Saber pouco não te faz menor que ninguém

Por Simone Oliveira

Acho que ainda não entendi como funciona a dinâmica do mundo. Por exemplo, eu não sei explicar como os alimentos saem da lavoura e da fazenda de criação de gados para vir parar na embalagem do mercado; também não sei dizer em detalhes como são feitas as negociações entre os fabricantes e as indústrias, e depois entre a indústria e os distribuidores, passando desses para os vendedores em atacado e enfim para varejistas até chegar ao consumidor final. Então, toda vez que eu vejo alguém explicando como as coisas de fato acontecem, eu fico olhando maravilhada igual ao gatinho “pidoncho” do Shrek.

o-gato-de-botas

Mas isso, acredito eu, não faz mal. O que faz mal é pensar que, por não ter todo esse conhecimento do processo, sou inferior a quem tem ou apresentaria menores chances de influenciar nessa cadeia produtiva, como se fosse ficar inerte enquanto a história acontece, só por não ter uma visão geral dessa coisa.

Isso foi uma conclusão magnífica e cheia de racionalidade à qual cheguei e uso toda vez que meu tipo doentio resolve aflorar gritando desesperadamente “Alerta! As suas informações sobre esse assunto são insuficientes.” É perfeitamente leve e agradável e tira minha preocupação. E isso vale para tudo, qualquer evento em que eu me sinta desconfortável e mentalmente desprotegida.

Não é exclusividade, não é monopólio. Está aí, à disposição, para você usar também, se quiser. Afinal de contas, estamos aí na vida para aprender e transformar o cotidiano.

euSimone Oliveira. Santos-SP. Bacharel em Engenharia Civil por formação e escritora por gosto. Estuda para concursos e se dedica às aulas particulares de exatas, ao namorado, à família e às suas atividades na igreja. Ainda não descobriu seu propósito na vida, mas tem certeza de que tem um. Pede que Deus a guie por esse caminho até a sua volta.

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3 Comentários

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3 Respostas para “Saber pouco não te faz menor que ninguém

  1. Frederico Pereira

    Bobagem. Noventa por cento da população carcerária no Brasil tem até ensino fundamental. Sabem pouco, pois.

    Já o alemão Albert Schweitzer era doutor em Filosofia, Medicina e Teologia. Ademais, era excelente organista. Todavia, renunciou a uma vida confortável na Alemanha para ir para a África, fundar hospital e cuidar de gente pobre.

    O doutor Albert Schweitzer sabia muito.

    Ai me aparece essa mocinha insinuando que o traficante de drogas, que sabe pouco, e que está preso no Carandirú, não é menor do que um homem como o Schweitzer. Anote ai, menina: o Schweitzer era um gigante, enquanto que essa turma de bandidos são pigmeus.

    A avacalhação do ensino e da cultura no Brasil, que vem sendo levado a efeito desde a ditadura militar produziu pensamentos desse tipo. Reflexões rasas, ponderações inúteis. Trata-se de um brutal nivelamento por baixo.

    • Bem Frederico! Eu entendo o levantamento que você fez meu amigo, mas terei que discordar do seu posicionamento e esclarecer o que a minha amiga Simone quis transmitir no seu texto. Ela está falando sobre a nossa natureza humana, que é semelhante, não importa se estou falando do Schweitzer, de Gandhi, de Hitler, de Jesus Cristo, de Mussolini, ou até mesmo do “maníaco do parque”. Em essência somos iguais! Infelizmente hoje em dia está se banalizando aquela visão perfeita e magnífica levantada pelos físicos quânticos do “SOMOS TODOS UM”. É disso que esse texto fala.
      A sua visão, meu amigo, está carregada de preconceito (não sei se você consegue perceber!).
      Você já entrou na realidade dentro de alguma favela? Já viu as pessoas dos bairros mais pobres sem ter o mínimo nem pra sobreviver? Já viu o quanto as pessoas mais pobres são ridicularizadas e colocadas à margem da sociedade, porque elas não tiveram as mesmas oportunidades que eu ou você?
      Isso é EMPATIA, que a própria Simone escreveu em outro texto!
      E pra concluir esse breve questionamento que estou levantando, sugiro que você estude mais a personalidade do próprio Schweitzer viu? Se ele estivesse vivo para ler o seu comentário certamente lhe responderia com um catálogo lhe esclarecendo que ele de forma alguma é esse gigante que você está dizendo ser.
      As pessoas mais humildes da sociedade são como ele, internamente sabem que são grandes, mas jamais abrem a boca para dizê-lo. Ele era um homem muito humilde e de uma consciência avassaladora! Ainda pretendo ler seus livros e aprenderei imensamente com eles.
      Ele ajudava as pessoas pobres não pensando em ser reconhecido, nem ficar famoso por isso. Ele fazia porque sentia a dor dos outros, assim como sei que muitos dos nossos presidiários sentem dores semelhantes e só estão lá porque nunca souberam o que é ter os pais, ou ter tido acesso a uma educação transformadora ou ter alguém que ame incondicionalmente. Talvez uns 98% deles não saibam nem o que é isso!
      Portanto, só lhe peço que procure olhar para eles com um pouco mais de amor e de empatia, porque você não faz ideia de suas origens, do que os levou até se tornarem carcerários. E se você não mudar sua mentalidade, nunca conseguirá vislumbrar algo diferente.
      Um grande abraço e tudo de bom pra você meu amigo!

    • Me desculpe, quando escrevi o texto não pensei em absolutamente nada do que você, Frederico, pensou. Em nenhum momento insinuei que um bandido ou traficante,como você falou, é maior ou menor que Albert Schweitzer ou qualquer figura pública que tanto contribuiu para a sociedade. Caso não tenha entendido a lição, vou explicar melhor: dizia que nós não devemos nos importar de saber pouco no presente, afinal de contas é assumindo uma postura humilde de aluno que podemos ir aprendendo,aos poucos, tudo o que queremos enecessitamos para quem sabe, no futuro, podermos ajudar a quem precisa, construindo um futuro melhor. Você faz isso? Espero que sim, pois ofender quem escreveu um texto que você interpretou de maneira errônea não é com certeza a opção certa.

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