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O que eu penso sobre aposentadoria?

Por Isaias Costa

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Estou escrevendo esse texto no dia em que se faz memória ao falecimento de um senhor que admiro do fundo do meu coração e que me inspira demais a escrever. É claro que estou falando dele, o mestre RUBEM ALVES.

Ele faleceu no dia 19/07/2014 deixando um imenso legado de sabedoria para a humanidade. Assim como ele, a cada novo texto que escrevo, também estou deixando o meu legado para as pessoas. Ler as palavras do Rubem me motiva a continuar sempre escrevendo.

Em homenagem a ele, tratarei nesse texto de um tema que ele sempre falava, mas até este momento, nunca escrevi com mais detalhes, a APOSENTADORIA. Eu penso sobre a aposentadoria da mesma forma que ele, e para embasar as ideias, nada melhor do que as palavras do próprio Rubem não é mesmo?

“Imagino que o poeta jamais pensaria em se aposentar. Pois quem deseja se aposentar daquilo que lhe traz alegria? Da alegria não se aposenta… Algumas páginas antes o herói da estória havia declarado que, ao final de sua longa caminhada pelas coisas mais altas do espírito, dentre as quais se destacava a familiaridade com a sublime beleza da música e da literatura, descobria que ensinar era algo que lhe dava prazer igual, e que o prazer era tanto maior quanto mais jovens e mais livres das deformações da deseducação fossem os estudantes.”

Fonte: A alegria de ensinar

Essas são palavras lindas e inspiradoras. Minhas maiores vocações são o ENSINO e a ESCRITA. São duas coisas que amo e que me dá uma imensa alegria.

Quando alguém fala comigo sobre aposentadoria sempre brinco que vou me aposentar quando tiver uns 100 anos, porque eu sinto tanta alegria em ensinar e escrever que não me vejo longe disso no período da velhice. E esse texto é uma motivação para que você repense a aposentadoria.

É possível se aposentar de uma maneira mais inteligente e sábia. Infelizmente a maior parte das pessoas se aposenta e depois que se aposenta não utiliza seu maiores dons em prol de ajudar um grande número de pessoas, quem faz isso são as pessoas que tem dentro de si um propósito maior.

Quero deixar claro que o problema não é se aposentar, o problema é se ACOMODAR, o que acaba transformando a vida na terceira idade numa rotina enfadonha e desgastante.

Para que você entenda ainda com mais clareza o que estou querendo transmitir, compartilho algumas palavras do grande educador Gabriel Perissé:

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Na primeira página do jornal Folha de S.Paulo de hoje, “aposentadoria” é palavra em destaque.

“No século XVI circulava a palavra “apousentar”, no sentido de fazer alguém pousar e repousar. O hóspede podia pousar no “apousento” de uma casa amiga. No século XIX o “u” já tinha ficado na estrada (ou terá pedido a aposentadoria?). A aposentadoria tornava-se direito trabalhista.

(Curiosidade: D. Pedro I concedeu a aposentadoria aos professores públicos que completassem 30 anos de serviço. Tal aposentadoria era denominada “jubilação”, do latim jubilatìo,”gritos de alegria”.)

Aquele que peregrina por muitos anos tem direito a pousar um dia. A palavra “pousar” remete ao latim pausare, “parar”, “descansar”. Mas descansar com dignidade. E aposentadoria não significa pendurar as chuteiras e ficar num canto, parado, paralisado. O aposentado pode e deve caminhar em novas direções, dedicando-se a atividades diversas e exercendo funções sociais relevantes.”

Fonte: O pouso do aposentado

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Percebe como é lindo? Se aposentar é POUSAR e parar tranquilo num ambiente que lhe dê prazer e alegria.

Eu sou bem jovem, mas me imagino bem velhinho numa casinha confortável escrevendo sem nenhuma pressa nem preocupação com prazos e compromissos maiores. Essa é, a meu ver, a melhor forma de se aposentar, você continuar fazendo aquilo que ama fazer, porém sem cobranças e sem tanta responsabilidade.

“O aposentado pode e deve caminhar em novas direções, dedicando-se a atividades diversas e exercendo funções sociais relevantes.”

Você que me lê agora, o que poderia fazer na sua velhice que fosse socialmente relevante? Se você nunca pensou sobre isso, que tal pensar hoje aproveitando essa linda inspiração que tive a partir do mestre Rubem Alves?

Enfim! Que você olhe a aposentaria com olhos mais amorosos e altruístas! Essa é a minha visão e sonho que mais e mais pessoas passem a enxergar esse período da vida a partir desse olhar, e assim se encham de criatividade para ajudar esse planeta a ser pelo menos um pouquinho melhor, como fez o querido Rubem, que sempre vai nos deixar saudades…

 

 

 

 

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Herbert Vianna: um exemplo de superação e amor

Por Isaias Costa

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Hoje, dia 04/05/2016, fico muito feliz em fazer uma pequena homenagem a um homem que eu e o Brasil inteiro admira de coração, o grande cantor e compositor Herbert Vianna.

Hoje ele completa 55 anos de idade, com um sucesso estrondoso e levando milhões de pessoas a terem mais alegria e esperança através das suas músicas e acima de tudo, do seu testemunho de vida.

Quase todos os dias lembro as suas palavras que parecem um mantra na sua vida: “nossos irmãos astrais total”.

Ele carrega no seu coração essa veia meio franciscana de chamar a todos de irmãos e admiro muito isso nele, porque sei que não é da boca pra fora. É real! Ele tem tanto amor no coração que trata a todos como seus irmãos.

Eu me emociono ao falar sobre ele porque o que ele viveu, somente alguém com um coração estratosférico poderia suportar.

Em 2001, ele sofreu um acidente terrível num ultraleve que teve como consequência a perda da sua amada esposa e seu corpo ficou paraplégico.

Suas palavras para descrever o que aprendeu sobre a vida a partir desse acidente são de arrepiar. Veja só!

“Uma coisa que serviu para mim, e que está muito clara no meu dia a dia, que, baseado nas minhas convicções espiritualistas, vejo isso [o acidente] como uma oportunidade para aprender, crescer, evoluir emocionalmente”

Link: Não tenho nenhuma lembrança do acidente

Eu que acompanho essa banda desde criancinha, consigo perceber nitidamente o amadurecimento enorme que ele teve após o acidente. Ele sempre foi um homem pacificado e carismático, mas percebo que sua sabedoria de vida se tornou muito mais aguçada depois do acidente, e essa frase dele é a prova maior disso.

Essa é uma grande lição que ele deixa para todos nós. Os sofrimentos muitos vezes fazem despertar grandes potenciais que antes estavam adormecidos dentro da gente. Guarde bem essas palavras, para que de hoje em diante você passe a ver os sofrimentos da vida com novos olhos!

Outra grande lição que ele tem para nos ensinar é sobre ter PROPÓSITO e uma RAZÃO PARA VIVER baseada nos valores mais intrínsecos e nos talentos pessoais.

Ele é genial no que se trata de MÚSICA, é um homem que “respira” música! Seu talento para compor lindas canções é algo mágico e ter essa consciência fez com que ele mantivesse esse firme propósito de continuar com a banda depois do acidente.

Em uma entrevista ele até disse isso aqui, confira!

“Eu sempre digo para os meus médicos que a ciência ainda não conseguiu sintetizar em palavras o efeito químico que a música e a convivência com os amigos pode fazer por um doente. Você esquece das perdas, das dores, das tristezas. Sem os Paralamas, provavelmente eu não estaria aqui”

Link: A música o salvou depois do acidente

Deixo mais essa profunda reflexão. O Herbert poderia muito facilmente ter desenvolvido DEPRESSÃO, pois grandes alicerces da sua vida foram quebrados: relacionamento amoroso e mobilidade.

Ter força interior para superar perdas tão avassaladoras, só mesmo tendo um imenso coração, como é o seu caso. Me faltam palavras para descrever esse sentimento que ele teve ao passar por essa experiência. Nem me atrevo, pois sei que nada consegue chegar nem perto do que ele sentiu. Mas nessa hora, palavras são desnecessárias. Muito mais tocante é o sentimento e admiração pela sua pessoa!

Enfim meus amigos! Esse é um texto no qual deixo registrado minha profunda admiração por esse ser humano que tem uma luz interior absurda! Ele é uma das minhas referências na vida e sei que também é na de muita gente.

Para concluir, compartilho uma das minhas músicas favoritas dele: “flores e espinhos”.

Vida longa ao mestre Herbert Vianna!

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

 

 

 

 

 

 

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3 anos do blog “Para além do agora”

Por Isaias Costa

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É com grande alegria que escrevo esse texto em comemoração aos 3 anos de existência do blog “Para além do agora”. O meu sentimento é de pura gratidão pela oportunidade de estar levando um pouco dos meus conhecimentos e experiências de vida a cada vez mais pessoas.

Quero primeiramente confirmar com gratidão a todos vocês o quanto é verdadeira a afirmativa: “a gente colhe aquilo que planta…”. Meus amigos! Acreditem! É assim mesmo!

O que eu colhi de bênçãos e de alegrias entre 2014 e 2015 foi algo extraordinário e me emociona. Recebi muito mais até do que imagina que fosse possível. Cresci profissionalmente, minha saúde que já era boa, melhorou ainda mais, fiz novos amigos maravilhosos através do blog, meu relacionamento amoroso está cada dia mais bonito, estou tendo oportunidade de estudar coisas novas incríveis através de cursos etc. etc.

Estou colhendo todas essas bênçãos porque tenho consciência de que foram boas as sementes que eu plantei. Como já falei diversas vezes por aqui, segui e continuo seguindo sempre o que o meu coração me diz e ele sempre diz o que é o melhor a ser feito e qual o melhor caminho.

Portanto. Guarde essas palavras: Você quer lançar sementes melhores? Então ouça o seu coração e siga o que ele diz sem pestanejar, tirando da mente o famoso “E SE?”. Fazendo isso, eu lhe garanto que o restante de 2015 e o ano de 2016 que já se aproxima trarão frutos muito mais bonitos e saborosos na sua vida.

Escrevi muitos textos ao longo desse ano, mas teve um que me deixou com um sentimento de leveza imenso, um dos artigos mais longos no qual falei sobre a medicina oriental e a linguagem do corpo. Nós vivemos no Ocidente e nossa cultura é completamente voltada para a medicina convencional que busca apenas “remediar” e jamais curar na raiz as doenças diversas do corpo humano.

Nesse artigo eu falei um pouco sobre a causa primária das doenças e que todas, absolutamente todas elas podem ser curadas por nós mesmos, sem que precisemos nos entupir de remédios, porém, não é algo tão fácil assim ou que traz resultados do dia para a noite. Exatamente por isso é comum os céticos dizerem a famosa frase: “Isso é balela…”. Será? Será mesmo? Ou será que é você que é cético demais e não consegue olhar para o seu interior mais profundo, buscando o autoconhecimento?

Enfim. Foi um texto que me deixou muito feliz, porque se trata de um conhecimento que uma vez absorvido, transforma nossa vida para sempre.

Aos que ainda não leram, deixo o link abaixo. É uma leitura que vale muito a pena…

A cura quântica

Também quero fazer um agradecimento especial a uma pessoa que foi fundamental no meu processo de autoconhecimento e que me ajudou a enxergar coisas que não conseguia por dificuldade mesmo e também por medos, crenças e condicionamentos que tinha e precisava vencer. Estou falando da minha querida amiga Nazinha Schulz. Eu a conheci através desse blog, ela mora no Espírito Santo e eu em Fortaleza, estamos muito distantes fisicamente, mas muito próximos em termos de pensamentos e gostos.

Esse agradecimento especial a ela é porque foi ela que me incentivou a iniciar um curso de Psicanálise na cidade onde moro, Fortaleza. Ela enxergou em mim o que eu mesmo não enxergava, a possibilidade de me tornar um terapeuta.

Devido eu ter escolhido como profissão a área das exatas, tinha muitos medos e condicionamentos quanto a me tornar um terapeuta. Pensava coisas assim: “Caramba! Como alguém vai acreditar em um cara que tem formação em Física e vai ajudar os outros a curarem suas mazelas internas?…”. Pois é meus amigos! Eu pensava coisas assim, e isso me impedia de ouvir o meu coração que dizia bem diferente: “Você pode sim ser um terapeuta e fará um bem danado para muita gente…”.

Foi mais ou menos isso que eu ouvi da minha querida amiga Nazinha e ela me deu um certo “empurrãozinho” para tomar essa decisão que tenho certeza que já está fazendo toda a diferença na minha vida e fará na de milhares de pessoas, não só que leem esse blog, mas que passarão por mim através de terapias, aconselhamentos ou quem sabe até cursos, não é mesmo? Em um futuro próximo não serei apenas o Isaias meio maluco que gosta de Física e Matemática, serei também o Isaias psicanalista e terapeuta, que fará um trabalho muito bonito e cheio de alegria para muitas pessoas.

Essa é a primeira vez que falo sobre isso com mais detalhes aqui no blog e deixo minha sincera gratidão à Nazinha e a tantas outras pessoas que cruzaram o meu caminho me ajudando a ser alguém melhor e mais humano.

Esse ano também teve uma novidade muito bacana que foram os “áudios”. Tive essa iniciativa muito por causa das conversas que tive com a minha cunhada, que trabalha com surdos e tem um casal de amigos cegos. Pensei no quanto as pessoas com deficiências físicas também precisam ter maior acessibilidade aos conhecimentos que as outras pessoas têm. Então quase que “do nada” me veio a vontade de gravar áudios com a leitura dos textos do blog. Comecei em junho deste ano esse novo projeto e pretendo colocá-lo em paralelo com os textos, para que todas as pessoas que não possam ler ou não gostem muito de ler, tenham a oportunidade de refletirem junto comigo ouvindo o que tenho a dizer! Deixo abaixo o link do Soundcloud, onde estão reunidos todos os áudios que gravei até esse momento.

Soundcloud Para além do agora

Mais uma vez, muito obrigado a todos e que venha o 4º ano do blog. Continuemos juntos, crescendo em consciência e amor…

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O beija-flor Rubem Alves

Por Isaias Costa

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Hoje completa exatamente um ano da morte do mestre Rubem Alves. Quem é fã dele, acredito que tenha a mesma reação que eu. Parece que a saudade dele só aumenta com o passar do tempo. Mas isso é bom sabia? Porque a gente só sente saudade do que foi bom e do que nos alegrou o coração. Se todos nós sentimos tanta saudade desse senhor super cativante, foi porque ele conseguiu um lugar especial dentro dos nossos corações. Eu acho isso tão bonito!…

Rubem Alves. Outro dia estava me lembrando de como surgiam as suas inspirações para escrever e ele dizia uma coisa muito bacana. Ele dizia que as estórias simplesmente apareciam na mente dele. Ele usava um termo engraçado “vagabundear”! rsrsrs. Quando ele deixava que sua mente vagabundeasse é que surgiam as suas melhores estórias, ou seja, quando ele não deixava sua mente se atormentar com tantas obrigações e preocupações.

Nesse quesito eu sou muito, mas muito parecido com ele mesmo! Esse texto que você está lendo agora surgiu assim, com a minha mente vagabundeando, ou seja, com a mente leve. Na realidade a inspiração surgiu a partir de um sonho muito singelo que tive.

No sonho eu me lembrava de uma de suas entrevistas na qual ele falava que criou uma pérola a partir de um grão de areia que se infiltrou profundamente na sua pele sensível de ostra. E essa dor foi uma pergunta que sua filha de três anos lhe fez: “Pai! Quando o senhor morrer você vai sentir saudade?”. Doeu demais ouvir isso e ele ficou totalmente sem chão e com os olhos cheios de lágrima, então sua filha completou: “Não chora não, por que eu vou te abraçar…”.

Desta simples manhã com sua filhinha, surgiu uma crônica emocionante que até hoje encanta muitas pessoas e leva as pessoas mais emotivas até as lágrimas.

A partir deste sonho me veio o pensamento. O mestre Rubem Alves era um grande e belo beija-flor. Essa comparação é perfeita para ele. Porque os beija-flores são pássaros belos e livres. Nunca se pode prender e querer só para si um beija-flor, porque ele morre de tristeza. Ele nasceu para estar na natureza agitando suas lindas asas a 80 batidas por segundo.

Ele era esse beija-flor, não apenas pela LIBERDADE que tinha de escrever o que quisesse, mas acima de tudo, porque ele conseguia retirar o NÉCTAR suave das experiências mais simples de sua vida.

Essa simples conversa com sua filha num dia comum lhe levou a retirar o néctar mais precioso e escrever uma estória que encanta os corações de todos aqueles que a leem.

Assim também foram com a maioria das suas estórias. Ele era um profundo observador. E nas suas caminhadas e nas conversas filosóficas que nutria com as pessoas ele tinha insights nos mais variados temas possíveis. Gosto dele muito por isso. Ele escrevia de uma maneira simples e cativante. Devido a sua simplicidade, ele tocava os corações das pessoas de todas as idades, desde um bebezinho que estava começando a conhecer o mundo até os velhinhos em suas vidas pacatas.

Suas palavras são como poesia e música, sempre dá vontade de ler ou ouvir outra vez. Alguns de seus textos eu já li inúmeras vezes e não consigo enjoar, porque são envolvidos por uma magia e um perfume dignos de um gênio da literatura.

Essa beleza está nesse néctar contido na simplicidade e que leva as flores a crescerem e darem frutos. Frutos como esse simples texto que você está lendo agora.

Rubem Alves. Esse senhor é uma das minhas grandes fontes de inspiração e me ensina demais a ser alguém melhor pelo poder da SIMPLICIDADE.

Enfim. Esta é minha singela homenagem a esse senhor que enche meu coração de amor e de vida. De onde ele está, tenho certeza que está fazendo os seus amigos espíritos rirem com suas piadas e estórias incríveis.

Um grande viva a esse mestre que certamente se eternizará através dos seus livros e da vida maravilhosa que levou na terra.

Para concluir, compartilho uma das suas crônicas, na qual ele cita esse dia e conversa com a sua filha. Vale a pena a sua leitura, é um texto muito profundo e reflexivo…

Sobre a morte e o morrer

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Dalai lama: 80 anos de amor, compaixão e sabedoria

Por Isaias Costa

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Hoje o mestre Dalai Lama está completando seus 80 anos de vida, e não poderia deixar de lhe prestar minha singela homenagem.

Como já falei por aqui outras vezes, ele foi, sem sombra de dúvidas, o ser humano que mais me ensinou o valor da compaixão, que é sentir a dor do outro como forma de tentar ajudar a saná-la.

Nós que queremos crescer em sabedoria, precisamos aprender a sermos mais compassivos. Essa é uma das virtudes humanas mais belas que existe e o mestre Dalai Lama nos ensinou isso durante toda sua vida e continua ensinando.

Foi também com o mestre Dalai Lama que aprendi a ter um respeito imenso por todas as religiões e por todas as diferenças que existem entre as pessoas.

Uma de suas mais belas frases é essa aqui, que muito provavelmente você já leu: “Qual é a melhor religião? Aquela que lhe faz ser alguém melhor…”.

Percebe a profundidade dessa frase? Se todos nós procurássemos vivê-la de fato, todos os imensos conflitos religiosos que vemos hoje deixariam de existir. Precisamos respeitar todas as religiões e crenças. Esse respeito deriva da ética universal que ele tão bem ensina a todas as pessoas no mundo todo.

Inclusive é essa a dica de livro que quero deixar a você hoje. Um dos melhores livros que já li na vida é de sua autoria, um livro chamado “Uma ética para o novo milênio”.

Esse livro é uma verdadeira obra de arte. Aprendi muito com ele e procurei por em prática na vida seus ensinamentos tão refinados e repletos de sabedoria. A ética é fundamental para que cresçamos em amor e consciência, e possamos de fato fazer a diferença nesse mundo.

A ética é um dos pré-requisitos básicos para que construamos um legado para a humanidade. Quero deixar um legado bonito de amor, paz, amizade, serviço, paz, compaixão etc. e sem dúvida, me mirando no exemplo vivo e verdadeiro desse senhor tão cativante, tenho certeza que esse legado que já estou construindo dará muitos frutos…

Enfim! Essa é minha pequena homenagem ao querido Dalai Lama. Muita saúde e paz a esse senhor que tem ajudado nosso planeta ser um pouquinho melhor e ajudado milhares de pessoas a encontrarem um sentido mais profundo para suas vidas.

Deixo você com uma pequena frase dele, proferida muito recentemente em suas palestras pelo mundo afora…

“Eu amo sorrisos e meu desejo é ver mais sorrisos, sorrisos verdadeiros, pois há muitos tipos – sarcástico, artificial, ou diplomático. Alguns sorrisos não despertam nenhuma satisfação, e alguns até mesmo geram desconfiança ou medo. Temos de criar as razões que fazem um sorriso autêntico aparecer e fazer mais sorrisos florescerem.”

Dalai Lama

 

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Divinas Mulheres

Por Isolda Colaço

11054352_942205672491564_7798157402093754816_nHoje é o Dia Internacional da Mulher e para homenageá-las, é com grande alegria que compartilho as palavras da minha querida amiga Isolda Colaço, uma linda mulher, apaixonada por poesia e pela Literatura.

Espero que goste e compartihe com os amigos e amigas!

Feliz dia internacional da mulher…

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A mulher representa a humanidade do homem. Sem ela o mundo pereceria de insensibilidade e falta de solidariedade. A mulher é um ser indefinível e inigualável. Um astro que orbita a vida na Terra resplandecendo sua luz e compreensão aos que dela necessitam. A mulher é uma onda de energia e sensibilidade que revigora o coração dos mais insensíveis. Sem as mulheres não haveria humanidade, apenas sequidão e ignorância, pois sua intuição a distingue dos demais.

Ser mulher neste mundo transitório entre sua emancipação(aceitação) é árduo e injusto. Amemos umas as outras. Solidarizemo-nos com nossas falhas, pois somos humanas e desejamos a cada dia mais sermos apenas compreendidas, amadas e felizes. Isso é um direito divino o qual não pode ser furtado de nós. Somos seres divinos e inserimos todos os dias na humanidade nossa tolerância, solidariedade e principalmente amor.

A mulher é a própria afrodite renascida das cinzas de um mundo inóspito para vivermos. Somos mulheres, não somos super-heroínas, apenas humanas…

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2 anos do blog “Para além do agora”

Por Isaias Costa

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Hoje o blog “Para além do agora” está completando 2 anos de existência, e meu sentimento é de profunda gratidão por tantas coisas boas e surpreendentes que me ocorreram.

Tentarei resumir o máximo que puder para esse texto não ficar muito extenso.

Primeiramente quero agradecer aos meus amigos que publicaram seus textos no blog, que foram a Júlia Médici, o Marcelo Vieira, a Morgana Lima e o Thiago Rebouças. Abri as portas do blog para todos os amigos que queiram publicar textos interessantes e com reflexões parecidas com as que eu faço.

Meu desejo é que em 2015 mais amigos entrem em contato comigo para publicar seus textos. Esse blog é como uma família de pessoas com o mesmo propósito, crescer como seres humanos, em consciência e amor. Esse é o maior obejetivo deste blog, se você gosta de escrever, não se acanhe! É só me mandar um e-mail que o lerei com todo carinho e lhe responderei o mais rápido possível! O e-mail de contato está logo abaixo:

paralemdoagora@gmail.com

No comecinho do ano (em fevereiro), escrevi meu primeiro e-book falando sobre um tema que há muito tempo tinha vontade de escrever, a vocação pessoal, o “porque comecei a escrever na internet através de um blog”. Eu passei por muitas mudanças na minha vida e tenho certeza que muitos dos leitores de primeira viagem do blog acham estranho eu ser Físico e escrever sobre temas tão variados. Com a leitura do meu e-book todos poderão saber que não é tão loucura assim eu estar escrevendo e amando essa nova realidade. Foram os meus inúmeros sofrimentos vividos ao longo de alguns anos que despertaram o meu lado mais humano, levando até onde estou hoje, escrevendo para você e compartilhando conhecimentos que tenho adquirido. Se você ainda não leu, compartilho abaixo o link no qual você pode fazer o download.

E-book: Descobrindo um novo sentido no viver

Um pouco depois, em abril, senti a necessidade de criar um novo blog para falar exclusivamente das minhas reflexões baseadas no Raul Seixas. Tenho certeza que foi bom ter feito essa separação para não gerar conflitos com determinados leitores. Digo e repito que as ideias do Raul Seixas não são para qualquer pessoa, é preciso ter uma mente mais aberta e filosófica para acolher as suas mensagens. Neste blog eu me dei a liberdade de falar de temas que não teria coragem de publicar no “Para além do agora”, então só lê quem realmente gosta do Raul.

Até hoje tem sido maravilhoso. Os leitores do blog “Universo de Raul Seixas” são verdadeiros “Raulsseixistas”, como eu! E esse é meu desejo, compartilhar reflexões entre pessoas que pensam parecido. Fiz vários amigos que são fãs do Raul Seixas, e que estão compartilhando muitas ideias legais sobre ele, me fazendo aprender cada vez mais sobre esse maluco beleza que eu admiro tanto.

Se você quiser acompanhar os textos do blog “Universo de Raul Seixas” fique à vontade, pode se juntar a essa família também. O link está logo abaixo.

Blog Universo de Raul Seixas

No mês de junho dei um grande salto, que me deixou muito feliz e extremamente grato. Estou escrevendo em um blog parceiro de um site bastante visitado, o site “O Povo Online”. Para mim é um privilégio estar escrevendo para um site de notícias tão impactante no estado onde eu moro, que é o Ceará. Esse site é lido por mais de 600 mil pessoas e muitos visitam os “Blogs O Povo” diariamente.

É o blog “Artesanato da mente”, com reflexões no geral filosóficas e voltadas para o campo das artes, que sou apaixonado também.

Se você ainda não conhece esse blog, fique à vontade para ler e acompanhar a fanpage. O link está logo abaixo.

blog “Artesanato da mente”

No mês de julho eu tive uma grande alegria proporcionada pela aproximação das redes sociais. Conheci pessoalmente uma das leitoras assíduas do blog, que mora no Rio de Janeiro e era muito amiga do meu pai na sua adolescência. Fiquei impressionado de ver o quanto o facebook consegue aproximar pessoas que não se veem há tanto tempo. Ela não via o meu pai há mais de 30 anos e o reencontro foi uma maravilha. Será uma amizade que certamente durará por muito tempo. Espero que possa conhecer ainda muitos dos meus leitores pessoalmente. Vai ser uma alegria sem medidas…

Inclusive preciso agradecer pelas várias amizades excelentes que tenho feito pelo facebook. Não vou citar os nomes para não esquecer ninguém. Os amigos que tenho feito estão me ajudando a ser uma pessoa cada vez melhor e me inspirando, ao compartilharem suas ideias, textos, vídeos, reflexões, histórias de vida comigo. Mais uma vez digo! É um privilégio para mim ter vocês na minha vida. Que essa amizade perdure por muito tempo e que cresçamos todos juntos.

A última novidade é que neste terceiro ano do blog publicarei de vez em quando textos mais densos e aprofundados, todos com a possibilidade de se baixar o arquivo em pdf para impressão. Quero levar reflexões profundas para os leitores. Eu, particularmente, sou avesso à superficilidades e quem me lê percebe isso muito bem. Eu sei que as pessoas que me leem querem crescer como seres humanos e só conseguirão crescer através do que eu escrevo se eu mesmo, acima de tudo, busco isso. Sempre repito que tudo que escrevo procuro primeiramente aplicar na minha própria vida, para que os leitores sintam a verdade e a sinceridade transmitidas nas minhas palavras. Isso faz toda a diferença e comprovo isso pelos maravilhosos feedbacks que recebo diariamente.

O primeiro artigo extenso que escrevi se chama “Um possível quadro do mundo em um futuro próximo”. Se você ainda não leu, deixo o link abaixo.

Um possível quadro do mundo em um futuro próximo

Que este terceiro ano venha cheio de alegrias e grandes histórias. Continuemos crescendo juntos em consciência e amor. Mais uma vez lhe agradeço por me acompanhar nessa jornada…

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Por que as pessoas escrevem?

Por Isaias Costa

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Outro dia eu li uma citação simplesmente incrível que traduziu praticamente com todas as letras como eu me sinto ao escrever e porque escrevo. Pode ser até que eu esteja enganado, mas acredito que as pessoas que escrevem por paixão e amor à escrita têm o sentimento que a escritora descreve. Assim que li, senti um desejo imenso de compartilhar aqui no blog. Trata-se de um pequeno texto da escritora francesa Anaïs Nin.

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Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.

Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.

Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.

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E para concluir deixando uma belíssima reflexão, compartilho algumas sábias palavras do incrível escritor Érico Veríssimo

“O menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, trazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.”

Vamos acender a nossa luz neste mundo?…

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* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Mario Sergio Cortella: 60 anos

Por Isaias Costa

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Hoje é o aniversário de 60 anos de um dos maiores filósofos brasileiros, por quem tenho profunda admiração, o grande Mario Sergio Cortella. Ele nasceu no dia 05 de março de 1954, é Filósofo, Escritor, Educador, Palestrante e Professor Universitário da respeitada PUC de São Paulo, já escreveu diversos livros e um dos principais tem o título “Qual é a tua obra?”, cheio de provocações filosóficas, como ele mesmo chama. Eu me faço essa pergunta todos os dias e quero hoje lhe instigar a fazer também: Qual é a tua obra? Como você tem vivido a sua vida? Tem realizado os seus sonhos? Tem feito algo para ajudar os outros? Tem sido alguém importante no convívio social? Hoje é um belo dia para se fazer esses questionamentos e muitos outros…

Já aprendi e continuo aprendendo muito com sua sabedoria e clareza ao falar e escrever. Para homenageá-lo, vou compartilhar as suas falas do documentário “Eu maior”, além de textos escritos por mim como complemento para as ideias transmitidas por ele. As informações que estou colocando aqui hoje, para serem totalmente digeridas e assimiladas, é necessário que sejam relidas e revistas, por isso fiz questão de transcrever toda a sua fala, para que você tenha mais facilidade de acesso e leitura. Vamos viajar no mundo da Filosofia?

Entrevista com Mario Sergio Cortella

1º Trecho- Felicidade

“Felicidade é uma vibração intensa. Um momento em que eu sinto a vida em plenitude dentro de mim, e quero que aquilo se eternize. Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é um estado contínuo. Felicidade é uma ocorrência eventual. A felicidade é sempre episódica.

Você sentir a vida vibrando, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja na situação em que seu time, por exemplo, vence, seja porque algo que você fez deu certo, seja porque você ouviu algo que queria ouvir. É claro que aquilo não tem perenidade. Aliás, a felicidade, se marcada pela perenidade, seria impossível. Afinal de contas, nós só temos a noção de felicidade pela carência. Se eu tivesse a felicidade como algo contínuo, eu não a perceberia. Nós só sentimos a felicidade porque ela não é contínua, isto é, ela não é o que acontece o tempo todo de todos os modos.”

Texto complementarA instável felicidade

2º Trecho- A felicidade e a solidão

“A ideia de felicidade sozinha, ela teria que ter uma questão anterior. Se é possível viver sozinho. Que, como felicidade, pelo óbvio, só acontece com alguém que vivo está e viver é viver com outros e outras. Como não é possível viver sozinho, a possibilidade da felicidade isolada, solitária, é nenhuma.

Para que eu possa ser feliz sozinho, eu teria que ter a capacidade de viver sozinho. Mesmo na Literatura, como Robinson Crusoé, por exemplo, que lida com o homem que está só, mas ele está só depois de ter vivido com outros. Ele traz as outras pessoas na sua memória, na sua história, no seu desejo, no seu horizonte. Não há história de ser humano em que tenha sido sozinho da geração até o término. Se assim não há, não há possibilidade de ser feliz sozinho.”

Texto complementarO vazio existencial

3º Trecho- Filosofia e Autoconhecimento

“Nos últimos 50 anos do século XX nós tivemos mais desenvolvimento tecnológico do que em toda a história anterior da humanidade. Todos os 39.950 anos anteriores desde que o homo sapiens era sapiens sapiens, da classificação científica, foram menos do que 50 anos finais do século XX. Seria a redenção da humanidade, com uma questão. As questões centrais permaneceram. Quem sou eu? Pra que tudo isso? Por que eu não sou feliz apenas quando eu possuo objetos? Por que o mal existe? Por quê que eu não tenho paz, em meio a tanta convivência? Nesta hora, não só a felicidade, ela sofreu um revival (renascimento), como a Filosofia passou a ser, de novo, interessante. E aí, é claro, a Filosofia como autoajuda, a Filosofia com autoconhecimento, a Filosofia como autocapacidade, a Filosofia como prática sistemática e, de repente, a gente tem no final do século XX, em vários lugares do mundo e do Brasil também, casas para estudar a Filosofia, procura de cursos de Filosofia.”

Texto complementarDia mundial da Filosofia

4º Trecho- Ser famoso ou ser importante

“Você e eu sabemos que vamos morrer um dia. Desse ponto de vista, não é a morte que me importa, porque ela é um fato. O que me importa é o que eu faço da minha vida enquanto a minha morte não acontece para que essa vida não seja banal, superficial, fútil, pequena…

A esta hora preciso ser capaz de fazer falta. No dia que eu me for eu quero fazer falta. Fazer falta não significa ser famoso, significa ser importante.

Há uma diferença entre ser famoso e ser importante. Muita gente não é famosa e é absolutamente importante.
Importar significa levar para dentro. Alguém me importa para dentro, me carrega.

Eu quero ser importante. Por isso, para ser importante eu preciso não ter uma vida que seja pequena. E uma vida se torna pequena quando ela é uma vida que só se apoia e si mesmo, fechada em si. Eu preciso transbordar. Eu preciso me comunicar. Eu preciso me juntar. Eu preciso me repartir nessa hora… Minha vida, que, sem dúvida ela é curta, eu desejo que ela não seja pequena…”

Texto complementar: Ser famoso ou ser importante

Documentário “Eu maior”

Esse filme inteiro é maravilhoso e recomendo que você o assista na íntegra, mas se quiser ver apenas as partes do Cortella, estão entre os minutos “02:20 – 03:15min” e “36:15 – 37:40min”.

1º Trecho- As grandes questões humanas

“Em toda a história da humanidade é uma questão que nos acompanha. Em qualquer momento da história humana. A grande questão, que é absolutamente abstrata, mas ela é funda é: Por que é que existe alguma coisa e não nada?

Quatro foram os caminhos para tentar responder a essa angústia. A Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião. Essa quatro áreas, elas se dedicaram a tentar explicar: Por quê que nós existimos? Por quê que as coisas existem? Com uma grande diferença, a ciência procurou trabalhar o “como” das coisas, isto é, o funcionamento, enquanto que a Filosofia, a Arte e a Religião foram em busca dos “porquês”. Ambos são necessários, não ao mesmo tempo e não do mesmo modo. Mas tanto o “como” quanto o “porque” são necessários.”

Texto complementarAs moradas celestiais

2º Trecho- Não nascemos prontos

“Quando alguém me pergunta: Você mudaria algo em você? Eu digo: Sempre, claro, com alegria. Inclusive, porque, se algo me chateia, é quando alguém me diz: “Cortella! Você continua o mesmo!”. Você já imaginou, no mundo de mudança, de alteração, de processo, eu ter ficado congelado. Se tem uma coisa que eu detesto é a ideia de ter uma vida formol, em que eu congele alguns cadáveres. Eu, para usar uma frase antiga, não me envergonho dos anos que eu fui, mas eu gosto de lembrar que eu já tive muitas vidas, que foram sendo feitas, refeitas e reinventadas. Ao contrário do que muita gente imagina, a gente não nasce pronto e vai se gastando, a gente nasce não-pronto e vai se fazendo. Eu não nasci em 1954 e vim me gastando até hoje. Eu nasci não-pronto e vim me fazendo. O que nasce pronto é fogão, sapato, geladeira. Esses sim vão envelhecendo. Então eu quero sim mudar várias coisas, quero mudar o meu senso estético, quero ter uma ampliação da minha capacidade de ouvir, de enxergar, de fruir sabores, aí eu quero ser capaz de mudar a minha conduta em relação a algumas pessoas com as quais convivo para que elas fiquem melhores. Ainda bem! Você ser do mesmo modo, de uma maneira persistente não é sinal de coerência, é sinal de tacanhice mental.”

Textos Complementares
Todos nós somos caleidoscópios
Flores e espinhos

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A infância em Manoel de Barros

Por Morgana Lima

Grande Manoel de Barros

Grande Manoel de Barros

Hoje é o aniversário de 97 anos de um dos maiores e mais competentes poetas que o nosso país já teve, o grande Manoel de Barros! Para falar sobre esse imenso poeta, compartilho um belo texto da minha querida amiga Morgana Lima.

***

Rebento, bebê, guri, moleque, piá, nenê, curumim, baby, são várias as denominações, porém todas visam arcar com o sentido de uma única palavra: “criança”. Esta vem do Latim creare, isto é, “produzir, erguer”. Dessa forma, é possível dizer, fazendo uma aproximação entre significados, que esse termo guarda certa relação com as palavras criação e criatividade. Por fim, relacionado a esses vocábulos, teremos, ainda, o termo infância, que vem do Latim infantia, formado por in-, negativo, mais fari, “falar”, ou seja, aquele que não tem voz.

MORGANA FERREIRA DE LIMA

Editor

Publicado em 1994, “O Livro das Ignorãças”, de Manoel de Barros concentra-se, predominantemente, em torno de temas relacionados ao desconhecimento. Contudo, este não é concebido de maneira convencional, uma vez que o desconhecimento visto na obra se relaciona ao desconhecer dos sentidos, dos significados e dos conceitos. O livro é dividido em três partes, são elas: “Uma Didática da Invenção”, “Os Deslimites da Palavra” e “Mundo Pequeno”.

A primeira parte está relacionada à linguagem em seu florescer, isto é, o poeta busca, nesse sentido, uma aproximação com a linguagem natural das coisas. Na segunda parte do livro, o autor utiliza uma lenda para refletir sobre os limites da linguagem. A terceira parte do livro trará questões relacionadas a um mundo onde essa linguagem adâmica, de certa forma, se faz presente.

Assim, para um maior entendimento da obra, analisaremos a concepção de infância abordada por Manoel de Barros, na qual o autor nos mostrará os (des) limites da palavra, tendo em vista a apropriação feita pela criança, que faz uso da linguagem, não somente em relação ao mundo vivido (real), mas também em relação ao mundo imaginado.

Uma didática da invenção

Para entender melhor a infância, propomo-nos, neste trabalho, a analisar três poemas, são eles: VII e XIX, inseridos em “Uma didática da invenção”, e o poema VII, inserido em “Mundo Pequeno”. Os referidos poemas foram retirados de “O livro das Ignorãças” (1993).

Poema VII

No primeiro poema analisado, observaremos que o eu lírico, através do verso livre e do uso de recursos imagéticos, brinca com as palavras. Assim, o poeta materializa o que ele concebe como universo infantil, isto é, lugar da imaginação e do lúdico. Vejamos o primeiro poema.

TEXTO I

No descomeço era o verbo./ Só depois é que veio o delírio do verbo./O delírio do verbo estava no começo, lá,/ Onde a criança diz: eu escuto a cor dos passarinhos./A criança não sabe que o verbo escutar não/ Funciona para cor, mas para som./Então se a criança muda a função de um verbo, ele/ delira./ E pois./ Em poesia que é voz de poeta,que é a voz de fazer/ nascimentos-/ O verbo tem que pegar delírio.

Observamos, no início do poema, o termo “(des)começo”, a prefixação negativa da palavra começo, ou seja, trata-se de um começo que ainda não começou exatamente. Esse “descomeço” dito no poema é o verbo. Em seguida, o eu lírico nos fala a respeito do delírio do verbo, nos dizendo que esse se encontra bem no início, onde o descomeço era de fato, o começo. Tal começo se caracteriza por meio da fala ainda pouco elaborada da criança, que diz: “eu escuto a cor dos passarinhos”. Nesse verso, percebemos a inserção de uma sinestesia, uma vez que não podemos escutar a cor dos pássaros. Logo, o delírio do verbo se refere à apropriação pouco madura feita pela criança, que ainda não domina a função do verbo “escutar”.

Mais a frente, o autor confirma que a criança faz uso inapropriado do verbo; contudo, Manoel de Barros orienta o leitor, ao afirmar no poema, que a poesia “é a voz de fazer nascimentos”, isto é, a poesia é o lugar da criação.Assim, podemos concluir que Manoel de Barros desfaz em sua poética a antiga concepção que se tinha acerca da criança, isto é, de que esta seria um ser “sem voz”. Assim, em seus poemas, a criança tem a liberdade de brincar com as palavras, reinventando-as e dando a elas novos sentidos.

Poema XIX

Neste poema, observaremos que, novamente, o eu lírico se utilizará do verso livre e da divisão do texto em uma única estrofe. Além disso, o poeta fará uso de algumas metáforas, no intuito de compor certos recursos imagéticos, que vão sendo formados no decorrer de todo o texto. Nesse poema, a criança, mais uma vez, é vista por Manoel de Barros, como sendo a responsável pela criação e pela inventividade de novos vocábulos. Vejamos o texto:

TEXTO II

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a/ imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás/ de casa./ Passou um homem depois e disse: Essa volta que o/rio faz por trás de sua casa se chama enseada./ Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que/ fazia uma volta atrás da casa./ Era uma enseada./ Acho que o nome empobreceu a imagem.

A criança, para Manoel, não é caracterizada como sendo um ser ingênuo e incompetente, sendo, para além disso, um ser inquieto, inventivo e transgressor, capaz de criar um mundo inserido no mundo maior. Logo, tendo em vista os primeiros versos do poema, observaremos que a criança em sua, “ingenuidade transgressora” criará diferentes conceitos, para o rio que corre atrás de sua casa “O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a/ imagem de um vidro mole…”. A criança não tem, portanto, a preocupação de saber o verdadeiro nome da curva do rio, uma vez que o mais interessante para ela é o fato de poder dar nome às coisas, tendo em vista o cenário de imagens que estas oferecem aos olhos.

O poeta nos mostra, ainda, um pouco da incompreensão do adulto, que não ouve a criança, considerando-a como ser incompetente e incompleto, ignorando a capacidade da mesma de estabelecer semelhanças.

Observemos os versos: “Passou um homem depois e disse: Essa volta que o/rio faz por trás de sua casa se chama enseada.”. Nos versos seguintes, perceberemos que a conceituação feita pelo adulto desencoraja um pouco a imaginação da criança (“Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que/ fazia uma volta atrás da casa./ Era uma enseada.”). No último verso do poema, vemos que, embora desencorajada em sua fantasia e imaginação, a criança não concorda com o conceito dado pelo adulto e diz: “Acho que o nome empobreceu a imagem.”, o que nos mostra, a liberdade inventiva dada à criança nos poemas de Manoel de Barros.

Por fim, podemos concluir que a criança será vista pelo poeta como aquela que melhor dispõe da capacidade de estabelecer semelhanças, possuindo o dom da imaginação, característica que a difere totalmente dos adultos.

FIQUE POR DENTRO

Um retrato de Manoel de Barros

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, no Estado de Mato Grosso, em 1916. Publicou seu primeiro livro, “Poemas concebidos sem pecado”, em 1937 e pertenceu à Geração de 45 do Modernismo brasileiro. Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Além disso, o poeta é o ganhador de importantes prêmios da literatura, dentre eles: o prêmio da Academia Brasileira de Letras (2000), com o livro “Exercício de ser criança” e o prêmio Jabuti de Literatura (2002), na categoria livro de ficção, com “O fazedor de amanhecer”

DESTAQUES

1.
Manoel de Barros desfaz em sua poética a antiga concepção que se tinha acerca da criança, isto é, de que esta seria um ser “sem voz”. Assim, em seus poemas, a criança tem a liberdade de brincar com as palavras, reinventando-as e dando a elas novos sentidos.

2.
A criança, para Manoel, não é caracterizada como sendo um ser ingênuo e incompetente, sendo, para além disso, um ser inquieto, inventivo e transgressor.

Parte II

A descoberta do “gosto por nadas” em Manoel de Barros.

Manoel de Barros, ao longo de todas as suas obras, constitui uma poética voltada para o uso de neologismos sem, porém, deixar de apresentar a língua portuguesa em suas origens. O poeta, assim como afirma Larrosa (2002), possui uma poesia de caráter singular: “suas opções poéticas têm algo da anti-retórica e da anti-erudição da poesia pau-brasil, que se traduzem em liberdade, alegria, rebeldia linguística, ironia, minimalismo, gosto pela surpresa verbal, pelo lúdico, pelo coloquial e pelo exercício poético de fazer insólito o cotidiano e cotidiano o insólito.”.

Assim, podemos dizer que a poesia de Manoel está intimamente relacionada ao universo infantil, pois apresenta “o gosto por nadas”, isto é, o poeta, tal qual a criança, tem a capacidade de enxergar a poesia, aonde todos só conseguem ver a realidade e o senso comum. Tendo em vista isso, torna-se mais claro o gosto do poeta por falar em suas poesias de: latas, parafusos velhos, cisco, lagartixas e formigas.

Mundo Pequeno

Poema I

Esse poema tem como tema principal a “simplicidade”. Todavia, o poema não tratará de qualquer simplicidade, uma vez que, aqui, o simplório tem ligação com o lugar onde se vive e não com a relação estabelecida com o mesmo, uma vez que esta se dá num todo de completude entre indivíduo e mundo. A criança é representada, novamente, como sendo um ser livre e que enxerga além do visível.

TEXTO III

O mundo meu é pequeno, Senhor./ Tem um rio e um pouco de árvores./ Nossa casa foi feita de costas para o rio./ Formigas recortam roseiras da avó./ Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas./ Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves./ Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os/ besouros pensam que estão no incêndio./ Quando o rio está começando um peixe,/ Ele me coisa/ Ele me rã/ Ele me árvore./ De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os/ ocasos.

O poema apresenta um tom memorialístico, uma vez que o autor fala de acontecimentos reais da sua história, como é o caso do verso “Nossa casa foi feita de costas para o rio”. O autor, portanto, retorna, nesse poema, a sua infância, nos mostrando de forma sincera e particular a composição do universo infantil.

O poema tem início com os versos: “O mundo meu é pequeno, Senhor.” e “Tem um rio e um pouco de árvores.”, o que aponta para a descrição de mundo, ainda “limitada”, da criança, que só entende como sendo concreto aquilo que a cerca. Logo, na narrativa, observamos que o eu lírico considera o seu mundo pequeno, sendo esse composto apenas por elementos da natureza.

É importante salientar que a criança, até certa idade, não apresenta a noção de espaço; assim, seu entendimento do que seria o mundo real se compõe, verdadeiramente, a partir do que ela conhece. Dessa forma, tornam-se bastante compreensíveis os versos acima citados.

Em seguida, vemos o verso “Formigas recortam roseiras da avó”, que nos remete a outro poema do autor: “Obrar”, inserido no livro “Memórias Inventadas”, no qual Manoel de Barros, em um tom também memorialístico, relata-nos as peraltices por ele vivenciadas, ao pé da roseira de sua avó. No verso seguinte, “Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas.”, observamos como se dá a relação da criança com coisas “banais”, ou seja, com coisas mínimas e sem nenhum valor financeiro. Nas poesias de Manoel de Barros a criança tem, pois, a capacidade de criar e de reinventar o sentido e a função das coisas, daí explica-se o fato das latas serem maravilhosas, uma vez que na hora do brincar a criança resignifica as coisas, dando a elas novos nomes, novas funções e novas cores.

Mais a frente o eu lírico nos fala em um dos versos “Todas as coisas deste lugar estão comprometidas com as aves.”, o que pode estar relacionado à liberdade, uma vez que, para a criança, tudo pode ser revisto e reinventado. Na infância as coisas não possuem um sentido fechado, podendo ser renomeadas de acordo com a fruição imaginativa do ser infante. Nos versos seguintes, observaremos que o eu lírico transformará os substantivos “coisa”, “rã” e “ árvore” em verbos, reinvertendo as regras da gramática, característica típica da criança, que não costuma possuir um compromisso “sério” com as regras gramaticais.

Por fim, a partir da análise deste poema, podemos classificar a infância representada em Manoel de Barros como sendo um período pleno e singular, mas que, diferentemente de muitos autores, não será visto como um período passado e, portanto, acabado, uma vez que esse é constituinte do individuo durante toda a sua vida.

318827_299385936832942_440773814_nMorgana Lima. Estudante de Mestrado em Letras na Universidade Federal do Ceará (UFC), graduada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e professora de português. Apaixonada por poesia e por livros.

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