A compaixão se desenvolve aos poucos

Por Isaias Costa

“A compaixão não é uma teoria. É uma experiência. Não é algo que possa ser adquirido nem é criada por qualquer processo bioquímico. A compaixão brota de forma imediata no momento em que nos deparamos diretamente com o sofrimento e percebemos a sina dos seres que, quase sempre, reagem de uma forma que apenas intensificará a sua trágica condição.

Uma qualidade natural, um aspecto de nossa verdadeira natureza, a compaixão está adormecida em nós e precisa ser despertada. Esse despertar é doloroso, pois nos obriga a contemplar a fundo o sofrimento de incontáveis seres. Sem entender o seu infortúnio, não podemos sentir compaixão. Mas, uma vez que tenhamos realmente compreendido o sofrimento, a compaixão começa a brotar sem que possamos impedi-la de fluir. Por enquanto, a nossa compaixão é tendenciosa e restrita. Pensamos que algumas pessoas a merecem, outras não.

A compaixão que sentimos pela família e pelos amigos, por exemplo, baseia-se em nosso apego por eles. Mas todos, por mais desorientados que estejam, merecem a nossa compaixão, e temos de expandi-la até que ultrapasse os limites do apego para abarcar a todos os seres, o tempo todo.”

Chagdud Tulku Rinpoche

********

Essas palavras do monge são simplesmente perfeitas. A compaixão é uma experiência! Não adianta ficar apenas teorizando, lendo tratados e mais tratados sobre a compaixão se você não experimentar no seu dia a dia. Não terá valido de nada…

Cada novo dia nos dá zilhões de oportunidades para exercitarmos a compaixão, e é bonito perceber que ela não surge espontaneamente. Inclusive o mestre Dalai Lama sempre diz em palestras e livros: “A compaixão não é visceral”. Ou seja, é algo que precisamos exercitar e desenvolver através das experiências!

É semelhante a um músculo, que só se desenvolve através de muito esforço e repetições dos exercícios! O “músculo da compaixão” pode se tornar bem forte e vigoroso em nós se buscarmos expandir nossos horizontes.

Eu acho incrível a didática dos grandes mestres do budismo como por exemplo o Thich Nath Hanh, que recentemente deixou esse mundo. Todos eles ensinam o passo a passo para nos desenvolvermos não só na compaixão, mas no amor, na tolerância, na generosidade etc. Todas essas virtudes podem ser desenvolvidas da mesma maneira! São 4 etapas

1º) Eu desenvolvo a autocompaixão

Olho para mim mesmo, meus defeitos, minhas falhas e tropeços e me olho com esse olhar de aprendiz, de alguém que faz todo o esforço diário para ser melhor, e assim posso começar a estender essa compaixão para além do meu universo.

2º) Compaixão pelos amigos e familiares

Sinto compaixão por todos aqueles que amo e que de alguma forma participam da minha vida.

3º) Compaixão por desconhecidos

É a compaixão pelas pessoas que não conheço, porém, que não despertam dentro de mim meu pior lado, meus sentimentos de aversão.

4º) Compaixão pelos que não gosto

Essa é a etapa mais difícil, sentir compaixão pelas pessoas que sinto raiva, ódio, ciúme, inveja, repúdio e por aí vai!

Percebe que é como se fosse um teste que a cada etapa vai ficando mais difícil? Porém, é com os desafios que nós podemos crescer de verdade! Aquilo que não gera em nós nenhum desconforto, não tem poder real de transformação!

Quis com esse brevíssimo texto trazer grande parte da essência da sabedoria budista, que a meu ver, é a que traz a virtude da compaixão de forma mais bela e instigante!

Que a gente desenvolva a nossa compaixão um pouquinho mais a cada dia…

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s