Os prejuízos do poder criativo não usado

Por Isaias Costa

criatividade

Um dos teóricos mais importantes do século XX e que tem uma obra vastíssima, com conteúdos transformadores é Carl Jung. Aprendo muito com sua sabedoria e faço questão de compartilhar muito do que aprendo com os leitores!

Estava lendo um trechinho do livro A Sombra e o Mal nos Contos de Fadas, de Marie-Louise von Franz, no qual ela aborda o poder criativo a partir das teorias junguianas. Segue abaixo suas palavras.

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Jung também diz que uma das forças destrutivas mais cruéis, psicologicamente falando, é o poder criativo não usado. Se alguém possui um dom criativo e por preguiça ou alguma outra razão não o utiliza, essa energia psíquica vira puro veneno. É por isso que frequentemente diagnosticamos neuroses e psicoses como possibilidades mais elevadas não vividas. A neurose costuma ser um ‘mais’ e não um ‘menos’, só que um ‘mais’ não vivido, uma possibilidade de se tornar mais consciente e criativo que não se realiza. A recusa de um desenvolvimento mais elevado ou de uma maior consciência é, a nosso ver, uma das coisas mais destrutivas que existem.”

Marie-Louise von Franz – A Sombra e o Mal nos Contos de Fadas

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É muito profundo o que ela fala nessas poucas palavras e sei que são poucos os que abordam essa temática, devido à carga psicológica envolvida.

Eu sou psicanalista e estudo muito a mente humana. Uma doença que está bastante ligada a esses potenciais não usados é a esquizofrenia. Muitas vezes são mentes brilhantes que se tornam esquizofrênicas, porque não utilizam o máximo do seu potencial.

Nessa hora lembro inclusive de John Nash, matemático norte-americano que trabalhou boa parte da sua vida com teoria dos jogos. Esse senhor faleceu recentemente, no ano de 2015, deixando um legado importante nesse campo da matemática.

Ele foi ainda jovem diagnosticado com esquizofrenia e passou a vida inteira aprendendo a lidar com seus monstros internos. Como ele era genial, conseguiu de uma forma talvez superior às outras pessoas lidar com suas paranoias constantes.

Há inclusive um filme maravilhoso de com o título “Uma mente brilhante”, que conta um pouco da sua história de vida. Se você ainda não assistiu a esse filme! Por favor, não perca tempo, esse filme é um clássico mundial…

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Porém, existe outra doença muito mais comum que está completamente atrelada com essa teoria de Jung, a DEPRESSÃO. O próprio nome já diz tudo, há uma força, uma pressão que lhe empurra pra baixo, e essa força faz com que gere uma depressão, você fica abaixo da superfície. Não é bacana essa analogia?

Eu sou prova viva do que estou escrevendo. Em 2009 eu tive uma depressão leve. Estava no 3º ano do curso de Física e dentro de mim algo dizia que eu estava desperdiçando meus potenciais. Graças a Deus consegui superar esse período de trevas sem precisar tomar remédios antidepressivos. Nessa hora o apoio da família e da espiritualidade foi o que me salvaram de mim mesmo.

Frequentemente eu atendo em consultório pessoas com depressão em diversos estágios, desde o leve até o mais severo. Em todas eu percebo através de suas falas que elas têm potenciais incríveis que estão sendo subutilizados. Citarei apenas 3 exemplos, obviamente preservando os seus nomes.

Uma paciente com potencial para as artes cênicas e para a poesia estava trabalhando com telemarketing.

Um paciente com um imenso potencial para vendas e empreendedorismo estava trabalhando como motorista de UBER.

Um paciente com potencial nato para comunicação ou publicidade estava enfurnado dentro de casa porque passou por algumas experiências de assalto e assistiu à forte violência urbana. No caso desse último era uma junção de depressão com síndrome do pânico, que acontece com mais frequência do que se imagina!

Com esses 3 exemplos fica muito claro que seus potenciais estavam subutilizados, e o sofrimento é a resposta imediata da vida! Nessa hora me vem em mente as sábias palavras do místico oriental Osho que até leio para os meus pacientes de vez em quando, porque sei o quanto elas são terapêuticas.

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“Você tem que decidir ser você mesmo. Você tem que tomar sua vida em suas próprias mãos. De outra maneira a vida vai seguir batendo em sua porta e você nunca estará lá; você estará sempre em algum outro lugar.

Se você tinha que ser um dançarino, a vida virá por aquela porta, porque ela pensa que você é um dançarino. Ela bate na porta, mas você não está lá; você é um bancário. E como a vida vai saber que você se tornou um bancário? Deus vem a você da maneira que ele quer que você seja; ele conhece apenas aquele endereço. Mas você nunca é encontrado lá, você está sempre em algum outro lugar, escondendo-se atrás da máscara de alguém que não é você, com os trajes de alguém que não é você e usando o nome de alguém que não é você.”

Osho

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A porta da nossa vida é ÚNICA. Hoje tenho convicção que a minha porta é a da Educação, que tem talvez as subdivisões da escrita e da psicanálise, mas eu me vejo mesmo como professor, porque em todas as frentes que atuo eu ensino sobre a arte de viver e buscar o equilíbrio pelo autoconhecimento.

Que essa breve reflexão ajude você a bem utilizar seu poder criativo. Não tenha preguiça de se autoconhecer, pois como diz Jung, isso pode se transformar em um veneno com diversos nomes diferentes, que são as doenças ou psíquicas ou psicossomáticas.

Vamos explorar nossos potenciais para que escutemos essa batida da vida na porta que nos corresponde.

Paz e luz.

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