No que nossas crianças estão se transformando?

Por Isaias Costa

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Nós estamos vivendo em um mundo cada vez mais conectado à internet, cada vez mais consumista, com pessoas trabalhando em demasia, muitas vezes sem nem saberem bem o motivo. Está ficando difícil parar, silenciar, se aquietar, contemplar o belo, a natureza, o simples, aquilo que é invisível aos olhos.

Tenho há muito tempo insistido nisso e continuarei, porque sei que essa tendência na qual estamos sendo colocados só pode nos gerar mais desequilíbrios, infelicidade, doenças, falta de sentido etc.

As criaturas que mais se prejudicam com essa sociedade são as nossas crianças, que não têm suporte emocional para discernirem o que é melhor ou pior para elas, que se miram nos adultos para criarem seus comportamentos. Elas simplesmente refletem o comportamento dos pais, que sem se darem conta, estão criando meninos e meninas adoecidos em suas almas, que cedo vão deixar de ser crianças para se tornarem adultos amargos e vazios.

Eu me preocupo de verdade com essa situação e garanto a você que escreverei ainda vários textos lhe levando a refletir sobre isso.

Por enquanto, compartilho um depoimento extremamante lúcido de uma professora e que foi compartilhado em uma página que acompanho, a do jornalista Flávio Siqueira. Leia com atenção e, se possível, repasse para mais e mais pessoas…

****

“Voltei na quinta última, de uma experiência muito bacana como monitora de 34 crianças espanholas. Viajamos durante 15 dias desde España até uma cidade chamada Canterbury (fica a 1 h e meia de Londres), para que os niños, pudessem praticar o idioma Inglês.

Como experiência pessoal, foi bem legal. Experimentei ter mais paciência, mais amor incondicional, entrei em contato com minhas sombras, etc…

Mas, o quero compartilhar é o que vi nas crianças e me chocou.

Acho que é um conjunto de fatores: falta de educação emocional tanto em casa, como nas escolas.

Claro, que vi honrosas e lindas exceções, mas no geral, foi assim:

* Crianças frágeis emocional e fisicamente;
* Dependentes químicas (tinham entre 9 e 13 anos);
* Viciadas em celulares e afins.

Estávamos em uma escola/internato, tipo Harry Porter, com um espaço tão lindo e tão grande, repleto de coelhos e cachorros soltos pelo campus. Quadras para praticar vôlei, futebol, tênis, piscina, área verde a perder de vista e ainda tivemos sorte em ter muito sol na Inglaterra!

Pois, os crios, só reclamavam todo o tempo, sempre em um tempo futuro ou passado, nunca no presente. Quando estávamos indo à algum lugar, primeira pergunta: Quando chegamos? Quando chegávamos: Quando voltamos?

Quando estávamos no campus, queriam estar sempre nos quartos, pois ali, tinham acesso a internet, e o sol lá fora lindooooo, grande, convidando à brincadeiras e ser feliz.

E, não, não é culpa dos monitores. Fizemos brincadeiras, tivemos planos, subimos em árvores… Quando subimos, algumas crianças perguntaram: Como vcs fazem isso?

Já viu uma criança que não sabe como subir em árvore?

Agora, se íamos visitar alguma cidade perto, logo perguntavam: Têm lojas ali? Podemos comprar?
Comemos super bem, no colégio, tinha uma equipe de cozinha ótima… Nas pesquisas que fizemos, a maioria dos alunos, reclamou da comida. Quando íamos à cidade, compravam vários embutidos, comida artificial, etc…. e, se sentiam felizes.

Não gostavam de caminhar, tinham dor em todas as partes e pediam logo remédios: Cadê minha aspirina?

Eu dizia: Bebe água, come algo, descansa e se depois disso tudo, ainda sentir dor, damos remédio…
Não, Cláudia! Quero minha medicina já…. ( 9 e 13 anos…)

Flavio, não quero que penses que as crianças eram más, doidas ou algo assim… nada, super lindas, simpáticas e tal….

Mas, perderam ou nunca souberam como ser crianças ou se divertir.

Senti tanta fragilidade, tanta solidão. Não sabiam falar em público, super dependentes. Entediadas!
Fiquei triste em ver nas crianças, aspectos de adultos…
Por isso, fiquei feliz quando hoje, li o post que a educação emocional está sendo implantada nas escolas.

Nos últimos dias, podíamos escolher entre ficar fora brincando no campus ou no Lounge (onde tem vídeo-jogos e internet) Adivinha onde eles escolheram?

Onde estão os índigos, os cristais?

Vi, pouquíssimos.

Enfim, isso queria dizer.

Só um relato de uma professora preocupada.”

Link: https://www.facebook.com/flaviosiqueirafs/posts/664925510244250

Sugestões de leitura
* A sutil destruição dos laços humanos
* O fundamental na infância
* Deixar filhos melhores para o nosso planeta

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]
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