Tangíveis e Intangíveis

Por Isaias Costa

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Outro dia li um artigo maravilhoso que falava sobre os grandes problemas enfrentados pela nossa sociedade e que são reduzidos a meros números, estatísticas que não representam a realidade vivida por milhões e milhões de pessoas no Brasil. Um artigo do jornalista, cartunista, escritor e palestrante Luciano Pires. Leia-o com bastante atenção e reflita sobre esse tema tão importante, ainda mais neste ano, que é o ano da Copa do Mundo no Brasil e das eleições da presidente da República…

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Tangíveis e Intangíveis

Ah, as estatísticas! Durante a Copa será um porre… O time que menos gols tomou, o jogador com mais eficiência nos passes, a equipe com mais velocidade de reposição de bola… E depois da Copa, as eleições e suas pesquisas de opinião. Mais estatísticas. Nada a estranhar, já que nossa vida está completamente tomada por estatísticas.

Mas estatísticas, nas mãos de tecnólogos e políticos, são um perigo. Servem a qualquer interesse. Afinal, estatísticas são números. E tentar reduzir a complexidade de nossas vidas a um número é, no mínimo, burrice.

Uns exemplos? Pegue um homem e uma mulher. Estatisticamente, cada um tem um testículo. Essa verdade estatística é uma mentira factual. Outro velho exemplo: fulano afogou-se numa piscina que tem, em média, um metro de profundidade… Em média. Num lado tem 40 centímetros, no outro três metros… Outro exemplo: estatisticamente a queda das torres gêmeas em New York significou 3.000 mortos. Só. Nenhuma estatística conseguirá traduzir o impacto que aquele atentado teve em nossa vida, nas questões intangíveis, na diminuição da liberdade de ir e vir, no medo…

Estatística é como rúcula: só é boa de engolir quando bem acompanhada…
Onde quero chegar? Quero refletir sobre os prejuízos com a sucessão de escândalos políticos nestes 12 meses em que o Brasil parou, enrolado no mensalão e seus afluentes.

Cansei de ler sobre os bilhões movimentados irregularmente, sobre o fulano que pegou 400 mil aqui, o outro que tinha 100 mil na cueca, mais outro que desviou 50 mil da verba que ia para merenda escolar, dos milhões roubados com o escândalo das ambulâncias e outras barbaridades.

Todas as notícias contabilizam os prejuízos. Já sabemos quanto de dinheiro foi roubado, quanto tempo perdemos, quantas pessoas deixaram de receber ajuda, quantas salas de aula deixaram de ser construídas, quantos bebês morreram por falta de socorro, quanto custou o aerolula, etc, etc, etc.

Mas só sabemos daquilo que pode ser traduzido em números. Estatísticas.

Onde está sendo contabilizado o intangível? O que nos foi roubado em amor próprio, auto-estima e valores morais? Quanto vale a morte da credibilidade dos políticos? A falta de confiança nas autoridades? Os meses de aulas canceladas por causa da greve na universidade? Quanto vale o ano que perdemos discutindo o mensalão e fazendo conchavos para as eleições enquanto projetos de lei e reformas importantes mofam nas gavetas do legislativo, do executivo e do judiciário? Quanto vale a aula desmotivada do professor com salário ridículo e falta de estrutura? Quanto custa o desencanto dos brasileiros com o Brasil? E qual será o maior prejuízo? Os milhões desviados para a conta no paraíso fiscal ou seu filho dizendo que “quero ir embora deste país de merda?”. Não dá pra contabilizar, não é?

Dos tesouros que carregamos ao longo da vida, os menos valiosos são aqueles que podemos contabilizar: o dinheiro, as propriedades. O ouro. Tudo isso tem preço. Podemos perder e recuperar. Mas os tesouros que verdadeiramente importam, não têm preço. São impossíveis de comprar, alugar ou emprestar. Nossa liberdade. Nossa saúde. Nossos amores. O respeito. A credibilidade. A moral. A honestidade. A educação. A cultura…

A morte desses valores intangíveis, cuja perda não é sentida nem contabilizada, está na raiz de todos os nossos problemas. Todos.

Mas, infelizmente, parece não haver mais homens e mulheres em posição de liderança, com a capacidade de perceber o valor dos intangíveis. Gente capaz de compreender o verdadeiro prejuízo que esta geração está legando a nossos filhos e netos.
A gente que está aí só enxerga as estatísticas que interpretam o Bra$il.

Mas o Brasil que interessa não se traduz em números.

Site: http://www.globalexchange.com.br/artigo.asp?txtid=530

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1 comentário

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Uma resposta para “Tangíveis e Intangíveis

  1. Erika

    Adorei o texto e tudo verdade mesmo 1 morte e lamentavel 20 mortes e so estatistica. ea realidade do brasil. mas temos que vencer com fe forca e garra.

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