Não sacia a fome quem lambe pão pintado

Por Isaias Costa

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Santo Agostinho foi um dos homens mais inteligentes e sábios dos primeiros séculos depois de Cristo. Ele era Filósofo e Teólogo e viveu entre os séculos IV e V, deixando um legado impressionante, que é fonte de grandes estudos até hoje. Vou fazer uma breve reflexão a partir de uma frase sua com apenas 8 palavras. Uma pequena frase muito profunda…

“Não sacia a fome quem lambe pão pintado”

O que essa frase está querendo dizer? Ela quer dizer que não adianta viver de SUPERFICIALIDADES. A maior parte das pessoas procura aquilo que está na superfície e, desta forma, não são plenamente felizes. O que acredito que sacia a nossa fome é a SIMPLICIDADE, a busca da felicidade nas pequenas coisas da vida e a mudança de perspectiva para viver intensamente o momento presente.

O pão pintado é um quadro e lambê-lo é tocar a sua superfície. É impossível matar a fome assim, é preciso ter o pão concreto, o pão real para ser degustado. Santo Agostinho, em sua imensa sabedoria, com essa frase está falando profeticamente sobre o mundo atual, onde o REAL foi substituído pelo VIRTUAL. Muitos relacionamentos são virtuais e as amizades estão perdendo a beleza e alegria do olho no olho, do contato físico, do abraço, do sorriso, do beijo. Esse mundo competitivo, onde todos são vistos como concorrentes está levando as pessoas a perderem a confiança umas nas outras, a se isolarem, a acharem que não precisam de ajuda etc. Tenho percebido claramente toda essa realidade acontecendo não só no Brasil, mas de forma ainda mais agravada em outros países, como o Japão por exemplo.

É preciso refletir profundamente sobre isso. É preciso se fazer a simples pergunta: “O que sacia a minha fome?”. Essa pergunta respondida com sinceridade e com um desejo genuíno de ser alguém melhor pode nos levar a uma revolução interior. Eu insisto em dizer sempre, a nossa fome é saciada a medida que crescemos em consciência e amor. É para isso que viemos a esse mundo, nascemos para aprendermos a amar, e quanto mais amamos, mais nos humanizamos e nos harmonizamos. Essa harmonia nos leva ao saciamento dessa fome, e quando aprendemos como saciar essa fome, passamos a buscar o essencial na vida, que é a espiritualidade, a família, os bons relacionamentos, a saúde do corpo etc.

O mundo está repleto de pessoas famintas. O estilo de vida que tem sido buscado pela maior parte das pessoas só as afastam da paz, da serenidade, do contentamento. O mundo está cada vez mais regido pelo CONSUMISMO. Busca-se consumir apenas para preencher inúmeros vazios que se carrega no coração. Recentemente li uma frase absolutamente libertadora que vale a pena ser lida com bastante atenção para sentir o que é o essencial na vida.

“Quem trabalha muito, ganha muito dinheiro e não tem mais quase nenhum tempo livre, acaba naturalmente resolvendo todas as suas questões com dinheiro. Afinal, na falta de tempo e de energia, a única ferramenta que lhe sobra em abundância é o dinheiro”.

Alex Castro

Esse consumismo exacerbado tem nos transformado em zumbis, em autômatos (seres que fazem tudo no automático), tem arrefecido nossas emoções e nosso encanto pela vida, tem nos feito horrorizar a chegada da segunda-feira e ansiar pela sexta-feira. Se você prestar bastante atenção, quem anseia desesperadamente pela chegada da sexta-feira está diretamente dizendo para si mesmo: “A minha vida é uma droga. Eu quero antecipar a minha morte”. Achou pesada essa frase? Se você também fizer parte dos que anseiam pela sexta-feira, saiba que está dizendo isso para si mesmo.

Eu falo o tempo todo sobre o essencial exatamente por causa disso, quando buscamos o essencial, naturalmente passamos a viver mais intensamente o momento presente, e vivendo-o intensamente, pouco a pouco vamos nos desprendendo de tanto consumismo, passamos a enxergar com mais profundidade, despertamos o lado mais sensível que existe dentro de nós e passa a brotar do nosso coração uma alegria cada vez mais genúina, uma alegria que não necessita de TER coisas, mas que necessita SER mais, ser melhor, ser mais humano e, consequentemente, mais espiritual.

Pense um pouco sobre isso e busque o pão que lhe sacia a fome. Para concluir, relembro as palavras sábias do mestre dos mestres Jesus Cristo: “Eu sou o pão vivo que desceu dos céus, quem come deste pão viverá eternamente…”. O que Jesus quis dizer com essa belíssima frase é isso, quem busca a SIMPLICIDADE do mestre Jesus come do pão da vida, do pão do céu, o pão que verdadeiramente sacia a fome, nossa fome é de ser feliz, de ter amor, de ser amor. Paz e luz…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

2 Comentários

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2 Respostas para “Não sacia a fome quem lambe pão pintado

  1. Calebe Zubek

    Que bom que li isso. Ótimo, edificante.

  2. Marcos Vini

    Gostei do conteúdo disponível no blog e de fato Agostinho foi muito importante não apenas no período em que viveu, mas principalmente em toda a história da filosofia!

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