Não adianta lutar contra a morte

Por Isaias Costa

vida-morte

Esse é o tipo de texto que muitos só de olhar o título já se espantam e nem sequer clicam para saber do que se trata. É impressionante como em pleno século XXI, falar sobre o tema da morte seja ainda um tabu tão grande.

A você que embarcou na leitura desse texto, dou meus sinceros parabéns, você faz parte um grupo seleto de leitores que se diferenciam dos demais, parafraseando um professor muito querido de Matemática que me ensinava na época da escola, o mestre Pedro Evaristo.

O que me inspirou a escrever esse texto foram as sábias palavras do místico oriental Osho extraídas do belíssimo livro chamado “O livro do viver e do morrer”, que recomendo fortemente a todos. Vamos às suas palavras…

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“Fique tão feliz quanto possível ao lado do seu marido; esse é o único jeito de dizer adeus a alguém que está morrendo. As pessoas fazem justamente o contrário: quando estão perto de alguém que está morrendo, elas ficam muito sérias, tristes, desesperadas. Elas criam uma atmosfera de escuridão. A pessoa precisa de um pouco de luz! Ela vai fazer uma longa viagem, precisa de pessoas que se despeçam dela num clima de celebração. Mas elas fazem com que tudo fique extremamente pesado. Acham que estão sendo amigas e solidárias, mas estão fazendo com que essa viagem fique mais difícil.

Ao ver a tristeza dos outros, a pessoa fica mais triste ainda. Ela começa a se agarrar à vida e a lutar desesperadamente contra a morte, achando que, se todo mundo está tão triste, é porque a morte deve ser algo bem ruim. Nem os outros que estão por perto sabem o que é a morte nem ela mesma. Esse não é um jeito muito bom de se dizer adeus.

Faça com que haja música, que haja luz e que haja risos. Cante algo, seja amorosa e ajude-o a perceber que ele está passando para um outro tipo de vida – a morte é só uma porta. São só os trajes velhos que estão sendo descartados e ele terá outros melhores. Se ele puder continuar a rir, você realmente o ajudou. Fique ao lado dele e o ajude de todas as maneiras que puder…”

Osho

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Essa foi a indagação de uma mulher que lhe perguntou o que fazer pelo seu marido que estava com um tumor enorme no cérebro, mas ainda estava consciente.

A resposta do Osho foi absolutamente perfeita. Se você tem a certeza de que vai morrer, o correto mesmo é CELEBRAR. Transformar a morte numa celebração!

É engraçado porque o NASCIMENTO de uma criança para provavelmente uns 99,95% das mulheres é uma celebração. Uma criança é recebida com festa, com alegria, com júbilo.

Porque seria diferente com a morte? O movimento é o mesmo, só muda a direção. A morte abre a porta de volta para o infinito. O nascimento abre a porta do infinito para a limitação desse corpo físico extremamente frágil e sujeito à ação do tempo…

É interessante quando ele fala que ninguém sabe ao certo como é do outro lado mas praticamente todos pensam que seja algo triste, algo lamentável. Como assim? O mistério da morte é um dos mais lindos, pelo menos em minha opinião!

De forma alguma escrevo isso dizendo aos leitores que estou desejando a minha morte, não é isso! Espero que esteja sendo bastante claro nesse sentido. O que digo é que a morte de fato não é essa coisa tão temível assim como a maior parte das pessoas pensa.

Inclusive muitos estudos já foram feitos de que no momento exato do desencarne, uma carga muito alta de hormônios relacionados ao prazer é jogada de forma súbita à corrente sanguínea, fazendo assim com que a dor do desligamento com esse mundo seja de alguma maneira atenuada. Isso não é fascinante?

Se você observar a expressão facial de grande parte das pessoas que morreram é um semblante de paz, de serenidade. Claro que não estou falando aqui das pessoas que morreram de formas violentas e cruéis, pois o semblante delas fica muito ruim, exatamente porque elas morreram de forma forçada.

Pessoas que morrem de formas não forçadas, e nelas eu incluo mortes por doenças, dificilmente o semblante é algo triste ou assustador.

Todos esse pontos são muito interessantes de serem analisados com bastante inteligência, como um cientista mesmo. O Osho tinha esse olhar cientista que estou expressando agora, e também tinha um olhar humano, voltado aos pensamentos e sentimentos de quem fica, além do olhar transcendental, que vê cada um como um espírito imortal. Essa é a visão de um iluminado. Consegue ver a todos na esfera FÍSICA, EMOCIONAL, MENTAL e ESPIRITUAL. Aos poucos eu também estou aprendendo a ver as pessoas sob essas 4 esferas! Sei que estou longe de me iluminar, mas sei que o caminho passa por adquirir essa consciência.

Antes de concluir quero falar sobre outro iluminado que via a morte como uma celebração, o mestre SÓCRATES. Todos sabemos que ele morreu envenenado por cicuta. E o Osho sempre contava em suas palestras uma história muito interessante sobre ele.

Pouco antes de morrer ele foi condenado por ser um transgressor do pensamento da época. Ele estava transformando toda a Grécia com seus pensamentos libertários e esse era um perigo para quem estava no comando de tudo.

Assim ele ficou trancafiado por provavelmente alguns dias numa prisão antes de tomar o veneno.

O seu carcereiro principal, que dava suas refeições se afeiçoou tanto a esse homem que só exalava amor e sabedoria que ele ficou literalmente deprimido por ser obrigado a preparar o veneno que mataria esse homem maravilhoso.

Dessa forma ele ficou “cozinhando o galo” por dias, como se diz popularmente. Em determinada hora o Sócrates lhe disse.

– Por que você está demorando tanto para me dar esse veneno? Sei que ele já devia estar pronto?

Nessa hora o carcereiro ficou encucado e pensando: “Como esse homem pode estar com pressa de morrer? Qualquer um gostaria de adiar a morte o máximo possível? Esse homem quer abreviar a sua?”.

Então ele tomou a coragem de lhe perguntar.

– Mas Sr Sócrates? Por que o senhor quer tanto apressar a sua morte?

A sua resposta foi absolutamente perfeita. Ele disse:

– Bem! A vida eu já sei como é, vivi intensamente cada minuto da minha existência. Mas da morte ainda não sei, estão estou muito curioso de saber como que é…

FILOSOFIA-SOCRATES

Sócrates

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Eu fico encantado de ler algo de uma sabedoria tão imensa quanto isso! É assim que eu vejo a morte, como algo lindo, algo transcendental. Mas infelizmente são poucas as pessoas que olham para ela com esse olhar.

O próprio Osho falava que o medo da morte existe por causa do medo da vida. As pessoas têm medo porque não aprenderam a viver.

Eu aprendi que a vida é simples e vivê-la na mais profunda simplicidade é o caminho perfeito para transcendê-la em paz. Não é à toa que sempre escrevo sobre a simplicidade. Ela é a chave do caminho!

E você? Tem medo da morte? Esse questionamento é maravilhoso para que você entenda que, se esse medo existe, é sinal de que sua vida não tem sido vivida plenamente, como uma celebração!

Esse é o subtítulo do livro citado: “Celebre a vida e também a morte”. Transforme a existência numa celebração e assim a sua morte será bela e não só isso. Você ajudará muitas pessoas a sofrerem menos em seus desencarnes.

Eu vejo tantas, mas tantas pessoas que se agarram de forma doentia à vida que poderia escrever um livro só de relatos dessas pessoas!

Precisamos alimentar o DESAPEGO que vem da sabedoria de vida. Mas não estenderei essa reflexão senão esse texto ficaria imenso.

Pense com carinho sobre tudo que foi colocado nesse texto e saiba que a morte é bela, tão bela quanto o nascimento. Vida e morte caminham juntas e quanto mais você tomar consciência disso, mais preparado você estará para a sua própria morte…

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2 Comentários

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2 Respostas para “Não adianta lutar contra a morte

  1. Na verdade todos nós já estivemos “mortos” o que não nos deixou nem um pouco apreensivos ou aterrorizados.

    Alguém se lembra de que lhe ocorreu há duzentos anos? Não. E isso simplesmente porque ainda não tinha nascido. NÃO ERA. Ou seja, é como se estivesse morto. Morte e vida são eventos mutuamente excludentes. Quem não está vivo está morto e vice-versa.

    Ora, se ninguém temeu a morte antes, porque haveria de temê-la depois?

    Deve-se, isso sim, temer e evitar a DOR que, todavia, cessará com a morte.

    Como dizia o grande Machado de Assis, um homem que entendia das coisas, A VIDA É UMA PONTE ENTRE DUAS ETERNIDADES.

    O resto é narcisismo e falta de percepção da nossa insignificância cósmica.

    Alfredo Pereira dos Santos

    • Uau! Fantástico Alfredo. Os mistérios da vida e da morte são totalmente incompreensíveis para nossa mente tão limitada ainda. Concordo absolutamente contigo sobre o Machado de Assis. Ele era mega genial. Jamais teria a menor audácia de me comparar com alguém da magnitude dele.
      Eu na frente do Machado de Assis sou menos até do que o vice-treco do sub-troço, como diria o Mario Sergio Cortella! kkkkkkk
      Abração meu amigo!

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