A não-violência é a única solução para o Brasil

Por Isaias Costa

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Nas últimas semanas houve um grande crescimento da violência e de manifestações e vários locais do Brasil. Essa é uma realidade que, infelizmente, tende a crescer, pois estamos no ano da Copa do Mundo, no qual sabemos o quanto houve corrupção, desvio de verbas, descaso, aproveitamento etc. Estou aqui hoje para expressar um pouco da indignação que sinto junto com milhões de outras pessoas. Abaixo, compartilho um artigo excelente do escritor Acid, que escreve no blog “Saindo da matrix”. Leia, reflita sobre ele e compartilhe com o máximo de pessoas que puder. Vamos fazer uma revolução neste país, a começar pela nossa consciência…

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Geralmente os grupos mais radicais de esquerda se concentram nas Universidades no curso de História. Só que parecem se concentrar tão-somente na história da revolução Russa, pois são completamente avessos a aprender com qualquer outra história, até uma que aconteceu em junho do ano passado, aqui mesmo no Brasil:

Manifestações contra a passagem dos ônibus no sul do país e em SP resultavam em quebra-quebra, confrontos com a polícia e violência. A população não comprou a idéia, e a mídia martelava que eram só um bando de vândalos, tirando a legitimidade da manifestação. O Governador de SP prometeu endurecer. Foi quando a violência policial atingiu pessoas que NÃO ESTAVAM SENDO VIOLENTAS, além de jornalistas. Ficou impossível dizer na TV que era uma reação aos vândalos, e ficou claro pra o povo brasileiro que ele estava sendo forçado a não protestar pacificamente. O que aconteceu? MILHÕES de brasileiros foram às ruas para protestar de forma pacífica, o que deixou a polícia, o Estado, a imprensa e os políticos sem reação. Atônita, a Globo ainda tentou ficar do lado do que ela achava ser os poderosos, mas o poder virou rapidamente, em questão de dias, tudo por conta da manifestação PACÍFICA, UNIDA e com um OBJETIVO: Eu posso sair às ruas SIM pra protestar. Esse foi um recado claro da população e rapidamente os políticos passaram a aplaudir o povo, a presidente foi à TV dizer que era “tudo legítimo” e o Legislativo ficou com o c* na mão.

Então o que houve? Faltou liderança, ou, mais importante ainda, faltou uma visão clara do QUE o brasileiro quer ver de mudança. Os protestos viraram lugares pra beber e se divertir com cartazes engraçadinhos, e rapidamente o PT quis partidarizar a manifestação, no que foi contido pelo próprio povo. Como não conseguiu desviar o foco desse jeito, a esquerda radical apelou a violência, com os black blocks. Por outro lado, direita e esquerda se uniram em seus objetivos e apelaram para policiais militares infiltrados, também fazendo/incitando violência. E o povo esvaziou as manifestações, para alívio do Executivo e Legislativo, que não precisaram mais dar uma resposta às massas e puderam endurecer com os “baderneiros” (muitas vezes inocentes) que restaram nas ruas com o apoio da sociedade.

Então primeiro eu gostaria de, em nome do PT, PMDB e PSDB dar os parabéns a essa juventude violenta por terem destruído a única oportunidade de união real do povo brasileiro na busca por um futuro mais digno e mantido as coisas como estão. Alckmin, Dilma e a família Sarney estavam ficando realmente preocupados com a exposição negativa para as massas que não lêem jornal, não se informam e não podiam ir trabalhar por conta de uma tal de “consciência política” que levava o povo às ruas. Vai que essa doença pega?

Depois eu gostaria de mostrar alguns exemplos de enfrentamento pacífico que deram certo: o primeiro deles se chama CRISTIANISMO. Um tal de Jesus e uns apóstolos malucos fizeram oposição ao maior Império da humanidade da época, e foram dizimados, sem reação. Tinham uma filosofia nada convencional de dar a outra face, o que obviamente agradou aos que queriam destruí-los. Mas o exemplo de retidão de caráter, ah, esse perdurou e contaminou a estrutura de base do Império Romano, que teve de se adaptar para incorporá-lo, se quisesse sobreviver.
Milhares de anos depois um outro maluco também tentou esta tática contra outro Império, o britânico. O nome dele era Gandhi. Através de passeatas estritamente pacíficas (mesmo quando a polícia reprimia com cassetetes) e desobediência civil ele conseguiu arregimentar mais e mais pessoas, ao ponto de que até mesmo a sociedade dos invasores ficou contra seu governo, apoiando a LEGITIMIDADE MORAL da reivindicação do povo indiano.

Ok, ninguém falou que era fácil, e resistir à violência policial sem reagir é uma das coisas que exigem mais FORÇA dos seus manifestantes do que qualquer guerra civil armada. Mas é a mais efetiva, e a história antiga e recente mostra isso claramente. Então, por que perder tempo e oportunidades com quebra-quebra? Ainda não se tocaram que isso só atende aos interesses dos poderosos?

O que precisamos pra mudar o Brasil é o seguinte:

Visibilidade
A Copa do Mundo é a oportunidade perfeita. Os olhos – e jornalistas – do mundo estarão aqui.

Firmeza de caráter
Uma manifestação que quebra bens públicos pra exigir investimento público é no mínimo contraditória. Se queremos passar uma mensagem, que ela seja CLARA nas palavras e, principalmente, nas atitudes.

Pacificidade e legitimidade
Essa é a questão mais importante. O Estado sempre vai tentar demonizar os protestos, defender seus interesses e a argumentação mais forte é a de que a violência deve ser combatida com violência. Temos de aproveitar que no Brasil a mídia ainda não está inteiramente controlada e que é possível SIM mostrar os atos de violência contra manifestações pacíficas na TV e na Internet para que fique claro que as manifestações são legítimas. Black Blocks e policiais infiltrados devem ser isolados dos demais dentro dos protestos para que eles não se misturem na multidão. Nesse ponto a população tem a obrigação moral de apontar quem pratica ações violentas, seja abrindo uma clareira em torno do meliante, se abaixando para que os agressores fiquem bem visíveis, ou filmando.

Parar o país
Movimentos de greve são os mais efetivos, pois prejudicam a economia e fazem a indústria (tanto local quanto do exterior) pressionar o governo e legislativo a solucionar o impasse. Conseguir apoio dos sindicatos seria um plus, e aí é que a turma de esquerda poderia fazer algum favor pro futuro desse país. Só não poderia haver coação e violência contra quem quisesse furar a greve, ou perde-se a legitimidade.

Ter objetivos claros e de comum acordo
Apresento abaixo 7 pontos que, acredito, a maioria dos brasileiros vão estar de acordo.

1 – Comprometimento da população para não reeleger ninguém do Senado nem da Câmara dos Deputados caso não se iniciem mudanças IMEDIATAS.
Os políticos precisam sentir que ELES são os alvos da manifestação, independente de partidos. Assim como na Revolução Francesa, precisa haver terror. E o único terror possível para os políticos SEM violência é a ameaça REAL da perda do mandato, e consequentes benefícios. Somente passando uma mensagem bem clara de que o poder emana do povo para o povo e que ele, articulado, pode limpar o Legislativo independente dos partidos é que os políticos ficarão intimidados. Somente assim. Alguns bons nomes vão estar no meio e sairão? Sim, mas é o preço a pagar pela unidade, senão vai começar uma guerra de partidários e a idéia não vai funcionar.

2 – Comprometimento da população em torno do fato de que todo partido é responsável pela corrupção de seus membros quando:
a- Não o expulsa ao ficar constatado os fatos;
b- Não o afasta de suas funções nas investigações, ou não investiga;
c- Articula ou vota pela manutenção de seu cargo mesmo após ficar constatado os fatos;

Não adianta nada criticar a corrupção do outro partido quando se encobre o do seu. Vamos parar de pensar em termos de partidos e pensar em termos do POVO BRASILEIRO.

3 – Comprometimento da população em torno de não votar mais em partidos que não dêem prioridade às questões emergenciais do país, que precisam ser VOTADAS e EXECUTADAS no período de 4 anos:
a- Reforma da Educação
b- Reforma da Saúde
c- Reforma Tributária
d- Novo Código Civil

4 – Exigência IMEDIATA de que as votações no Legislativo sejam abertas e nominais, em TODOS os casos.

5 – Criação de um órgão central de Corregedoria da PM, subordinado ao Ministério do Exército com acompanhamento do Ministério Público, que seria a “Anatel” dos abusos policiais, com poderes de investigação e punição.
Não adianta ficar se debatendo com os Governadores, que só sabem dizer que “vão punir os responsáveis” e nada acontece. Precisa haver um único órgão para o qual a população possa apontar o dedo e dizer QUEREMOS UMA RESPOSTA A ISSO!

6 – Exigir que as votações do Orçamento da União contem com a participação direta do povo brasileiro, através de votação pela Internet.
Tal participação não valeria como voto efetivo, e sim como termômetro. Se os políticos se desviarem do que a população votou, vão ter de se explicar perante ao povo.

7 – Fim dos auxílios parlamentares e proibição dos Deputados e Senadores de se darem QUALQUER tipo de aumento pelos próximos 4 anos.
Basta de ficar alimentando esses sangue-sugas com dinheiro público. Se eles precisam de selos, gasolina, passagens de avião ou hotéis que paguem do próprio bolso, oras!

Divulguem a idéia, compartilhem, espalhem seus próprios textos. A não-violência é contagiosa. Agrega, e não afasta as pessoas. A pena é mais forte que a espada.

Semana passada em Paris as pessoas fizeram uma marcha pela família, em defesa do que eles julgavam ser uma lei abusiva do presidente de esquerda François Hollande de eliminar a diferença de gênero nas escolas. Eu nem sabia que haveria tal manifestação e apareci no meio dela à caminho do museu. Fiquei estupefato com a visão de milhares de pessoas vindo de todas as partes da França caminhando em um só bloco, numa fila que não tinha início nem fim, e continuou assim por pelo menos 1 hora!!! Mulheres, crianças e velhos iam caminhando, e gritando palavras de ordem, mas tudo sem enfrentamento, violência ou coação. A polícia de choque bloqueava algumas ruas com escudos e carros, mas ninguém (repito, ninguém!) ia até eles pra soltar provocações, nem jogavam nada neles. O número de pessoas em paz era muito mais esmagador que qualquer violência. Isso ficou claro nos dias seguintes, quando a esquerda retirou a votação da lei de pauta, mesmo tendo chances reais de vencer.

Esse exemplo de enfrentamento pacífico veio de um país que foi o primeiro a combater a opressão por meio da violência. Portanto, jovens brasileiros: aprendam com os mais velhos.

Site: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=13551#prettyPhoto

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2 Comentários

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2 Respostas para “A não-violência é a única solução para o Brasil

  1. Muito bom Isaias.
    Acho até que é a única solução para a Humanidade.
    A gente não suporta mais tanto desamor.
    A paz e a não violência é a única solução para corrigir os nossos rumos.

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