Mario Sergio Cortella: 60 anos

Por Isaias Costa

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Hoje é o aniversário de 60 anos de um dos maiores filósofos brasileiros, por quem tenho profunda admiração, o grande Mario Sergio Cortella. Ele nasceu no dia 05 de março de 1954, é Filósofo, Escritor, Educador, Palestrante e Professor Universitário da respeitada PUC de São Paulo, já escreveu diversos livros e um dos principais tem o título “Qual é a tua obra?”, cheio de provocações filosóficas, como ele mesmo chama. Eu me faço essa pergunta todos os dias e quero hoje lhe instigar a fazer também: Qual é a tua obra? Como você tem vivido a sua vida? Tem realizado os seus sonhos? Tem feito algo para ajudar os outros? Tem sido alguém importante no convívio social? Hoje é um belo dia para se fazer esses questionamentos e muitos outros…

Já aprendi e continuo aprendendo muito com sua sabedoria e clareza ao falar e escrever. Para homenageá-lo, vou compartilhar as suas falas do documentário “Eu maior”, além de textos escritos por mim como complemento para as ideias transmitidas por ele. As informações que estou colocando aqui hoje, para serem totalmente digeridas e assimiladas, é necessário que sejam relidas e revistas, por isso fiz questão de transcrever toda a sua fala, para que você tenha mais facilidade de acesso e leitura. Vamos viajar no mundo da Filosofia?

Entrevista com Mario Sergio Cortella

1º Trecho- Felicidade

“Felicidade é uma vibração intensa. Um momento em que eu sinto a vida em plenitude dentro de mim, e quero que aquilo se eternize. Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é um estado contínuo. Felicidade é uma ocorrência eventual. A felicidade é sempre episódica.

Você sentir a vida vibrando, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja na situação em que seu time, por exemplo, vence, seja porque algo que você fez deu certo, seja porque você ouviu algo que queria ouvir. É claro que aquilo não tem perenidade. Aliás, a felicidade, se marcada pela perenidade, seria impossível. Afinal de contas, nós só temos a noção de felicidade pela carência. Se eu tivesse a felicidade como algo contínuo, eu não a perceberia. Nós só sentimos a felicidade porque ela não é contínua, isto é, ela não é o que acontece o tempo todo de todos os modos.”

Texto complementarA instável felicidade

2º Trecho- A felicidade e a solidão

“A ideia de felicidade sozinha, ela teria que ter uma questão anterior. Se é possível viver sozinho. Que, como felicidade, pelo óbvio, só acontece com alguém que vivo está e viver é viver com outros e outras. Como não é possível viver sozinho, a possibilidade da felicidade isolada, solitária, é nenhuma.

Para que eu possa ser feliz sozinho, eu teria que ter a capacidade de viver sozinho. Mesmo na Literatura, como Robinson Crusoé, por exemplo, que lida com o homem que está só, mas ele está só depois de ter vivido com outros. Ele traz as outras pessoas na sua memória, na sua história, no seu desejo, no seu horizonte. Não há história de ser humano em que tenha sido sozinho da geração até o término. Se assim não há, não há possibilidade de ser feliz sozinho.”

Texto complementarO vazio existencial

3º Trecho- Filosofia e Autoconhecimento

“Nos últimos 50 anos do século XX nós tivemos mais desenvolvimento tecnológico do que em toda a história anterior da humanidade. Todos os 39.950 anos anteriores desde que o homo sapiens era sapiens sapiens, da classificação científica, foram menos do que 50 anos finais do século XX. Seria a redenção da humanidade, com uma questão. As questões centrais permaneceram. Quem sou eu? Pra que tudo isso? Por que eu não sou feliz apenas quando eu possuo objetos? Por que o mal existe? Por quê que eu não tenho paz, em meio a tanta convivência? Nesta hora, não só a felicidade, ela sofreu um revival (renascimento), como a Filosofia passou a ser, de novo, interessante. E aí, é claro, a Filosofia como autoajuda, a Filosofia com autoconhecimento, a Filosofia como autocapacidade, a Filosofia como prática sistemática e, de repente, a gente tem no final do século XX, em vários lugares do mundo e do Brasil também, casas para estudar a Filosofia, procura de cursos de Filosofia.”

Texto complementarDia mundial da Filosofia

4º Trecho- Ser famoso ou ser importante

“Você e eu sabemos que vamos morrer um dia. Desse ponto de vista, não é a morte que me importa, porque ela é um fato. O que me importa é o que eu faço da minha vida enquanto a minha morte não acontece para que essa vida não seja banal, superficial, fútil, pequena…

A esta hora preciso ser capaz de fazer falta. No dia que eu me for eu quero fazer falta. Fazer falta não significa ser famoso, significa ser importante.

Há uma diferença entre ser famoso e ser importante. Muita gente não é famosa e é absolutamente importante.
Importar significa levar para dentro. Alguém me importa para dentro, me carrega.

Eu quero ser importante. Por isso, para ser importante eu preciso não ter uma vida que seja pequena. E uma vida se torna pequena quando ela é uma vida que só se apoia e si mesmo, fechada em si. Eu preciso transbordar. Eu preciso me comunicar. Eu preciso me juntar. Eu preciso me repartir nessa hora… Minha vida, que, sem dúvida ela é curta, eu desejo que ela não seja pequena…”

Texto complementar: Ser famoso ou ser importante

Documentário “Eu maior”

Esse filme inteiro é maravilhoso e recomendo que você o assista na íntegra, mas se quiser ver apenas as partes do Cortella, estão entre os minutos “02:20 – 03:15min” e “36:15 – 37:40min”.

1º Trecho- As grandes questões humanas

“Em toda a história da humanidade é uma questão que nos acompanha. Em qualquer momento da história humana. A grande questão, que é absolutamente abstrata, mas ela é funda é: Por que é que existe alguma coisa e não nada?

Quatro foram os caminhos para tentar responder a essa angústia. A Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião. Essa quatro áreas, elas se dedicaram a tentar explicar: Por quê que nós existimos? Por quê que as coisas existem? Com uma grande diferença, a ciência procurou trabalhar o “como” das coisas, isto é, o funcionamento, enquanto que a Filosofia, a Arte e a Religião foram em busca dos “porquês”. Ambos são necessários, não ao mesmo tempo e não do mesmo modo. Mas tanto o “como” quanto o “porque” são necessários.”

Texto complementarAs moradas celestiais

2º Trecho- Não nascemos prontos

“Quando alguém me pergunta: Você mudaria algo em você? Eu digo: Sempre, claro, com alegria. Inclusive, porque, se algo me chateia, é quando alguém me diz: “Cortella! Você continua o mesmo!”. Você já imaginou, no mundo de mudança, de alteração, de processo, eu ter ficado congelado. Se tem uma coisa que eu detesto é a ideia de ter uma vida formol, em que eu congele alguns cadáveres. Eu, para usar uma frase antiga, não me envergonho dos anos que eu fui, mas eu gosto de lembrar que eu já tive muitas vidas, que foram sendo feitas, refeitas e reinventadas. Ao contrário do que muita gente imagina, a gente não nasce pronto e vai se gastando, a gente nasce não-pronto e vai se fazendo. Eu não nasci em 1954 e vim me gastando até hoje. Eu nasci não-pronto e vim me fazendo. O que nasce pronto é fogão, sapato, geladeira. Esses sim vão envelhecendo. Então eu quero sim mudar várias coisas, quero mudar o meu senso estético, quero ter uma ampliação da minha capacidade de ouvir, de enxergar, de fruir sabores, aí eu quero ser capaz de mudar a minha conduta em relação a algumas pessoas com as quais convivo para que elas fiquem melhores. Ainda bem! Você ser do mesmo modo, de uma maneira persistente não é sinal de coerência, é sinal de tacanhice mental.”

Textos Complementares
Todos nós somos caleidoscópios
Flores e espinhos

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4 Comentários

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4 Respostas para “Mario Sergio Cortella: 60 anos

  1. Osvaldo

    Bela coletânea.

  2. Acabei de me licenciar em Filosofia, gostaria de saber durante o mês de junho, julho, ou janeiro o Filosofo Mario Sergio, estara ministrando algum seminário filosófico, ou alguma palestra, moro em Rondônia região norte do brasil

    • Não sei te dizer meu amigo, porque na realidade eu nunca assisti a nenhuma de suas palestras e não faço ideia de como seja sua rotina. Agora posso afirmar sem medo que a maior parte de suas palestras acontecem em São Paulo, porque ele é professor titular da USP e não pode ficar muito tempo afastado de lá… Abraço!

  3. Arletee Terzinha dellaniu

    Parabéns pelo seu aniversário e dizer que o admiro muito por suas palestras,e também dizer que já li alguns ou muitos livros do senhor…

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