A vitória nossa de cada dia

Por Isaias Costa

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Eu sempre fico hipnotizado com os escritos incríveis da escritora Clarice Lispector. Sua originalidade e criatividade fazem dela única e especial. Hoje vou fazer uma pequena reflexão a partir de um trecho do seu livro “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”.

“Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.”

Nestas poucas palavras a Clarice está falando sobre um universo de sentimentos e comportamentos do ser humano, mas se pudermos resumir a mensagem principal, estaremos falando sobre o medo, pois é ele que nos leva a todos os outros sentimentos negativos.

Da mesma forma que esse texto fala sobre o medo, ele também fala sobre seu antídoto, o amor. Se você prestar bastante atenção nas suas palavras, vai perceber o quanto a Clarice acredita no amor, apesar de elucidar o medo. As palavras que mais me fizeram refletir foram essas: “Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas”. Aqui ela está falando sobre a desconfiança do ser humano, tão grande que consegue ver armadilhas onde não existe, maldade onde não existe, e com isso, deixa de confiar nas pessoas, e deixando de confiar nas pessoas, deixa de amar também. Por que? Porque se deixou dominar pelo medo. Isso lhe soa familiar? O que estou colocando aqui pode ser levado diretamente para as pessoas que sofreram desilusões amorosas e passaram a desacreditar da possibilidade de um amor puro e verdadeiro. Não existe mistério, o que precisamos é nos abrir para o amor, deixar as nossas lamparinas acesas, pois fazendo isso, diminuiremos a ação do medo em nós. O amor tem o poder de curar aquilo que está obscurecendo o nosso crescimento humano, social, familiar, espiritual…

Enfim! Pense sobre isso e viva o amor! O sentimento mais profundo que podemos expressar e também o que dá mais sentido a nossa vida…

Textos relacionados

* O medo de amar- Parte 1
* O medo de amar- Parte 2

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]
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