Tão humanos quanto Jesus!

Por Andreia Carvalho 

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O que pode nos caracterizar como humanos?

Biologicamente, humano (homo sapiens) é o termo utilizado para caracterizar a espécie viva evolutiva que se difere das demais por possuir inteligência e razão. Para a sociologia é aquele indivíduo que é capaz de viver em sociabilidade com os demais. Já a Psicologia enveredou-se por caminhos ainda mais complexos em suas várias abordagens para compreender o humano e seus processos mentais. Muitas outras vertentes cientificas conceituariam de outras formas, mas… o que realmente nos diferencia dos demais animais?

A psicologia positiva empenhou-se em buscar na história humana virtudes em comum para entender qual seria a melhor versão de um ser humano. Pesquisou coincidências em várias religiões e culturas, até chegarem a conclusão de que algumas virtudes de caráter eram comuns a seres humanos de todo o planeta e em todos os tempos da história. O caráteré como a pessoa se apresenta ao mundo como interage com os semelhantes, por ser construído socialmente é resultado do aprendizado principalmente do seio familiar. Um indivíduo possui falhas e virtudes de caráter, que são os valores morais construídos em cada um, e dentre as virtudes de caráter encontra-se uma chamada humanidade. A humanidade seria a combinação de amor, bondade e inteligência social, que tem em sua essência a interação social positiva.

Quero tomar como exemplo a vida de alguém que passou por este mundo e nos ensinou como era o plano original de convivência para a humanidade, Jesus! Poderíamos citar tantos exemplos de indivíduos que se destacaram por sua distinção humanitária: Mahatma Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce … mas todos eles tiveram como incentivo a vida do Mestre da Galileia. Ser tão humana quanto Jesus, era o desejo de Madre Elisa Andreoli, uma religiosa que viveu com paixão e experiência os ensinamentos Dele. Ela enfatizou em sua carreira de fé que a humanidade que Ele exalava só seria possível se entendermos que precisamos “amar, cuidar e reparar” a vida daqueles que nos rodeiam, principalmente os mais desfavorecidos.

Em sua trajetória aqui na terra as palavras de Jesus incentivaram o amor, até porque vinham acompanhadas de seu próprio exemplo. Ele trouxe para a sociedade daquela época um novo conceito de fé, cumprindo toda a lei que vigorava, porém, condenando a hipocrisia e religiosidade que fazia com que no talionato não houvesse espaço para a compaixão. A lei do talião era fundamentada na rigorosa reciprocidade “olho por olho, dente por dente”, uma forma antiga de instrumento jurídico, tendo a sua origem no Código Hamurabi em 1780 a.c. na Babilônia. Foi incorporada na lei de Moisés e tornou-se parte daquela cultura. Nesse contexto não havia espaço para um olhar de compaixão.

Jesus veio desconstruindo aquele entendimento na resolução de conflitos “Ouvistes o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra…” Ao oferecer a outra face o ofensor estaria sendo constrangido, o ódio estava sendo aplacado e o ofendido se elevava a uma posição mais digna que a do ofensor diante dos outros. O amor sempre foi e sempre será a solução para muitos problemas! É o remédio mais poderoso que existe, pois penetra na alma de quem está ferido curando e mantém saudável quem sabe amar. Já dizia Freud: “precisamos amar para não adoecer”, e isso Jesus sabia muito bem, pois, demonstrava amor e bondade se compadecendo das misérias dos outros, ele olhava nos olhos, estendia as mãos e valorizava aqueles que a sociedade desprezava. Literalmente estava no meio dos desprivilegiados mas também frequentava a alta sociedade, porém era imparcial e justo.

Sobre compaixão o filósofo Leonardo Boff nos diz “A compaixão tem algo de singular: ela não exige nenhuma reflexão prévia, nem argumento que a fundamente. Ela simplesmente se nos impõe porque somos essencialmente seres compassivos. A compaixão refuta por si mesma a noção do biólogo Richard Dawkins do “gene egoísta”. Ou o pressuposto de Charles Darwin de que a competição e o triunfo do mais forte regeriam a dinâmica da evolução. Ao contrário, não existem genes solitários, mas todos são inter-retro-conectados e nós humanos somos enredados em teias incontáveis de relações que nos fazem seres de cooperação e de solidariedade. A segunda atitude, afim à compaixão, é a solidariedade. Ela obedece à mesma lógica da compaixão. Vamos ao encontro do outro para salvar-lhe a vida, …”

No nosso país existe uma Política Nacional para incentivar as trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários do Sistema Único de Saúde, em outras palavras, motiva profissionais de saúde a tratar humanamente as pessoas que necessitam de atendimento. O HumanizaSus é uma forma de pôr em prática a fala de Carl Jung “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma” O fato é que, estamos chegando a um ponto que precisamos aprender a ser mais humanos, a ter coragem de olhar nos olhos dos nossos semelhantes, e tratá-los como gostaríamos de ser tratados.

O que nos conforta é saber que o amor, a bondade e a empatia ainda continuam sendo o melhor caminho para sermos tão humanos como Jesus! E todos nós temos a capacidade de desenvolver essas virtudes tão excelentes!

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IMG-20191006-WA0000Andreia Carvalho, moro na cidade do Rio de Janeiro, sou Psicóloga Clínica e amo escrever. Escrevo sobre psicologia e gosto de enfatizar a importância da espiritualidade na vida do ser humano. Costumo definir minha vida com uma frase de Viktor Frankl “Encontrei o sentido da minha vida, ajudando os outros a encontrar o sentido das suas” e três coisas não podem me faltar: fé, livros e café!

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