Pense 1000 vezes antes de assinar um contrato

Por Isaias Costa

Woman signing a paper

Recentemente eu passei por uma situação extremamente estressante e vexatória, que graças a Deus consegui me livrar bem e tive um saldo bem positivo ao final, porque foi uma experiência que digo sem sombra de dúvida que levarei para o resto da minha vida.

Eu sou um rapaz um pouco ingênuo, tento ao máximo acreditar na integridade das pessoas, considero isso uma virtude, porém, em determinadas situações, pode ser um grande problema, como foi o que aconteceu comigo bem no comecinho deste ano (2014). Ligaram para a minha casa me oferecendo um curso na área de design e que fosse até lá para negociar. Chegando a ele fui persuadido de uma maneira excepcional, que me deixou absolutamente encantado. Eles me fizeram algumas perguntas e me bateram no meu ponto fraco, a busca pelo aperfeiçoamento (Será que esse é um ponto fraco mesmo?). Eu disse a eles que era professor e meu desejo era me tornar cada vez melhor dentro de minha profissão. Então eles vieram com um papo bem persuasivo, dizendo que eu ia aprender coisas que iriam deixar as minhas aulas muito melhores, e me ajudariam a alavancar meu sucesso profissional. O que aconteceu? Caí como um patinho e assinei o contrato de um curso caro e longo.

Esperei pra ver como seria. Estava entusiasmado com esse novo curso. Porém, chegando na primeira aula, veio a grande surpresa. Entrei na sala de aula e me deparei com um bando de garotos de seus 11, 12, 13 anos. As paredes cheias de desenhos animados: Super-man, Homem-aranha, Hulk, Mulher Maravilha etc. E na aula a professora veio dizer que boa pare do curso era voltada para a criação de jogos de computadores e design também voltado para isso. Os meninos ficaram todos dizendo que adoravam jogar video-game e desenhar Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco… Mas a gota d’água se deu quando a professora disse: “Todos vocês adoram desenhar não é?”. Nossa! Eu me contorci na cadeira nesta hora e me fiz aquela sábia perguntinha “O quê que eu tô fazendo aqui?”.

Saí desta aula “fumaçando” de raiva e fui direto ao setor financeiro para cancelar meu contrato. Mas aí veio o maior estresse, tinha uma cláusula que dizia que em qualquer desistência antes do final do curso era obrigatório o pagamento de 10% referente as parcelas que não foram pagas. Como era o primeiro dia de aula, teria que pagar referente ao curso inteiro sem ter cursado nada, entende? Se tivesse que pagar, seria um total de R$ 720,00. Imagine você pagar todo esse valor só para dizer que não quer fazer um curso? O que aconteceu foi que disse que não pagaria esse valor, e logicamente, eles passaram o contrato na minha cara. Voltei lá umas duas vezes para negociar e eles até reduziram o valor, mas mesmo assim, estava exorbitante. Não consegui nem dormir direito uma das noites de tanta raiva que estava.

Mas nessa hora veio a luz no fim do túnel. Eu liguei para a minha prima que é advogada e extremamente competente. Contei minha situação e no final ela me sugeriu que fosse lá e dissesse que minha situação era algo totalmente contra o código civil e o que a empresa estava fazendo se chamava ONEROSIDADE EXCESSIVA. Que é a cobrança de um valor exorbitante por algo que só beneficie a empresa e prejudique completamente o consumidor. Ela me disse o número do artigo e todos os detalhes. Então, cheguei lá no dia seguinte sério, curto e direto. Falei tudo o que tinha que falar e o resultado? Simples! Em menos de 5 minutos tudo foi resolvido. TUDO. Toda a burocracia se reduziu a uma assinatura de cancelamento e não paguei um único centavo e logicamente, nunca mais pisei nesta empresa corrupta e desumana.

Não foi apenas esta a lição que tirei deste acontecido. Houve outra tão importante quanto, que foi uma lição de HUMILDADE. Procuro ser humilde, mas admito que tenho certos orgulhos e vaidades, como todo ser humano tem. Fui um pouco orgulhoso ao tomar essa decisão, e só admiti isso depois de “quebrar a cara”. Por que eu fui orgulhoso? Porque decidi tudo sozinho, por puro impulso, fui IMPULSIVO. Não pensei demais, fui ansioso e apressado, quis resolver tudo de uma vez e o mais rápido possível. Essa presa fez com que me precipitasse e não pensasse em tudo o que poderia dar errado. Vou dar um bom conselho a você que me lê agora: “Sempre tenha pessoas bem confiáveis para conversar sobre suas escolhas e decisões importantes. Pois elas podem nos ajudar e direcionar para tomarmos melhores decisões”. Eu tenho pessoas assim na minha vida e não as consultei por puro orgulho e presa. Fica a dica…

Pois é meus amigos! Essa história é um pouco longa, mas real, aconteceu comigo e posso afirmar que não sou mais o mesmo Isaias depois deste acontecimento. Estou mais vivo, humilde e certamente nunca mais irei assinar um contrato sem antes ver minuciosamente todos os pontos. Estamos no Brasil, um país cheio de desonestidade e pessoas de má índole, que se aproveitam de gente como eu, que procura a honestidade.

Para encerrar essa bela lição de vida, quero compartilhar as palavras que me inspiraram a escrever esse texto e sugiro que você as anote, para que elas fiquem arquivadas no mais profundo do seu cérebro. Extraí estas palavras do livro “O tao de Warren Buffett”, de Mary Buffett e David Clark, palavras estas que gostaria muito de ter conhecido bem antes, mas só li a poucos dias…

“Depois de assinar um contrato, não dá para voltar atrás; portanto, pense em tudo antes de assinar.”

Warren aprendeu que, uma vez assinado, o negócio está fechado. Não é possível voltar atrás e repensar se foi um bom ou um mau negócio. Portanto, pense bem antes de assinar. É mais fácil falar do que fazer, pois, uma vez com aquele papel diante de seus olhos, o raciocínio sensato pode ser sacrificado pela ânsia de fechar o negócio. Antes de assinar um contrato, imagine todas as coisas que poderiam dar errado – porque muitas vezes elas dão mesmo. O caminho das boas intenções está repleto de obstáculos que eram previsíveis. Pensar longa e profundamente antes de dar um salto o poupará de ter de pensar longa e profundamente em todos os problemas que acabou de comprar.”

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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2 Comentários

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2 Respostas para “Pense 1000 vezes antes de assinar um contrato

  1. Luís

    Isaías, por também ser impulsivo, também já passei por situações parecidas e delicadas como às suas ao longo de minha vida, e uma lição que aprendi é que: “vontade é uma coisa que dá e passa”, isso quer dizer o quê? que quando me vêm uma vontade intensa de fazer algo, seja um curso, um passeio, uma compra, largar o emprego, ou alguma ação de assumir um compromisso (que depois possa não conseguir cumprir e consequentemente decepcionar outras pessoas, lembrando Antoine de Saint-Exupéry: és responsável por aquilo que cativas) ou seja, qualquer ação que fuja da minha aparente “normalidade/rotina”, o que eu faço? deixo a idéia amadurecer aos poucos, deixo-a de molho, e vejo se isso vai persistir, sem pressa nenhuma, como um mendigo que uma vez vi exclamar repetidamente aos berros aqui pelas ruas: ” a pressa é dos outros!!!” hehehe levo esse lema pra mim, deixo a pressa para os outros. E essa maturação da idéia é positiva! então assim deixo a idéia tomar forma, criar algumas raizes, e a partir daí, dar um passo adiante. O que me ajuda em termos concretos, é anotar a idéia em um papel (para não deixar a mesma escapar as vezes escrevo na mão mesmo!) e vou retomando ela várias vezes, nem que demore semanas, meses, ou até anos, dependendo o caso. E outra coisa que também aprendi, assim como você, é se aconselhar, deixando o orgulho de lado. Faço isso com a minha esposa, porque a ação isolada de cada um têm repercussão na vida de toda a família, então isso é importante, e claro, dependendo o caso, com outras pessoas também além dela. Além disso, uma outra dica minha, é deixar claro para a pessoa que está ao seu lado, que tu reconheces a tua impulsividade e que ela quando te ver envolto em alguma situação de forma, digamos, cega (para o “bem” ou para o “mal”, a dualidade que insiste em nos perseguir!), que ela estenda a mão e te tire do redemoinho para te ajudar a pensar melhor, mas VERBALIZE isso, é importante, pedir para essa pessoa lhe ajudar a LHE TRAZER DE VOLTA hehehe, é dizer: VEM CÁ TCHÊ, ME AJUDE A PENSAR, isso é de grande valia e a outra pessoa também se sentirá valorizada, vai sentir que é importante para você e que a opinião dela faz a diferença. Isso é fruto da cumplicidade, e é uma construção, e pode ocorrer em qualquer tipo de relação, mas no meu caso, é com a minha esposa. Isso acaba me (nos) poupando de desgastes, falsas expectativas e revezes financeiros, que queira ou não, estamos atrelados ao dinheiro de alguma forma. Mas destaco: a impulsividade têm inúmeros benefícios, e muito do que conquistei até hoje se deve à esse traço de minha personalidade, e se pudesse escolher entre ser ou não impulsivo, responderia com convicção: SIM! porque no final, o balanço é positivo. A questão é ter discernimento, saber dosar a impulsividade, como e quando, usando a nossa intuição e experiências anteriores, porque afinal, a vida é aprendizado…quando achamos que nos conhecemos, vêm alguma situação que bagunça nossos sentimentos e nos mostra que somos eternos aprendizes. Então, se pudesse pedir algo à Deus, pediria apenas DISCERNIMENTO. Abração.

    • Estou fazendo na minha vida bem mais essa dica que você deu Luís. Estou pedindo ajuda e opinião para minha namorada sempre que pretendo fazer algo novo ou diferente, sua visão e pensamento estão me ajudando demais a não me precipitar.
      E claro! A intuição é fundamental para que façamos melhores escolhas e que beneficiem um maior número de pessoas.
      É um aprendizado diário e para a vida toda! Um aprendizado necessário!
      Abraço!

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