A negligência do brasileiro em geral

Por Simone Oliveira

Há muito tempo tenho estado a analisar o comportamento das pessoas ao meu redor de modo mais profundo e tenho notado que a grande maioria tem potencial para demonstrar diversos sentimentos bons através de ações. É aí que encontrei a extroversão e o calor do nosso povo. Porém, um traço ainda mais forte é essa tal da negligência, vista de longe e que chega a incomodar, causando aversão.

Parei para pensar o porquê de ninguém falar sobre isso. Preferimos fechar os olhos e fingir que ela é apenas parte da cultura, ou pior, que não é um defeito propriamente dito, e sim meras falhas pertencentes a TODO SER HUMANO. Nunca assumimos a culpa pelos nossos erros, sempre nos escondemos na multidão usando o pronome “nós” ou o sujeito “raça humana”.

E esse estranho e inexplicável hábito é evidente em toda a parte:

Nos estudos, a maioria dos estudantes se contenta com um desempenho mediano e medíocre e vive na busca por trouxas mais dedicados para ganhar notas de trabalho nas costas deles sem mexer um dedo na execução ou então fazendo a parte lhe imposta de qualquer jeito, mostrando incompetência até para as tarefas mais banais como citar as fontes ou formatar os textos de forma correta.

É a pressa de entregar tudo logo pois, segundo eles, a vida é muito difícil e agitada, têm tantas atividades para cumprir em tão pouco tempo!…

desculpas

Fico imaginando de que tipo de atividades estão falando e chego à triste conclusão de que são elas: ver séries, assistir filmes, fazer o cabelo pelo menos três vezes na semana, depilação e sobrancelha, passar cremes e maquiagem todos os dias e depois tomar tempo para retirar a noite, ler livros de ficção que em nada irão lhes acrescentar e em seguida ler um ou dois livros de autoajuda para sentir autossatisfação, acompanhar a novela, o Big Brother, o jornal diário, falar sobre política, religião e futebol, assistir aos jogos do time do coração e sair com os amigos e o namorado/a.

O fato é que a vida deve ter um equilíbrio, e eu não condeno essas tarefas, muitas delas são importantes, mas cá entre nós, será que todas elas são extremamente necessárias a ponto de não podermos adiá-las por um dia ou uma semana? Falta senso para nós, sinceramente.

No trabalho, o tanto de funcionários que dão as costas aos problemas que eles mesmos arrumam e sabem que só irão estourar mais tarde, quando outro funcionário for pegar a bucha e ficar sabendo que está cheia de erros grotescos. As atividades feitas com desleixo, é claro, afinal de contas, que resolva um terceiro, não é? Se é que esses irresponsáveis pensam mesmo antes de pular fora. E eu desconfio muito que eles pensem em alguma coisa em algum dia da vida.

justificativas

Na família é muito mais fácil largar os pais numa casa de repouso (vulgo asilo) do que cuidar de quem já fez tudo por nós quando éramos pequenos. É mais confortável deixar os filhos sob os cuidados da “babá TV a cabo” ou da “professora Internet Ilimitada” pois assim eles param de nos importunar, do que verdadeiramente educá-los ensinando moral e ética. Aliás, o que são essas duas palavras nos dias de hoje além de motivos de piada e de meros discursos para ganhar prestígio de um povo que é facilmente enganado por expressões bonitas e vazias de sentimento por trás?

distrações

Fala-se tanto, faz-se quase nada. Empurrando com a barriga mais tarde a vida cobra e, de novo, é mais simples chorar pedindo, implorando ajuda quando os problemas maiores vêm e a saúde piora. Também, pudera! Quem cuida da alimentação, controla o uso de remédios, preza pelo corpo que tem? E se a saúde física é menosprezada, quem dirá a mental? E dá-lhe antidepressivos, daqueles que nos deixam baleados, mas que são apenas paliativos que, sabemos, nunca resolverão nossos problemas pessoais.

hipocondríaco

E o que dizer da situação financeira? Bem, se tem algo que o povo brasileiro adora contrair é dívidas, sendo essas nem planejadas nem organizadas na maioria dos casos. Por isso nos acostumamos a viver atolados, pendurados, desesperados para conseguir dinheiro rápido com o mínimo de esforço, reclamando constantemente de como as coisas estão difíceis e tudo dá errado, olhando para os lados com ar de insatisfação e invejando a suposta circunstância alheia melhor.

dívidas

 

sem dinheiro

 

 

 

 

 

 

 

Invejamos tão só os resultados, não nos enchemos de coragem para enfrentar e acreditar no processo, sair da zona de conforto e TRABALHAR DURO para ter sucesso.

Acreditamos e repetimos que os que conseguem tiveram sorte, mas não nos dispomos ao serviço. Duvidamos da integridade dos que têm dinheiro, temos raiva quando um conhecido vem nos contar que viajou para outro país, conseguiu um emprego bom ou realizou uma festa caprichada. Nós realmente não queremos ouvir boas novas, pois vivemos esperando o “Se me dão…” e cremos convictos que temos direito a receber.

Negligência, meus caros, nada mais o define.

Mas o tempo é juiz direito e, mais cedo ou mais tarde, quem planta colhe. Essa é uma lição que muitos de nós, a despeito de todo o sofrimento que passaram e ainda passarão, dificilmente irão aprender.

Desejo a mim e a você que não sejamos como os “negligentes de plantão”, mas que ao observarmos toda essa realidade, possamos ser diferentes e sigamos por um caminho mais consciente…

euSimone Oliveira. Santos-SP. Bacharel em Engenharia Civil por formação e escritora por gosto. Estuda para concursos e se dedica às aulas particulares de exatas, ao namorado, à família e às suas atividades na igreja. Ainda não descobriu seu propósito na vida, mas tem certeza de que tem um. Pede que Deus a guie por esse caminho até a sua volta.

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