DMT, A ”Molécula Do Espírito” Parte 2: Ciência E Evolução Da Consciência

Por Diego Garcia

Nossa-escolha.

A DMT lança luz sobre um dos maiores mistérios da humanidade. Esse gatilho gerou uma breve introdução sob a ótica da filosofia em DMT: a ”Molécula do Espírito” e a Filosofia. Uma Breve Introdução. Saliento que, agora, trago informações sob o viés da ciência em busca de maior compreensão sobre a DMT e sua ligação com a alma, a conexão e a evolução da consciência.

Essa substância seria produzida na glândula pineal, sobre a qual Descartes já  estudava, sendo uma interface entre dimensões superiores, evoluídas e o mundo físico. O filósofo a chamava de ‘’sede da alma’’ e seria uma ponte da dualidade para perspectivas superiores.

O israelense Benny Shanon, PhD em psicologia com especialização em psicologia cognitiva, vê as substâncias, tais quais a DMT, como instrumento de investigação da mente por meio de parâmetros teóricos da psicologia cognitiva. Ele destaca parâmetros estruturais da consciência e quatro aspectos relevantes: a percepção do pensamento como uma cognição coletiva, a indistinção entre o interior e o exterior, as experiências de não-identificação pessoal e de tempo não-linear. Uma ótima analogia é quando baixamos arquivos no computador, em que alguns segundos demoram mais que outros, em função do peso do arquivo e da aceleração da conexão da internet. O que Shanon suspeita é que o mesmo acontece com o cérebro estimulado por psicoscópios como o DMT, pela meditação e ascendência ao terceiro olho da cultura Hindu (no meio da testa, na direção da pineal), pela introspecção ou outras vias sem substâncias, interligando e equilibrando as pessoas.

Em um estudo realizado de 1990 a 1995, na Universidade do Novo México, um dos gurus do assunto, o Dr. Rick Strassman, médico especializado em psiquiatria e doutorado em psicofarmacologia descobriu que, subjetivamente, os resultados mais interessantes foram que altas doses de DMT permitiram que a consciência dos voluntários entrasse em contato com ambientes não-corporais (não materiais). A noção de estar fora do corpo e ter um alto nível de integração com a natureza faz parte dessa gama de descrições similares das experiências.

Pesquisadores acreditam que a DMT esteja relacionada à glândula pineal e que ela pode ser uma facilitadora da dissociação momentânea entre corpo e alma. A pineal, pelo que os estudos revelam, possui níveis mais altos de serotonina do que qualquer parte do corpo, e é uma precursora da serotonina crucial para melatonina pineal. A pineal também tem a capacidade de converter triptamina serotonina, um passo crítico na formação de DMT.

Buscando inserir na ciência os conceitos de alma e consciência, os cientistas Stuart Hameroff (diretor do Centro de Estudos da Consciência na Universidade do Arizona, EUA) e Sir Roger Penrose (físico- matemático da Universidade de Oxford, Inglaterra) criaram a teoria quântica da consciência, segundo a qual a alma estaria contida em pequenas estruturas (microtúbulos) no interior das células cerebrais. Segundo eles, a consciência seria um complexo resultado de efeitos quânticos gravitacionais sobre esses microtúbulos. Indo mais longe: a alma seria “parte do universo”, e a morte, um “retorno” a ele (conceitos similares aos do Budismo e do Hinduísmo). Os avanços no estudo da física quântica estão começando a validar seus estudos: tem sido demonstrado que efeitos quânticos interferem em fenômenos biológicos, como a fotossíntese e a navegação de pássaros. Hameroff e Penrose desenvolveram sua teoria com base no método científico de experimentação e em estudos feitos por outros cientistas, ao contrário do que ocorre em casos de “pseudociência” em que simplesmente se acrescenta a física quântica como “ingrediente legitimador” de teorias sem fundo científico.

É interessante notar que diversas pesquisas pelo mundo já revelam que a psicoterapia aliada a tratamentos com uso de psilocibina, por exemplo, ajuda a evitar depressão e ansiedade em pacientes com doenças terminais, ou pessoas a deixarem o cigarro ou outros vícios. Nesse sentido, é imprescindível lembrar a posição visionária de Thimothy Leary,  que já previa o caminho da psicoterapia e enteógenos na década de 60. PhD em psicologia, ele foi professor de Harvard, neurocientista, escritor, futurista,  além de grande amigo de personalidades como Aldous Huxley e John Lennon.

O DMT e outros psicoscópios podem ser ferramentas de evolução humana e científica. O direito inalienável do indivíduo à curiosidade, à investigação filosófica sem agredir a outrem, com um mínimo de controle e precauções, respeitadas as especificidades de cada um, tem sido profundamente estigmatizado, a meu humilde ver, há séculos na humanidade, com  claras pretensões de alienação, obediência e manipulação. Nas palavras do Dr. Strassman: ‘’Nossa sociedade valoriza a consciência de alerta para resolver problemas. Desvaloriza todos os demais estados de consciência. Qualquer outra consciência que não esteja relacionada à produção de consumo de bens materiais é estigmatizada em nossa sociedade atual’’.

A própria história do pensamento humano sob o prisma da investigação científica e filosófica não poucas vezes foi catalisada por psicoscópios: Carl Sagan em sua astrofísica, Francis Crick, que teria relatado que de outra forma não teria conseguido desvendar o DNA, John C. Lilly na neurociência ou Richard Feynman com visão ampliada na mecânica quântica e por aí vai.

A exploração do subconsciente, da espiritualidade e da evolução da consciência é um direito humano fundamental e que talvez não seja aceito por ainda estamos em um estágio ‘’cognitivo-espiritual’’ muito inferior e possivelmente regredindo, o mundo fala por si só. O DMT como uma linguagem comum, empática e harmonizadora jamais poderia mesmo ser trazido à luz para a humanidade, assim como outros temas que reduziriam os medos reacionários e conservadores que desde sempre afastam o homem de toda conexão profunda de nossa existência. E esses são os considerados normais, dos quais tenho tanto medo.

* Link do blog: DMT, A “Molécula do Espírito” Parte 2: Ciência e Evolução da consciência

Diego Garcia13226899_1789598101326673_5315577435778870591_n

Curioso e inquieto inveterado, incipiente escritor, apaixonado e pesquisador solitário de História e Economia. Entusiasta de fotografia, música e ciências.Amante de Astronomia e Arqueologia.Bacharel em Ciências Contábeis ou somente eleuteromania, hiato, expansão.

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