito que o primeiro passo é haver uma mudança no nível de consciência das pessoas, principalmente dos pais, para que ofereçam tempo de qualidade para os seus filhos.

Essa sociedade consumista tem levado as pessoas a buscarem elevar seu padrão de vida a níveis assombrosos e totalmente dispensáveis. Vou explicar melhor, é incutido em nossas mentes que só seremos felizes se possuirmos um carro bonito e ultramoderno, se tivermos uma casa chique, se pudermos viajar com luxos e pompas pelo menos uma vez ao ano etc. Tal tendência está levando os jovens e adultos a correrem atrás do seu sucesso profissional de forma quase doentia, tendo como consequência uma negligência quanto a importância da família e da educação dos filhos. Estes são cuidados pelas babás e educados pela televisão. O que precisamos fazer é equilibrar o lado profissional com o pessoal e familiar, para que eduquemos os nossos filhos com mais cuidado e atenção. Enquanto essa mudança de postura não acontecer, continuaremos a ver as crianças crescerem cheias de medos, rancores, fobias, ressentimentos, carências etc. Reflita sobre essas poucas palavras e eduque o seu filho para ser um grande cidadão, pois só assim o nosso mundo poderá evoluir verdadeiramente. Sempre lembro de uma frase incrível de autoria desconhecida que diz o seguinte: “Todo mundo pensa em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”. Então? Vamos deixar filhos melhores para o nosso planeta?…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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