O fundamental na infância

Por Isaias Costa

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Estava refletindo sobre a minha infância a partir de um belíssimo artigo que li sobre educação dos filhos. Eu não tive essa educação tão voltada para a competição que nós temos hoje, e posso afirmar que isso fez e continua fazendo toda a diferença.

Muitos não percebem, mas essa educação competitiva está fazendo os filhos se tornarem pessoas mais frias, individualistas, egoístas e muitas vezes incapazes de mostrar pequenos gestos de amor, de gratidão, de compaixão, de generosidade, que são tão próprias das crianças.

Aprendendo o valor da compaixão com as crianças

A primeira infância, até os 7 ou 8 anos de idade, é uma fase extremamente importante, na qual as crianças aprendem tudo de uma forma muito mais rápida, porém, elas não têm desenvolvido o lado emocional, a personalidade e o caráter. Elas aprendem através dos exemplos e copiam as atitudes e falas dos adultos, por isso é preciso muito cuidado com as palavras e com o comportamento.

A minha família era pobre e não tinha muitos recursos, mas eu tive uma educação maravilhosa, pautada em princípios éticos e religiosos. Lembro que os meus pais trabalhavam bastante para sustentar a mim e meus irmãos, mas eles sempre tinham tempo para ficar perto da gente, de brincar, de rezar e de jantar juntos, nós sempre jantávamos juntos, longe da TV.

Vou contar aqui apenas duas coisas que foram fundamentais na minha infância. Uma delas foi que desde cedo meus pais me incentivaram a expressar todas as minhas emoções, a não guardar mágoas, a não ser rancoroso etc. Minha mãe dizia assim: “Se você ficar com raiva dos seus amigos, não perdoar algum insulto, não falar pra eles sobre o que não gosta etc. Isso só fará mal a você e no fim você vai ficar doente. Você quer ficar doente?”. E eu dizia: “Não mãe!”. Isso me ajudou no processo de expressar os sentimentos. Eu era um menino chorão e meus pais não me reprimiam dizendo aquela enorme besteira de que homem não chora. Cada choro extravasado colaborou para a construção do meu caráter e personalidade.

Outro fator importante foi a valorização do que é simples. Muitas vezes eu chegava da escola e dizia aos meus pais: “O meu colega tem brinquedo tal e gostaria muito de ter também…”, e meus pais de forma honesta e sábia me diziam: “Querido! Nós não temos dinheiro para comprar esse brinquedo. Agora pensa o seguinte! Você já se perguntou como será que é o dia a dia deste menino com a família dele? Você acha que ele tem uma família tão unida e que se ama como a nossa? Provavelmente esse menino tem esses brinquedos caros porque lhe falta tempo dos pais em casa, falta atenção, falta carinho…”. Lembro também de uma frase que minha mãe disse uma vez e nunca mais esqueci: “Hoje pode ser que você fique um pouco triste por não ter esse brinquedo, mas lá na frente, quando você estiver crescido e já estiver ganhando o seu dinheiro, você vai lembrar de mim e vai agradecer por não ter tido o brinquedo…”. Nossa! Minha mãe tinha toda razão! Ela me ensinou o valor das pequenas coisas e, indiretamente, me ensinou também o valor do dinheiro e o quanto é importante investi-lo em algo que traga valor como ser humano, e não apenas como algo passageiro que o tempo se encarrega de jogar fora. Hoje em dia tenho paixão por livros, adoro comprar livros, pois eles me trazem valor e conhecimento para a vida toda.

Espero que esses exemplos da minha infância e da minha educação tenham lhe levado a refletir. Se quiser se aprofundar um pouco mais neste assunto, compartilho o excelente artigo que me inspirou a escrever este texto…

Infância não é carreira e filho não é troféu

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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