Coisas que aprendi com o mestre Rubem Alves

Por Isaias Costa

rubem-alves

No fim desta manhã do dia 19/07/2014, partiu deste mundo, aos 80 anos, um dos maiores educadores que este país já teve, o mestre Rubem Alves. Ele teve falência múltipla dos órgãos.

Tudo que eu possa escrever a seu respeito é pouco para descrever a abrangência do conhecimento e da sabedoria deste senhor tão carismático. Vou citar apenas algumas coisas que aprendi com ele.

1) Aprendi a não ter medo da morte

Ele sempre dizia nas entrevistas esta frase:
“Faça as contas para saber quantos anos não tenho. Que “não tenho”, sim; porque o número que você vai encontrar se refere aos anos que não tenho mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda tenho, não sei, ninguém sabe.”

O que ele está dizendo com essa frase é que ele ama tanto a vida, que não se importa tanto com a idade, pois ela é só um número. Muito mais importante do que a idade, é o que se faz da vida antes que a morte não aconteça. Aprendi essa sabedoria com ele, juntamente com a do grande Mario Sergio Cortella, que sempre nos instiga com a pergunta: “Qual é a tua obra?”. Eu estou construindo a minha obra através destes textos, mas acima de tudo, através de uma vida pautada em princípios éticos e espirituais.

A certeza da morte dá sentido à vida

2) Aprendi a ver a riqueza de sabedoria que existe em todas as crianças

Eu sempre digo e repito que as crianças são as criaturas mais sábias da nossa sociedade, porque elas têm sonhos vívidos, têm criatividade, têm um sentimento de compaixão profundo, são curiosas, gostam de contato humano, gostam de estar perto de quem as deixam felizes etc. Com o mestre Rubem e suas inúmeras crônicas e contos infantis, aprendi a ver essa riqueza que existe nas crianças e aprendi juntamente com isso a ser mais humilde, pois só quem é humilde pode dizer e escrever que as crianças são as mais sábias, e são! Pode discordar de mim se quiser…

Aprendendo o valor da compaixão com as crianças

3) Aprendi a cultivar a solidão que faz bem

O Rubem era um amigo da solidão. Aproveitava os momentos de solidão para ouvir músicas clássicas e escrever seus textos. A maior parte das pessoas se incomodam quando estão sozinhas, eu não! E parte dessa mudança de perspectiva devo a seus ensinamentos. Se quiser ler um pouco mais sobre a solidão amiga, deixo um texto abaixo de sua autoria:

A solidão amiga

4) Aprendi que a sanidade mental é algo bastante subjetivo.

Um dos escritores favoritos do Rubem era o grande filósofo alemão Nietzsche, que por muito tempo foi considerado louco, mas hoje é visto como um gênio, um poeta, um revolucionário. Na adolescência, às vezes achava que eu era louco por gostar de Matemática, Física, e ao mesmo tempo gostar de arte, de português, de teatro, pinturas, música clássica etc. Hoje vejo que é exatamente por gostar disso que escrevo, são esses gostos que me inspiram e despertam meu lado mais humano. Aprendi com o Rubem que a ideia de loucura é relativa, talvez eu seja um louco, mas sou um louco que ama poesia, que ama literatura, que ama a arte, que ama música boa. Muitos dos meus gostos nessas áreas tem influência deste senhor. Abaixo compartilho um dos seus textos mais geniais, que fala desta saúde mental…

O que é ter saúde mental?

5) Aprendi que conhecimento e sabedoria são muito diferentes

Com ele, aprendi que uma pessoa pode ser extremamente sábia e não ter conhecimento e alguém pode ter um conhecimento vastíssimo e não ter sabedoria. Com ele eu fortaleci em mim a certeza de que jamais serei o que ele chama de “Grande Mestre”, que são as pessoas do mundo acadêmico que ficam fissuradas em suas pesquisas e não estudam ou se interessam por nada que saia desta zona de conforto de suas pesquisas. Aqueles pesquisadores que “sabem cada vez mais de cada vez menos”. Se quiser ler um pouco mais sobre isso, deixo outro texto com mais detalhes…

O grande mestre

6) Aprendi a amar jardins

Uma das suas profissões era a de jardineiro. Ele adorava plantas e lendo seus textos poéticos que falam sobre jardins, aprendi a amá-los e a querer também me tornar um jardineiro. Ainda não tenho minha casa própria, mas quando a tiver, certamente colocarei plantas, que florirão e me farão lembrar o jardineiro que me fez amar jardins.

O jardim e o jardineiro

7) Aprendi a levar a imaginação e a arte para a Física e a Matemática

Sou professor destas matérias e sempre levo algo para ler com os alunos que não seja apenas Física e Matemática. Percebo que sempre que leio o Rubem para os alunos, eles se encantam, porque suas palavras são como um néctar, são inebriantes. Com suas palavras estou fazendo muitos dos meus alunos gostarem de ler literatura começando com essa imensa referência. Já pensou? Começar a gostar de ler com o Rubem? Tenho certeza que quem começa por ele, jamais deixará de ser um leitor ávido por boas leituras…

Poderia escrever páginas e páginas sobre o que aprendi com o mestre Rubem, mas fique tranquilo. Enquanto escrever nesse blog, seu nome aparecerá inúmeras vezes.

Vá em paz mestre Rubem! Seu nome, suas palavras e sua sabedoria ficarão marcados para sempre no fundo do meu coração e no de milhares de pessoas que, assim como eu, lhe admiram…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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