Eu não existo sem o outro

Por Isaias Costa

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Esses dias estava filosofando sobre uma um dos verbos mais instigantes da língua portuguesa: EXISTIR. E tive um insight muito bacana que compartilho com você agora.

O verbo existir vem do latim EX (fora) + STIRE (ser) = ter o direito de externar aquilo que é.

Se prestarmos bastante atenção à etimologia desse verbo incrível, muitas reflexões importantes podem surgir e a principal é a relação entre o existir e o outro.

É como diz o título desse texto: eu não existo sem o outro.

Para que haja a condição de existência, é preciso haver o outro, pois como eu poderei externalizar aquilo que sou estando sozinho? Estando isolado do mundo e de tudo? É impossível, concorda comigo?

Quando falamos em existir, quase todos nós lembramos logo de Descartes e sua célebre frase: “Penso, logo existo”.

Essa frase é magnífica e profunda, porém, a maior parte das pessoas nem faz ideia do que o Descartes quis dizer com pensar. Ele queria falar sobre o exercício intelectual de pensar e não simplesmente ficar copiando ou outros, ficar como robôs que só repetem ou como calanguinhos só balançando a cabeça para tudo e todos! NÃO. Isso não é pensar, isso é se robotizar, é se tornar um autômato.

Então segundo Descartes, eu só posso existir sendo um ser pensante, um ser que encontra a própria essência, a própria individualidade, o que requer bastante esforço pessoal e busca pelo autoconhecimento.

Estou fazendo essa viagem filosófica para lhe dizer que existem milhões e milhões de pessoas que não existem, mas que SUBSISTEM ou mesmo DESISTEM de suas vidas.

Subsistir significa “estar inferiorizado no ser”, ou seja, não existe nenhuma plenitude em você. As pessoas que subsistem são aquelas que praticamente só funcionam o corpo biológico: comem, dormem, fazem suas necessidades fisiológicas e repetem isso todos os dias.

As pessoas que vivem assim na realidade não vivem, elas estão como se fossem zumbis, perdidas nesse planeta, e certamente são muitas que se enquadram nessas características. Elas não vão além, elas não criam novos vínculos, não solidificam suas amizades, não se aperfeiçoam, não elevam suas consciências etc. etc.

Pior ainda são as pessoas que desistem da vida. Desistir significa “não existir” (não externar o ser). Essas são as que muitas vezes ou cometem suicídio, ou já tentaram alguma vez, ou mesmo são aquelas que só conseguem ter um mínimo de contato com as pessoas se estiverem sob o efeito de drogas pesadas.

Desistir da vida é jogar pelo ralo a preciosidade de estar nesse planeta maravilhoso que tanto nos dá a possibilidade de aprendermos e elevarmos nossa consciência.

Estou escrevendo esse texto próximo do fim do ano e uma reflexão que me veio muito forte foi sobre a CONSTRUÇÃO DE VÍNCULOS.

Responda as essa pergunta: “Quantos novos amigos eu fiz esse ano? Quantas pessoas eu conheci? Em quais vidas eu causei impacto?”.

Se as respostas foram positivas, se em sua mente vieram várias pessoas, vários rostinhos e várias experiências, parabéns! Você está existindo! Senão, é bom refletir com bastante carinho e se questionar sobre o porquê de tanto fechamento, o porquê de tanta desconfiança das pessoas, o porquê de tanto egoísmo…

Lembre-se: eu só existo com o outro, junto do outro, formando e solidificando os vínculos.

E tem outro ponto fundamental. O outro é um instrumento para o meu aperfeiçoamento.

A palavra PERFEIÇÃO tem um significado incrível também. Significa “aquilo que está completo, acabado, imutável”.

Então se aperfeiçoar quer dizer que eu não sou perfeito, eu estou constantemente em construção e que para isso eu preciso do outro, eu preciso aprender com ele, eu preciso absorver algo de alguém que sabe mais do que eu, que tem mais experiência do que eu. E assim vou crescendo, vou melhorando.

Da mesma forma que eu posso ensinar algo para alguém, eu posso através das minhas experiências e das minhas aptidões levar um pouco de mim para os outros e dessa forma de fato existir (externar o meu ser).

Percebe como é incrível? É como os grandes mestres da humanidade nos ensinaram: todos nós somos mestres e discípulos uns dos outros.

É ensinando e aprendendo que existimos, é criando vínculos que existimos, é nos aproximando dos outros que existimos!

Portanto, que a partir dessa breve reflexão instigante e provocativa, você se questione até que ponto você tem existido? Será que você não pode existir de uma forma mais bonita, mais marcante e mais edificante?

Pense com carinho sobre tudo isso e saiba que a fonte de toda sabedoria e de todo amor está no convívio, nos vínculos, no cultivo das amizades, no ser com o outro…

Paz e luz.

 

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