Ler muito é um dos caminhos para a originalidade

Por Isaias Costa

Cortella

Há poucos dias recebi um comentário de um leitor e que me deixou encafifado. Ele estava criticando o filósofo Mario Sergio Cortella porque nas suas falas ele cita um montão de filósofos e escritores da literatura brasileira e mundial. E nessa crítica ele disse que o Cortella é “mais do mesmo”, não traz nada de novo em suas reflexões!

Nossa! Tive que responder esse comentário discordando veementemente de sua visão, porque a realidade é exatamente o contrário do que ele disse. O Cortella é um homem que dedicou toda a sua vida aos estudos e pesquisas em Educação. Sua obra é um bálsamo de cultura e, como gosto de comentar de vez em quando, ele se apoiou nos ombros de gigantes.

Só por curiosidade, ele trabalhou por 17 anos com o magnífico Paulo Freire, um dos maiores expoentes da Educação no Brasil. O mestre Paulo Freire foi seu orientador de doutorado. E outro mestre, o grande professor Moacir Gadotti, foi seu orientador no mestrado. Ele já publicou 37 livros até o momento e vem aos poucos sendo traduzido para diversas outras línguas. Seu livro “Por que fazemos o que fazemos?” ficou mais de um ano entre os mais vendidos do Brasil. Seus vídeos alcançam milhões de visualizações no youtube. Frequentemente ele é convidado para falar sobre Filosofia na TV aberta (você tem ideia do que é isso? Falar de Filosofia na TV brasileira?). Além de ter parcerias com os pensadores mega admiráveis do nosso país como Leandro Karnal, Clovis de Barros Filho, Luiz Felipe Pondé, Gilberto Dimenstein, Maurício de Sousa, Leonardo Boff, Frei Betto, Marcelo Tas. Sem contar com gente que já se foi como o Rubem Alves, Ubaldo Ribeiro e Darcy Ribeiro (sim! ele mesmo).

Você acha que com um currículo desses o Cortella é “mais do mesmo”? Acho que quem diz isso está bastante mal informado!

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Após essa pequena defesa a esse filósofo que muito me inspira a escrever, quero entrar no cerne desse texto. Será que citar diversas referências em um texto é ruim? Eu faço isso direto. Será que eu escrevo mal ou não consigo escrever nada original por causa disso?

Nessa hora eu me lembro de uma citação incrível, que tive acesso, não sei se por coincidência, através do Cortella em seu comentário na Radio CBN [link aqui]. Uma frase atribuída ao escritor Miguel de Unamono que diz assim.

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“Ler muito é um dos caminhos para a originalidade; uma pessoa é tão mais original e peculiar quanto mais conhecer o que disseram os outros.”

Miguel de Unamuno

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Essa frase é muito verdadeira! Só é possível escrever bem ou ter originalidade, se a pessoa ler muito e conhecer a obra de muitos autores.

Eu só consigo escrever com a constância que escrevo e a desenvoltura que tenho porque leio muito. A cada novo ano eu leio no mínimo uns 80 livros “de cabo a rabo” como se costuma dizer!

Quero concluir esse texto citando um dos escritores que deixou um dos maiores legados para a Psicologia e Psicanálise, o Sigmund Freud. Sua obra é tão vasta que tenho sérias dúvidas se conseguirei lê-la toda até o final da minha vida.

Freud

Uma de suas mais incríveis obras se chama “Interpretação dos sonhos”, livro que é dividido em dois volumes. Quem já leu esse livro, sabe o quanto ele é extenso e o Freud fez um levantamento histórico digno do mega pesquisador que era.

O volume 1 traz em torno de 100 páginas apenas citando tudo que ele conseguiu ler e aprender sobre interpretação dos sonhos antes de desenvolver toda sua teoria sobre conteúdos latentes e manifestos, condensação, deslocamento, sonhos e inconsciente, premonições etc. etc.

Será que Freud, tão famoso pela expressão “Freud explica!” foi “mais do mesmo”? Chega a ser hilário não é mesmo?

Enfim! Se você quer escrever e quer ser alguém original. Guarde essa dica: Leia muito! Se debruce sobre as grandes obras e os grandes autores da humanidade…

“Ler muito é um dos caminhos para a originalidade; uma pessoa é tão mais original e peculiar quanto mais conhecer o que disseram os outros.”

Miguel de Unamuno

3 Comentários

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3 Respostas para “Ler muito é um dos caminhos para a originalidade

  1. Irina Marques

    Gostei bastante da sua reflexão.
    Mas foi directo à questão, é exactamente isso, quando queremos fazer um ofício bem temos que o fazer muito, tomar muito conhecimento sobre esse oficio, seja ele qual seja.
    No meu caso, não sou escritora, é visivel e ja o referi no meu blogue bastantes vezes nem aspiro a tal, aspiro sim a ser artista, para tal, leio sobre esses temas, artistas antigos, o que nos deixaram, os novos, historias que passaram, como chegaram lá. A par de tecnicas desenvolvidas, materiais, cores, etc… um mundo. Mas tudo passa por aí, muita leitura, absorção de conhecimento, antes de mais, sem julgamento. Apenas por voltade de ler, num futuro, quando houver muito dominio, talvez, nos seja possivel julgar, mas com muito cuidado…
    Excelente reflexão, mais uma vez, bastante acertivo.

    • Pois é Irina! Eu acredito profundamente que cada um de nós vem pra esse planeta com predisposições mais ou menos determinadas, que ao longo da vida vamos descobrindo. Eu descobri a escrita e o ensino. Você descobriu o que mais lhe impulsiona e com cada pessoa é assim!
      Por isso é tão importante o autoconhecimento, porque ele funciona como uma espécie de catalisador nesse descobrimento dos nossos potenciais!
      Grande abraço querida!

  2. Irina Marques

    E novamente, saiu um testamento, desculpe…. às vezes escrevo muito.

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