Arquivo do mês: fevereiro 2014

Amar alguém ou admirar alguém

Por Isaias Costa

olhos nos olhos

Estamos vivendo em um mundo no qual as pessoas cada vez mais estão desacreditando da possibilidade de um amor puro e verdadeiro. Já falei isso várias vezes, mas é sempre bom repetir, é o MEDO que leva as pessoas a não amarem profundamente.

É preciso ter humildade e sinceridade para assumir os defeitos e apesar deles, seguir a vida tentando ser um pouquinho melhor a cada dia. Nós não precisamos ser perfeitos, ninguém precisa. O que precisamos é olhar no fundo dos olhos daqueles que mais amamos e dizermos o quanto precisamos deles em nossas vidas, o quanto são especiais e o quanto nos fazem ser melhores.

Precisamos resgatar o poder do nosso olhar. Com certeza você conhece o ditado muito verdadeiro que diz: “Os olhos são a janela da alma…”. Por que você acha que hoje em dia a comunicação pelas redes sociais está sendo tão procurada? Exatamente porque as pessoas estão evitando expor suas fragilidades e realidade pessoal para os outros. É muito mais fácil conversar pela internet, onde você pode esconder seus defeitos e falhas.

Afetar com afeto

Você quer amar alguém de verdade? Ou apenas admirar? Admirar é fácil, agora amar requer que você saia de dentro do seu mundo e vá ao encontro do outro, do universo de possibilidades que se chama o outro.

Para refletir mais sobre isso, compartilho um belíssimo texto do Pe. Fábio de Melo que me levou a grandes reflexões…

****
Amar Alguém

Na vida, a gente só sabe que ama alguém, a gente só tem o direito de dizer a alguém que a amamos depois de ter dito infinitas vezes a esse mesmo alguém a frase: eu perdoo você. Porque na verdade a gente só sabe que ama, depois de ter tido a necessidade de perdoar. Antes do perdão a gente pode ter admiração por alguém, mas admirar alguém ainda não é amar, porque admiração não nos leva a dar a vida pelo outro.

Admiração é um sentimento, uma situação superficial, eu admiro aquela pessoa, mas eu sei que amo depois de ter olhado nos olhos, saber que errou, que não fez nada certo e ainda sim eu continuar dizendo que “eu não sei viver sem você”, “apesar de ter errado tanto continuas sendo tão especial para mim”.

A gente sabe que ama as pessoas assim, depois de ter feito o exercício de olhar nos olhos no momento que ela não merece ser olhada e descobrir ainda ali uma chance, ainda não acabou. Coisa boa na vida é a gente encontrar gente que nos trate assim com esse nível de verdade, gente que nos conhece de verdade, que já foi capaz de conhecer todas as nossas qualidades, mas também todos os nossos defeitos, porque eu não sou só qualidades, eu tenho um monte de defeitos, e só me sinto amado no dia que o outro sabe dos meus defeitos e mesmo assim continua acreditando em mim, muitas vezes nosso amor não é assim, a gente ama o outro pelo que ele faz de certo ou de bom pra nós, e as vezes até elegemos o outro assim “ele é bom demais pra mim”.

E o dia que deixa de ser? Deixou de ser amigo? No dia que falhou, que errou, que esqueceu, no dia que não conseguiu acertar, continua tendo valor pra você? Ou você só ama aqueles que conseguem lhe fazer o bem? Jesus disse que não tinha mérito nenhum em amar aqueles que nos amam, que o mérito está em amar o outro mesmo quando ele não merece ser amado, eu sei que é um desafio, mas essa é tua religião.

Eu creio que não há descanso maior para o nosso coração do que encontrar alguém que nos ama assim, e eu gostaria que você levasse pra sua vida somente as pessoas que te amam assim, com essa capacidade de olhar nos teus olhos quando você não consegue fazer nada de certo, e mesmo assim continua sendo teu amigo e continua acreditando em você. Deixe entrar na sua vida, somente as pessoas que querem te fazer melhor, porque gente que nos diminui nós já estamos cheios.

Amigos de verdade são aqueles que nos desafiam, são aqueles que nos momentos que estamos na lama, nos olham nos olham e dizem ‘você não foi feito pra isso’. Amigo de verdade é aquele que olha nos olhos e nos coloca para sermos mais. Namorado de verdade é aquele que olha nos teus olhos e te respeita como mulher, que te acha linda, mas que te respeita como mulher porque sabe que tu és um coração que muito mais do que necessitado de ser abraçado e de ser tocado, é um coração que merece ser amado, e o amor vem antes do toque.

Quem foi que disse que beijar na boca é declaração de amor? Pode até ser uma das demonstrações, mas eu tenho certeza que seu coração se sente muito mais amado no momento que você é olhado de um jeito certo, do que beijado de qualquer jeito! Antes de você entrar na vida de uma menina, olhe bem nos olhos dela e tente fazer com que ela descubra que você ama só olhando pra ela, olhe de um jeito que ela se sinta amada, e se você olhar do jeito certo, você não precisa ter ciúme, porque a mulher que for olhada de um jeito certo, nunca mais vai querer encontrar outro olhar.

O homem que for olhado de um jeito certo, nunca mais vai querer outro olhar. Você ainda pode mudar o seu jeito de amar, você ainda pode mudar o seu jeito de viver, você ainda pode mudar o seu jeito de sorrir, você ainda pode perdoar aquele que você não quer perdoar, você ainda pode tratar bem aquele que você desprezou tanto, porque a vida ainda te dar a oportunidade de você se tornar muito melhor do que você é.

Pe. Fábio de Melo

Textos relacionados
* O medo de amar- Parte 1
* O medo de amar- Parte 2
* Sobre o medo
* A sutil destruição dos laços humanos

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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E-book: Descobrindo um novo sentido no viver

Por Isaias Costa

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É com grande alegria que hoje publico o meu primeiro e-book contando um pouco da minha história de vida, da minha trajetória profissional, das minhas mudanças e do nascimento de um escritor de temas completamente diferentes da minha formação acadêmica.

O principal objetivo da escrita deste e-book é levar os leitores a refletirem sobre as suas vocações, pois eu sou prova viva de que descobrir a verdadeira vocação é uma das maiores belezas da vida e sei que existem pessoas que passam a vida inteira infelizes, trabalhando com algo que não as realiza de verdade e não desperta o que há de melhor nos seus potenciais e talentos.

Eu era o rapaz das exatas até bem pouco tempo, adorava estudar Matemática e Física, viajava com contas e resolvendo problemas difíceis. Por causa desse desejo resolvi cursar Bacharelado em Física, porém, durante o tempo na universidade eu fui primeiro descobrindo o meu potencial e talento para o ensino e a pouca predisposição para as pesquisas, ou seja, eu estava no curso errado e com as pessoas erradas.

Neste e-book eu conto nos mínimos detalhes como se deram as mudanças até eu chegar onde estou hoje e explico o motivo de eu, sendo Físico, escrever sobre temas voltados para a Psicologia, Filosofia, Teologia, Sociedade, Relacionamentos, Comportamento etc. Eu tenho certeza que muitos dos passageiros de primeira viagem no blog “Para além do agora” que viram a página sobre o autor acharam estranho eu ser Físico.

Portanto! Espero que este e-book lhe leve a boas reflexões e lhe ajude a encontrar o seu caminho para a realização pessoal e profissional. Lembre-se sempre que nunca é tarde para mudar e para seguir o coração. Eu descobri a minha vocação para a escrita de repente, depois de ter experimentado várias coisas e ter caído bastante. Hoje vejo o quanto escrever me realiza e me torna um ser humano melhor a cada dia.

Abaixo disponibilizo o link para download gratuito do e-book em pdf. Gostaria muito de ter o seu feedback ao final de sua leitura. Será uma grande alegria para mim saber o que a leitura deste e-book despertou em você…

Para fazer o download do e-book, basta clicar no link abaixo.

Descobrindo um novo sentido no viver

Muito obrigado! Tenha uma excelente leitura!

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Por que sofremos tanto por amor?

Por Isaias Costa

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Hoje eu quero deixar como leitura uma belíssima poesia do grande Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. Que nós aprendamos a cada vez mais viver o amor verdadeiramente e não nos deixemos abater pelos sofrimentos, que são tão naturais e próprios da natureza humana…

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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O verbo esperançar

Por Isaias Costa

FLOR NA PEDRA

Um dos maiores educadores que o Brasil já teve foi o grande Paulo Freire e uma de suas indagações mais recorrentes era sobre o verbo “esperançar”. Hoje vou fazer uma pequena reflexão sobre esse verbo a partir de algumas palavras do filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella.

“Como insistia o inesquecível Paulo Freire, não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos nesse momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações as pessoas acham que não tem mais jeito, que não tem alternativa, que a vida é assim mesmo… Violência? O que posso fazer? Espero que termine… Desemprego? O que posso fazer? Espero que resolvam… Fome? O que posso fazer? Espero que impeçam… Corrupção? O que posso fazer? Espero que liquidem… Isso não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo. E, se há algo que Paulo Freire fez o tempo todo, foi incendiar a nossa urgência de esperanças”

Nós estamos inseridos em uma sociedade medíocre e cheia de pessoas fazendo “mais do mesmo”. Poucos são os que tem a coragem de bater de frente com esse sistema que nos entorpece e nos deixa inertes. Nós deixamos tudo para “os outros”, nos isentando da responsabilidade pelo todo. Gosto sempre de lembrar as sábias palavras do mestre Dalai Lama e seus preceitos do budismo tibetano que explicam a responsabilidade universal, ou seja, todos nós somos responsáveis pelo bem estar e felicidade de todos os seres humanos, da sociedade e da natureza. Uma de suas célebres frases é a seguinte: “A humanidade é uma só e este pequeno planeta é nossa única casa. Se temos de proteger esta casa, cada um de nós precisa experienciar um sentimento vivo de altruísmo universal. Nosso planeta foi abençoado com vastos tesouros naturais. Se os usarmos adequadamente, todo ser humano poderá usufruir de uma vida rica e de bem-estar”. Se quiser ler e se aprofundar um pouco mais neste tema tão importante e vasto, compartilho o link de um texto extraído do seu livro “Uma ética para o novo milênio”. Vale a pena a leitura…

A necessidade de discernimento e responsabilidade universal – Dalai Lama

Esperar é deixar que os outros resolvam, que o problema se resolva por si só ou o pior de tudo, se anestesiar e deixar que a situação fique cada vez pior por falta de atitude. Já esperançar é agir, é fazer a sua parte, é ser responsável, é dar o melhor de si, é ser um agente transformador da sociedade, é ter um perfil de liderança e correr atrás da realização de muitos sonhos de futuro.

Quero aproveitar para me incluir nesta discussão. Eu procuro ser honesto e reconhecer as minhas falhas e faltas. Eu também em muitas ocasiões espero do verbo esperar em vez de esperançar, e sou assim principalmente quanto à política. Tenho que admitir que atualmente está complicado eu ter esperança, mas estou procurando desenvolvê-la, mesmo em meio a tantas falcatruas. O que os políticos mais querem é que a população se torne apática e ache que “as coisas não têm mais jeito”. O que os políticos amam são as pessoas Pôncio Pilatos. Você sabe quem são elas? São aquelas pessoas que lavam as mãos diante de uma situação que precisa-se de uma atitude concreta e decisiva. O Pôncio Pilatos, na crucificação de Jesus lavou as suas mãos de forma alegórica para tentar livrar a sua consciência que pesava toneladas por condenar o homem mais dócil e santo que pisou no planeta terra.

Você quer ser uma pessoa Pôncio Pilatos? Eu não quero e estou aqui hoje para chacoalhar a sua mente e lhe ajudar a tomar uma atitude. Pode ter certeza que uma atitude maravilhosa que você pode fazer é chegar em outubro de 2014 votando em um candidato que tenha princípios éticos e compromisso com sua palavra, que tenha um histórico de trabalho sem “fichas sujas” e que tenha parcerias políticas com ideais parecidos. Se você for para as urnas sem fazer uma análise como a que citei acima, você estará esperando do verbo esperar: “Espero que a situação política se resolva…”. Pense sobre isso…

Portanto! Essa é a mensagem principal, o verbo esperançar deve estar presente na vida de absolutamente todos os seres humanos, pois fazemos parte de uma sociedade onde todos têm a mesma responsabilidade, eu, você, os governantes, os líderes religiosos, todos, sem exceção. Tendo esta consciência podemos fazer acontecer a verdadeira mudança e tornar este mundo um lugar muito melhor…

Textos relacionados
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* A vida é muito curta para ser pequena
* A corrente do bem
* As pessoas que mudam o mundo
* O mundo precisa de loucos

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Dar e receber amor

Por Isaias Costa

SEM-AMOR-NAO-FAZ-SENTIDO

O maior desejo de qualquer ser humano é experimentar o amor! Mas para isso acontecer é preciso saber que o verdadeiro amor só se vivi quando há o processo do dar e receber! Muita gente sofre por oferecer muito amor e não receber ou ser muito amado e não saber retribuir esse amor! Enquanto houver esse desequilíbrio entre o dar e o receber não conseguiremos sentir a plenitude do amor em nós! Para refletir sobre isso, compartilho um belíssimo texto do místico oriental Osho

O que é dar?”…
…A menos que você se dê, você não dá absolutamente nada.

Você pode dar dinheiro, mas você não é o dinheiro. A menos que você se dê, quer dizer, a menos que você dê amor, você não sabe o que é dar.

“…E o que é receber?” …a mesma verdade quanto ao receber: a menos que você seja capaz de receber amor, você não sabe o que é receber. Você quer ser amado, mas você não pensou sobre isso: você é capaz de receber amor? Há tantas barreiras que não lhe permitem recebê-lo!

A primeira é esta: você não se respeita; daí, quando o amor chega a você, você não se sente bastante adequado para recebê-lo. Mas você fica em tal atribulação, que não pode nem mesmo ver um fato simples: por você nunca ter aceito a si mesmo como é, você jamais foi amado… – como você pode conseguir receber o amor de alguém?

Você sabe que você não é digno dele, mas você não quer aceitar e reconhecer essa ideia tão estúpida, que o alimentou, de que você não é digno de amor. Assim, o que fazer? Você simplesmente recusa o amor. E, para recusar o amor, você tem de encontrar desculpas.

A primeira e a mais importante desculpa é que “isso não é amor – eis porque não o aceito”. Você não acredita que alguém o ame. Quando você mesmo não se ama, quando você não se viu – sua beleza, sua graça, sua grandiosidade -, como você pode acreditar nisso quando alguém lhe diz: “Você é belo. Vejo em seus olhos uma insondável profundidade de tremenda graça. Vejo um ritmo em seu coração, em sintonia com o universo”.

Você não pode acreditar em tudo isso – é demais. Você está acostumado a ser condenado, você está acostumado a ser punido, você está acostumado a ser rejeitado, você está acostumado a não ser aceito como você é – essas coisas você recebe muito facilmente.

O amor terá um tremendo impacto em você, porque você terá de passar através de uma grande transformação antes de recebê-lo. Primeiro, você tem de aceitar-se sem nenhuma culpa. Você não é um pecador como os cristãos e outras religiões continuam ensinando-lhe.

…Para evitar a rejeição, é melhor rejeitar o amor. Eis porque as pessoas não aceitam o amor.

Elas desejam, elas anseiam por ele. Mas, quando chega o momento e alguém está pronto para derramar seu amor em você, você se retrai. Seu retraimento tem uma psicologia profunda. Você tem medo: isto é lindo, mas quanto vai durar? Mas cedo ou mais tarde, minha realidade será revelada. É melhor estar alerta desde o começo.

…Amor quer dizer intimidade, amor quer dizer duas pessoas chegando cada vez mais perto, o amor quer dizer dois corpos, mas uma única alma. Você tem medo: sua alma!? Uma alma de pecador, sobrecarregada com más ações de milhões de vidas…? Não! É melhor se esconder, é melhor ficar numa posição em que a pessoa que o ama o rejeite. É o medo da rejeição que não lhe permite receber amor.

Você não pode dar amor, porque ninguém jamais lhe disse que você nasceu um ser amoroso. Eles lhe disseram: “Você nasceu em pecado!”. Você não pode amar nem pode receber amor tampouco. Isso diminuiu todas as possibilidades do seu crescimento.

Textos relacionados
* Ver para crer ou crer para ver?
* Deixar as lamparinas acesas

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O fundamental na infância

Por Isaias Costa

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Estava refletindo sobre a minha infância a partir de um belíssimo artigo que li sobre educação dos filhos. Eu não tive essa educação tão voltada para a competição que nós temos hoje, e posso afirmar que isso fez e continua fazendo toda a diferença.

Muitos não percebem, mas essa educação competitiva está fazendo os filhos se tornarem pessoas mais frias, individualistas, egoístas e muitas vezes incapazes de mostrar pequenos gestos de amor, de gratidão, de compaixão, de generosidade, que são tão próprias das crianças.

Aprendendo o valor da compaixão com as crianças

A primeira infância, até os 7 ou 8 anos de idade, é uma fase extremamente importante, na qual as crianças aprendem tudo de uma forma muito mais rápida, porém, elas não têm desenvolvido o lado emocional, a personalidade e o caráter. Elas aprendem através dos exemplos e copiam as atitudes e falas dos adultos, por isso é preciso muito cuidado com as palavras e com o comportamento.

A minha família era pobre e não tinha muitos recursos, mas eu tive uma educação maravilhosa, pautada em princípios éticos e religiosos. Lembro que os meus pais trabalhavam bastante para sustentar a mim e meus irmãos, mas eles sempre tinham tempo para ficar perto da gente, de brincar, de rezar e de jantar juntos, nós sempre jantávamos juntos, longe da TV.

Vou contar aqui apenas duas coisas que foram fundamentais na minha infância. Uma delas foi que desde cedo meus pais me incentivaram a expressar todas as minhas emoções, a não guardar mágoas, a não ser rancoroso etc. Minha mãe dizia assim: “Se você ficar com raiva dos seus amigos, não perdoar algum insulto, não falar pra eles sobre o que não gosta etc. Isso só fará mal a você e no fim você vai ficar doente. Você quer ficar doente?”. E eu dizia: “Não mãe!”. Isso me ajudou no processo de expressar os sentimentos. Eu era um menino chorão e meus pais não me reprimiam dizendo aquela enorme besteira de que homem não chora. Cada choro extravasado colaborou para a construção do meu caráter e personalidade.

Outro fator importante foi a valorização do que é simples. Muitas vezes eu chegava da escola e dizia aos meus pais: “O meu colega tem brinquedo tal e gostaria muito de ter também…”, e meus pais de forma honesta e sábia me diziam: “Querido! Nós não temos dinheiro para comprar esse brinquedo. Agora pensa o seguinte! Você já se perguntou como será que é o dia a dia deste menino com a família dele? Você acha que ele tem uma família tão unida e que se ama como a nossa? Provavelmente esse menino tem esses brinquedos caros porque lhe falta tempo dos pais em casa, falta atenção, falta carinho…”. Lembro também de uma frase que minha mãe disse uma vez e nunca mais esqueci: “Hoje pode ser que você fique um pouco triste por não ter esse brinquedo, mas lá na frente, quando você estiver crescido e já estiver ganhando o seu dinheiro, você vai lembrar de mim e vai agradecer por não ter tido o brinquedo…”. Nossa! Minha mãe tinha toda razão! Ela me ensinou o valor das pequenas coisas e, indiretamente, me ensinou também o valor do dinheiro e o quanto é importante investi-lo em algo que traga valor como ser humano, e não apenas como algo passageiro que o tempo se encarrega de jogar fora. Hoje em dia tenho paixão por livros, adoro comprar livros, pois eles me trazem valor e conhecimento para a vida toda.

Espero que esses exemplos da minha infância e da minha educação tenham lhe levado a refletir. Se quiser se aprofundar um pouco mais neste assunto, compartilho o excelente artigo que me inspirou a escrever este texto…

Infância não é carreira e filho não é troféu

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A escultura chamada ser humano

Por Isaias Costa

O Davi de Michelangelo

O Davi de Michelangelo

Uma das maneiras mais bonitas e filosóficas que já li para explicar a natureza do ser humano foi através da famosa indagação de Michelangelo quando perguntado sobre como fizera a escultura de Davi.

“Ao ser perguntado sobre como fizera a escultura de Davi (com quase 4,5 metros em um só bloco de mármore, guardada na Academia de Belas Artes de Florença), ele disse: “Foi fácil; fiquei um bom tempo olhando o mármore até nele enxergar o Davi. Aí, peguei o martelo e o cinzel e tirei tudo o que não era Davi…”

Mario Sergio Cortella

Essas poucas palavras carregam a maravilha do que é a natureza do ser humano. Todos nós temos qualidades e defeitos, sempre existirão os dois, mas o que podemos fazer durante a nossa vida é trabalhar os defeitos para que eles não obscureçam nossas qualidades. Nós somos como essa enorme pedra de mármore, que vai sendo lapidada dia após dia através das experiências de vida, dos sofrimentos, das vitórias, das conquistas, das perdas, das amizades, dos amores…

Acho incrível as palavras simples e extremamente profundas do grande psiquiatra Flávio Gikovate para falar sobre o sentido da vida. Certa vez ele disse isso aqui: “Acho que o sentido da vida é vir a Terra e voltar para a eternidade uns 80 anos depois sendo um pouquinho melhor do que quando veio”. Também penso da mesma forma, a nossa vida é um eterno convite a evolução e ao amadurecimento.

O filósofo Mario Sergio Cortella tem uma frase conhecida que reflete bem o que estou dizendo: “Ao contrário do que muita gente imagina, a gente não nasce pronto e vai se gastando, a gente nasce não-pronto e vai se fazendo. Eu não nasci em 1954 e vim me gastando até hoje. Eu nasci não-pronto e vim me fazendo. O que nasce pronto é fogão, sapato, geladeira. Esses sim vão envelhecendo…”. Quanto mais tivermos em mente que nascemos não-prontos e vamos nos fazendo, mais podemos crescer em humildade e em sabedoria, pois é preciso ter humildade para reconhecer nossas incompletudes e imperfeições. Tendo essa consciência, nós nos damos a oportunidade de estarmos sempre nos lapidando e aperfeiçoando, para que cada vez mais apareça o Davi escondido no mármore dos nossos medos, incrustações, receios, defeitos etc. O Davi representa as nossas qualidades e aquilo de mais belo e positivo que existe em nós, e o que não é Davi são os nossos medos e todos os defeitos que também estão presentes em nosso interior. Agora o que acho mais interessante é que para esculpir o nosso Davi precisamos de uma vida inteira e, ao final, ele não estará perfeito como o de Michelangelo, mas estará o mais próximo possível dele, se assim o fizermos, só depende de nós…

Para continuar refletindo sobre esse tema tão rico e importante, compartilho um dos textos do psicólogo Frederico Mattos que mais me impactou até hoje, um texto curto e simples, mas com uma mensagem extremamente profunda…

****
No trabalho de psicólogo me sinto um escultor de almas. Não que eu manipule o destino das vidas ou dite regras do que é bem viver, mas porque vejo diante dos meus olhos verdadeiras esculturas humanas se revelarem.

Há pessoas que buscam a terapia completamente disformes, muitas vezes incapazes de afirmar o que são, do que gostam e o que buscam em suas vidas. Meu trabalho é ajudar a pontuar e revelar as convicções que estavam debaixo da fuligem de uma personalidade previsível, conformada, passiva, reprimida e apagada. O carinho e o acolhimento são essenciais para que a pessoa seja encorajada a revelar-se para si mesma e depois se posicionar diante do mundo. É lindo ver o desabrochar de uma pessoa que era invisível para a vida.

Existe aquele que ao contrário do anterior chega exageradamente certo de tudo sobre si mesmo. Sabe sua história, oferece autodiagnósticos “precisos” sobre si e praticamente tenta me fazer crer que nem precisa de ajuda. Neste caso o trabalho terapêutico busca abalar as certezas, colocar dúvidas saudáveis, confrontar filosofias de vida e chacoalhar qualquer segurança que a pessoa traga. Esse trabalho é mais difícil para a pessoa, pois costumo pontuar com mais firmeza os pontos pseudo-fortes que acobertas as profundas vulnerabilidades. Normalmente precisam de flexibilidade e leveza, pois seu excesso de método criaram muitas cascas em torno de si e com o passar do tempo perderam a espontaneidade.

Outros são aqueles que chegam com uma vida completamente ameaçada por instabilidades, oscilações e certa volubilidade. Costumaram levar tudo na brincadeira e nunca encararam um trabalho ou um relacionamento com o devido respeito. Como sempre viram a vida como um jogo chegam em certo momento que quebram a cara e se questionam a razão de estarem cercadas de pessoas, mas isoladas emocionalmente. Como são muito orientados pelo prazer a terapia se torna uma dança delicada de confronto e afago para poder apertar certos condicionamentos destrutivos e afrouxar outros que facilitem o vínculo, a estabilidade e a organização pessoal.

E existem aqueles que apesar de não serem disformes ou endurecidos estão dispostos a evoluir para além das formas. Esse é o tipo raro de pessoa que busca a terapia não por necessidade, mas por sabedoria, já que quer um olhar alternativo ao seu na escalada da evolução. Ela já não está mais quebrando as pedras do dia-a-dia, pois tem uma família estruturada, um relacionamento saudável e um trabalho realizador. Ela sofre talvez de certo desencaixe diante dos apelos constantes que a sociedade impõe.

Portanto, para acessar esses vários espaços mentais eu não posso ser o mesmo a cada 50 minutos que passam. E nem sou o mesmo terapeuta para todos e a cada nova sessão.

A escultura que vejo aparecer diante de mim refletem na minha lapidação pessoal ao passo que a escultura que me torno também inspira a alma nascente que se revela ao mundo.

Blog: As várias faces do eu

 

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A paciência no dia a dia

Por Isaias Costa

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Nós estamos vivendo em uma sociedade cada vez mais impaciente e estressada. Nós olhamos o tempo todo para o relógio achando que estamos atrasados para os nossos compromissos, respiramos de forma agitada e descompassada, aumentando ainda mais o estresse, ficamos tensos e com os nervos à flor da pele.

Não é nenhuma novidade o fato de que a impaciência e estresse em demasia nos causam mal e muitas vezes nos trazem enfermidades físicas e psíquicas. Como lidar com isso de forma serena? Como não se estressar em uma sociedade tão agitada como essa? É possível, e hoje vou fazer uma pequena reflexão a partir de algumas palavras do monge budista Ryusho Shonin da Nichiren Shu.

“Ser paciente é ser generoso com os outro pois nós não devemos expressar arrogância vendo falhas e defeitos nos outros e ignorando estas mesmas coisas em nós mesmos. Todos têm um dia ruim, ou até mesmo uma série de dias ruins, vocês sabem que isso acontece, e quando acontece você torce pros outros serem gentis com você, e assim igualmente você deveria ser com os outros. Ser humilde se ajusta exatamente com ser paciente.

Na maioria das vezes quando as pessoas são impacientes, estão na verdade insinuando que são melhor ou que seriam melhor que a outra pessoa. Pense sobre isso. Quando somos impacientes com alguém que está dirigindo devagar à nossa frente, nós estamos na verdade dizendo ou pensando “Eu nunca dirigiria tão devagar assim”. Mas nós dificilmente damos ao lento motorista o dom da paciência pensando algo como: “Eu espero que ele encontre o que está procurando”, ou “Será que ele não está perdido”, ou ainda uma situação como, “Ele pode estar com medo de algo, então como eu posso dirigir sem que ele não se sinta ainda pior?” Quão estranho estes pensamentos podem ser para você? Quão difícil é pensar nas necessidade de um estranho antes de pensar nas suas? Para alguns isto pode não parecer como uma prática muito tranquila, especialmente se uma pessoa está acostumada a ter seu próprio caminho. Mas certamente vale a pena considerar quão importante nós pensamos que nossas necessidades são, comparadas com as necessidade dos outros.”

Nestas poucas palavras ele está nos ensinando uma das maiores e melhores formas de se tornar uma pessoa mais serena e compassiva. A prática da empatia, que é você se colocar na perspectiva do outro, tentando ver os acontecimentos a partir de sua lógica. Ou seja, a empatia é esse olhar mais profundo para entender os outros. É impressionante! Quanto mais nos preocupamos com os sofrimentos dos outros e quanto mais nos dispomos a ajudá-los, cresce em nós um sentimento de paz, de amor, de harmonia, de benevolência, de compaixão, e logicamente, de paciência e generosidade.

Esse exemplo que o monge deu de uma pessoa no trânsito é perfeito. Quando isso acontece nós já começamos com julgamentos e preconceitos, dizendo que a pessoa comprou a carteira de motorista, ou que é uma mulher. Dificilmente passa pela nossa mente a possibilidade descrita pelo Nichiren Shu. Por que? Porque estamos entorpecidos por essa vida fria e individualista, assim deixamos de ver as outras pessoas como seres humanos com tantos problemas como a gente, e assim deixamos de ajudar, de crescer e de fazer os outros mais felizes.

Portanto. Quando passar por situações estressantes e que lhe deixem impaciente, procure fazer isso! Tente imaginar a situação por diversos ângulos, procure ver os outros com um olhar mais compassivo e generoso. Tenho certeza que logo você vai perceber que a sua raiva, sua impaciência e seu estresse diminuirão. Eu estou experimentando isso na minha própria vida e garanto que funciona! Quer tentar?

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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A mídia adora sangue

Por Isaias Costa

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Eu já falei diversas vezes neste blog que não assisto televisão, e o principal motivo é que eu não quero me contaminar com todo o lixo e todas as desgraças que são transmitidas diariamente. Eu procuro ser muito seletivo com tudo que assisto, e quando quero assistir algo que seja da TV aberta, faço isso pela internet, acho bem melhor.

Hoje quero compartilhar um artigo excelente do cartunista, palestrante e escritor Luciano Pires chamado “O Vampiro”, no qual ele fala que a mídia adora sangue e as pessoas amam ver desgraças, pois isso dá IBOPE. Espero que goste e reflita sobre essas palavras…

O VAMPIRO

Lá estava eu, caminhando pela avenida Paulista em meio a três mil pessoas, num domingo friorento, na passeata do Dia pela Dignidade Nacional. Muita emoção, discursos inflamados e um clima de indignação genuína (opa!) no ar. Lá pelas tantas, o carro de som começa a tocar “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Os cinquentões foram invadidos pelas lembranças de um tempo em que tinham mais cabelo e menos barriga e saiam às ruas combatendo a repressão. E então alguém começa a gritar:

– O povo. Unido. Jamais será vencido!

Como uma onda, o grito toma conta da multidão. E logo estamos todos, a plenos pulmões, enchendo a Avenida Paulista com o grito indignado:

– O POVO! UNIDO! JAMAIS SERÁ VENCIDO!

Foi emocionante. Não nego que meus olhos ficaram marejados e eu torci para estar participando do começo de um movimento capaz de provocar mudanças. Voltei para casa esperançoso, liguei a televisão e… Nada. Nadica. Néris de pitibiribas. Descobri que o evento do qual participei e que mobilizou milhares de pessoas em várias cidades do Brasil, simplesmente não aconteceu. Foi uma ilusão. A Fátima Bernardes não falou dele. Nem o Bonner. Nem o Bial… E se não deu na Globo, não aconteceu!

Mas pouco tempo depois, ouço outra vez o grito popular:

– O POVO! UNIDO! JAMAIS SERÁ VENCIDO!

Desta vez foi o MLST – Movimento pela Libertação dos Sem Terra, invadindo a Câmara em Brasília e proporcionando um deprimente espetáculo de manipulação popular, ódio e intolerância. Eram apenas 500 pessoas. Na verdade, 50 arruaceiros conduzindo uma manada que provavelmente não sabia o que estava fazendo. Os “inocentes úteis” dos anos sessenta e setenta revividos. E deu em todos os jornais. Em todas as rádios. Em todas as televisões…
Me senti um bocó de mola, ouvindo os invasores da Câmara gritando as mesmas palavras de ordem que eu gritei na Paulista. Eu, bobão, em meio a milhares de amadores, num evento que não aconteceu. Eles, profissionais, com apenas 500 pessoas, promovendo um evento que ocupa todos os espaços da mídia. Ambos tinham objetivos claros e organização. Mas um foi sucesso de mídia. E o outro, um fiasco.

Afinal, qual a diferença entre os “amadores” da Avenida Paulista e os profissionais do MLST? Pense um pouco…
Minha amiga, meu amigo, a diferença foi o… Sangue. Sangue.

A manifestação que seguiu as regras da civilidade, não chamou nenhuma atenção da mídia. A mídia não está interessada no conteúdo, mas na forma. A manifestação pacífica e ordeira foi invisível.

O outro evento, no entanto, selvagem, agressivo, quebrou as regras e a lei. Derramou sangue. E, do jeitinho que seus organizadores queriam, tornou-se visível e conquistou espaço nobre nas televisões, jornais e revistas.

Conclusão?

A mídia é um vampiro. Precisa de sangue. Ama o sangue. Vive de sangue.

A mídia, sem qualquer responsabilidade com a cidadania, não percebe que fechando os olhos aos movimentos legítimos e ordeiros para dar espaço apenas à anarquia, está passando uma mensagem perigosa:

– Quer ser ouvido? Traga-me sangue!

A mídia promove o sangue.

– Ah, mas sempre foi assim…

Sempre foi?

Então torça para que esse sangue nunca seja de alguém que você conhece.

Site: http://www.portalcafebrasil.com.br/artigos/o-vampiro

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A vitória nossa de cada dia

Por Isaias Costa

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Eu sempre fico hipnotizado com os escritos incríveis da escritora Clarice Lispector. Sua originalidade e criatividade fazem dela única e especial. Hoje vou fazer uma pequena reflexão a partir de um trecho do seu livro “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”.

“Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.”

Nestas poucas palavras a Clarice está falando sobre um universo de sentimentos e comportamentos do ser humano, mas se pudermos resumir a mensagem principal, estaremos falando sobre o medo, pois é ele que nos leva a todos os outros sentimentos negativos.

Da mesma forma que esse texto fala sobre o medo, ele também fala sobre seu antídoto, o amor. Se você prestar bastante atenção nas suas palavras, vai perceber o quanto a Clarice acredita no amor, apesar de elucidar o medo. As palavras que mais me fizeram refletir foram essas: “Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas”. Aqui ela está falando sobre a desconfiança do ser humano, tão grande que consegue ver armadilhas onde não existe, maldade onde não existe, e com isso, deixa de confiar nas pessoas, e deixando de confiar nas pessoas, deixa de amar também. Por que? Porque se deixou dominar pelo medo. Isso lhe soa familiar? O que estou colocando aqui pode ser levado diretamente para as pessoas que sofreram desilusões amorosas e passaram a desacreditar da possibilidade de um amor puro e verdadeiro. Não existe mistério, o que precisamos é nos abrir para o amor, deixar as nossas lamparinas acesas, pois fazendo isso, diminuiremos a ação do medo em nós. O amor tem o poder de curar aquilo que está obscurecendo o nosso crescimento humano, social, familiar, espiritual…

Enfim! Pense sobre isso e viva o amor! O sentimento mais profundo que podemos expressar e também o que dá mais sentido a nossa vida…

Textos relacionados

* O medo de amar- Parte 1
* O medo de amar- Parte 2

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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