A empatia e a superação das ansiedades

Por Isaias Costa

não importa

Nós estamos vivendo em um mundo com cada vez mais pessoas ansiosas e preocupadas em demasia. Tudo isso tem gerado grandes desequilíbrios e o surgimento de doenças no corpo. Hoje quero lhe levar a refletir sobre uma forma maravilhosa de superar as ansiedades e preocupações, a prática da empatia. Compartilho algumas palavras do mestre Dalai Lama falando sobre isso, são palavras extraídas do livro “Uma ética para o novo milênio”.

“As coisas e acontecimentos só ocorrem como resultado de inumeráveis causas e condições. Nossa tendência é nos concentrarmos exclusivamente em um ou dois aspectos do que está acontecendo. Ao agir assim, inevitavelmente nos limitamos a procurar meios para superar apenas aqueles aspectos. O problema é que, quando não os encontramos, corremos o risco de cair em total desânimo e desorientação. O primeiro passo para superar a ansiedade é, então, desenvolver uma perspectiva adequada da situação.

Podemos fazer isso de diversas maneiras diferentes. Uma das mais eficazes é procurar desviar o foco da atenção de nós para os outros. Se conseguimos, verificamos que a intensidade de nossos problemas diminui. Não se trata de ignorar as nossas necessidades, mas de lembrar das dos outros paralelemente, mesmo que as nossas sejam prementes. Quando nossa preocupação pelos outros se traduz em ação, nossa confiança pessoal aumenta de imediato e a preocupação e a ansiedade passam a segundo plano. E descobrimos que quase todo sofrimento mental e emocional característico da vida moderna, que inclui as sensações de desesperança e de solidão, entre outras, diminui quando nos envolvemos em atividades motivadas pela consideração pelos outros. Acredito que seja por isso que não basta realizar ações que só são positivas externamente para reduzir a ansiedade. Quando a verdadeira motivação é atingir nossos objetivos imediatos, isso apenas aumenta os nossos problemas.

O que dizer, porém, daquelas ocasiões em que achamos toda a nossa vida insatisfatória, quando nos sentimos a ponto de explodir de tanto sofrimento, como acontece de vez em quando com todo mundo de maneira mais ou menos intensa? Quando isso acontece, é vital empregar nossos esforços para encontrar uma forma de melhorar o ânimo. Uma delas é pensar nos nossos tesouros: ser amado por alguém, ter certos talentos, ter recebido uma boa educação, ter as necessidades básicas satisfeitas- alimento para comer, roupas para vestir, um lugar para morar-, ter agido com altruísmo em alguma ocasião do passado. Como o banqueiro que recolhe os juros até do menor empréstimo que faz, temos de levar em conta até o mais insignificante aspecto positivo de nossas vidas. Não podemos deixar que a sensação de impotência tome conta de nós, levando-nos a crer que somos incapazes de realizar algo positivo, o que só faz criar condições para o desespero, para um beco sem saída, sem outra alternativa a não ser a morte.”

Essas são palavras muito simples e profundas. Quando vemos com um pouco mais de atenção a dor dos outros, que é a empatia, naturalmente somos levados a rever as nossas próprias dores e reparar que elas não são tão grandes quanto parecem. Gosto muito de um relato dito pelo padre Fábio de Melo em uma de suas pregações. Ele disse que uma moça chegou desesperada até ele, chorando e soluçando, dando berros e gritos, então ele perguntou qual era o seu problema. Ela respondeu que foi porque tinha terminado um namoro. O padre foi curto e grosso com ela e disse mais ou menos assim: “Minha filha, se você quiser se sentir melhor, saia daqui e passe direto em um hospital de crianças com câncer que garanto que seu desespero vai passar rapidinho”. Ele agiu com imensa sabedoria neste momento, esse sofrimento da garota não chegava nem perto dos grandes sofrimentos da vida e se ela mudasse a sua perspectiva quanto ao seu sofrimento, ela se sentiria melhor bem mais rapidamente.

Eu tenho procurado fazer isso à minha maneira, principalmente ouvindo algumas pessoas. Escuto suas histórias e percebo o quanto sou agraciado e abençoado. Pense sobre isso com bastante carinho e atenção. Se você levar a sério esses ensinamentos, a sua vida pode dar grandes saltos de qualidade.

Eu também gosto muito de fazer o que o Dalai Lama sugere, que é pensar nos meus tesouros para melhorar o ânimo. Eu faço isso desde muito novo, muito antes de conhecer os escritos dele. Essa é mais uma das formas que eu utilizo para permanecer feliz e contente a maior parte do tempo. Comece a agradecer mais por todos seus tesouros! Você será muito mais feliz cultivando a gratidão. Se quiser ler um pouco mais sobre isso, deixo um texto em que falo sobre isso com mais detalhes.

Buscar estar sempre bem

A partir de hoje, sempre que pensar nos seus sofrimentos e quando se sentir ansioso, saiba que em todas as partes do mundo, muitos estão passando por problemas muito maiores do que você e que, mesmo triste, abatido, preocupado, angustiado, você pode fazer algo de bom para melhorar a vida das outras pessoas. Isso se chama felicidade genuína, que pode ser bastante cultivada através das nobres virtudes tão bem ensinadas pelo Dalai Lama e pelos grandes mestres. Pense sobre isso…

* Leitura complementar

Um motivo para seguir adiante

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