Arquivo do mês: setembro 2014

Democracia não é isso que está aí

Por Isaias Costa

Nota: Por se tratar de um artigo mais longo, disponibilizo a você a sua versão em pdf sem as figuras, para facilitar sua leitura na forma impressa. O link para download está logo abaixo.

Democracia não é isso que está aí…

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A mesa da real democracia

A mesa da real democracia

Esse é o meu primeiro artigo tratando de um tema que venho lendo há bastante tempo e aprendendo muitas coisas, a DEMOCRACIA. Nunca imaginei que escreveria um artigo longo a respeito de um tema político, pois até bem pouco tempo eu era um rapaz extremamente avesso a temas políticos. Sempre que alguém vinha falando de política perto de mim, o mínimo que eu dizia era: “Não quero saber! Não tem nada melhor que possamos conversar?”.

Porém, minha busca constante e incessante pelo autoconhecimento foi me ajudando a mudar minha mente e comportamentos, além de despertar em mim potenciais que estavam adormecidos, como o senso crítico para a política, que pouco a pouco estou desenvolvendo.

Muitas pessoas abandonam os textos voltados para a política, muitas vezes nem tanto pelo conteúdo, mas pela forma como ele é exposto. Antes que você despreze esse artigo, o tachando de “chato”, avance na sua leitura e vai perceber que ele foi escrito com uma linguagem bem leve e acessível. Prezo por isso em todos os meus textos, e esse foi feito com ainda mais cuidado, por se tratar de um tema tão delicado.

Ele está dividido em 4 seções, inspiradas em um artigo excelente do teólogo Leonardo Boff, uma para cada perna da mesa que ele utiliza como metáfora em seu texto, que segue abaixo:

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O ser humano como nós de relações totais – Por Leonardo Boff

Em 1845 Karl Marx escreveu suas famosas 11 teses sobre Feurbach, publicadas somente em 1888 por Engels. Na sexta tese Marx afirma algo verdadeiro mas reducionista:”A essência humana é o conjunto das relações sociais”. Efetivamente não se pode pensar a essência humana fora das relações sociais. Mas ela é muito mais que isso pois resulta do conjunto de suas relações totais.
Descritivamente, sem querer definir a essência humana, ela emerge como um nó de relações voltadas para todas as direções: para baixo, para cima, para dentro e para fora. É como um rizoma, aquele bulbo com raízes em todas as direções. O ser humano se constrói na medida em que ativa este complexo de relações, não somente as sociais.

Em outros termos, o ser humano se caracteriza por surgir como uma abertura ilimitada: para si mesmo, para o mundo, para o outro e para a totalidade. Sente em si uma pulsão infinita, embora encontre somente objetos finitos. Daí a sua permanente implenitude e insatisfação. Não se trata de um problema psicológico que um psicanalista ou um psiquiatra possa curar. É sua marca distintiva, ontologógica, e não um defeito.

Mas aceitando a indicação de Marx, boa parte da construção do humano se realiza, efetivamente, na sociedade. Daí a importância de considerarmos qual seja a formação social que melhor cria as condições para ele poder desabrochar mais plenamente nas mais variadas relações.

Sem oferecer as devidas mediações, diria que a melhor formação social é a democracia: comunitária, social, representativa, participativa, debaixo para cima e que inclua a todos sem exceção. Na formulação de Boaventura de Souza Santos, a democracia deve ser sem fim. Temos a ver com um projeto aberto, sempre em construção que começa nas relações dentro da família, da escola, da comunidade, das associações, dos movimentos, das igrejas e culmina na organização do estado.

Como numa mesa, vejo quatro pernas que sustentam uma democracia mínima e verdadeira, como tanto acentuava em sua vida Herbert de Souza (o Betinho) e que juntos em conferências e debates, procurávamos difundir entre prefeitos e lideranças populares.

A primeira perna reside na participação: o ser humano, inteligente e livre, não quer ser apenas beneficiário de um processo mas ator e participante. Só assim se faz sujeito e cidadão. Esta participação deve vir de baixo para não excluir ninguém.

A segunda perna consiste na igualdade. Vivemos num mundo de desigualdades de toda ordem. Cada um é singular e diferente. Mas a participação crescente em tudo impede que a diferença se transforme em desigualdade e permite a igualdade crescer. É a igualdade no reconhecimento da dignidade de cada pessoa e no respeito a seus direitos que sustenta a justiça social. Junto com a igualdade vem a equidade: a proporção adequada que cada um recebe por sua colaboração na construção do todo social.

A terceira perna é a diferença. Ela é dada pela natureza. Cada ser, especialmente, o ser humano, homem e mulher, é diferente. Esta deve ser acolhida e respeitada como manifestação das potencialidades próprias das pessoas, dos grupos e das culturas. São as diferenças que nos revelam que podemos ser humanos de muitas formas, todas elas humanas e por isso merecedoras de respeito e de acolhida.

A quarta perna se dá na comunhão: o ser humano possui subjetividade, capacidade de comunicação com sua interioridade e com a subjetividade dos outros; é um portador de valores como solidariedade, compaixão, defesa dos mais vulneráveis e de diálogo com a natureza e com a divindade. Aqui aparece a espiritualidade como aquela dimensão da consciência que nos faz sentir parte de um Todo e como aquele conjunto de valores intangíveis que dão sentido à nossa vida pessoal e social e também a todo o universo.

Estas quatro pernas vem sempre juntas e equilibram a mesa, vale dizer, sustentam uma democracia real. Ela nos educa a sermos co-autores da construção do bem comum; em nome dele aprendemos a limitar nossos desejos por amor à satisfação dos desejos coletivos.

Esta mesa de quatro pernas não existiria se não estivesse apoiada no chão e na terra. Assim a democracia não seria completa se não incluísse a natureza que tudo possibilita. Ela fornece a base físico-química-ecológica que sustenta a vida e a cada um de nós. Pelo fato de terem valor em si mesmos, independente do uso que fizermos deles, todos os seres são portadores de direitos. Merecem continuar a existir e a nós cabe respeitá-los e entendê-los como concidadãos. Serão incluidos numa democracia sem fim sócio-cósmica. Esbarrando em todas estas dimensões realiza-se o ser humano na história, num processo ilimitado e sem fim.

Fonte: O ser humano como nós de relações totais

  1. Participação

No início do artigo ele explica que considera a democracia a melhor formação social, porque ela é: comunitária, social, representativa, participativa, debaixo para cima e que inclue a todos sem exceção.

Há muito a ser dito sobre isso. Sabemos que essas palavras não são realidade no Brasil, mas pode vir a ser, e um artigo como este pode ser o início de uma mudança profunda no futuro.

Uma verdadeira democracia precisa da participação de todos, sem exceção, até mesmo das crianças, pois elas podem contribuir imensamente para o desenvolvimento do país, uma vez que são naturalmente curiosas e criativas.

Se elas forem incentivadas de forma criativa a se desenvolverem politicamente, nosso país será um oceano de pessoas éticas, retas, bem instruídas, honestas, criativas e muito mais. Eu acredito profundamente nisso. Tudo começa com a mudança da mente, para depois ser levada para a sociedade como um todo.

Inclusive, só a título de informação, democracia significa: forma de governo em que a soberania é exercida pelo povo. Demo (povo) e cracia (poder).

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Para esta participação, posso citar meu próprio exemplo. Eu não me interessava por assuntos políticos, porém hoje obtenho conhecimentos a respeito e influencio pessoas para um debate de ideias inteligente e respeitoso. Primeiro mudei meus pensamentos para depois mudar minhas atitudes. É sempre assim, se as pessoas compreenderem essa relação, a democracia começará a ser instalada no nosso país.

Há uma frase extremamente conhecida atribuida a Platão que diz o seguinte:

“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política. Simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”

Esta frase, apesar de curta, é muito abrangente em seu significado. Eu demorei muito para entender o que ela quer dizer.

Ela ensina que política é muito importante sim, porém não é vital para nossa vida. Ou seja, um indivíduo que não se interessa por política continua vivendo sua vida normalmente, porém, será governado pelos que gostam.

Não sendo vital, é normal que muitos não deem a devida importância. O que considero um erro, pois isso abre espaço para os aproveitadores de plantão. Política deverira ser algo bonito, algo que despertasse o que há de melhor em cada um de nós, nossas maiores e melhores virtudes. Porém, isso não se verifica muito por conta do comodismo e falta de interesse da maioria.

Esta frase também remete a AUTONOMIA, uma palavra que se estabelecida na mente, nas atitudes e na sociedade, pode mudar tudo para sempre. As pessoas que se aprofundam nos assuntos políticos desenvolvem naturalmente o seu senso crítico e não se deixam persuadir por nenhuma conversa fiada, têm uma luzinha sempre acesa para observar as questões que envolvem desvios de conduta e caráter.

Tendo a total responsabilidade por você mesmo, seus comportamentos, suas atitudes, suas escolhas, fica mais difícil e até incoerente culpar os outros, porque você vai desenvolvendo aos poucos esta consciência. Você deixa de cometer seus erros buscando culpados externos.

A política no Brasil anda de mal a pior muito por isso, ninguém quer assumir seus próprios erros, sempre tem que estar em alguém, ou no sistema, ou no partido, ou nisso ou naquilo. Falta autonomia.

Sem assumir erros, não se mudam posturas, e sem mudanças de postura não há mudanças no sistema. Em vez de culpar o sistema deveríamos cuidar primeiro nosso caráter.

Garanto que cada um tomando consciência disso, o pilar da participação começará a ser erguido firmemente e seguramente.

Nunca esqueça que a argamassa do pilar participação se chama caráter.

  1. Igualdade

Esta explicação nos leva diretamente para o segundo pilar, o da igualdade.

A partir do momento que cada um toma consciência de sua importância no todo e que precisa participar do processo completo, a começar pelo cultivo dos nobres valores humanos, passamos a olhar de uma forma mais amorosa para nós mesmos e para os outros.

O olhar mais consciente nos leva a concluir que somos todos iguais, somos todos irmãos convivendo em um imenso país de grandeza continental.

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Um homem extremamente sábio que entendia o valor da igualdade atrelada aos valores humanos era o querido Mahatma Gandhi. Há um pequeno texto dele que pode ser colocado e comentado aqui, no qual ele compara nossa vida com um espelho:

A VIDA É UM ESPELHO

Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem o ser humano. Ele respondeu assim: A Política sem princípios, o Prazer sem compromisso. A Riqueza sem trabalho, a Sabedoria sem caráter, os Negócios sem moral, a Ciência sem humanidade e a Oração sem caridade.

A vida me tem ensinado que as pessoas são amáveis, se eu sou amável; que as pessoas estão tristes, se eu estou triste; que todos me querem, se eu os quero; que todos são maus, se eu os odeio; que há faces sorridentes, se eu lhes sorrio; que há caras amargas, se estou amargo; que o mundo está feliz, se eu estou feliz; que as pessoas são terríveis, se eu sou terrível; que as pessoas são agradecidas, se eu sou agradecido.

A vida é como um espelho: Se sorrio, o espelho me devolve o sorriso. A atitude que tomo frente à vida, é a mesma que a vida tomará diante de mim. “Quem quer ser amado, que ame”.

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A igualdade parte do pressuposto de que sempre recebemos aquilo que damos. Por isso insisto tanto na mudança da mente. Se ofereço ao mundo um caráter firme e honesto, é isso que vou receber. Se ofereço amor, recebo amor.

Perceba a revolução que o Gandhi promoveu na Índia, que Martin Luther King promoveu nos EUA, que Madre Teresa de Calcutá também promoveu na Índia, a revolução imensa de Jesus Cristo na sua época.

Em todas elas, o que cada um dos líderes buscava e vivia era o amor. Só o amor pode mudar nossa sociedade. Amor e igualdade andam de mãos dadas.

Não era à toa que Jesus dizia: “Ama o próximo como a ti mesmo”. Ou seja, trate-o com amor, trate-o como igual a você.

Isso não acontece no mundo da política, porque há uma tendência absurda ao individualismo e a sensação de superioridade. Você nota que o poder cega boa parte dos polítivos? Por quê? Porque eles passam a se achar superiores, e tenho que declarar o poder que o dinheiro tem sobre eles.

Quero deixar muito claro que o problema nunca foi o dinheiro, ele é apenas uma ferramenta sem a qual nada se poderia movimentar em termos globais. O grande problema são os desvios de caráter dos parlamentares.

O dinheiro sujo que eles movimentam com fins individuais e fora do âmbito político é apenas reflexo daquilo que já havia em suas almas, daquilo que foi corrompido por dentro, da ilusão terrível que o poder proporciona.

Se você prestar bastante atenção. Quando um indivíduo entra para a política desde o início com o firme propósito de ser amor, de somar suas virtudes com a dos demais políticos, pensando nos menos favorecidos e dando o seu melhor para promover melhoras para todos. Será que há espaço para corrupção? Para desrespeito? Para desamor? Para mentiras? Com certeza não.

Infelizmente, a maior parte daqueles que entram com essa motivação desistem por se verem sufocados em um ambiente que exala corrupção e desonestidade. Um lugar onde os valores humanos que mudam o mundo, estes citados pelo Gandhi, não são vivenciados.

Outra coisa que também acontece, é que outros se corrompem no meio do caminho, devido ao convívio intenso com pessoas de má índole.

Podemos viver uma democracia verdadeira no Brasil, mas para isso, precisamos mudar a nós mesmos, olhar para o espelho da nossa vida e nos perguntarmos: É isso o que eu sou? Quero ser assim para sempre? Há algo que preciso mudar? O que preciso mudar para ser mais amoroso? Como devo me comportar para ser alguém mais útil? O que posso fazer para ajudar aqueles que estão ao meu redor?

Esses são alguns dos questionamentos para todos os que querem viver em um país com mais igualdade.

* O maior empecilho da igualdade

Tenho consciência que esta é a parte do artigo que mais pode gerar algum conflito com o pensamento de alguém, mas o mais profundo dos meus sentimentos não consegue desvincular essa reflexão do texto.

Para se viver uma real democracia é preciso ter igualdade. Mas como viver esta igualdade no sistema capitalista da forma que estamos vivendo hoje?

Sinto lhe dizer, mas isso não é possível. O primeiro artigo longo que escrevi trazia um reflexão bem extensa sobre como pode se tornar o mundo em um futuro próximo. Nele, bati forte na tecla do capitalismo. O mundo inteiro está vivenciando a enorme desigualdade que este sistema impõe.

O sistema capitalista é baseado na produção, quem consegue produzir mais ganha mais. Mas a mente dos donos das grandes corporações não pensa que essa igualdade deve levar a consciência do valor real de cada um.

Todos sabemos que as grandes desigualdades de salários e renda vem do não reconhecimento devido aos profissionais em todas as áreas.

Eu mesmo. Trabalho como professor e vivo na pele esse não reconhecimento. Nós, professores, trabalhamos naquilo que mais deveria receber reconhecimento nacional, que é a formação de jovens para a vida e o mercado de trabalho.

Nós recebemos salários baixíssimos e nossa voz sempre é obscurecida pelos homens do poder. Não adianta nem tentar reivindicar muito, nossas vozes são silenciadas na base da violência. Há igualdade aí? Infelizmente não.

O sistema capitalista beneficia uns poucos em detrimento do trabalho escravizante de muitos. Os empregados são sujeitados a ganhar migalhas para enriquecer seus patrões, que ganham infinitamente mais com sua força de trabalho, com sua energia vital.

Veja só as palavras do Leonardo Boff ao tratar do pilar igualdade:

É a igualdade no reconhecimento da dignidade de cada pessoa e no respeito a seus direitos que sustenta a justiça social. Junto com a igualdade vem a equidade: a proporção adequada que cada um recebe por sua colaboração na construção do todo social.

Para o sistema capitalista não há equidade e temo nunca haver. Por isso digo e repito que ele precisa ser mudado. O sistema capitalista, se continuar prevalecendo, vai destruir o planeta inteiro. Nada me faz pensar diferente. Quase todos os dias alguém aparece tentando me convencer do contrário, mas sigo meu coração e ele sempre me diz que esse pensamento é mais sensato e correto.

No sistema capitalista temos nos EUA 1% da população com patrimônio superior aos demais 99%. No Brasil temos algo próximo de 13% com patrimônio superior ao restante da população. Na Europa inteira os números são muito parecidos.

Você já ouviu falar do princípio de Pareto? Também conhecido pelo princípio 80/20?

Ele fala que cerca de 82% da riqueza mundial é controlada por 20% da população. Esse princípio é levado para inúmeras outras áreas e se verifica com enorme precisão. Se quiser ler mais sobre esse princípio, recomendo fortemente o artigo abaixo do Eduardo Amuri, intitulado “2 ações matadoras para melhorar sua vida financeira”, um artigo que já li várias vezes e traz uma reflexão simples, porém muito eficaz sobre finanças.

Link aqui.

Esse é o sistema capitalista! Extremamente desigual e mesmo desumano em alguns situações. Não quero me estender nesse ponto, porque ele foi bastante abordado no artigo passado. Para um aprofundamento, recomendo sua leitura e, principalmente, as referências excelentes que estão no final dele. Se você ainda não leu, segue o link:

Link aqui.

  1. Diferença

O terceiro pilar é o da diferença. Importantíssimo para que haja o verdadeiro crescimento do nosso país. É a partir da diferença que se pode começar a falar em UNIÃO. Pode até parecer contraditório, mas a união de diferenças é que gera o crescimento global. Além do fato de valorizar as virtudes e predisposições de cada um.

Há uma belíssima estória que lembro quase diariamente que mostra a importância de unir as qualidades de cada um, para formar um todo coeso.

Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças.

O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando.

O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo.

Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.

A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.

Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso.

Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel.

Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembleia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse: ‘Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes’.

A Assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas e o metro era preciso e exato. Sentiram-se, então, como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria pela oportunidade de trabalharem juntos.

Ocorre o mesmo com os seres humanos. Basta observar e comprovar. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas. É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades, isto é para os sábios.”

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Isso é o valor da união. Todos são igualmente importantes. Perceba a relação! Igualdade nas relações, somos todos iguais. E respeito pelas diferenças, pelas peculiaridades.

Igualdades e diferenças estão sempre presentes. Somos iguais em essência, somos humanos. Mas somos diferentes em nossas individualidades.

Entender esse atrelamento faz toda a diferença para a construção da democracia, pois haverá o respeito mútuo, a abertura para o diálogo franco, a tranquilidade e serenidade para tratar opiniões e caminhos diferentes etc.

A diferença engloba as escolhas individuais, que estão em todos os âmbitos: social, familiar, alimentar, profissional, sexual, espiritual…

Havendo respeito para com todas essas escolhas, não haverá motivo para conflitos de nenhuma natureza.

Em uma sociedade verdadeiramente democrática não há guerras por conflitos religiosos, como vemos com tanta frequência. Nem porque uma pessoa é gay. Nem porque possui um emprego considerado inferior, aliás, com a igualdade tratada na seção anterior, isso já será resolvido, pois todos viverão a equidade, ou seja, o real reconhecimento por seu trabalho e contribuição.

Em uma real democracia a família tem um valor imenso, pois é nela que se inicia a Educação. Os filhos serão educados desde cedo nos princípios éticos e espirituais.

Vivendo em democracia ninguém tomará suas próprias verdades como absolutas, porque tem a consciência que suas verdades são puramente individuais.

Aqui tenho que falar o que talvez você já tenha se questionado. Por que não falei em partidos políticos em nenhum momento? Por um motivo muito simples. Partidos são “partições”, divisões do todo. Cada partido traz uma verdade individual e quer impô-la a todos como sendo absoluta.

Só por isso já não trato deles por aqui.

Outro motivo é que não há verdadeira democracia com partidos políticos. Se quisermos viver em um país muito mais harmonioso, com pessoas felizes e realizadas, precisamos acabar como todo tipo de divisão. Precisamos nos unir, precisamos somar nossas qualidades com a dos irmãos. Sempre respeitando as possibilidades, limites e limitações de cada um.

Eu sonho em viver nesse mundo, é possível. Sei que parece um sonho, mas as grandes mudanças na sociedade e no mundo sempre vieram a partir de poucos que ousaram pensar diferente e propor algo diferente.

É isso que estou propondo com esse artigo, lhe levar a refletir sobre essas muitas questões e passá-las adiante. Posso contar com você?

  1. Comunhão

O quarto e último pilar é de uma importância vital e poucos falam sobre ele, a COMUNHÃO. Há uma relação muito profunda entre democracia e espiritualidade, porém, nossos políticos nunca tratam deste tema, por dois motivos: eles próprios não se interessam, e o segundo é o mais grave, o autoconhecimento proporcionado pela espiritualidade é absolutamente libertador, e como diria o mestre dos mestres Jesus Cristo: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

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A espiritualidade nos aproxima da verdade, que se reflete em nós de muitas formas: amor, compaixão, solidariedade, generosidade, amizade, união, desprendimento, altruísmo e muito mais.

Os políticos na atual realidade em que vivemos querem nos manipular e nos reduzir a meros consumidores, a pessoas submissas que precisam de seus favores e agrados para sobreviver.

É preciso crescer em consciência para entendermos que tudo isso são condicionamentos. Não é à toa que sempre escrevo textos inspirado no Raul Seixas. Ele foi extremamente corajoso de fugir das amarras que a sociedade impõe. O Raul era um ser humano extremamente espiritualizado, e por isso entendia de política melhor do que todos em seu tempo.

Ele era tão inteligente que escrevia suas músicas com um teor absurdamente crítico e os burros do governo não entendiam o que ele queria dizer. Muitas músicas dizem claramente seu posicionamento. Exemplos:

Eu sou a mosca que pousou em sua sopa, eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar”

Mamãe não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar. Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar.”

Eu calço é 37, meu pai me dá 36. Dói mas no dia seguinte aperto meu pé outra vez”

São tantas músicas! Vou deixar as reflexões com você. E se quiser se aprofundar mais, será um prazer ter você na família do “Universo de Raul Seixas”, meu blog repleto de reflexões só com as músicas e ideias do Raulzito. Se você ainda não conhece esse blog, seja muito bem vindo a ele. O link está logo abaixo.

Link aqui.

* Precisamos expandir o nosso amor

Constantemente escrevo sobre a importância de crescermos em amor e consciência. Repito isso não para ser um chato, mas porque sinto que esse é o caminho para o verdadeiro crescimento da humanidade em todos os sentidos. É o caminho para vivermos com mais equilíbrio e harmonia.

É preciso haver uma revolução do amor. Jesus Cristo fez a maior revolução do amor e seu nome é tão importante que ele dividiu a história em A.C e D.C.

Uma democracia verdadeira só pode existir em um país onde reine o amor, que é nutrido em simplicidade. É exatamente por isso que o Brasil está a anos-luz de distância de uma democracia, porque a maior parte das pessoas busca o amor e a paz fora de si mesmo. Procurando fora aquilo que está dentro de nós se torna muito mais difícil viver em harmonia. Concorda?

A sociedade consumista em que vivemos tenta vender ideais de felicidade, de sucesso, de realização pessoal. Por quê? Tudo isso só pode ser descoberto por cada um de nós em sua caminhada, não adianta querer copiar a fórmula de sucesso de ninguém, de felicidade de ninguém. Isso não existe.

Na política é assim. O Brasil não pode querer imitar a forma de governo de outros países. Temos nossa própria cultura, nossas igualdades e diferenças. O modelo de governo do Brasil tem que ser original. O máximo que podemos fazer é ver o exemplo de algum modelo de outro país e tentar seguir um caminho parecido. O que é bem diferente de copiar um modelo.

Todos os dias lembro de algumas sábias palavras do Napoleão Bonaparte:

Alexandre, César, Carlos Magno e eu mesmo fundamos impérios. Mas de que dependiam essas criações de nosso gênio? Da força. E foram todos efêmeros. Somente Jesus Cristo fundou um império sobre o amor, e até hoje milhões morreriam por ele”.

Os brasileiros precisam aprender com o mestre dos mestres como se cria um sociedade harmoniosa. Se você prestar atenção da escolha dos 12 apóstolos, Jesus escolheu apenas homens despreparados, mas com uma imensa vontade de aprender. Muitos pensam que não, mas Jesus era um homem muito politizado, sabia?

Pregar o evangelho e palavras de sabedoria é um ato político. Eu escrever um artigo lhe levando a refletir sobre diversos assuntos é um ato político. Tudo aquilo que leva a haver algum tipo de conexão humana, conexão de pensamentos e de almas, é um ato político, mas nós tendemos a reduzir a política ao período de eleições, no qual elegemos nossos representantes. Não, meus amigos! Política é bem mais do que isso.

Para terminar essa seção, quero lhe levar a refletir sobre a postura que pode nos levar a crescer em todos os sentidos, inclusive nessa consciência política, que é o transbordamento em amor. É um pequeno texto da Monja Coen.

Pense em alguém que você goste muito.

Do passado, do presente ou do futuro.

Pode ser um bichinho, um brinquedo, uma pessoa, uma criança, uma situação agradável.

Pense e sinta.

Sinta esse amor, agora, aqui, em você.

Conecte-se com o amor que habita você.

Comece a incluir nessa amorosidade todas as pessoas que estão próximas a você.

Vá expandindo sua capacidade de amar.

Inclua todas as pessoas que você conhece.

Agora inclua as que você não conhece.

Inclua próximas e distantes.

Inclua pessoas que você jamais viu.

Os povos africanos, asiáticos, australianos.

Os povos e tribos de toda a Terra.

Inclua em seu amor todo o planeta, com árvores e insetos.  Flores e pássaros.  Mares, rios, oceanos.

Inclua a vegetação da Amazonia e da Pantagonia.

Inclua o Mar Morto e o Deserto do Saara.

Não deixe o Pequeno Príncipe de fora.

Inclua os Lusíadas, a Odisséia, Kojiki,

Inclua toda a literatura mundial, um pouco de Machado de Assis, Eça de Queiroz, Shakeaspeare, um tanto de Saragosa, uma gota de Jorge Amado, banhado por Herman Hesse e Amon Oz.

Inclua todas as religiões.

Como se não houvesse dentro nem fora.

Imagine, como John Lennon, que o mundo é um só.

O mundo é uno. O mundo, o universo, o pluriverso é um só.

Nós somos unas e unos com o uno.

Perceba.

Isto que digo é a verdade.

E só há esse caminho.

Inúmeras analogias, linguagens étnicas, expressões regionais e temporais para tentar atingir o atemporal, o fluir incessante, incandescente, brilhante, da vida em movimento transformador.

Somos a vida da Terra.

Somos a vida do Universo.

Somos a vida do Multiverso.

E quando nossos pequeninos corações humanos se tornam capazes a ir além deste saquinho de pele que chamamos o eu, nos contatamos com a essência da vida. Que é a nossa própria essência e de tudo que é, assim como é.

Algum nome? Nenhum nome?

Caminhemos. Tornamo-nos o caminho a cada passo.

Que cada passo seja um passo de paz.

Que o novo ano se abra com a abertura dos corações-mentes de todos nós seres humanos.

Abertura para o infinito.

Abertura para a imensidão.

Abertura para a ternura.

Abertura para a sabedoria.

Abertura para a compaixão.

Que todos os seres em todas as esferas e todos os tempos se beneficiem com esse amor imenso que aqui e agora juntas, juntos, nos tornamos. E ao nos tornarmos o amor tudo se torna vida e vida em abundância. Ame e manifeste esse amor agora.

Monja Coen

* Não deixemos a mesa infalsa

Enfim. Esse artigo é apenas um ensaio da sociedade que sonho em viver. Tenho consciência de que você ao ler essas páginas deve ter pensado algo como: “Esse Isaias é muito otimista! Como o nosso país poderá viver essa realidade?”.

Você tem razão! Em um primeiro momento parece utopia, parece loucura. Mas quer saber de uma coisa? As maiores mudanças já ocorridas na humanidade começaram com pequenas atitudes de alguns “loucos” como eu, que ousaram pensar em algo diferente, que ousaram construir reflexões que fogem do óbvio. Esse é meu desejo. Eu sou um sonhador, pode ser que enquanto esteja vivo eu não presencie essa realidade, mas serei muito feliz de ter sido um dos seus construtores.

Eu falo como o meu amigo John Lennon: “Você pode dizer que eu sou sonhador, mas eu não sou o único”. Tenho certeza que há muitos sonhadores caminhando junto comigo.

A mesa da democracia possui quatro pernas, quatro pilares, todos igualmente importantes. Essa mesa não pode ficar infalsa, ela precisa de equilíbrio, e seu equilíbrio decorre do amor de cada um, da participação no todo.

Espero que tenha gostado! Gostaria de saber a sua opinião para enriquecermos essa reflexão. Você acredita que precisamos de mais ingredientes para viver em democracia? Você acha que essa mesa precisa de mais pernas?

Deixe sua opinião aqui em baixo, no espaço de comentários. Será um prazer ler o que você pensa sobre democracia…

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Eu também vou reclamar

Por Isaias Costa

Toca Raul! Pelo amor de Deus!

Toca Raul! Pelo amor de Deus!

O Raul Seixas era um cara muito ambicioso e queria registrar seu nome para sempre no mundo da música e no coração dos seus fãs.

Uma de suas músicas que adoro e está repleta de ensinamentos sobre sua ambição é a “Eu também vou reclamar”, cuja letra completa está logo abaixo:

Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar

Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar

=> Você pode ler o texto completo clicando aqui.

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Feliz é quem já foi infeliz

Por Isaias Costa

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Tempos atrás li um pequeno texto da escritora Clarissa Correa que achei fantástico. O texto é o que segue.

“Quem é feliz não conta, não espalha, não grita aos quatro cantos. Quem é feliz, satisfaze-se por ser. E sabe que felicidade anda coladinha na inveja. Quem é feliz não precisa provar nada, simplesmente é. As pessoas felizes demais nunca me passaram confiança. Essa coisa de que a vida é uma festa e não existe nada errado, não me brilha aos olhos. Feliz é quem conhece o lado ruim e o respeita. Feliz é quem já foi infeliz. Somente quem já foi infeliz pode entender que a tristeza traz um punhado muito bom de aprendizados. Felicidade não é sobre quem grita mais alto. É sobre quem sorri mais fundo.”

=> Você pode ler o texto completo clicando aqui.

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Porque eu sou brasileiro

Por Isaias Costa

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Estou prestes a publicar um texto mais denso e aprofundado falando de um tema político de suma importância e pouco discutido de forma séria, a DEMOCRACIA. Nosso país supostamente vive uma democracia, mas digo a você sem medo que estamos a anos-luz de distância de viver uma real democracia.

Este texto é apenas uma prévia do que tratarei neste artigo que será lançado na próxima semana, dia (29/09/14).

Farei uma breve reflexão a partir de uma música que gosto muito, dos meus conterrâneos da banda “Selvagens à procura de lei”. A letra completa com o videoclipe estão logo abaixo:



Então você é o novo povo brasileiro
Que vende e faz compras no estrangeiro
Nossos índios em algumas poucas memórias
Os de fora nos livros das nossas escolas

Futebol e cerveja é mesmo fantástico
Ta n’A Folha
N’O Povo
No eclesiástico
Utopia pra você
Rádio e Tv para a tia
Nossos heróis de verdade morreram por covardia

REFRÃO

Porque eu sou brasileiro
Meu ano só começa quando passa fevereiro
Pobre ou rico ou classe média
Levante a mão quem já sentiu puxar a sua rédea

Nas prisões eles traçam planos de fuga
Enquanto suas esposas puxam as rugas
De filhos a herdeiros, sanguessugas
A nação que corre com passos de tartaruga

Desculpe se a letra está ficando difícil
É que eu nunca treinei para fazer comício
Nasci e me criei em Fortaleza
Não tenho e nem faço questão da vossa nobreza

REFRÃO

O Brasil é medroso
Você também é
Música não pra cabeça
Mas feita pro pé
Já que é assim
Então segura mais essa: 17 milhões vivem nessa miséria

Mas você não precisa
Se importar tanto com isso
Quando esse tapa se for terminado está o serviço
Pode crer, bote fé, tudo vai voltar ao normal
Não era isso que você queria ouvir afinal?

REFRÃO

****

Esta música trata da realidade do nosso país, onde a maior parte das pessoas passa o ano “empurrando com a barriga” tudo que é importante, assim, sempre arrumando um jeito de jogar em alguma coisa ou em alguém a culpa pelos seus erros.

Músicas críticas como essa não fazem sucesso exatamente porque estamos vivendo a cultura do descartável, da idiotice. As pessoas estão ficando com cada vez mais preguiça de pensar e se questionarem sobre as grandes questões.

Sim meu amigo! Essa é uma música com um enorme teor político. Politica, no mais profundo da palavra, tem a ver com a participação de todos na coletividade.

Esse refrão bate o tempo todo na tecla da nossa sociedade do espetáculo, que precisa de um festa estravagente de 4 dias para extravasar. Nada contra o carnaval, mas deveríamos começar a planejar nosso ano no dia 1º de janeiro, você não acha?

Essa música fala da cultura estrangeirista. Amamos ouvir músicas internacionais, comprar produtos importados, e esquecemos que estamos no Brasil. Esse é o nosso país! Deveríamos valorizar muito mais nossa cultura, nossas músicas, nossas comidas tão deliciosas. É uma pena ver tanta gente que desvaloriza nossos tesouros tão abundantes.

Acho engraçada a estrofe que fala dos principais temas dos jornais, futebol e cerveja. Eles estão querendo dizer que boa parte das notícias é pura bobeira, pura distração, não têm profundidade nem promovem mudanças.

Depois eles terminam a música com uma frase forte:

Não era isso que você queria ouvir afinal?

Estou aqui para lhe dizer que quero e vou fazer diferente da maior parte das pessoas. Vou tratar e escrever sobre assuntos que muitos desprezam, porque a mudança sempre acontece quando alguém cria coragem e toma a iniciativa nesse processo de mudança.

Aguardo sua leitura no artigo sobre democracia. Você vai gostar da leitura, tratei esse assunto sob um viés mais humano e espiritual. Há uma profunda relação entre espiritualidade e democracia, e não tenho dúvidas que se houver um movimento nessa direção nosso país pode melhorar substanciamente. O Brasil poderá se transformar em um paraíso. Você acredita? Eu acredito. É preciso ter fé e agir nesse sentido.

Porque eu sou brasileiro

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Minha Jabuticabeira

Por Isaias Costa

Minha Jabuticabeira!

Minha Jabuticabeira!

Eu gosto muito de escrever e constantemente repito isso em meus textos. Meu intuito é incentivar os leitores a sempre buscarem fazer aquilo que amam, aquilo que faz seus olhos brilharem radiantes.

Esses dias li uma pequena parábola muito bonita falando sobre as plantações da nossa vida. Todos nós somos jardineiros, e as flores do nosso jardim só serão bonitas e perfumadas se cuidarmos constantemente dele.

Você tem cuidado do seu jardim? Vamos refletir sobre isso?

A Jabuticabeira

Um jovem aproximou-se de um senhor de muita idade e perguntou:
– Que planta é esta de que o senhor está plantando?
– É uma jabuticabeira – respondeu o velho.
– E ela demora quanto tempo para dar frutos?
– Ah, pelo menos uns quinze anos – informou o homem.
– E o senhor espera viver tanto tempo assim?- indagou, irônico, o rapaz.
– Não, não creio que viva tudo isso, pois já estou no fim da minha jornada – disse o ancião.
– Então, que vantagem o senhor leva com isso?
E o velhinho respondeu calmamente:
– Nenhuma, exceto a vantagem de saber que ninguém colheria jabuticabas se todos pensassem como você…

****

Tudo na nossa vida tem essa dinâmica. Nossas atitudes revelam quem somos e o que queremos. E muitas vezes os resultados daquilo que plantamos hoje só vão aparecer depois de muitos anos, e o que acho mais legal de tudo é que muitas vezes nem sequer nos damos conta desses resultados, porque não tomamos conhecimento dele.

Confesso que esse é um dos motivos que mais me inspira e anima a continuar sempre escrevendo. Eu sei que a maior parte dos leitores são silenciosos, e acho bom que seja assim. Sou um amante do silêncio e sei que é no silêncio que há a maior eloquência, o maior aprendizado, a mudança definitiva.

As pessoas mais sábias são aquelas que trabalham em silêncio, cada vez mais me dou conta disso. Elas não saem por aí dizendo: “Eu fiz isso, fiz aquilo. Me formei nisso. Tenho PhD. naquilo outro…”. Não. Elas simplesmente são, simplesmente vivem suas vidas em amor e consciência.

Tenho certeza que entre meus leitores há pessoas que já viveram muito mais do que eu e tem muito mais a ensinar para as pessoas através de suas próprias experiências de vida. Sou bem jovem, nesta data de publicação deste texto tenho 25 anos.

Talvez a diferença entre mim e muitos dos leitores seja apenas a facilidade que tenho de expressar meus pensamentos em palavras escritas.

Estou dizendo tudo isso para tocar na reflexão desta parábola. Estou plantando e cultivando todos os dias a minha Jabuticabeira através dos meus textos e da minha própria vida. Estou semeando e colhendo muitas coisas boas. E sei que muitas jabuticabas serão “comidas” por pessoas que nunca conhecerei, não apertarei a mão, mas que de alguma forma se conectaram comigo. Eu acho isso fantástico.

Também é preciso pensar na advertência dada pelo jardineiro. Ele contesta as pessoas que vivem fechadas em seus mundos. Sempre que isso acontece não se criam belos jardins nem jabuticabeiras. Como resultado não haverão deliciosas jabuticabas para serem comidas. Essas são as pessoas que acham perda de tempo o cultivo da Jabuticabeira.

Que você reflita sobre essa bela parábola e busque à sua forma regar seu jardim, para que a beleza dele irradie em todas as direções, produzindo frutos doces e saborosos.

A vida se torna muito mais bonita quando transbordamos em alegria, em amor, em generosidade, em compaixão.

Mude seu mundo! Busque esse transbordamento através da simplicidade. Não precisa buscar nas altas montanhas, nas ilhas distantes, no espaço sideral, em conhecimentos complexos. Não. Busque em você mesmo e nas pequenas coisas. É lá que está as maiores belezas da vida…

* Sugestões de leitura

O jardim e o jardineiro
A beleza da simplicidade
As pequenas coisas da vida
Ser famoso ou ser importante

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Só é seu aquilo que você dá

Por Isaias Costa

tempo

O mundo em que vivemos está repleto de pessoas mesquinhas e gananciosas, que só pensam em si mesmas e em ganhar mais e mais dinheiro. Essa realidade está contribuindo para o crescimento da infelicidade e da perda de sentido na vida. Para refletir sobre isso, compartilho algumas palavras do místico oriental Osho.

“É o verdadeiro segredo da vida: dê, e você receberá um milhão de vezes mais; partilhe, e no próprio ato de partilhar, você ficará mais rico. Vá acumulando egoisticamente, e você ficará cada vez mais pobre. Você não vai encontrar um homem mais pobre que o avaro. Ele pode ter muito, mas não tem nada – porque você só pode ter aquilo que você deu. Só aparentemente isso é um paradoxo.

Deixe-me repetir: você só possui aquilo que você dá; você nunca possui aquilo que você acumulou egoisticamente – você se torna senhor de algo que você partilha. Partilhe! Incondicionalmente – porque tudo vai ser tirado de você mesmo; a morte vai tirar tudo de você.

E a morte não vai implorar, ela simplesmente toma, rouba. Ela não pede permissão, não bate a porta e diz: “Posso entrar, senhor?” Não. Ela simplesmente vem. Quando se der conta, você já foi. Quando puder fazer alguma coisa, tudo já terá sido tirado. A morte vai levar tudo.

Antes que a morte bata à sua porta, partilhe tudo o que você puder. Você sabe cantar uma canção bonita? Cante-a, partilhe! Sabe pintar um quadro? Pinte, partilhe! Sabe dançar? Vá e dance, partilhe! Partilhe tudo o que você tiver – e eu nunca encontrei um homem que não tivesse muito o que partilhar, você tem muito que partilhar. Se você não quer partilhar, pode ter suficiente, mais que suficiente, mas é pobre, não tem coisa alguma.”

Osho

Essas palavras são extremamente profundas, pois elas falam de uma lógica que foge à lógica mesquinha e materialista da maior parte das pessoas. Para alguém mesquinho é praticamente impossível ela entender que se torna mais rica ao dar. Ela pensa: “É impossível! Como eu posso me tornar mais rico se estou perdendo dinheiro?”. Grande engano! Quando damos e somos genuinamente generosos, o que recebemos de graças são infinitamente maiores do que aquilo que damos, porém, essas graças muitas vezes não vem de forma material, como dinheiro, vem como saúde do corpo, como alegria, felicidade, paz, esperança…

Mas uma pessoa mesquinha não enxerga isso, ela só tem olhos para o dinheiro, e por isso se torna a mais pobre das pessoas. Inclusive existe uma frase explêndida e bastante conhecida que define esse tipo de pessoa, ela diz o seguinte: “Existem pessoas que são tão pobres, tão pobres, mas tão pobres, que a única coisa que tem é dinheiro…”. Essa frase é desoladora você não acha? De que adianta você ter muito dinheiro e não ter paz? De que adianta ter dinheiro e não ter bons relacionamentos? De que adianta ter dinheiro e não desfrutar de momentos singelos, nos quais o dinheiro não tem importância alguma? É muito triste! Mas o que tem de gente que vive assim é assustador. Tenha cuidado para não fazer parte desta lista…

Essas palavras do Osho me fizeram lembrar da belíssima parábola do rico insensato, que amontoava suas riquezas apenas para si.

 “A terra de certo homem rico produziu muito. Ele pensou consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde armazenar minha colheita’.

“Então disse: ‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’.

“Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então quem ficará com o que você preparou?’

Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus”.

Ela tem total concordância com o texto inicial. A nossa vida é o nosso maior bem, e atrelado à vida está o tempo. Muitos dizem que tempo é dinheiro, mas sabe o que eu digo a você? Tempo é vida, e não dinheiro. O tempo é o nosso maior bem, e se o utilizamos para viver uma vida fechada em si, nós morremos por dentro, como diria o grande filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella, transformamos nossa vida em algo pequeno, superficial, fútio. É isso que você quer para a sua vida? A vida é muito curta para ser pequena, jamais esqueça disso… Se quiser ler um pouco mais sobre isso, deixo o link com o excelente texto do Cortella, um dos textos mais incríveis e profundos que já li na vida…

A vida é muito curta para ser pequena

A verdadeira riqueza está muito relacionada com os nossos talentos pessoais. Todos nós temos talentos únicos, e o Osho mostra claramente isso no seu texto: “Eu nunca encontrei um homem que não tivesse muito o que partilhar, você tem muito que partilhar”. Você tem muito o que partilhar, mas só pode enxergar isso se olhar para dentro de si mesmo, e não para fora. Quando você olha para dentro, desperta aquilo que há de melhor e poderá contribuir infinitamente mais para o mundo e para as pessoas. Como diria o psicanalista Carl Jung: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. Olhe para dentro e descubra os seus maiores tesouros, partilhe seus tesouros! Você tem um tesouro precioso que talvez esteja obscurecido pelos seus medos, por seus traumas do passado, pelos fracassos sucessivos vividos, por alguma doença que lhe acometeu etc. Mas você pode ser maior que tudo isso, só depende de você, do quanto pode ter fé e coragem de vencer e de mostrar para o mundo a sua força.

Partilhe o você é, e não apenas o que você tem. Quando você partilha o que é, sua vida se torna rica de verdade. Você se torna um ser humano riquíssimo e importante, que quando morrer vai deixar saudade em muitas pessoas. Eu quero e estou buscando esse caminho, quero ser lembrado como alguém que fez o bem e que contribuiu para que esse mundo fosse um pouquinho melhor. Quer se juntar a esse time?

Quero concluir deixando uma música antiga e que já está se tornando artigo de museu, mas que tem uma letra incrível. Foi ela que deu o título deste texto, trata-se da música “Pop zen”, da banda Lampirônicos: “Só é seu aquilo que você dá…”

Sugestões de leitura

Dar e receber amor

O que é ser rico?

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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O que é egoísmo?

Por Isaias Costa

Raul-Seixas

Uma das músicas do Raul Seixas extremamente mal compreendida é a “Eu sou egoísta”. Essa é uma das músicas mais críticas dele e esse egoísmo que ele fala tem muito mais a ver com as inúmeras hipocrisias das pessoas do que com o comportamento egoísta em si e quero lhe levar a refletir comigo sobre isso hoje.

Eu sou egoísta- Raul Seixas

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de deus, do mal

Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

=> Você pode ler o texto completo clicando aqui.

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O que significa usarmos 10% da capacidade mental?

Por Isaias Costa

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Com certeza em algum momento da sua vida você já ouviu falar que nós, seres humanos, utilizamos apenas 10% de nossa capacidade mental, não é mesmo? Mas afinal, o que isso significa?

Depois de muitas leituras e estudos de temas psicológicos, vou me atrever a falar um pouquinho sobre isso, lhe deixando avisado desde o início que esse assunto é muito, muito amplo mesmo. É impossível falar aprofundadamente sobre ele em poucas linhas. Para refletirmos, compartilho algumas palavras do psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung:

“Todo mundo carrega uma sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do indivíduo, mais negra e densa ela é. Se uma inferioridade é consciente, sempre se tem uma oportunidade de corrigi-la…

=> Você pode ler o texto completo clicando aqui.

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A arte de ouvir

Por Isaias Costa

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Hoje quero compartilhar um texto genial de um escritor que sempre me surpreende com suas palavras e sua sabedoria, o grande Rubem Alves. Nesse texto ele fala sobre a importância de ouvir e o valor do silêncio. Leia com bastante atenção e reflita sobre essas sábias palavras…

A arte de ouvir

De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição.

Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era o silêncio.”

É do silêncio que nasce o ouvir.

Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar.

Quem fala muito não ouve. 

Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio.

Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: “Cessa o teu canto! Cessa, que, enquanto o ouvi, ouvia uma outra voz como que vindo nos interstícios do brando encanto com que o teu canto vinha até nós. Ouvi-te e ouvia-a no mesmo tempo e diferentes, juntas a cantar. E a melodia que não havia se agora a lembro, faz-me chorar…” 

A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.

Não nos sentimos em casa no silêncio. 

Quando a conversa para por não haver o que dizer tratamos logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. 

Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? 

Nada temos a falar. Esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. 

Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.

Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é “Aconteceu em Tóquio”. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra.

Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no Vazio da jarra que se colocam flores.

O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. 

A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita…” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, Da. Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais.

Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete. 

“Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei… O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu…’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu…’ Essa frase ‘é exatamente como eu…’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro…”

Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno (pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca.

Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutatória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.

Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana “Cem Mondialità” a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças.

No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.

Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro.

Amamos não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito.

A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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O pior cego é aquele que não quer ver

Por Isaias Costa

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Esses dias li um artigo muito interessante do teólogo Leonardo Boff que fazia um comparativo entre o Governo do PT e os Governos anteriores. Eu fiquei impressionado como tem tanta gente que não tem acesso aos dados reais e saem por aí falando as coisas sem saber.

O artigo completo está logo abaixo e recomendo fortemente a sua leitura.

Dados dos Governos anteriores e do Governo PT


Quero enfatizar apenas alguns pontos, aqueles que eu posso falar com conhecimento de causa, por fazer parte da minha vida e da minha profissão, que é a de professor.

Gastos Públicos em Educação:
2002 – 17 bi
2013 – 94 bi

Criação de Universidades Federais:
Governos do PT – 18
Governos do FHC – zero

Criação de Escolas Técnicas:
Governo PT – 214
Governo FHC – zero

Desigualdade Social:
Governo FHC – Queda de 2,2%
Governo PT – Queda de 11,4%

Eu sou prova viva destes números. Entrei na Universidade Federal do Ceará (UFC) em 2007 e fiquei lá até meados de 2013. Eu posso afirmar que vi muita coisa acontecendo nestes 6 anos e meio. Houve sim muitos investimentos com criação de novos cursos, aumento de vagas nos cursos já existentes, aumento dos cursos de Pós-Graduação, vagas na Pós-Graduação, aumento do número de bolsas, do valor das bolsas, aumento dos blocos, aprimoramento das estruturas físicas da universidade, maior investimento em pesquisas, investimento no “Ciências sem fronteiras”, bolsas para estudar no exterior do Brasil etc. etc.

De onde veio esse dinheiro? Veio do Governo Federal, e o números estão aí em cima para você confirmar isso.

O que me deixa mais perplexo, é ver que o Governo FHC não criou novas universidades nem escolas técnicas.

Sabia que nestes números não temos a verdade toda? O quê? Sério?

Sim! A verdade é que o FHC mandou fechar escolas técnicas. Esse número não deveria ser ZERO, deveria ser negativo.

Vou falar agora o que tenho percebido por onde vou e com pessoas que tenho conversado. Tem muita gente que confessa pra mim não achar a Marina uma candidata muito competente, mas vai votar nela porque não quer mais ver o PT no poder.

Eu me contorço por dentro sempre que escuto isso. Sabe qual é o nome que dou a isso? Pode discordar de mim, fique à vontade. Eu chamo isso de “voto por pirraça”. Isso pode ser qualquer coisa, mas não é consciência política.

Eu sou professor e sempre defenderei a bandeira da Educação. Venho de uma família muito pobre, e se não fosse meu esforço pessoal de estudar até o limite das minhas possibilidades, não teria me formado em uma das melhores universidades do Brasil.

No texto passado contei a história do meu querido amigo que está estudando na Irlanda pelo “Ciência sem fronteiras” para lhe mostrar que isso é real, não estou inventando uma única palavra.

A verdade está aí, escancarada. Só não enxerga aquele que não quer ver, desculpe pela minha franqueza…

Você quer viver em um país melhor? O único caminho, repito, o único caminho é através da EDUCAÇÃO. Sem investimento em Educação, permaneceremos para sempre sendo marionetes nas mãos dos Governantes e dos Bancos. É isso que você quer? Eu não! Então para que o Brasil não seja totalmente governado pelos bancos e os pobres fiquem ainda mais pobres, ratifico minha posição, meu voto é 13, Dilma Rousseff

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