A diferença entre incentivo e cobrança

Por Simone Oliveira

Incentivo e cobrança. Você já pensou na relação entre essas duas palavras e em como elas são responsáveis pela maneira que lidamos com as situações da nossa vida em geral?

Por exemplo, caso seu chefe lhe diga em tom não muito amigável: “Fulano, preciso do relatório na minha mesa até às 16h.” O que você sentiria? Refazendo a pergunta de forma melhor: Como você SE sentiria?

O fato é que todos nós, em sã consciência, entenderíamos que o relatório deveria ser feito, custando o que fosse custar (talvez o seu horário de almoço? Talvez o intervalo de 15 minutos para o café? Não sei, são tantas as possibilidades!) até às 16h. Isso é óbvio! Ninguém seria maluco de pensar que seu chefe estaria lhe fazendo um elogio por sua extrema eficiência ao ponto de lhe implorar que usasse as suas notórias habilidades para lhe entregar o relatório até às quatro horas da tarde.

sombra

Então, esta é, claramente, uma cobrança.

Porém, não é sempre assim que as coisas acontecem. Em grande parte das vezes que recebemos tarefas elas vêm disfarçadas com um tom sutil de incentivo, e digo mais, no mundo de hoje as empresas são levadas a adotar um comportamento semelhante para com seus funcionários, apontando um ou dois de seus atributos para logo em seguida encherem-lhes de atividades que, em vários casos, vão além das especificidades de suas profissões ou exigem muito mais de que a capacidade pessoal permite, sem dar-lhes os treinamentos necessários, lembrando-os que a culpa por eventuais erros cometidos cairá sempre nas costas deles.
concorrência

Portanto, ocorre que se perdeu a noção de que instigação é diferente de cobrança. As pessoas vivem desconfiadas, amarguradas, arrumando desculpas e pretextos para se esquivarem das responsabilidades, falsificando sorrisos para seus colegas de trabalho quando na verdade desejam apunhalá-los pelas costas para ficarem com seus cargos de salários mais altos (às vezes a diferença da remuneração nem é tão grande, basta 200 reais a mais para haver a frustração sobre o fato de que o colega “suja menos a camisa” e recebe mais que eu).

baba ovo

bajulador

Assim, o mundo gira em torno do dinheiro e da busca por menos exigências para si e maior poder sobre o outro. E essa realidade é disfarçada, mascarada na seção dos Recursos Humanos como motivação, com planos de carreira bastante contraditórios e práticas baseadas na paparicação do superior para se conseguir a ascensão na corporação e pouca, ou quase nenhuma, preocupação com a qualidade do serviço prestado. Mas está tudo bem! Aparentemente o importante é que o trabalho esteja feito e entregue a tempo.

Rouchefoulcauld

Há falta de estímulo desde a infância. A pouca valorização da competência da criança em conjunto com a babação de ovo nas características físicas como beleza ou fofura colocam indivíduos que se esforçam desde pequenos para tirar 10 nas disciplinas escolares no mesmo patamar daqueles que fizeram o mínimo para alcançar a aprovação. E mais, as vontades infantis são supridas com extremo zelo, os pais fazem de tudo (inclusive contraem dívidas) para cederem aos caprichos dos filhos por brinquedos novos, mesmo quando eles já possuem tantos quanto podem brincar. É notável que o menino ou a menina use as roupas da moda, roupas de marca, tênis impecáveis, bonés e sandálias nos trincos, mas a falta de dedicação para as tarefas de casa é abonada ou fica em segundo plano. Ai do professor que ousar chamar a atenção porque o filho tem todos os tipos de canetinhas, canetas e lápis de cor possíveis, mas ainda não comprou o livro didático para acompanhar as aulas…

Somos consumistas e egoístas, só olhamos para os nossos desejos e aqueles do nosso lar, mas o sentido intrínseco dessa realidade ainda não foi atirado em nossos rostos. Nós ainda não caímos na real sobre o fato de que estamos criando um ambiente de hostilidade, onde no final não sobrarão nem os mais fracos, e muito menos os que se mostram mais fortes. Contribuímos para a manutenção de um sistema onde se planta espinhos para se colher flores, e isso é pura ignorância! Não funciona, simplesmente porque é contra a natureza das coisas. A não ser que sejamos sadomasoquistas e gostemos do autoflagelo e da mutilação do próximo, o fracasso é iminente.

É preciso parar e refazer a análise do ser humano como um todo, do significado da felicidade e de entender que o sucesso vem da diligência em todos os dias de trabalho duro com categoria e novas oportunidades de aperfeiçoamento técnico, e não do suborno ou da bajulação do chefe. Entender que todos nasceram para um propósito muito maior do que muitas vezes imaginam e fazê-los perceber que podem alcançar seus sonhos com força de vontade e disciplina. Enquanto não percebermos isso, a sociedade caminha a passos largos para a ruína.

euSimone Oliveira. Santos-SP. Bacharel em Engenharia Civil por formação e escritora por gosto. Estuda para concursos e se dedica às aulas particulares de exatas, ao namorado, à família e às suas atividades na igreja. Ainda não descobriu seu propósito na vida, mas tem certeza de que tem um. Pede que Deus a guie por esse caminho até a sua volta.

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