Uma analogia entre a Física Básica e os relacionamentos

Por Isaias Costa

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Eu sempre gostei das conhecidas piadas de nerd e fiquei refletindo psicologicamente a partir de uma das minhas favoritas e acabei tendo uma inspiração bacana para escrever esse texto que você lê agora.

A piada conta de um jovem triste que procura o físico Albert Einstein querendo um conselho sobre o seu namoro que estava por um fio.

Ele chega para o físico dizendo:

– Senhor Einstein, preciso de um conselho seu. A minha namorada me pediu um tempo e falou que precisava de mais espaço. O que eu faço?

– Acho que ela está querendo calcular a velocidade!

*********

Essa piada ironiza com a equação da velocidade média, por isso que é considerada uma piada de nerd. Mas brincadeiras à parte, quero refletir sobre conceitos psicológicos incríveis por trás dessa piada.

Quando a namorada do rapaz está lhe pedindo um tempo e que precisa de mais espaço é sinal de que eles estão de fato passando por uma crise de relacionamento e algumas coisas fundamentais precisam ser compreendidas.

E por incrível que pareça, está tudo relacionado: velocidade, espaço e tempo. Acompanhe o raciocínio.

Para que tenhamos um relacionamento feliz, harmonioso e duradouro não adianta querer ir rápido demais. Casais que muito apressadamente já querem morar juntos, casar e ter filhos, quase sempre se arrependem mais pra frente. Só ratificando que quanto mais jovens os casais, maior ainda a possibilidade de arrependimento.

Esse ponto vale um aprofundamento. Eu conheço casais que se conheceram já mais maduros tanto em idade quanto em experiências de vida e que em questão de poucos meses já estavam casados e morando juntos. Pelo fato de terem mais experiência de vida começaram o relacionamento já com uma bagagem grande de autoconhecimento, com verdades universais internalizadas na alma, como por exemplo: ninguém muda ninguém. E por isso não se arrependeram, mas repito, é a minoria!

Já escrevi diversos textos falando sobre essa verdade acima e acho incrível como existem pessoas que passam a vida inteira sem entendê-la…

Podemos comparar a Física Básica com os relacionamentos. Se existe muita velocidade de pensamentos, de decisões, de comportamento – o que chamamos de impulsividade – a pessoa não consegue olhar para o universo interno da pessoa amada. E ela tenta a fina força mudar o jeito de ser da outra. E lógico que isso acaba dando encrenca mais cedo ou mais tarde.

O tempo, como o próprio Einstein enunciou, é relativo. Não é a duração de um relacionamento que prova se ele foi bom ou ruim, profundo ou superficial. Mas sim a forma como foi vivido. Existem relacionamentos que duram alguns meses e trazem um amadurecimento imenso aos envolvidos, enquanto existem outros que duram décadas e a pessoa permanece praticamente a mesma ao longo de todos os anos, ou seja, há uma acomodação muito grande.

O tempo também está relacionado com duas possibilidades bem comuns do cotidiano: o casal passa muito tempo trabalhando e por isso quase não tem um tempo para dedicarem um ao outro ou o caso dos namoros à distância, na qual os dois se veem apenas esporadicamente. Essa espécie de “dilatação do tempo”, para me utilizar do termo da Física, pode ser muito perigosa. Nessa hora me lembro de uma ditado popular que aprendi com meus familiares: “Quem muito se ausenta uma hora deixa de fazer falta…”. Nos relacionamentos precisa haver o espaço para a saudade. Ok! Mas existe uma linha tênue que separa a saudade do conformismo, do famoso “é assim mesmo…”.

Existe outro ditado perfeito para contrapor o que acabei de colocar: “Quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma um desculpa…”. O tempo pode nos levar a refletir sobre tudo isso. É preciso haver o tempo para dedicar a(o) parceira(o). Se isso não acontece no devido equilíbrio. Acredite! Vai dar encrenca.

E sobre o espaço eu acho a analogia com a Física ainda mais interessante. Se damos espaço de menos a alguém isso revela ciúme, possessividade, falta de confiança, imaturidade, baixa estima etc. E se damos espaço demais a alguém isso revela certa frieza, egocentrismo, pouca consideração, narcisismo e por aí vai.

Existe, como em tudo na vida, um caminho do meio, de equilíbrio. A correta relação entre espaço e tempo fará a velocidade do aprofundamento do namoro acontecer na medida certa.

Claro que não existe uma velocidade que se diga perfeita, porque nada é perfeito nos relacionamentos humanos e quero deixar isso bem claro a você leitor. A Física é uma ciência exata, que trabalha com análises de fenômenos e suas variações. É possível fazer analogias, mas claro que com ponderações, sempre respeitando os princípios matemáticos por trás de sua teoria.

Quem diria que se poderia extrair tantos insights psicológicos a partir de uma simples piada não é mesmo? Há muito mais a ser extraído, mas não quis me alongar para não tornar o texto cansativo.

Espero que tenha gostado das reflexões e lembre-se, o segredo dos relacionamentos está no caminho do meio, no saber ajustar a correta relação entre velocidade, espaço e tempo…

2 Comentários

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2 Respostas para “Uma analogia entre a Física Básica e os relacionamentos

  1. Adorei o texto. Inteligente e cheio de humor! Parabéns

  2. Pingback: Uma analogia entre a Física Básica e os relacionamentos — Para além do agora – No Calor Do Teu Abraço

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