Vale a pena lutar por um amor?

Por Isaias Costa

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Li algumas palavras do grande psiquiatra e escritor Flavio Gikovate que exprimem bem o que penso sobre um assunto que, de um modo geral, é visto pelas pessoas como algo belo e legítimo, que é o “lutar por um amor”.

Em minha opinião e na dele também, lutar por um amor é algo que denota que a pessoa é ainda bastante insegura e tem carências afetivas que precisam ser trabalhadas. Farei uma breve reflexão a partir de algumas palavras dele, extraídas do seu livro “Para ser feliz no amor”.

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É legítimo lutar por amor?

Experimentamos uma sensação dolorosa de humilhação quando a pessoa que está nos interessando não dá sinais de ter achado tanta graça em nós quanto nós nela; ou então não se mostra tão disponível por estar vivenciando algum outro vínculo amoroso. Mais grave ainda é a sensação de rejeição, quebra do elo amoroso associado à humilhação – ofensa grave à vaidade – quando se é abandonado e “trocado” por outra pessoa. Surge, em boa parte das criaturas, o desejo de reaver aquela relação a qualquer custo. As pessoas gostam de dizer que estão lutando para reaver o parceiro amado. Porém, penso que se trata de algo bastante diferente: o resgate do vínculo corresponderia a uma espécie de vitória sobre eventuais rivais e, em certo sentido, o fim da sensação de humilhação.

A luta para tentar reaver o parceiro “amado” aparece, para muitos, como uma causa justa e nobre em nome da qual vale tudo. O amor justifica que o rejeitado se humilhe e pressione com todas as forças aquele que quis se separar, valendo-se inclusive de mentiras e chantagens sentimentais de todo o tipo. Ouço essas histórias com bastante frequência e sempre me fica a clara sensação de que o amor, esse apego por aquela pessoa que nos provoca aconchego, pode até existir, mas não é a força motriz principal de todas essas ações. Elas parecem, mais que tudo, determinadas pela vaidade, o anseio de sair como vencedor e de se livrar da dor derivada da humilhação de ter sido abandonado.

Quando se luta para reconquistar o parceiro, o amor aparece como o sentimento que estaria dando dignidade a condutas moralmente duvidosas. Quem ama cuida do amado, quer o melhor para ele e não o obriga a fazer ou agir de uma forma contrária à sua vontade. Quem ama de verdade não acha que esse sentimento justifica todo e qualquer ato. Não acha que é válido lutar por amor, entendendo-se por “lutar” o esforço de fazer prevalecer a própria vontade de manter o vínculo quando não é essa a disposição daquele que supostamente é o amado. A única luta válida por amor é aquela ligada ao empenho de preservar o relacionamento através de cuidados, paparicos e todo o tipo de dedicação possível ao amado; e tudo isso na vigência do namoro – e com a devida anuência do namorado.

Aqueles que se acham no direito de lutar para reaver o elo que se rompeu são justamente os que lidam mal com frustrações e dores psíquicas em geral. É fato que a dor de amor é muito intensa e a ela dedicaremos um espaço maior quando tratarmos das rupturas amorosas. O mais importante aqui é registrar de modo enfático que aqueles que acham válido lutar por amor quando são abandonados costumam ser os que cuidam mal do relacionamento durante sua vigência. Não é raro que sejam pessoas mais egoístas, menos capazes de amar e mais competentes para reivindicar, cobrar e exigir atenção e carinho do que para se dedicar ao parceiro.

A palavra “cobrar” é uma das que mais provoca minha indignação. Não creio que tenhamos o direito de cobrar nada de ninguém, muito menos de nossos parceiros sentimentais. É claro que todos temos expectativas em relação às pessoas com as quais convivemos: esperamos algum tipo de cuidado, atenção, carinho. Porém, isso não nos autoriza a exigir que eles satisfaçam nossos desejos; eles deveriam estar bem informados de tudo o que gostaríamos de receber. Se não estão dispostos a dar, quem está com problema somos nós, pois teremos que decidir se aceitamos essa situação ou se tomamos algum tipo de atitude, que pode variar desde pararmos de nos dedicar tanto até a ruptura do relacionamento – isso na dependência da natureza de cada um e também do estado geral em que se encontra aquele dado elo amoroso.

Não deixa de ser curioso observar que pessoas orgulhosas, que gostam tanto de falar bem de si mesmas, são as que mais se humilham com o intuito de reaver um elo sentimental perdido. Por vaidade, buscando a vitória final, se colocam como pedintes, mostrando fraquezas que adoram esconder, demonstrando afetos que nunca se manifestaram e arrependimentos que nunca tiveram. Aqueles mais rigorosos moralmente vão até um certo ponto em seus pedidos de reconsideração da decisão de abandono do parceiro; porém, não se humilham com o intuito de tentar neutralizar seus desconfortos. Sabem que não é legítimo lutar por amor; ou lutar para reaver o parceiro em nome do amor que sentem.

Link: É legítimo lutar por amor?

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O Gikovate é uma autoridade quando o assunto são os relacionamentos amorosos. Ele tinha uma sabedoria e uma clareza absolutamente admiráveis. Não foi à toa que ele recebeu tantas homenagens pela sua morte no dia 13/10/2016.

Hoje, tendo amadurecido um pouco mais no que se trata de relacionamentos amorosos, consigo perceber claramente que na grande maioria das vezes se trata de um jogo de EGOS tentar lutar por um amor que se mostra pouco conectado ou mesmo inexistente.

Esse texto até me fez lembrar de uma linda canção do Marcelo Camelo que retrata bem esse sentimento, a música “Santa Chuva”. Nela há essa frase:

“Não há porque chorar por um amor que já morreu
Deixa pra lá, eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade…”

É uma verdadeira falsidade alimentar esse jogo que só gera desgastes. Inclusive já li em diversos textos na internet e afirmo categoricamente.

Se alguém realmente gosta de você, ela fará o possível e o impossível para ter um tempo só para estar com você, para curtirem juntos, para namorarem, para dividirem as experiências. Se isso não acontece, CAIA FORA.

E completo com uma das frases mais impactantes do Mario Sergio Cortella: “Não existe falta de tempo. Quando alguém diz que não tem tempo para alguma coisa está querendo dizer que aquilo não é uma prioridade pra ela…”.

Ou seja, se alguém inventa mil e uma desculpas para não estar com você, mil e uma desculpas para não responder mensagens, não pergunta nada sobre você etc. etc. Está passando da hora de você acordar que essa pessoa não lhe ama coisa nenhuma!

Concluo essa breve reflexão falando sobre a importância de se desenvolver a AUTOESTIMA e o AMOR PRÓPRIO, porque só amando profundamente a si mesmo é que podemos ter um relacionamento amoroso feliz e próspero.

Quando nos amamos alteramos a qualidade da nossa vibração de uma forma tão magnífica que, pela LEI DA ATRAÇÃO, atraímos para nós apenas pessoas que nos amarão da mesma forma que amamos os outros e com a mesma intensidade que doamos o nosso amor! Isso é algo incrível. Só a partir desse último parágrafo é possível iniciar um outro texto cheio de novas reflexões, mas deixarei para outra oportunidade!

Trabalhe em si mesmo. Se conheça cada vez mais, pois assim você vai perceber que “lutar por um amor” será algo absolutamente desnecessário!

  • Breve áudio com reflexão sobre esse tema e leitura desse texto

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