A alma dos diferentes

Por Andreia Carvalho

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Assistindo ao filme “Milagre na cela 7” na Netflix, percebi o quanto o mundo é cruel com os diferentes, mas também o quanto precisa deles. Em tempos onde se precisa adequar ao outro para ser aceito, ver alguém que ousa ser ele mesmo é realmente encantador. O mundo tenta padronizar o que em essência é singular, e isso tem sido motivo de muita angústia para o ser humano, pois quem ousa burlar esse sistema é visto pela sociedade como diferente, estranha… Existem os que nascem diferentes e os que escolhem ser diferentes.

Talvez muitos dos transtornos que os manuais diagnósticos preconizam atenção, seja simplesmente a manifestação de almas nobres e espetaculares que passam por nós com um olhar tão diferenciado, que as cabeças pensantes não alcançam as sensibilidades contidas e expressas em atos, logo, torna-se necessário especificar um transtorno para explicar a diferença.  Mas, me questiono se a pior patologia não está na busca pela normalidade, na padronização e nos excessos de conveniências diárias que introjetamos para poder lidar com outros semelhantes.

Quem se arrisca a fugir dessas regras, são pessoas corajosas dotadas de autenticidade, que desdenham as conveniências e se encantam com facilidade pela simplicidade da vida, demonstrando com sinceridade as suas sensações sem se importar em parecer aceitável, porque essa pessoa se aceita como é, conhece as suas limitações e vive cada momento aproveitando e agradecendo pelo que tem, e é isso que importa. Aventuram-se diariamente como lobos solitários, num mundo que os observa avidamente com ar condenatório, mas que não tem nenhum poder sobre esse tipo de alma.

Esse tipo de gente diferente desarma completamente o nosso inconsciente, abrimos mão das defesas e precisamos de muito esforço para não nos deixar afetar, pois são contagiantes. Naturalmente entram no nosso coração, despretensiosamente nos conquistam!

Gosto de gente assim, imperfeita, diferente e estranha e que não pedem licença para invadir as nossas vidas. Quando a gente se dá conta a porta do coração já está escancarada e como diria Freud, nunca tão indefesos. Diante do amor ficamos indefesos e desarmados. É isso que a alma dos diferentes tem. A capacidade de nos desarmar.

Eu arriscaria dizer que a alma dos diferentes é a que mais acessa a alma dos outros, pois na sua simplicidade conseguem nos afetar de forma tão contundente, que são capazes de mudar olhares. Acredito que ninguém muda através de críticas, julgamentos ou imposições, mudamos quando somos amados do jeito que somos e essa capacidade só vem de gente diferenciada. Gente que não importa a idade que possua, conserva a autenticidade de uma criança. Por isso que o Mestre Jesus nos alertou que para entrar no reino dos céus precisamos ser como crianças.

Não nasci diferente, mas a minha estranheza é justamente percorrer diariamente um caminho que me leve a essa diferença, almejo ser uma alma diferente!

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IMG-20191006-WA0000Andreia Carvalho, moro na cidade do Rio de Janeiro, sou Psicóloga Clínica e amo escrever. Escrevo sobre psicologia e gosto de enfatizar a importância da espiritualidade na vida do ser humano. Costumo definir minha vida com uma frase de Viktor Frankl “Encontrei o sentido da minha vida, ajudando os outros a encontrar o sentido das suas” e três coisas não podem me faltar: fé, livros e café!

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