Me apresente o seu cartão, por favor!

Por Isaias Costa

shutterstock_124567405O que vou falar neste texto é de total desconhecimento para muitas pessoas, não só no Brasil, mas em diversos outros países, uma característica comum da cultura japonesa.

Pode ser que alguns dos meus leitores sejam descendentes de japoneses, e certamente vão confirmar o que direi ao lerem esse texto até o fim.

Lá no Japão, é uma questão cultural o fato de quando alguém se apresenta a você no ambiente de trabalho, antes de ela apertar a sua mão, ela primeiro lhe apresenta o seu cartão com dados básicos referentes ao cargo desempenhado no trabalho.

Além disso, faz parte da cultura deles que você leia com bastante atenção, aperte a sua mão, e só depois coloque o cartão no bolso.

É considerado uma imensa falta de respeito simplesmente pegar o cartão e colocar no bolso imediatamente.

Vou explicar o que eu penso disso e o quanto essa cultura pode ser perigosa.

Em todos os textos que eu escrevo, a primeira coisa que sempre me vem em mente é que estou escrevendo para seres humanos, HUMANOS, gente igual a mim. Pessoas que possuem um coração, que possuem sonhos, almejam coisas maravilhosas para si e para as pessoas que amam etc. etc.

Meu objetivo em tudo que escrevo é atingir o coração dos leitores e me conectar a eles de alguma forma.

Essa cultura japonesa, no meu ponto de vista, é contra essa tendência para o lado mais humano das pessoas, e mais voltada apenas para o lado profissional, como se estivéssemos tratando de máquinas que só tem valor se tiver grandes recursos e sofisticações, que no caso dos humanos, são os títulos, as especializações, a experiência profissional, o currículo etc.

Em resumo. Quando alguém chega até você e já lhe mostra seu cartão de dados profissionais, ela está lhe mostrando o seu rótulo, apenas o seu rótulo. Aquilo que a sociedade insiste em dizer que é você.

“Eu sou o engenheiro elétrico, formado pela USP, com mestrado na área de máquinas hospitalares, com curso de especialização pelo instituto “não sei o quê”, falo inglês e espanhol com fluência, experiência em logística. Bla Bla Bla….”

Não! Você não é nada disso. No máximo isso pode ser o que você faz. Isso jamais pode ser você.

Eu gosto até de brincar com uma pergunta que certamente pode deixar a grande maioria das pessoas extremamente embaraçada. Sabe qual é essa pergunta? Muito simples!

Quem é você?

Quase todos respondem: “Sou João, Pedro, Tiago, Maria, Teresa, Antônia…… formado(a) nisso, com curso naquilo, experiência naquilo outro…”

Aí eu digo: “Certo! Tudo bem! Agora tirando tudo isso que você acabou de dizer! Quem é você?”

Não tenho dúvidas que nessa hora, a maior parte das pessoas respira fundo, e depois de um tempo pode ter duas reações. A mais insensata é falar sobre os sentimentos, a relação com a família, com o namorado(a).

Isso é legal! Mas não é o mais sensato. O mais sensato é dizer: “Não sei!”. Simplesmente.

A maior descoberta que qualquer um de nós pode fazer ao longo da vida é conhecer a nossa natureza primordial.

Digo com total sinceridade. Eu ainda estou muito longe de descobrir quem eu sou, mas tenho certeza que estou neste caminho, pois tenho um compromisso diário de crescer em espiritualidade e em amor. Este é o verdadeiro caminho para descobrirmos quem somos.

Falei tudo isso para mostrar a você o quanto classificar, identificar, julgar alguém pelo que faz não é humano. Isso é atitude de máquinas, de robôs sem sentimento.

Não é a toa que existam tantas pessoas no Japão que perderam o sentido da vida. E também não é à toa que tantos jovens se suicidam nesta sociedade tão consumista e voltada para o lado profissional.

No Japão, quem não tem um destaque profissional, é considerado uma escória. Eu jamais conseguirei concordar com isso, pois essa atitude vai totalmente contra os princípios universais de amor, de respeito, de caridade, de inclusão, de misericórdia.

Muito provavelmente, se eu fosse para o Japão e passasse pela situação que descrevi, seria tachado de arrogante, de desrespeitoso. Por uma razão muito simples. Para mim, não importa se o fulano é chefe de um departamento, um juiz, um médico, um engenheiro, o zelador que cuida do banheiro, o rapaz que vigia o estabelecimento, a moça que leva os papéis para a sala do chefe… Todos são igualmente importantes. São meus irmãos, tem os mesmos direitos que eu e merecem ser tratados da mesma forma, com respeito, com atenção, com zelo, com amor.

Isso é tão simples, mas extremamente difícil de ser entendido por muita gente.

Que essa breve reflexão tenha feito você pensar, e tenha aberto um pouco mais os seus olhos e sua consciência para essa pergunta: Quem é você?

Para continuar refletindo sobre isso, compartilho um texto muito interessante do místico oriental Osho, que tive a alegria de compartilhar no blog.

Lembre-se sempre! Você não é o que aparece no seu cartão. Você é mais! É infinitamente mais do que todos aqueles dados. Sua alma, seu coração, seu espírito é infinito.

Paz e luz!

Quem é você?

4 Comentários

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4 Respostas para “Me apresente o seu cartão, por favor!

  1. Diego Garcia.

    Esse foi um dos melhores textos que li. Gostei do tema pois, como diz no início, não conhecia nada sobre isso. Concordo plenamente e pensava que só eu via dessa forma, uma sociedade que te reduz a 1 ou 2 diplomas, ou ao seu dinheiro ou fama, ilusão. Acho incrível as pessoas conseguirem se definir, quer dizer, ”sou tão raso que já sei quem sou”, como se fossem seu trabalho, profissão. É a sociedade dos resultados, maximização de lucros e aparências. Já percebeu quantas pessoas só usam redes sociais pra fotos e vídeos, tipo ”olha como saio muito, como sou feliz e gasto muito”! Claro é da conta delas, mas revela essa apatia existencial! Troca-se um C por outro C, o de Cidadão, por Consumidor. Nessa via pode-se dizer que um Aécio é muito mais agregador que Gandhi, pelo curriculum, por ex, só que quem é o sábio e exemplar dos 2, óbvio né! A introspecção, o plantio intelectual e seu cultivo diário, a busca por um propósito, e não por desejos, isso é o deve ter mais valor. Nossas percepções conscientes não dizem quase nada sobre ”nós”, o seu ‘eu”, nós somos um imenso todo, num ciclo imenso, quase imperceptível , e isso não permite nos conhecermos rapidamente.Como diz a monja Cohen, ”eu também sou aquilo que não sou”. Belíssimo texto meu irmão, vi que mesmo os japoneses com tanto conhecimento, são vítimas de percepções equivocadas da vida, sabedoria exige muito mais. Abraço meu irmão. NAMASTE!

    • Exatamente Diego. Precisamos nos enxergar e enxergar a todas as pessoas para além da casca, dos rótulos, dos títulos, das aparências. Somos muito mais que isso, somos seres eternos. Somos um espiríto dentro de um corpo que nos foi emprestado por um tempo muito curto e devemos cuidá-lo com zelo, em todos os sentidos.
      É uma pena que nossa sociedade cada vez mais nos reduz a papéis. Precisamos mudar isso, e essa mudança é individual, de dentro para fora.
      Jogo essas sementinhas nos textos para despertar a luz de quem quer se permitir ser alcançado.
      Que bom que você é uma dessas pessoas meu amigo!
      Grande abraço!

  2. EU CONTINUO ACHANDO SEU TEXTO SÃO ÓTIMOS , MAS VOCÊ SÓ ESQUECE DE UMA , TUDO ISSO É MUITO LINDO , MAS PRECISOU QUE UM MORRESSE POR NÓS , PARA QUE TIVESSEMOS CERTEZA DE TUDO ISSO QUE SEUS ANCESTRAIS ESCREVERAM , ELES NÃO CONSEGUIRAM , DAR A VIDA ETERNA SALVAÇÃO A NINGUÉM . SE NÕ CRISTO NÃO MORRERIA NUMA CRUZ ,POR UMA HUMANIDADE CAIDA QUE SÓ SE FAZ O MAL AO SEU SEMELHANTE . EU SEI TEM MUITA GENTE BOA MELHOR ATÉ QUE MUITOS CRENTES , MAS A SALVAÇÃO ,NÃO É POR MÉRITOS , A SALVAÇÃO É PELA GRAÇA NÃO SE PAGA NADA POR ELA , A NÃO SER A OBEDIÊNCIA AO ENSINOS DE CRISTO . QUE É IMPOSSIVEL SEGUIR , A NÃO SER PARA AQUELES QUE ABREM O CORAÇÃO E ACEITAM JESUS COMO SEU SALVADOR .

  3. Você escreve bem, curti bastante seu blog 😉 gostaria de te convidar para conhecer o meu, espero que goste também. Obrigado!

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