O que é bom e o que é mau?

Por Isaias Costa

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Tenho refletido bastante a respeito do que nós consideramos bom ou mau. Para uma pessoa que não busca crescer espiritualmente, é muito fácil dizer o que é bom ou mau. Porém, tenho percebido pela minha própria experiência o quanto isso pode ser perigoso.

Sempre há um JULGAMENTO quanto dizemos se algo é bom ou mau. E os seres mais evoluidos e iluminados jamais julgam nada nem ninguém, eles simplesmente observam! Elas são observadores exímios.

Quero lhe levar a refletir de forma profunda sobre esse assunto tão amplo e bonito a partir de um belíssimo texto do místico oriental Osho. Leia-o com bastante atenção…

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Além do bem e do mal – Osho

“Eu lhe dei o nome VeetMano, que significa: ir além do homem bom.
A moralidade está preocupada com as boas e más qualidades. De acordo com a moralidade, uma pessoa é boa se for honesta, verdadeira, autêntica e confiável.

Mas moralidade não é religião.
Mesmo os ateus podem ser uma boas pessoas. Pois todas essas qualidades de uma boa pessoa, não incluem a divindade.
Eu lhe disse, você é um bom homem. Assim, o trabalho não é apenas ser bom, mas transcender a dualidade de ser bom ou mau.

A pessoa religiosa não é somente uma boa pessoa, ela é muito mais que isso.
Para a boa pessoa, a bondade é tudo.
Para a pessoa religiosa,a bondade é apenas um sub-produto.

A pessoa religiosa é aquela que conhece a si mesma; aquela que está consciente do seu próprio ser. E no momento em que você está consciente do seu próprio ser, a bondade lhe segue como uma sombra. Então, não existe nenhuma necessidade de qualquer esforço para ser bom.
A bondade se torna sua própria natureza. Da mesma maneira que as árvores são verdes, a pessoa religiosa é boa.

Mas nem sempre a pessoa boa é religiosa. Sua bondade vem a partir de um grande esforço. Ela está lutando contra as más qualidades…mentira, roubo, insinceridade, desonestidade, violência. Elas todas estão na pessoa boa, só que reprimidas. E elas podem eclodir a qualquer momento.

A pessoa boa, pode transformar-se numa má pessoa muito facilmente, sem nenhum esforço; pois todas estas más qualidades estão presentes. Quando se remove o esforço, elas imediatamente eclodirão em sua vida. E suas boas qualidades são somente cultivadas, não são naturais.

Você tentou arduamente ser honesto, ser sincero, não mentir, mas foi um esforço, foi cansativo. A pessoa boa está sempre séria. Pois tem medo de todas as más qualidades que ela reprimiu. E ela é séria porque no fundo deseja ser reverenciada por sua bondade, ser recompensada. Seu anseio é ser respeitável.(…)

Eu lhe dei o nome: VeetMano, que é transcenda o bom homem; e existe somente uma maneira de transcender o bom homem, que é trazendo mais consciência ao seu ser.

A consciência não é algo a ser cultivado. Ela já está sempre presente, apenas precisa ser desperta. Quando se está totalmente desperto, tudo o que você faz é bom e tudo o que você não faz é mau.

A pessoa boa, precisa fazer imensos esforços para fazer o bom e evitar o mau. O mau, é uma tentação constante para ela. É uma escolha a cada momento. A cada momento ela precisa escolher o bom, e não escolher o mau.(…)
Tudo o que reprimimos durante o dia vem à tona à noite, nos sonhos. Isso demonstra que a coisa toda está ali, reprimida, apenas esperando; no momento em que você relaxa, no momento em que você remove o esforço em ser bom, todas aquelas más qualidades que você reprimiu, vêm à tona, e começam a se tornar seus sonhos. Seus sonhos são seus desejos reprimidos.

A boa pessoa, está em constante conflito; sua vida não é de alegria, ela não pode rir de verdade, não pode cantar, não pode dançar; em tudo existe um julgamento contínuo. Sua mente está repleta de condenação e julgamento. E porque ela própria está tentando arduamente ser boa, ela faz o mesmo e julga o os outros pelos mesmos critérios. Ela não pode te aceitar como você é. Ela só pode aceitar você se você preencher todos as suas demandas de ser bom. E por não poder aceitar as pessoas como elas são, essa pessoa condena as outras.(…)

Essas não são as qualidades da pessoa religiosa autêntica. A pessoa religiosa não tem julgamento, não tem condenação. Ela sabe uma coisa: nenhum ato é bom, nenhum ato é mau. A consciência é boa e a inconsciência é má. Você pode até fazer algo que pareça bom para o mundo inteiro em inconsciência, mas para a pessoa religiosa, isso não é bom.

E você pode fazer algo mau e ser condenado por todo o mundo, exceto pela pessoa religiosa; ela não pode condená-lo, pois você está inconsciente; ela precisa de compaixão e não de julgamento ou condenação. Ninguém merece o inferno.

À medida que sua meditação se aprofunda, seu testemunhar se torna grande; Era isso que lhe disse quando se tornou sannyasim há sete anos atrás, sobre o testemunhar o observar. Mas me esqueci de lhe dizer: Não pense que o testemunhar, e o observar nada mais são que boas qualidades.(…) Algo mais está implícito, no transcender a dualidade entre o bom e o mau.

Ao se chegar ao ponto de absoluta consciência, não existe mais a questão de escolha; você simplesmente faz tudo aquilo que é bom, você faz inocentemente, da mesma maneira que a sombra te acompanha, sem nenhum esforço; se você corre, a sombra corre, se você pára a sombra pára. Mas não existe esforço por parte da sombra.

Uma pessoa, consciente, não pode ser considerada sinônimo de boa pessoa. Ela é boa. Mas de uma maneira muito diferente, de um ângulo muito diferente. Ela é boa não porque esteja tentando ser boa; ela é boa porque ela é consciente, e na consciência todas aquelas palavras condenatórias desaparecem como a escuridão desaparece na luz.

As religiões decidiram permanecer como moralidades, são códigos éticos; úteis para a sociedade, é verdade, mas não para o indivíduo; São conveniências criadas pela sociedade. Naturalmente, se todos começassem a roubar, a vida se tornaria impossível. Se todos começassem a mentir, a vida se tornaria impossível. Se todos fossem desonestos, você absolutamente não poderia existir.

Assim, no nível mais baixo, a moralidade é necessária para a sociedade. Ela é uma utilidade social, mas não uma revolução religiosa.

Não fique satisfeito em apenas ser bom. Lembre-se que você precisa chegar a um ponto em que não precisa nem mesmo pensar sobre o que seja bom ou o que seja mau.

Simplesmente sua própria percepção, sua própria consciência, o leva em direção àquilo que é bom. Não há repressão. (…)

Uma pessoa religiosa não está obcecada por nada. Ela não tem obsessão. Ela está apenas relaxada, calma, quieta, silenciosa e serena. A partir do seu silencio, tudo o que floresce é bom, é sempre bom. Ela vive numa consciência sem escolha. (…) Você não será bom, nem mau, você será simplesmente alerta, consciente, perceptivo. E então, tudo o que segue será bom. Em sua total consciência, você se alinha com a qualidade da divindade.

As religiões ensinaram, que você deve ser bom, de tal modo que um dia você possa encontrar Deus. Isso não é possível. Nenhuma pessoa boa, jamais encontrou a divindade. Estou lhe ensinando justamente o contrário: encontre a divindade e o bom virá espontaneamente. E quando o bom vem de maneira espontânea, ele tem uma beleza, uma graça, uma simplicidade, uma humildade. E não pede por nenhuma recompensa, nem aqui nem depois.

Ele é a sua própria recompensa.”

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