Uma pequena mudança de perspectiva

Por Isaias Costa

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Na semana em que escrevo esse texto, participei de uma maravilhosa palestra com o grande Psiquiatra e Escritor Adalberto Barreto, mundialmente conhecido por ter desenvolvido um método de “terapia comunitária” simples e eficaz.

Ele tem como uma de suas maiores especialidades, um conhecimento profundo da Metafísica da Saúde, que constantemente abordo aqui nos textos do blog.

Nessa palestra ele deu alguns exemplos simples, porém muito impactantes, do poder que uma pequena sugestão pode dar a uma paciente quando ele está em uma consulta terapêutica. É como intitulei esse texto, apenas uma pequena mudança de perspectiva leva a uma mudança gigantesca na qualidade de vida dessas pessoas!

Ele deu dois exemplos que vou transcrever para cá de forma quase idêntica ao que ele falou.

O 1º foi de uma garota que estava profundamente infeliz e na terapia ele fez com ela uma regressão hipnótica! Na regressão ela falou diversas vezes que “quase matou a mamãe”.

Então ele questionou sobre o “POR QUE ela quase matou a mamãe”?

Então ela disse que foi porque ela estava com Malária na época do parto!

É interessante lembrar que essa garota já sabia disso previamente pelo fato de sua mãe já ter lhe contado que ela teve um parto difícil!

Durante anos e anos ela carregou internamente uma culpa por “quase ter matado a mamãe”!

Então ele fez um excelente e simples questionamento.

– Vem cá! Quem transmite malária é um mosquito! Então você se acha uma mosquitinha ?

– Mas doutor! Não é que é verdade? Eu nunca tinha parado para pensar nisso!

Com esse simples questionamento ela ressignificou uma dor que se arrastava por anos a fio e ela se curou dessa imensa culpa por “quase ter matado a mamãe”. Muito bonita essa história não é mesmo?

A 2ª era sobre uma garota que se queixava imensamente porque não foi tão amada pela mãe como foram seus irmãos e irmãs. Na terapia, ela disse que tinha mais 4 irmãos e que dos 5 filhos, ela tinha sido a única que nunca tinha mamado.

Só lembrando que com essa paciente foi apenas uma conversa, como uma associação livre que temos no método psicanalítico! Não houve regressão hipnótica!

Então, percebendo que havia muitas mágoas e ressentimentos nela, ele pediu que ela explicasse melhor sobre como foi tudo nessa época.

A garota disse que sua mãe só veio pegar nela e lhe dar carinho quando estava com 3 anos de idade! Daí ele perguntou. “Mas por quê?”.

Então nessa hora ela soltou que sua mãe tinha pegado pneumonia logo depois que ela nasceu.

Daí o doutor lhe fez um questionamento simples que mudou tudo.

– Mas vem cá! Você disse que sua mãe pegou pneumonia logo depois que você nasceu não foi? Pense comigo! Você sabe que essa doença é infectocontagiosa e que uma criança pequena dificilmente sobrevive a ela, não sabe?

– Sim doutor, eu sei!

– Então você acha mesmo que sua mãe não ter lhe dado carinho até os 3 anos é mesmo desamor? Se ela tivesse lhe dado de mamar você teria morrido! Será que não lhe dando de mamar, na realidade não era mesmo uma prova de amor? Pense no tanto que ela sofreu por querer lhe dar de mamar, querer lhe dar carinho, lhe aquecer, e não pôde por causa da pneumonia?

– Nossa doutor! O senhor acredita que eu nunca tinha pensado nisso?

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Depois dessa consulta essa menina nunca mais foi a mesma! Perdoou essa ignorância que ela mesma tinha e que alimentou por anos a fio!

Eu achei lindos esses 2 exemplos contados pelo Adalberto Barreto! Se você observar bem, ele fez questionamentos muito simples e que talvez até alguém leigo em Psicologia poderia ter feito, mas que foram essenciais para as curas dessas garotas!

A maior lição que se tira desses exemplos e que o próprio Adalberto falou nessa palestra é que boa parte dos nossos sofrimentos se dão porque olhamos as coisas apenas sobre o nosso ponto de vista, que muitas vezes é distorcido!

É como nos diz uma das mais célebres frases do teólogo Leonardo Boff: “Um ponto de vista é apenas a vista de um ponto”.

Quando procuramos ver uma mesma situação sob vários pontos de vista, muitas vezes acabamos percebendo que o nosso é equivocado, e não só é equivocado, como também nos leva a sofrer, como são esses 2 exemplos que eu dei!

Então, que com essa breve e simples reflexão, você procure se abrir para novas perspectivas e que procure também compartilhar suas dores e sofrimentos com alguém que entenda sobre a mente humana e possa dar um conselho ou uma ajuda psicológica!

Paz e luz!

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4 Comentários

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4 Respostas para “Uma pequena mudança de perspectiva

  1. Valdi Matos

    Muito interessante esse ponto de que os nossos problemas são, muitas vezes, o que são por causa do nosso ponto de vista distorcido. Isso só mostra como é importante conversarmos com as pessoas sobre as nossas aflições. De preferência, de círculos sociais diversos.

    Grande abraço Isaias!

    • Com certeza Valdi! Só o fato de conversar, mesmo que não seja com um profissional da Psicologia, já é parte do processo de cura e de ressignificações das nossas dores!
      Quanto mais abertura tivermos para acolher os outros e os conselhos das pessoas sábias, mais podemos crescer na vida! Grande abraço!

  2. Boa noite Isaías, tudo bem com você?

    Gostei muito desse texto, coincidentemente esta semana eu assisti o vídeo desse link: https://papodehomem.com.br/como-foi-sair-do-armario-caixa-preta-12 e é emocionante demais!

    Assim como o contexto do seu texto, é sobre o ponto de vista de cada ser humano. O cara conta que se preparou muito pra contar pra mãe dele sobre sua orientação sexual, de repente escolheu o dia e “despejou” tudo pra ela, que não fazia idéia que o filho é gay. Com isso ela(que não teve preparo algum pra receber a notícia) ficou sem reação e não conseguiu dizer muitas coisas ao filho e no dia seguinte conseguiu escrever um e-mail pra ele. Isaías ela passou a noite pensando em como ELA iria se comportar dali em diante pra poder “Defender” seu filho de qualquer coisa que pudesse atingi-lo por namorar outro homem, apenas isso, ela não pensou em mais ninguém, como a maioria que sempre pensa e/ou se envergonha com “no que os outros vão pensar”.

    Achei incrível a posição dela, e fiquei bem reflexiva de como a gente realmente se prepara pra contar pra alguém qualquer coisa que seja, nos iludimos pensando em como esses receptores devem agir, e muitas vezes até atacamos por uma reação não esperada ou simplesmente por uma não reação e não paramos pra pensar que por mais que tenhamos nos preparado tanto quem nos “ouve” apenas recebe sem opção de preparo.

    [https://assets.papodehomem.com.br/2017/05/25/02/06/00/a8ce0587-657c-4458-9b27-f5d9056aad6a/foto-thumb-jpg]

    Como foi sair do armário | Caixa-Preta #12 – PapodeHomem papodehomem.com.br Como sair do armário e se assumir gay para a família e para os amigos

    att Camila Santana

    ________________________________

    • Nossa! Muito bonito o relato dele nesse vídeo! Ele certamente precisou de muita coragem e muita força interior para sair do armário! Infelizmente, nossa sociedade ainda é muito cruel e malévola com os homossexuais! Mas se Deus quiser, a elevação de consciência chegará para cada vez mais pessoas e são vídeos sinceros e profundos como esse que vão contribuir para essa construção desse novo mundo!
      E a atitude dessa mãe para que não falasse nada que viesse a ferir o seu filho foi maravilhosa! Eu tenho adotado essa postura há um bom tempo. Nunca me permito explodir e ferir as pessoas com palavras. Quando percebo que isso está prestes a acontecer, eu dou um jeito de me retirar, meditar bastante, e só depois, em outro dia, retomar o que estava sendo discutido, para que possa me expressar com sinceridade, mas sem palavras mordazes!
      Adorei sua contribuição para enriquecer a reflexão levantada por esse texto! Beijo!

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