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Da alegria ninguém se aposenta

Por Isaias Costa

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Eu sou fascinado pelos escritos do mestre Rubem Alves. Sempre que leio seus livros, acabo me inspirando a escrever.

No momento em que escrevo esse texto, estou me deleitando com a leitura do seu livro intitulado “A alegria de ensinar” e uma de suas crônicas chamada “Ensinar a alegria” me inspirou a falar sobre a alegria e o quanto ela está conectada com a nossa VOCAÇÃO.

Abaixo transcrevo o trecho da crônica que mais gostei. Leia com bastante atenção!

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Reli, faz poucos dias, o livro de Hermann Hesse, O Jogo das Contas de Vidro. Bem ao final, à guisa de conclusão e resumo da estória, está este poeminha de Rückert:

Nossos dias são preciosos

mas com alegria os vemos passando

se no seu lugar encontramos

uma coisa mais preciosa crescendo:

uma planta rara e exótica,

deleite de um coração jardineiro,

uma criança que estamos ensinando,

um livrinho que estamos escrevendo.

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Enquanto formos repetitivos não seremos receptivos

Por Isaias Costa

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Essa semana eu assisti a uma palestra muito interessante na cidade onde moro (Fortaleza) pela Ordem Rosacruz Áurea e nela o palestrante falou uma frase que me deixou bastante reflexivo e que acabou por me inspirar a escrever o texto que você lê agora!

A frase era a seguinte: “Enquanto formos repetitivos não seremos receptivos”.

Essas duas palavras são escritas de forma quase idêntica, mas possuem significados completamente diferentes e opostos!

Quem é receptivo está sempre aberto para receber o novo, para aprender, para quem sabe até mesmo mudar de ideias e opiniões!

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Não se intrometa na vida de ninguém

Por Isaias Costa

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Esse é um texto que tenho certeza que pode incomodar muita gente, mas preciso falar sobre esse tema que considero de suma importância, a INTROMISSÃO.

Infelizmente, não olhamos para essa postura tão comum em milhões de pessoas com a atenção que ela merece! Vou me basear na etimologia dessa palavra, que é desconhecida para a maior parte das pessoas! Veja só!

INTROMISSÃO = dentro da missão de outra pessoa

Ou seja, se você se intromete na vida de alguém, está direta ou indiretamente entrando na sua missão de vida, muitas vezes contribuindo para um desvio do seu caminho evolutivo na Terra. E aí? Você acha que se trata de uma bobagem? É muito sério o que estou falando aqui.

Inclusive, como tenho uma visão espiritualista e universalista, falo até sobre a chamada LEI DO KARMA.

Quando você se intromete na vida de alguém, faz com que cause alterações no seu karma, que significa, de forma simplificada, as causas e efeitos das experiências de cada um.

=> Clique aqui para ler o texto completo

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Desenvolva o prazer de ler e não o hábito

Por Isaias Costa

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Quem me acompanha aqui no blog, sabe que sou fã de carteirinha do mestre Rubem Alves, que tanto me inspira a escrever.

Lendo seus textos, me deparei com um pensamento que concordo plenamente e farei uma breve reflexão a partir dele.

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“Lê-se pelo prazer de ler. Por isso, refugo quando pessoas falam sobre a importância de desenvolver o hábito da leitura. Hábitos são comportamentos automatizados que nada têm a ver com prazer. Lê-se pelo mesma razão que se dá um beijo amoroso: porque é deleitoso, porque dá prazer ao corpo e alegria à alma…”

Rubem Alves

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Eu concordo plenamente com ele. Hoje em dia se fala exaustivamente sobre os hábitos, tem até um livro best-seller sobre isso: “O poder do hábito”, de Charles Duhigg. Mas hábitos estão relacionados com a nossa PRODUTIVIDADE, com nossas responsabilidades, ou seja, nossa capacidade de gerar respostas!

É preciso dissociar tudo isso da leitura, porque dessa forma ela pode se transformar em algo mecânico, em algo robotizado. Infelizmente, muitas pessoas já transformaram o prazer da leitura em um hábito, assim não conseguem sentir esse prazer e pior, não conseguem ser CRIATIVAS.

Eu gosto sempre de brincar com essa palavra: CRIATIVIDADE = CRIA + VIDA. Ou seja, quem é criativo cria vida para si mesmo e para os outros. Não age como um autômato, como um robô!

Cada vez mais eu quero criar vida, e só se cria vida tendo PRAZER no que se faz. E como trabalho com a escrita, preciso ter prazer com as leituras, para que elas me inspirem a escrever de uma maneira que toque o coração dos leitores, entende?

Aproveito essa colocação para fazer uma crítica ao nosso sistema educacional ainda tão arcaico. As escolas colocam os tais “livros paradidáticos” com o objetivo de estimular a leitura nos estudantes, mas elas fazem uma verdadeira ditadura: “No 1º bimestre é livro tal, no 2º aquele outro…”.

Como pode um sistema desses contribuir para que os alunos amem a leitura? Nessa hora é comum haverem as generalizações. Já ouvi tanta gente dizer assim, você nem faz ideia…

“Mas TODO MUNDO gosta de ler o Julio Verne, o Jorge Amado, a Clarice Lispector, o Drummond, o Machado de Assis?”.

Será? Eu tenho minhas dúvidas! Veja só os nomes que citei! Todos eles são de fato INCRÍVEIS e já li diversos livros de todos eles. São lindos e inspiradores!

O problema está no TODO MUNDO. Isso não existe! Sempre vai haver as pessoas que não vão gostar dos livros desses ou de outros autores famosos e não há problema nenhum nisso! Muito pelo contrário! É bom que seja assim, afinal, é muita pretensão achar que alguém pode agradar a todos, não é mesmo? Lembra o ditado popular: “Nem Jesus agradou a todos…?”. É óbvio que esse ditado pode ser estendido para a literatura.

Aproveito esse texto para propor esse exercício de HUMILDADE. Seja você quem for ou no que trabalhe, NUNCA QUEIRA AGRADAR A TODOS. Não force a barra de ninguém para fazerem o que você quer ou o que pode lhe trazer alegria e satisfação!

Digo isso me colocando! A vida me ensinou isso com maestria! Não obrigo ninguém a ler os meus textos. De jeito nenhum. Eu sempre SUGIRO. Digo mais ou menos assim: “Olha! Eu tenho um blog bem bacana no qual escrevo sobre Psicologia, autoconhecimento, espiritualidade, relacionamentos etc. Se você tiver interesse nesses assuntos é só colocar no google: ‘Para além do agora’”. E fim de papo! O assunto morre aí mesmo!

Quem se interessa de ler, simplesmente acessa e pronto. Alguns leem e gostam, outros leem uma vez depois vão ler outras coisas, outros leem metade de um texto, acham chato e nunca mais retornam e por aí vai!

Eu acho isso lindo! A educação como um todo deveria ser assim. A gente precisa ler e estudar aquilo que engrandece o nosso ser, aquilo que dá brilho aos nossos olhos, prazer ao corpo e iluminação à nossa alma.

Nessa hora é fundamental a BUSCA. Se você ainda não despertou para o prazer da leitura, eu não tenho dúvidas disso, é porque você ainda não encontrou um autor ou autora que despertasse esse prazer no seu corpo, ainda não encontrou um texto tão erótico assim!

Continue procurando, quando menos esperar você encontrará algo que vai lhe deixar super excitado ou excitada e dali pra frente a leitura será puro gozo!

Constantemente cito nos meus textos autores que com seus textos despertam esse prazer em mim. O Rubem é um deles! Ele escrevia com o desejo de ter o seu texto “comido” pelos leitores!

Descubra os autores que despertam esse desejo em você, então verá que não precisará desenvolver o hábito da leitura, porque o prazer é muito superior ao hábito…

 

 

 

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A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras

Por Isaias Costa

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Eu sou fã de carteirinha do mestre Rubem Alves e ele tem me ensinado imensamente a ser uma pessoa melhor e aos pouquinhos ir desenvolvendo a sabedoria. Farei uma breve reflexão a partir de algumas palavras instigantes e inspiradoras dele…

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“Todas as palavras tomadas literalmente são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas. A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!”

Rubem Alves

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Essa frase que intitula esse texto, em minha opinião, é a mais impactante e reflexiva, porque a maior parte das pessoas não atina para o SILÊNCIO, para as PAUSAS, para as ENTRELINHAS, elas querem o óbvio, querem aquilo que já vem “mastigadinho” e não precisa passar por processos de maturação. É por essas e outras que nós brasileiros temos tanta dificuldade em ler e escrever.

Aproveito até para compartilhar minha experiência como professor, que lido com o ensino todos os dias. Os alunos, de um modo geral, hoje em dia estão extremamente preguiçosos para raciocinar, para “botar a cuca pra funcionar”, como se diz popularmente.

Se os professores vêm com um artigo de 10 páginas para ser estudado e debatido, eles acham longo e complexo demais, pedem que tragam artigos menores e mais simplificados.

O resultado disso tudo é que essa imensa distração não colabora para o desenvolvimento intelectual e humano como poderia! Voltarei a falar sobre isso em outros textos…

Quem lê ou já leu os textos do Rubem Alves, sabe que ele era um amante da POESIA. E ela é um exemplo perfeito de que sua mensagem se encontra nas entrelinhas. Ele até brincava nas suas palestras que você pode ler a mesma poesia mecanicamente, igual a um robô, ou pode ler com lirismo, com doçura, degustando cada palavra, mudando a tonalidade de acordo com o que está sendo dito.

Na primeira leitura, provavelmente quem escuta não grava nada, não fixa nada, mas na segunda leitura, quem escuta se apaixona pelo texto. O que mudou? O texto? NÃO. Mudou a forma com que foi lido, passou a ser colocado energia, amor, sentimento, doçura. É isso que faz toda a diferença entende?

É no silêncio que mora a verdade…

Proponho a você a partir desse texto que passe a prestar muito mais atenção nos silêncios, nas pausas, do que no texto em si, no que está sendo dito ou ouvido. Garanto que dessa forma você absorverá bem mais e desenvolverá sua mente.

Suas palavras me fizeram lembrar de um grande mestre oriental chamado Osho, falecido em 1990. Ele tem diversas palestras no youtube, mas elas são ouvidas por pouquíssimas pessoas, sabe qual é o motivo? IMPACIÊNCIA.

Ele fala de um jeito tão lento, com tantas pausas e com tanta atenção ao que está sendo dito, que as pessoas que tentam assistir aos vídeos ficam impacientes, ficam com sono e vão fazer outras coisas no lugar, mesmo suas mensagens sendo transformadoras e conscientizadoras.

O Rubem fala sobre as entrelinhas e quase tudo que o Osho diz está na realidade nas entrelinhas, não nas palavras, mas nos silêncios que ele faz…

Você aceita o desafio de ver um vídeo dele do começo ao fim sem querer mudar de abas, ou ficar “viajando na maionese”? Acredite! Este é um belo exercício de MEDITAÇÃO e ATENÇÃO PLENA que estou lhe passando de forma irreverente! hehe

Abaixo compartilho uma série de vídeos dele no qual ele fala sobre diversos temas! Exercite assistir a um vídeo do começo ao fim…

Para concluir, quero lhe instigar a refletir sobre essa CLAREZA EXTREMA. É bom sim se expressar com clareza e objetividade, mas é bom também buscar o aprofundamento e a complexificação daquilo que se está estudando, senão você corre o risco de sempre ficar apenas na superfície, nas bordas do conhecimento.

Gosto muito das palavras do grande professor e filósofo Mario Sergio Cortella sobre isso. Ele diz que precisamos TRANSBORDAR, ou seja, “sairmos da nossa borda”, em amplo sentido: no conhecimento, na amizade, no amor, na família, no trabalho, nas finanças, na espiritualidade etc.

Esse é um exercício para a vida toda. Sei que você quer transbordar, senão nem estaria lendo esse texto!

O transbordamento está em buscar mais conhecimento, mais amor, mais amizades verdadeiras, maior conexão com o lado espiritual etc.

Percebe como algumas poucas palavras do mestre Rubem Alves carregam nas entrelinhas milhares ou mesmo milhões de possibilidades?

Estou com esse texto apenas fazendo cócegas nas possibilidades de interpretações que essas palavras carregam em suas entrelinhas! Não é à toa que ele é considerado tão genial! Só os gênios conseguem isso! Fazer com que em poucas palavras existam um universo inteiro de possibilidades de reflexões e interpretações.

Que essas palavras tenham lhe instigado a ser enfeitiçado pelos silêncios, pelos espaços vazios, pelas entrelinhas. É aí que mora a sabedoria! É aí que mora a verdade! No silêncio que existe em volta das palavras…

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Rubem Alves: o espremedor de furúnculos

Por Isaias Costa

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Hoje, dia 15/09/16, o mestre Rubem Alves, por quem tenho uma imensa admiração, estaria completando 83 anos se estivesse por aqui!

Nesse dia especial, venho lhe prestar uma singela homenagem me inspirando em uma de suas lindas crônicas, chamada “Conversa com o diabo II”, extraída do seu livro “Pimentas”. O Rubem Alves era um grande “espremedor de furúnculos”, algo que pouco a pouco também estou aprendendo a ser! Quem sabe estou aprendendo um pouquinho com ele não é mesmo? hehehe

Vamos ao trechinho dessa crônica…

“No mundo de Deus tudo tem de ser perfeito. Vou visitar a sua casa, linda, lustrosa, perfumada. Um visitante normal ficaria na sala de visitas. Mas eu sou abelhudo: vou logo espiar debaixo da cama para ver se a vassoura fez a limpeza devida. Se está suja, eu dou um sopro forte e as pulgas começam a pular. Eu sou o culpado? Fui eu que criei as pulgas? Me acusam de malcheiroso, sulfuroso, expelidor de gases fétidos. Errado. Eu só cutuco. A fedentina não é minha. Perguntem a Freud. Os psicanalistas fazem o mesmo que eu. Freud diria que estou certo. Não sou eu que ponho demônios dentro dos homens. São eles, os homens, que chamam, alimentam e abrigam. Eu só abro os quartos e os demônios saem. Me digam: sou eu o culpado?

Um dos meus alunos mais brilhantes, Sigmund Freud, empreendeu uma tremenda tarefa de transformar a ‘arte do teste’ em ‘ciência do teste’. Ele pensava – e nisso está certo – que somos como os bordados. Bordados têm um lado direito bonito que se mostra às pessoas, e um lado avesso, que é uma barafunda de linhas. Temos um lado direito que mostramos para todo mundo, e um lado avesso, que escondemos. A ciência que ele criou, a que deu o nome de Psicanálise, análise da alma, é uma série de artifícios para se ver o lado do avesso da pessoa que ela tenta desesperadamente esconder. Quando lhe chegava um paciente todo produzido, ele logo lhe pedia: ‘Mostre-me o seu traseiro…’.

Essa é minha tarefa: mostrar o traseiro das pessoas…”

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Venho mostrar para você a partir desse texto esse lado incrível do Rubem que estou aprendendo aos pouquinhos a me tornar também, um “espremedor de furúnculos”. Só a título de informação, talvez você não saiba, mas o mestre Rubem Alves atuou por muitos anos também como psicanalista, por isso tanta fluência para falar sobre o Freud, o pai da Psicanálise.

Além disso, deixo claro também que ele escreveu essa crônica como um bate papo com o diabo e esse trecho é como se fosse o diabo falando!

Ele sabia melhor do que ninguém unir a Psicanálise com a Literatura e o bom humor. Em poucas palavras ele explicou como se dá o processo psicanalítico que venho aprendendo através de muitos estudos e leituras.

Psicanálise é o processo de espremer os furúnculos internos que estão cheios de pus. O interessante é que ele brinca com a concepção religiosa de que as pessoas têm demônios dentro de si. Esses demônios são simplesmente as dores emocionais que não foram trabalhadas e se somatizaram como doenças no corpo físico, na mente, ou na alma.

Então acontece isso. O psicanalista escuta longamente as queixas dos pacientes e se utiliza de diversas técnicas para que aquilo que está preso no INCONSCIENTE venha a se tornar CONSCIENTE. Nessa hora é que os demônios saem e começa a acontecer o que há de mais lindo no processo terapêutico, que é a RESSIGNIFICAÇÃO, o processo de retirar das experiências do passado toda a carga emocional pesada, negativa, apodrecida, que criou os furúnculos.

Sugestão de leitura => O que significa ressignificar?

Essa ressignificação os religiosos dão o nome de exorcismo. Interessante não é? Uma pessoa que foi exorcizada e retirou seus demônios internos nada mais fez que retirar parte do peso emocional doloroso, gerando um alívio momentâneo ou definitivo.

O Rubem em todos os seus escritos tinha esse poder de espremer os nossos furúnculos, para que a partir das suas leituras, fizesse surgir de dentro de nós nosso lado mais perfumado, bonito, poético, apaixonado.

Se você analisar bem, é assim que acontece. Retiramos os furúnculos para reestabelecer a saúde e depois que todos os furúnculos são retirados, o que resta são as CICATRIZES dos cortes para retirar o pus e o perfume da saúde plena do corpo, da alma e da mente.

Até mesmo as cicatrizes têm um simbolismo, elas servem para lhe dizer que houve um sofrimento e que esse sofrimento faz parte de você, faz parte da sua história de vida, e não adianta escondê-lo, porque as cicatrizes mostram que eles existiram, mas que foram superados.

Enfim! O mestre Rubem me ensinou, continua ensinando e certamente ainda vai me ensinar muito. Digo como todos os seus fãs. Ele apenas deixou esse corpo físico, mas continua vivo, como uma espécie de comida, em todos os seus escritos, escritos “antropofágicos”, como ele mesmo costumava dizer não é?

Um viva ao grande espremedor de furúnculos Rubem Alves! Que ele nos ilumine de onde ele estiver e traga o diabo para conversar muitas vezes com seus queridos leitores!!

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

 

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O amor é alado

Por Isaias Costa

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Quanto mais o tempo passa e vou amadurecendo, mais eu tenho percebido que o amor profundo e verdadeiro tem uma relação estrita com a LIBERDADE. É por essas e outras que o grande Raul Seixas cantava: “O amor só dura em liberdade”…

Farei uma breve reflexão sobre o amor que dá asas e deixa a outra pessoa livre para seguir seu caminho inspirado numa frase magnífica do mestre Rubem Alves. Veja!

“Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.”

Rubem Alves

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Infelizmente, a grande maioria das pessoas confunde amor com esses três sentimentos que são destrutivos: APEGO, SEGURANÇA e DEPENDÊNCIA.

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As variedades de situações enriquecem a nossa vida

Por Isaias Costa

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Outro dia li uma frase fabulosa atribuída ao geógrafo, naturalista e explorador alemãoAlexander von Humboldt que me fez refletir bastante, ela dizia o seguinte:

“Para que o humano se enriqueça, se consolide e se aperfeiçoe é necessário que exista a variedade de situações”

Alexander von Humboldt

Apesar de curta, essa frase pode nos levar a grandes reflexões. Vou falar nesse texto a partir da minha própria experiência e da observação de pessoas que fazem parte da minha vida.

O nosso aperfeiçoamento está diretamente relacionado com as experiências de vida, e quanto mais diversificadas elas são, mais nós desenvolvemos o que chamo de RECURSOS, e esses recursos são na realidade, ferramentas de desenvolvimento das diversas inteligências que temos em nós como inteligência física, emocional, lógica, relacional, musical, expressiva, espiritual e por aí vai…

=> Clique aqui para ler o texto completo

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O que eu penso sobre aposentadoria?

Por Isaias Costa

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Estou escrevendo esse texto no dia em que se faz memória ao falecimento de um senhor que admiro do fundo do meu coração e que me inspira demais a escrever. É claro que estou falando dele, o mestre RUBEM ALVES.

Ele faleceu no dia 19/07/2014 deixando um imenso legado de sabedoria para a humanidade. Assim como ele, a cada novo texto que escrevo, também estou deixando o meu legado para as pessoas. Ler as palavras do Rubem me motiva a continuar sempre escrevendo.

Em homenagem a ele, tratarei nesse texto de um tema que ele sempre falava, mas até este momento, nunca escrevi com mais detalhes, a APOSENTADORIA. Eu penso sobre a aposentadoria da mesma forma que ele, e para embasar as ideias, nada melhor do que as palavras do próprio Rubem não é mesmo?

“Imagino que o poeta jamais pensaria em se aposentar. Pois quem deseja se aposentar daquilo que lhe traz alegria? Da alegria não se aposenta… Algumas páginas antes o herói da estória havia declarado que, ao final de sua longa caminhada pelas coisas mais altas do espírito, dentre as quais se destacava a familiaridade com a sublime beleza da música e da literatura, descobria que ensinar era algo que lhe dava prazer igual, e que o prazer era tanto maior quanto mais jovens e mais livres das deformações da deseducação fossem os estudantes.”

Fonte: A alegria de ensinar

Essas são palavras lindas e inspiradoras. Minhas maiores vocações são o ENSINO e a ESCRITA. São duas coisas que amo e que me dá uma imensa alegria.

Quando alguém fala comigo sobre aposentadoria sempre brinco que vou me aposentar quando tiver uns 100 anos, porque eu sinto tanta alegria em ensinar e escrever que não me vejo longe disso no período da velhice. E esse texto é uma motivação para que você repense a aposentadoria.

É possível se aposentar de uma maneira mais inteligente e sábia. Infelizmente a maior parte das pessoas se aposenta e depois que se aposenta não utiliza seu maiores dons em prol de ajudar um grande número de pessoas, quem faz isso são as pessoas que tem dentro de si um propósito maior.

Quero deixar claro que o problema não é se aposentar, o problema é se ACOMODAR, o que acaba transformando a vida na terceira idade numa rotina enfadonha e desgastante.

Para que você entenda ainda com mais clareza o que estou querendo transmitir, compartilho algumas palavras do grande educador Gabriel Perissé:

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Na primeira página do jornal Folha de S.Paulo de hoje, “aposentadoria” é palavra em destaque.

“No século XVI circulava a palavra “apousentar”, no sentido de fazer alguém pousar e repousar. O hóspede podia pousar no “apousento” de uma casa amiga. No século XIX o “u” já tinha ficado na estrada (ou terá pedido a aposentadoria?). A aposentadoria tornava-se direito trabalhista.

(Curiosidade: D. Pedro I concedeu a aposentadoria aos professores públicos que completassem 30 anos de serviço. Tal aposentadoria era denominada “jubilação”, do latim jubilatìo,”gritos de alegria”.)

Aquele que peregrina por muitos anos tem direito a pousar um dia. A palavra “pousar” remete ao latim pausare, “parar”, “descansar”. Mas descansar com dignidade. E aposentadoria não significa pendurar as chuteiras e ficar num canto, parado, paralisado. O aposentado pode e deve caminhar em novas direções, dedicando-se a atividades diversas e exercendo funções sociais relevantes.”

Fonte: O pouso do aposentado

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Percebe como é lindo? Se aposentar é POUSAR e parar tranquilo num ambiente que lhe dê prazer e alegria.

Eu sou bem jovem, mas me imagino bem velhinho numa casinha confortável escrevendo sem nenhuma pressa nem preocupação com prazos e compromissos maiores. Essa é, a meu ver, a melhor forma de se aposentar, você continuar fazendo aquilo que ama fazer, porém sem cobranças e sem tanta responsabilidade.

“O aposentado pode e deve caminhar em novas direções, dedicando-se a atividades diversas e exercendo funções sociais relevantes.”

Você que me lê agora, o que poderia fazer na sua velhice que fosse socialmente relevante? Se você nunca pensou sobre isso, que tal pensar hoje aproveitando essa linda inspiração que tive a partir do mestre Rubem Alves?

Enfim! Que você olhe a aposentaria com olhos mais amorosos e altruístas! Essa é a minha visão e sonho que mais e mais pessoas passem a enxergar esse período da vida a partir desse olhar, e assim se encham de criatividade para ajudar esse planeta a ser pelo menos um pouquinho melhor, como fez o querido Rubem, que sempre vai nos deixar saudades…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

 

 

 

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O menino Jesus está nas ruas

Por Isaias Costa

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A minha mensagem de Natal esse ano será diferente. Compartilho abaixo uma crônica muito emocionante e reflexiva do mestre Rubem Alves que “cai como uma luva” nesse tempo em que se celebra o nascimento do menino Jesus, que veio a esse planeta com uma missão divina de nos mostrar que a verdade pode nos libertar.

Leia com bastante atenção e procure desenvolver essa sensibilidade para ver o menino Jesus nos olhos de todas as crianças e de todas as pessoas que surgirem na sua vida.

Feliz Natal para todos…

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“Que vontade de chorar” – Por Rubem Alves

Era uma manhã fresca e transparente de primavera. Parei o carro na luz vermelha do semáforo. Olhei para o lado – e lá estava ela, menina, dez anos, não mais. O seu rosto era redondo, corado e sorria para mim. “O senhor compra um pacotinho de balas de goma? Faz tempo que o senhor não compra…” Sorri para ela, dei-lhe uma nota de um real e ela me deu o pacotinho de balas. Ela ficou feliz. Aí a luz ficou verde e eu acelerei o carro, não queria que ela percebesse que meus olhos tinham ficado repentinamente úmidos.

Quando eu era menino, lá na roça, havia uma mata fechada. Os grandes, malvados, para me fazer sofrer, diziam que na mata morava um menino como eu. “Quer ver?”, eles perguntavam. E gritavam: “Ô menino!” E da mata vinha uma voz: “Ô menino!” Eu não sabia que era um eco. E acreditava. Nas noites frias, na cama, eu sofria, pensando no menino, sozinho, na mata escura. Onde estaria dormindo? Teria cobertores? Os seus pais, onde estariam? Será que eles o haviam abandonado? É possível que os pais abandonem os filhos?

Sim, é possível. João e Maria, abandonados sozinhos na floresta. Os seus pais os deixaram lá para serem devorados pelas feras. Diz a estória que eles fizeram isso porque já não tinham mais comida para eles mesmos. Será que os pais, por não terem o que comer, abandonam os filhos? Será por isso que as crianças são vistas freqüentemente na floresta vendendo balas de goma? Será que havia balas de goma na cesta que Chapeuzinho Vermelho levava para a avó? Será que a mãe de Chapeuzinho queria que ela fosse devorada pelo lobo? Essa é a única explicação para o fato de que ela, mãe, enviou a menina sozinha numa floresta onde um lobo estava à espera.

Num dos contos de Andersen uma menininha vendia fósforos de noite na rua (se fosse aqui estaria num semáforo), enquanto a neve caía. Mas ninguém comprava. Ninguém estava precisando de fósforos. Por que uma menininha estaria vendendo fósforos numa noite fria? Não deveria estar em casa, com os pais? Talvez não tivesse pais. Fico a pensar nas razões que teriam levado Andersen a escolher caixas de fósforos como a coisa que a menininha estava a vender, sem que ninguém comprasse. Acho que é porque uma caixa de fósforos simboliza calor. Dentro de uma caixa de fósforos estão, sob a forma de sonhos, um fogão aceso, uma panela de sopa, um quarto aquecido… Ao pedir que lhe comprassem uma caixa de fósforos numa noite fria a menininha estava pedindo que lhe dessem um lar aquecido. Lar é um lugar quente. Pois, se você não sabe, consulte o Aurélio. E ele vai lhe dizer que o primeiro sentido de “lar” é “o lugar da cozinha onde se acende o fogo.” De manhã a menininha estava morta na neve, com a caixa de fósforos na mão. Fria. Não encontrou um lar.

Um supermercado é uma celebração de abundância. No estacionamento as famílias enchem os porta-malas dos seus carros com coisas boas de se comer. “Graças a Deus!”, eles dizem. Do lado de fora, os famintos, que os guardas não deixam entrar. Se entrassem no estacionamento a celebração seria perturbada. “Dona, me dá uns trocados?” O menino estava do lado de fora. Rosto encostado na grade, o braço esticado para dentro do espaço proibido, na direção da mulher. A mulher tirou um real da bolsa e lhe deu. Mas esse gesto não a tranqüilizou. Queria saber um pouco mais sobre o menino. Puxou prosa. “Para que você quer o dinheiro?” perguntou. “Prá voltar prá onde eu durmo.” “E onde é a sua casa?” “Não vou voltar prá casa. Eu não moro em casa. Eu durmo na rua. Fugi da minha casa por causa do meu pai…”

Em muitas estórias o pai é pintado como um gigante horrendo que devora as crianças. Na estória do “João e o pé de feijão” ele é um ogro que mora longe, muito alto, nas nuvens, onde goza sozinho os prazeres da galinha dos ovos de ouro e da harpa encantada. Mãe e filho, lá embaixo, morrem de fome. Por vezes as crianças estão mais abandonadas com os pais que longe deles. Como aconteceu com a Gata Borralheira. Seu lar estava longe da mãe-madrasta e das irmãs: como uma gata, o borralho do fogão era o único lugar onde encontrava calor.

E comecei a pensar nas crianças que, para comer, fazem ponto nos semáforos, vendendo balas de goma, chocolate bis, biju. Ou distribuindo folhetos… Ah! Os inúteis folhetos que ninguém lê e ninguém quer e que serão amassados e jogados fora. O impulso é fechar o vidro e olhar para a criança com olhar indiferente – como se ela não existisse. Mas eu não agüento. Imagino o sofrimento da criança. Abro o vidro, recebo o papel, agradeço e ainda pergunto o nome. Depois, discretamente, amasso o papel e ponho no lixinho…

E há também os adolescentes que querem limpar o pára-brisa do carro por uma moeda. Já sou amigo da “turma” que trabalha no cruzamento da avenida Brasil com a avenida Orozimbo Maia. Um deles, o Pelé, tem inteligência e humor para ser um “relações públicas”…

Lembro-me de um menino que encontrei no aeroporto de Guarapuava. No seu rosto, mistura de timidez e esperança. “O senhor compra um salgadinho para me ajudar?” Ficamos amigos e depois descobrimos que a mulher para quem ele vendia os salgadinhos o enganava na hora do pagamento…

Um outro, no aeroporto de Viracopos, era engraxate. O pai sofrera um acidente e não podia trabalhar. Tinha de ganhar R$ 20.00. Mas só podia trabalhar enquanto o engraxate adulto, de cadeira cativa, não chegava. Tinha, portanto, de trabalhar rápido. Tivemos um longa conversa sobre a vida que me deixou encantado com o seu caráter e inteligência – ao ponto de ele delicadamente me repreender por um juízo descuidado que emiti, pelo que me desculpei.

E me lembrei das meninas e meninos ainda mais abandonados que nada têm para vender e que, à noitinha, nos semáforos (onde serão suas casas?), pedem uma moedinha…

Houve uma autoridade que determinou que as crianças fossem retiradas da rua e devolvidas aos seus lares. Ela não sabia que, se as crianças estão nas ruas, é porque as ruas são o seu lar. Nos semáforos, de vez em quando, elas encontram olhares amigos.

Os especialistas no assunto já me disseram que não se deve ajudar pessoas nos semáforos, pois isso é incentivar a malandragem e a mendicância. Mas me diga: o que vou dizer àquela criança que me olha e pede: “Compre, por favor…”? Vou lhe dizer que já contribuo para uma instituição legalmente credenciada? Me diga: o que é que eu faço com o olhar dela?

Minhas divagações me fizeram voltar ao Irmãos Karamazóvi, de Dostoiévski. Um dos seus trechos mais pungentes é uma descrição que faz Ivan, ateu, a seu irmão Alioscha, monge, da crueldade de um pai e uma mãe para com a sua filhinha. “Espancavam-na, chicoteavam-na, espisoteavam-na, sem mesmo saber por que o faziam. O pobre corpinho vivia coberto de equimoses. Chegaram depois aos requintes supremos: durante um frio glacial, encerraram-na a noite inteira na privada sob o pretexto de que a pequena não pedia para se levantar à noite (como se um criança de cinco anos, dormindo o seu sono de anjo, pudesse sempre pedir a tempo para sair!). Como castigo, maculavam-lhe o rosto com os próprios excrementos e a obrigavam a comê-los. E era a mãe que fazia isso – a mãe! Imagina essa criaturinha, incapaz de compreender o que lhe acontecia, e que no frio, na escuridão e no mau cheiro, bate com os punhos minúsculos no peito, e chora lágrimas de sangue, inocentes e mansas, pedindo a ‘Deus que a acuda’. Todo o universo do conhecimento não vale o pranto dessa criança suplicando a ajuda de Deus.”

Num parágrafo mais tranqüilo o starets Zossima medita “Passas por uma criancinha: passas irritado, com más palavras na boca, a alma cheia de cólera; talvez tu próprio não avistasses aquela criança; mas ela te viu, e quem sabe se tua imagem ímpia e feia não se gravou no seu coração indefeso! Talvez o ignores, mas quem sabe se já disseminaste na sua alminha uma semente má que germinará! Meus amigos: pedi a Deus alegria! Sede alegres com as crianças, como os pássaros do céu.”

Quando essas imagens começaram a aparecer na minha imaginação comecei a ouvir (essas músicas que ficam tocando, tocando, na cabeça…) sem que a tivesse chamado aquela canção “Gente humilde”, letra do Vinícius, música do Chico. “Tem certos dias em que eu penso em minha gente e sinto assim todo o meu peito se apertar…” Pelo meio o Vinícius conta da sua comoção ao ver “as casas simples com cadeiras nas calçadas e na fachada escrito em cima que é um lar”. Termina, então, dizendo: “E aí me dá uma tristeza no meu peito feito um despeito de eu não ter como lutar. E eu que não creio peço a Deus por minha gente. É gente humilde. Que vontade de chorar.”

Se fosse hoje o Vinícius não teria vontade de chorar. Ele riria de felicidade ao ver as cadeiras nas calçadas e as fachadas escrito em cima que é um lar… Vontade de chorar ele teria vendo essa multidão de crianças abandonadas, entregues ou à indiferença ou à maldade dos adultos: “E aí me dá uma tristeza no meu peito feito um despeito de eu não saber como lutar…” Só me restam meu inútil sorriso, minhas inúteis palavras, meu inútil Real por um pacotinho de balas de goma…

Link: “Que vontade de chorar” – Portal Raízes

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