O poder da reconciliação

Por Isaias Costa

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Um tema importante e que todos nós precisamos parar e refletir é a reconciliação. Somos seres humanos e constantemente ferimos e machucamos as pessoas que mais amamos através de palavras, gestos e comportamentos. Nesse lindo texto do mestre budista Thich Nhat Hanh ele nos traz uma profunda reflexão sobre isso. Leia com bastante atenção!

Reconciliação – Thich Nhat Hanh

“O que podemos fazer quando magoamos alguém, que agora nos considera seu inimigo? Podem ser pessoas da nossa família, da nossa comunidade ou de outro país. Creio que você sabe a resposta. Há pouco a fazer. Para começar, é preciso aproveitar a oportunidade para dizer. “Desculpe, eu o magoei por ignorância, por falta de plena consciência, por falta de tato. Farei o possível para mudar. Não tenho coragem de lhe dizer mais nada.” 

Às vezes, não temos a intenção de magoar, mas, por sermos desligados ou por nos faltar o tato, acabamos magoando alguém. Estar alerta na vida diária é importante, para que falemos de uma forma que não fira ninguém.

O segundo passo consiste em tentar fazer brotar o que há de melhor em nós, a nossa flor, em nos transformar. É esse o único meio de demonstrar o que acabamos de dizer. Quando formos agradáveis e joviais, a outra pessoa logo perceberá. Então, quando surgir a oportunidade de uma aproximação com essa pessoa, podemos nos apresentar como uma flor, e ela imediatamente notará a diferença. Talvez não seja preciso dizer nada. Só de nos ver dessa forma, ela nos aceitará e nos perdoará. É isso o que se chama de “falar através da vida e não através de palavras”.

Quando começamos a perceber que o inimigo sofre, aí está o início da compreensão. Quando virmos em nós mesmos o desejo de que o outro pare de sofrer, esse é um sinal do verdadeiro amor. Cuidado, porém. Pode acontecer de você se considerar mais forte do que realmente é. Para testar sua força real, tente procurar a outra pessoa para ouvi-la e falar com ela, e você descobrirá se a sua amorosa compaixão é verdadeira. Você precisará dessa outra pessoa para essa comprovação. Se simplesmente meditar sobre algum princípio abstrato, como por exemplo, o amor ou a compaixão, pode ser que seja apenas sua imaginação e não uma compreensão verdadeira ou um amor verdadeiro.

A reconciliação não implica pactuar com a falsidade ou com a crueldade.
A reconciliação se opõe a todas as formas de ambição, sem tomar partido.
A maioria de nós tende a tomar partido em cada combate ou conflito. Distinguimos o certo do errado com base em evidências parciais ou em mexericos.

Precisamos da indignação para poder agir, mas mesmo a indignação legítima ou justa não é suficiente. Nosso mundo não carece de pessoas dispostas a se lançarem à ação. O que precisamos é de pessoas capazes de amar, de não tomar partido, para que possam abranger toda a realidade.

Devemos continuar a praticar a plena consciência e a reconciliação até que possamos ver como se fosse nosso o corpo de criança em pele e osso de Uganda ou da Etiópia, até que a fome e a dor nos corpos de toda a espécie sejam também nossas. Teremos, então, concretizado a não-
discriminação, o verdadeiro amor. Poderemos, assim, encarar todos os seres humanos com os olhos da compaixão e colaborar para amenizar seu sofrimento.

*******

Esse foi um texto que me tocou profundamente, porque tenho muitos defeitos. Eu erro muito, todos os dias. Porém, estou no firme propósito de me tornar uma pessoa melhor a cada dia, minimizando minhas falhas pouco a pouco.

Esse texto é um convite principalmente para as pessoas que tem um relacionamento amoroso mais duradouro. Se você namora há muito tempo ou é casado, certamente vai concordar com as palavras do querido Thich Nath Hanh. Ele está muito correto em sua colocação.

Muitas vezes nós ferimos as pessoas que mais amamos, quase sempre por ignorância, por não termos lapidado nossa personalidade para torná-la mais mansa, mais serena, mais humilde, mais acolhedora etc.

Tudo pode ser aprendido, basta querer, basta tomar a decisão de ser melhor, de se superar. É preciso ter a humildade para pedir perdão, reconhecer-se pequeno e errante.

Não canso de repetir por aqui que o fato de escrever sobre temas espirituais, relacionamentos, superação etc. de forma alguma me isenta de erros, ou me coloca em um patamar acima dos outros. Não! Eu erro, e erro feio às vezes.

Outro dia li uma frase que até hoje ressoa em mim. Inclusive mudou completamente a minha perspectiva! Espero que você a guarde no fundo do coração. Era uma frase do escritor Alex Castro.

“Você não deve tratar as pessoas da mesma forma como trata a si mesmo. Você deve tratá-las da forma como elas merecem ser tratadas…”.

Se você prestar atenção de verdade nessas palavras, verá que são bem mais apuradas que o velho ditado que todos nós conhecemos.

Vou citar um exemplo meu para que você compreenda melhor. Algumas vezes já feri a minha namorada com palavras, por ter agido por um impulso de momento. Já falei palavras totalmente impensadas e que depois me fizeram refletir assim:

“Poxa! Ela não merecia ter sido tratada daquela maneira! Preciso pedir perdão a ela…”.

E assim, humildemente, me proponho esta reconciliação, que faz tanto bem e nos amadurece.

Esse é meu desejo para você! Busque a reconciliação com as pessoas que você ama e que por ventura, tenha ferido em algum momento. Você certamente será o maior beneficiado!

Para concluir! Uma linda frase que li na passagem do ano e que tomei como um dos meus propósitos para todo o ano de 2015, e espero que sirva para você também. Muita paz…

“Se você aspira a felicidade em algum nível, se aspira se livrar do sofrimento, você trate de olhar em volta e melhorar a relação com as pessoas. Melhorar a relação seria assim: reduzir o impacto negativo sobre os outros e causar mais benefícios.”

Lama Padma Samten

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1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma resposta para “O poder da reconciliação

  1. Otavio

    Muito bom! A vida anda tao corrida hoje em dia que os gestos simples e verdadeiros ecoam no silencio… parabens por abordar assuntos distintos e tao humanos no teu blog. Abraco

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