Estamos condenados a sermos livres?

Por Isaias Costa

00000609

Uma das palavras que mais recebem definições diversas é LIBERDADE. Se for perguntado a cada pessoa o que ela pensa sobre a liberdade, teremos inúmeras respostas diferentes. Eu mesmo, a cada vez que tento responder o que vem a ser liberdade, falo ou escrevo de uma maneira diferente. Já escrevi diversos textos falando sobre ela, mas agora estou utilizando outras palavras e pensamentos.

Existe uma frase atribuída ao filósofo Jean-Paul Sartre que se tornou famosa. Ela diz o seguinte:

jean_paul_sartre_o_homem_esta_condenado_a_ser_livre_con_lwjo8ep

“O homem está condenado a ser livre, condenado porque ele não criou a si, e ainda assim é livre. Pois tão logo é atirado ao mundo, torna-se responsável por tudo que faz.”

Jean-Paul Sartre

******

Essa frase não é tão simples de ser compreendida. O que ele quis dizer com ela? Sartre relaciona a liberdade com responsabilidade diante da vida e também com o livre-arbítrio. Quando nascemos e somos colocados nesse mundo pelos nossos pais, viveremos todas as experiências que todos os seres humanos passam, tanto as boas quanto as ruins. E cabe a cada um de nós saber o que fazer com essas experiências.

Para Sartre a liberdade está ligada às nossas ESCOLHAS. Para tudo há escolhas, inclusive não querer fazer nada, “chutar o pau da barraca” como muitos dizem. Isso também é uma escolha, que obviamente vai gerar suas consequências.

Da mesma forma que, se eu estiver na lama, no fundo do poço, posso me reerguer por um processo de escolhas. Tenho a liberdade de fazer todos os esforços possíveis e imagináveis para sair dessa situação difícil. Nem preciso ir longe citando exemplos para constatar que isso de fato acontece todos os dias ao redor do mundo todo.

Falar sobre isso até me fez lembrar de uma linda frase do médico psiquiatra Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, que diz:

******

“Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida”.

Viktor Frankl

******

Isso é a liberdade! Essa condenação, como Sartre coloca, é exatamente essa possibilidade de escolher as atitudes diante das circunstâncias. Essa escolha é único e exclusivamente nossa. Nessa hora muitas pessoas mais religiosas dizem: “Se Deus quiser, tal tal tal…”, ou “Isso está nos desígnios de Deus”. Sinto dizer, mas Deus não escolhe nada por nós. Somos nós que escolhemos nossas atitudes. O máximo que pode acontecer é, tendo uma forte conexão com as forças divinas, desenvolvermos em nós mais intuição e percepção para compreendermos quais são as melhores atitudes e caminhos a seguir.

Se eu mergulho no amor de Deus de coração aberto, sem medos, sem exigências externas ou algo do gênero, eu posso escolher com um discernimento incrivelmente maior, pois terei esse amparo extra, entende? Estou aqui acrescentando a minha visão. Mas é claro que Sartre não quis dizer isso ao escrever essa frase citada acima.

Quero concluir esse breve texto também compartilhando um pensamento da conhecidíssima obra “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, que tem uma ligação intensa com tudo que desenvolvi até agora!

******

A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida.

Miguel de Cervantes

******

Ele adverte no final sobre a honra, ou seja, termos a liberdade de escolher o que for mais digno e que contribua para o crescimento pessoal a coletivo.

Muitas pessoas confundem ser livre com ser “sem noção”, com poder  “fazer o que quiser”. Isso não existe! A liberdade anda de mãos dadas com diversas virtudes, algumas já citadas, outras que posso citar também.

Responsabilidade/ Discernimento/ Honra/ Dignidade/ Disciplina/ Empatia/ Compaixão etc. etc.

Essa frase do Sartre é muito interessante, mas jamais pode ser analisada de uma forma muito pontual e restrita. Ela nos leva a mergulharmos em diversas outras fontes, que provavelmente ele bebeu e se inspirou para escrever suas obras.

Enfim. Esse é o resumo de tudo o que quis transmitir:

Não podemos viver sem fazer escolhas, pois, por menor que seja, cada ação nossa é uma escolha. E a escolhas são a base da liberdade, segundo Sartre. Então só nos resta sermos livres, estamos condenados a sermos livres…

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s