Arquivo da tag: Rubem Alves

A metáfora das Cisternas e Fontes

Por Isaias Costa

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Eu sou fã de carteirinha do mestre Rubem Alves e ler os seus livros tem me ajudado a ser um professor melhor e um ser humano melhor. A forma simples que ele conseguia transmitir grandes ensinamentos me encanta e faz perceber que a famosa frase do Leonardo da Vinci é a mais pura verdade: “A simplicidade é o último grau de sofisticação”.

Li um texto no qual ele falava sobre as pessoas cisternas e as pessoas fontes. Confira!

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William Blake foi um poeta inglês a quem aconteciam aforismos. Disse «aconteciam» porque aforismos são como relâmpagos. Acontecem. Iluminam repentinamente o céu vindos não se sabe donde. Como os relâmpagos, com um poder para rachar rochas. Hoje um dos seus relâmpagos aconteceu: «As cisternas contêm; as fontes transbordam.»

«Cisternas» são buracos que se fazem na terra para guardar a água da chuva. São muito úteis em regiões áridas onde a chuva é rara e os rios não correm.

A água que a cisterna contém não brota dela. É um outro que a põe lá.

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Os 5 pilares de uma educação permanente

Por Isaias Costa

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Moacir Gadotti

Sendo professor, eu procuro o tempo todo estudar novas metodologias de ensino, procuro me reciclar, levar para a sala de aula algo que estimule os alunos e os façam criar o gosto pelos estudos.

A verdadeira educação é PERMANENTE, ou seja, não é possível você dizer que já aprendeu tudo, que algo não pode ser aprimorado etc. Para quem tem esse tipo de pensamento, o que digo é curto e direto: não siga na Educação, este não é o seu lugar.

Mas levando para os outros ramos profissionais, hoje em dia tudo passou a ser educação permanente. Nós temos essa falsa impressão de que educação se resume aos colégios, faculdades ou cursos! Nada disso! Tudo o que desempenhamos tem a educação e o aprendizado no meio. Portanto! Deixo claro que esse texto serve para todos, todos nós ok?

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DRs são exercícios de autopercepção

Por Isaias Costa

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Estava lendo as palavras da querida terapeuta Gisela Vallin no facebook e fiquei refletindo sobre um tema que muita gente não quer nem chegar perto, as “DRs” (discutir a relação).

Existem DRs não apenas em relacionamentos amorosos, mas em relacionamentos entre amigos, entre colegas de trabalho, e na família. Por isso esse é um texto que serve para todos, todos nós!

Compartilho abaixo suas palavras e em seguida farei uma breve reflexão sobre elas.

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Muitas vezes, entendemos que ser a gente mesmo nas relações é dizer: “Sou assim como sou, dane-se, goste de mim quem quiser, não me interessa a opinião de ninguém.”

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Da alegria ninguém se aposenta

Por Isaias Costa

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Eu sou fascinado pelos escritos do mestre Rubem Alves. Sempre que leio seus livros, acabo me inspirando a escrever.

No momento em que escrevo esse texto, estou me deleitando com a leitura do seu livro intitulado “A alegria de ensinar” e uma de suas crônicas chamada “Ensinar a alegria” me inspirou a falar sobre a alegria e o quanto ela está conectada com a nossa VOCAÇÃO.

Abaixo transcrevo o trecho da crônica que mais gostei. Leia com bastante atenção!

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Reli, faz poucos dias, o livro de Hermann Hesse, O Jogo das Contas de Vidro. Bem ao final, à guisa de conclusão e resumo da estória, está este poeminha de Rückert:

Nossos dias são preciosos

mas com alegria os vemos passando

se no seu lugar encontramos

uma coisa mais preciosa crescendo:

uma planta rara e exótica,

deleite de um coração jardineiro,

uma criança que estamos ensinando,

um livrinho que estamos escrevendo.

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Enquanto formos repetitivos não seremos receptivos

Por Isaias Costa

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Essa semana eu assisti a uma palestra muito interessante na cidade onde moro (Fortaleza) pela Ordem Rosacruz Áurea e nela o palestrante falou uma frase que me deixou bastante reflexivo e que acabou por me inspirar a escrever o texto que você lê agora!

A frase era a seguinte: “Enquanto formos repetitivos não seremos receptivos”.

Essas duas palavras são escritas de forma quase idêntica, mas possuem significados completamente diferentes e opostos!

Quem é receptivo está sempre aberto para receber o novo, para aprender, para quem sabe até mesmo mudar de ideias e opiniões!

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Não se intrometa na vida de ninguém

Por Isaias Costa

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Esse é um texto que tenho certeza que pode incomodar muita gente, mas preciso falar sobre esse tema que considero de suma importância, a INTROMISSÃO.

Infelizmente, não olhamos para essa postura tão comum em milhões de pessoas com a atenção que ela merece! Vou me basear na etimologia dessa palavra, que é desconhecida para a maior parte das pessoas! Veja só!

INTROMISSÃO = dentro da missão de outra pessoa

Ou seja, se você se intromete na vida de alguém, está direta ou indiretamente entrando na sua missão de vida, muitas vezes contribuindo para um desvio do seu caminho evolutivo na Terra. E aí? Você acha que se trata de uma bobagem? É muito sério o que estou falando aqui.

Inclusive, como tenho uma visão espiritualista e universalista, falo até sobre a chamada LEI DO KARMA.

Quando você se intromete na vida de alguém, faz com que cause alterações no seu karma, que significa, de forma simplificada, as causas e efeitos das experiências de cada um.

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Desenvolva o prazer de ler e não o hábito

Por Isaias Costa

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Quem me acompanha aqui no blog, sabe que sou fã de carteirinha do mestre Rubem Alves, que tanto me inspira a escrever.

Lendo seus textos, me deparei com um pensamento que concordo plenamente e farei uma breve reflexão a partir dele.

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“Lê-se pelo prazer de ler. Por isso, refugo quando pessoas falam sobre a importância de desenvolver o hábito da leitura. Hábitos são comportamentos automatizados que nada têm a ver com prazer. Lê-se pelo mesma razão que se dá um beijo amoroso: porque é deleitoso, porque dá prazer ao corpo e alegria à alma…”

Rubem Alves

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Eu concordo plenamente com ele. Hoje em dia se fala exaustivamente sobre os hábitos, tem até um livro best-seller sobre isso: “O poder do hábito”, de Charles Duhigg. Mas hábitos estão relacionados com a nossa PRODUTIVIDADE, com nossas responsabilidades, ou seja, nossa capacidade de gerar respostas!

É preciso dissociar tudo isso da leitura, porque dessa forma ela pode se transformar em algo mecânico, em algo robotizado. Infelizmente, muitas pessoas já transformaram o prazer da leitura em um hábito, assim não conseguem sentir esse prazer e pior, não conseguem ser CRIATIVAS.

Eu gosto sempre de brincar com essa palavra: CRIATIVIDADE = CRIA + VIDA. Ou seja, quem é criativo cria vida para si mesmo e para os outros. Não age como um autômato, como um robô!

Cada vez mais eu quero criar vida, e só se cria vida tendo PRAZER no que se faz. E como trabalho com a escrita, preciso ter prazer com as leituras, para que elas me inspirem a escrever de uma maneira que toque o coração dos leitores, entende?

Aproveito essa colocação para fazer uma crítica ao nosso sistema educacional ainda tão arcaico. As escolas colocam os tais “livros paradidáticos” com o objetivo de estimular a leitura nos estudantes, mas elas fazem uma verdadeira ditadura: “No 1º bimestre é livro tal, no 2º aquele outro…”.

Como pode um sistema desses contribuir para que os alunos amem a leitura? Nessa hora é comum haverem as generalizações. Já ouvi tanta gente dizer assim, você nem faz ideia…

“Mas TODO MUNDO gosta de ler o Julio Verne, o Jorge Amado, a Clarice Lispector, o Drummond, o Machado de Assis?”.

Será? Eu tenho minhas dúvidas! Veja só os nomes que citei! Todos eles são de fato INCRÍVEIS e já li diversos livros de todos eles. São lindos e inspiradores!

O problema está no TODO MUNDO. Isso não existe! Sempre vai haver as pessoas que não vão gostar dos livros desses ou de outros autores famosos e não há problema nenhum nisso! Muito pelo contrário! É bom que seja assim, afinal, é muita pretensão achar que alguém pode agradar a todos, não é mesmo? Lembra o ditado popular: “Nem Jesus agradou a todos…?”. É óbvio que esse ditado pode ser estendido para a literatura.

Aproveito esse texto para propor esse exercício de HUMILDADE. Seja você quem for ou no que trabalhe, NUNCA QUEIRA AGRADAR A TODOS. Não force a barra de ninguém para fazerem o que você quer ou o que pode lhe trazer alegria e satisfação!

Digo isso me colocando! A vida me ensinou isso com maestria! Não obrigo ninguém a ler os meus textos. De jeito nenhum. Eu sempre SUGIRO. Digo mais ou menos assim: “Olha! Eu tenho um blog bem bacana no qual escrevo sobre Psicologia, autoconhecimento, espiritualidade, relacionamentos etc. Se você tiver interesse nesses assuntos é só colocar no google: ‘Para além do agora’”. E fim de papo! O assunto morre aí mesmo!

Quem se interessa de ler, simplesmente acessa e pronto. Alguns leem e gostam, outros leem uma vez depois vão ler outras coisas, outros leem metade de um texto, acham chato e nunca mais retornam e por aí vai!

Eu acho isso lindo! A educação como um todo deveria ser assim. A gente precisa ler e estudar aquilo que engrandece o nosso ser, aquilo que dá brilho aos nossos olhos, prazer ao corpo e iluminação à nossa alma.

Nessa hora é fundamental a BUSCA. Se você ainda não despertou para o prazer da leitura, eu não tenho dúvidas disso, é porque você ainda não encontrou um autor ou autora que despertasse esse prazer no seu corpo, ainda não encontrou um texto tão erótico assim!

Continue procurando, quando menos esperar você encontrará algo que vai lhe deixar super excitado ou excitada e dali pra frente a leitura será puro gozo!

Constantemente cito nos meus textos autores que com seus textos despertam esse prazer em mim. O Rubem é um deles! Ele escrevia com o desejo de ter o seu texto “comido” pelos leitores!

Descubra os autores que despertam esse desejo em você, então verá que não precisará desenvolver o hábito da leitura, porque o prazer é muito superior ao hábito…

 

 

 

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A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras

Por Isaias Costa

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Eu sou fã de carteirinha do mestre Rubem Alves e ele tem me ensinado imensamente a ser uma pessoa melhor e aos pouquinhos ir desenvolvendo a sabedoria. Farei uma breve reflexão a partir de algumas palavras instigantes e inspiradoras dele…

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“Todas as palavras tomadas literalmente são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas. A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!”

Rubem Alves

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Essa frase que intitula esse texto, em minha opinião, é a mais impactante e reflexiva, porque a maior parte das pessoas não atina para o SILÊNCIO, para as PAUSAS, para as ENTRELINHAS, elas querem o óbvio, querem aquilo que já vem “mastigadinho” e não precisa passar por processos de maturação. É por essas e outras que nós brasileiros temos tanta dificuldade em ler e escrever.

Aproveito até para compartilhar minha experiência como professor, que lido com o ensino todos os dias. Os alunos, de um modo geral, hoje em dia estão extremamente preguiçosos para raciocinar, para “botar a cuca pra funcionar”, como se diz popularmente.

Se os professores vêm com um artigo de 10 páginas para ser estudado e debatido, eles acham longo e complexo demais, pedem que tragam artigos menores e mais simplificados.

O resultado disso tudo é que essa imensa distração não colabora para o desenvolvimento intelectual e humano como poderia! Voltarei a falar sobre isso em outros textos…

Quem lê ou já leu os textos do Rubem Alves, sabe que ele era um amante da POESIA. E ela é um exemplo perfeito de que sua mensagem se encontra nas entrelinhas. Ele até brincava nas suas palestras que você pode ler a mesma poesia mecanicamente, igual a um robô, ou pode ler com lirismo, com doçura, degustando cada palavra, mudando a tonalidade de acordo com o que está sendo dito.

Na primeira leitura, provavelmente quem escuta não grava nada, não fixa nada, mas na segunda leitura, quem escuta se apaixona pelo texto. O que mudou? O texto? NÃO. Mudou a forma com que foi lido, passou a ser colocado energia, amor, sentimento, doçura. É isso que faz toda a diferença entende?

É no silêncio que mora a verdade…

Proponho a você a partir desse texto que passe a prestar muito mais atenção nos silêncios, nas pausas, do que no texto em si, no que está sendo dito ou ouvido. Garanto que dessa forma você absorverá bem mais e desenvolverá sua mente.

Suas palavras me fizeram lembrar de um grande mestre oriental chamado Osho, falecido em 1990. Ele tem diversas palestras no youtube, mas elas são ouvidas por pouquíssimas pessoas, sabe qual é o motivo? IMPACIÊNCIA.

Ele fala de um jeito tão lento, com tantas pausas e com tanta atenção ao que está sendo dito, que as pessoas que tentam assistir aos vídeos ficam impacientes, ficam com sono e vão fazer outras coisas no lugar, mesmo suas mensagens sendo transformadoras e conscientizadoras.

O Rubem fala sobre as entrelinhas e quase tudo que o Osho diz está na realidade nas entrelinhas, não nas palavras, mas nos silêncios que ele faz…

Você aceita o desafio de ver um vídeo dele do começo ao fim sem querer mudar de abas, ou ficar “viajando na maionese”? Acredite! Este é um belo exercício de MEDITAÇÃO e ATENÇÃO PLENA que estou lhe passando de forma irreverente! hehe

Abaixo compartilho uma série de vídeos dele no qual ele fala sobre diversos temas! Exercite assistir a um vídeo do começo ao fim…

Para concluir, quero lhe instigar a refletir sobre essa CLAREZA EXTREMA. É bom sim se expressar com clareza e objetividade, mas é bom também buscar o aprofundamento e a complexificação daquilo que se está estudando, senão você corre o risco de sempre ficar apenas na superfície, nas bordas do conhecimento.

Gosto muito das palavras do grande professor e filósofo Mario Sergio Cortella sobre isso. Ele diz que precisamos TRANSBORDAR, ou seja, “sairmos da nossa borda”, em amplo sentido: no conhecimento, na amizade, no amor, na família, no trabalho, nas finanças, na espiritualidade etc.

Esse é um exercício para a vida toda. Sei que você quer transbordar, senão nem estaria lendo esse texto!

O transbordamento está em buscar mais conhecimento, mais amor, mais amizades verdadeiras, maior conexão com o lado espiritual etc.

Percebe como algumas poucas palavras do mestre Rubem Alves carregam nas entrelinhas milhares ou mesmo milhões de possibilidades?

Estou com esse texto apenas fazendo cócegas nas possibilidades de interpretações que essas palavras carregam em suas entrelinhas! Não é à toa que ele é considerado tão genial! Só os gênios conseguem isso! Fazer com que em poucas palavras existam um universo inteiro de possibilidades de reflexões e interpretações.

Que essas palavras tenham lhe instigado a ser enfeitiçado pelos silêncios, pelos espaços vazios, pelas entrelinhas. É aí que mora a sabedoria! É aí que mora a verdade! No silêncio que existe em volta das palavras…

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Rubem Alves: o espremedor de furúnculos

Por Isaias Costa

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Hoje, dia 15/09/16, o mestre Rubem Alves, por quem tenho uma imensa admiração, estaria completando 83 anos se estivesse por aqui!

Nesse dia especial, venho lhe prestar uma singela homenagem me inspirando em uma de suas lindas crônicas, chamada “Conversa com o diabo II”, extraída do seu livro “Pimentas”. O Rubem Alves era um grande “espremedor de furúnculos”, algo que pouco a pouco também estou aprendendo a ser! Quem sabe estou aprendendo um pouquinho com ele não é mesmo? hehehe

Vamos ao trechinho dessa crônica…

“No mundo de Deus tudo tem de ser perfeito. Vou visitar a sua casa, linda, lustrosa, perfumada. Um visitante normal ficaria na sala de visitas. Mas eu sou abelhudo: vou logo espiar debaixo da cama para ver se a vassoura fez a limpeza devida. Se está suja, eu dou um sopro forte e as pulgas começam a pular. Eu sou o culpado? Fui eu que criei as pulgas? Me acusam de malcheiroso, sulfuroso, expelidor de gases fétidos. Errado. Eu só cutuco. A fedentina não é minha. Perguntem a Freud. Os psicanalistas fazem o mesmo que eu. Freud diria que estou certo. Não sou eu que ponho demônios dentro dos homens. São eles, os homens, que chamam, alimentam e abrigam. Eu só abro os quartos e os demônios saem. Me digam: sou eu o culpado?

Um dos meus alunos mais brilhantes, Sigmund Freud, empreendeu uma tremenda tarefa de transformar a ‘arte do teste’ em ‘ciência do teste’. Ele pensava – e nisso está certo – que somos como os bordados. Bordados têm um lado direito bonito que se mostra às pessoas, e um lado avesso, que é uma barafunda de linhas. Temos um lado direito que mostramos para todo mundo, e um lado avesso, que escondemos. A ciência que ele criou, a que deu o nome de Psicanálise, análise da alma, é uma série de artifícios para se ver o lado do avesso da pessoa que ela tenta desesperadamente esconder. Quando lhe chegava um paciente todo produzido, ele logo lhe pedia: ‘Mostre-me o seu traseiro…’.

Essa é minha tarefa: mostrar o traseiro das pessoas…”

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Venho mostrar para você a partir desse texto esse lado incrível do Rubem que estou aprendendo aos pouquinhos a me tornar também, um “espremedor de furúnculos”. Só a título de informação, talvez você não saiba, mas o mestre Rubem Alves atuou por muitos anos também como psicanalista, por isso tanta fluência para falar sobre o Freud, o pai da Psicanálise.

Além disso, deixo claro também que ele escreveu essa crônica como um bate papo com o diabo e esse trecho é como se fosse o diabo falando!

Ele sabia melhor do que ninguém unir a Psicanálise com a Literatura e o bom humor. Em poucas palavras ele explicou como se dá o processo psicanalítico que venho aprendendo através de muitos estudos e leituras.

Psicanálise é o processo de espremer os furúnculos internos que estão cheios de pus. O interessante é que ele brinca com a concepção religiosa de que as pessoas têm demônios dentro de si. Esses demônios são simplesmente as dores emocionais que não foram trabalhadas e se somatizaram como doenças no corpo físico, na mente, ou na alma.

Então acontece isso. O psicanalista escuta longamente as queixas dos pacientes e se utiliza de diversas técnicas para que aquilo que está preso no INCONSCIENTE venha a se tornar CONSCIENTE. Nessa hora é que os demônios saem e começa a acontecer o que há de mais lindo no processo terapêutico, que é a RESSIGNIFICAÇÃO, o processo de retirar das experiências do passado toda a carga emocional pesada, negativa, apodrecida, que criou os furúnculos.

Sugestão de leitura => O que significa ressignificar?

Essa ressignificação os religiosos dão o nome de exorcismo. Interessante não é? Uma pessoa que foi exorcizada e retirou seus demônios internos nada mais fez que retirar parte do peso emocional doloroso, gerando um alívio momentâneo ou definitivo.

O Rubem em todos os seus escritos tinha esse poder de espremer os nossos furúnculos, para que a partir das suas leituras, fizesse surgir de dentro de nós nosso lado mais perfumado, bonito, poético, apaixonado.

Se você analisar bem, é assim que acontece. Retiramos os furúnculos para reestabelecer a saúde e depois que todos os furúnculos são retirados, o que resta são as CICATRIZES dos cortes para retirar o pus e o perfume da saúde plena do corpo, da alma e da mente.

Até mesmo as cicatrizes têm um simbolismo, elas servem para lhe dizer que houve um sofrimento e que esse sofrimento faz parte de você, faz parte da sua história de vida, e não adianta escondê-lo, porque as cicatrizes mostram que eles existiram, mas que foram superados.

Enfim! O mestre Rubem me ensinou, continua ensinando e certamente ainda vai me ensinar muito. Digo como todos os seus fãs. Ele apenas deixou esse corpo físico, mas continua vivo, como uma espécie de comida, em todos os seus escritos, escritos “antropofágicos”, como ele mesmo costumava dizer não é?

Um viva ao grande espremedor de furúnculos Rubem Alves! Que ele nos ilumine de onde ele estiver e traga o diabo para conversar muitas vezes com seus queridos leitores!!

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

 

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O amor é alado

Por Isaias Costa

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Quanto mais o tempo passa e vou amadurecendo, mais eu tenho percebido que o amor profundo e verdadeiro tem uma relação estrita com a LIBERDADE. É por essas e outras que o grande Raul Seixas cantava: “O amor só dura em liberdade”…

Farei uma breve reflexão sobre o amor que dá asas e deixa a outra pessoa livre para seguir seu caminho inspirado numa frase magnífica do mestre Rubem Alves. Veja!

“Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.”

Rubem Alves

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Infelizmente, a grande maioria das pessoas confunde amor com esses três sentimentos que são destrutivos: APEGO, SEGURANÇA e DEPENDÊNCIA.

=> Clique aqui para ler o texto completo

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