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As palavras só tem sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor

Por Isaias Costa

“As palavras só tem sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem… O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo e o mundo aparece refletido dentro da gente. São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida. Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança, jamais será sábio.”

Rubem Alves

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Tornar-se sábio, esse é o movimento de entrar no reino dos céus, como já dizia o mestre Jesus Cristo: “Aquele que não for como uma criança não entrará no reino dos céus”. Lembrando que não se trata de um lugar físico, mas sim de um estado de consciência interior, no qual vemos a imensa beleza contida no momento presente, no aqui e agora!

É muito interessante quando ele comenta sobre a visão física. Muitas pessoas enxergam perfeitamente, mas têm dificuldade de ver as belezas simples do cotidiano. Não conseguem desenvolver esses “olhos de ver” que as crianças têm!

Inclusive, relendo essas belas palavras do Rubem Alves eu me lembrei de uma frase famosa do grande pintor Pablo Picasso na qual ele diz: “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol”.

Percebe como tudo é uma questão de perspectiva? Eu quero cada vez mais desenvolver em mim essa arte de transformar um rabisco amarelo redondo no próprio sol! Isso é sabedoria. Isso é saborear o melhor da vida!

Muita gente não sabe, mas a raiz da palavra sabedoria é a mesma de sabor. Ou seja, as pessoas sábias são aquelas que saboreiam a vida. E detalhe! Só é possível saborear a vida no momento presente. Como seria possível saborear algo que só virá na semana que vem, no mês que vem ou no ano que vem? Percebe como não faz o menor sentido?

E sabe de outra coisa legal? Quando estamos saboreando uma comida, seja ela qual for, normalmente fechamos os olhos para nos integrarmos ainda mais à sensação deliciosa da comida nas papilas gustativas. E além disso, vem o ponto principal que quero comentar com você. Nós ficamos em silêncio! Porque nessa hora as palavras só iriam atrapalhar a experiência de saborear o alimento.

Voltando ao Rubem Alves… as palavras só têm sentido se forem para ver o mundo melhor. E as crianças têm esse poder de ver um mundo melhor! Quando perguntamos a qualquer criança como elas veem a vida ou o que gostariam que melhorasse no mundo, elas são praticamente unânimes em dizer que a vida é para nos divertirmos e para estarmos perto das pessoas que amamos. E a resposta para o desejo de um mundo melhor quase sempre está relacionado com os adultos trabalharem menos, serem mais presentes nas suas vidas, que brinquem mais, que sorriam mais, que tirem tanto o peso autoimposto nas costas…

Será que você ainda duvida da sabedoria inerente que existe nas crianças? Nessas poucas palavras eu trouxe verdades que nós como adultos e com o nosso cabeção extremamente intelectualizado, transformamos em livros de 400 págs ou em teses de doutorado. Pra quê hein? Será que precisa de tudo isso? Fica a reflexão…

Que a gente desenvolva cada vez mais esse olhar de criança para nos conectarmos com o que há de mais belo na vida, o momento presente…

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Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu

Por Isaias Costa

“É isto que amamos nos outros: o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias. Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe.

Como seria bom se as outras pessoas fossem vazias como o céu, e não tão cheias de palavras, de ordens, de certezas. Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu, onde podemos fazer voar nossas fantasias como se fossem pipas”.

Rubem Alves

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O Rubem Alves era perfeito em suas metáforas! Ao reler essas belíssimas palavras, eu lembrei de uma brincadeira que toda criança adora (e claro que alguns adultos que não deixaram sua criança interior morrer também adoram), que é ver desenhos nas nuvens.

Lembro que eu brincava junto com meus irmãos e primos quando crianças. Nós deitávamos na grama onde tinha sombra e ficávamos um tempão olhando as nuvens e dizendo o que cada um achava dos desenhos formados…

O Rubem dizia: “Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu”. O céu permite que as nossas fantasias ganhem voz e não fica nos recriminando, muito menos dizendo o que é o certo e o que é o errado!

Já pensou como perderia toda a graça se ao brincar de ver desenhos em nuvens, alguém na brincadeira dissesse: “Tá louco! Não existe isso que você está vendo. A única coisa que tem nessa nuvem é o que eu vejo…”. Pronto! Com essa atitude arrogante acabou qualquer tentativa de curtir o momento.

Na vida, infelizmente vemos aos milhares pessoas com essa postura arrogante, cheias de certezas, e por isso mesmo, infelizes! Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo a felicidade gigantesca que se encontra na dúvida, no não saber! Lembra a máxima do mestre Sócrates? “Só sei que nada sei”. Na sua época, as pessoas eram unânimes em dizer que ele era uma pessoa feliz, uma pessoa realizada e sábia! Muitas podiam até mesmo não gostar dele, mas não conseguiam abrir a boca pra dizer que ele era infeliz!

Que tal aprendermos com as sabedorias do Rubem Alves e do filósofo da antiguidade Sócrates?

Antes de escrever esse texto eu até pesquisei a etimologia da palavra FANTASIA, que é maravilhosa. Ela vem do grego phos (luz) e do verbo phainein (fazer aparecer). Ou seja, é a nossa luz que se faz aparecer a partir da nossa alegria, nossa verdade, nossa transparência.

Vamos deixar a nossa luz aparecer? Isso é ser simples e sábio. A nossa luz aparece a partir da abertura do nosso ser. E a abertura para a vida vem dessa postura silenciosa, acolhedora, receptiva. Quanto menos falarmos e mais ouvirmos, aí sim estaremos realmente sendo acolhedores e receptivos, e assim daremos abertura para fazer brotar, fazer aparecer a nossa luz, nossa fantasia! Não é incrível tudo isso?

Que essas poucas palavras tenham lhe trazido boas reflexões! Sigamos juntos sempre deixando viva em nós essa dimensão da fantasia…

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O amor verdadeiro exige de nós maturidade e desapego

Por Isaias Costa

Quem ama trata de poupar ao máximo o amado de todo o tipo de fardo ou ônus. Tenta fazer sua vida a mais agradável e gratificante possível.

Quem ama tenta resolver seus problemas sozinho com o intuito de preocupar o mínimo possível o amado: conversam sobre tudo, mas sem cobranças.

Quem ama tenta minimizar seus problemas e suas dores para preocupar menos o amado: não os esconde, mas os trata de uma forma nada dramática.

Poupar o amado significa tentar resolver os próprios problemas antes de envolvê-lo: não é sinal de superproteção e sim de autossuficiência.

Ser uma pessoa capaz de carregar sozinha sua cruz a torna mais leve, companhia mais agradável e presença querida em qualquer ambiente social.

Flávio Gikovate

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Com esse breve texto, o Gikovate está trazendo duas das maiores lições que todos nós devemos aprender nos relacionamentos, não apenas amorosos, mas nos relacionamentos como um todo, com amigos, família, parceiros de trabalho etc. Que são o desenvolvimento da maturidade e do desapego.

Somente com essas duas virtudes podemos passar para um nível elevado de alegria e satisfação na vida, o que corresponde ao amor verdadeiro.

Quem é verdadeiramente maduro não fica despejando suas insatisfações na pessoa amada como se ela fosse um depósito de lixo, porque sabe o quanto isso pode ser desgastante. Os momentos de silêncio e introspecção são fundamentais para adquirir essa consciência. Em vez de ficar numa pilha para falar sobre seus tormentos interiores com a pessoa amada, nós nos recolhemos para o que muitos até brincam ao chamar de “cantinho do pensamento”, aí com mais serenidade vamos percebendo que temos SIM a capacidade de resolver sozinhos os nossos perrengues.

Nessa hora muita gente pensa que essa atitude é egoísta. Não é verdade! Existem as resoluções que são resolvidas pelo casal ou pela parceria quando se trata de amigos ou vínculos de trabalho. Ok! Mas aqui estou falando das questões pessoais mais íntimas, como por exemplo: Eu estou em dúvidas se devo continuar trabalhando no mesmo emprego que já venho há muitos anos e estou perdendo o brilho em continuar naquela empresa. Esse tipo de decisão é como uma bomba se jogada nas mãos da outra pessoa entende?

O ideal é resolver com maturidade tudo isso, tomar uma decisão e só depois que a escolha estiver esclarecida, aí sim você compartilha com a outra pessoa!

No momento de dúvidas o máximo que devemos dizer é: “Amor! Eu estou questionando algumas coisas internamente em relação ao meu trabalho e tal. Mas fique tranquilo(a) que assim que tudo estiver mais claro você será a primeira pessoa a saber quais foram minhas decisões…”.

Percebe como que se age de uma forma mais madura? É simples, mas esse tipo de coisa só pode ser aprendida se vivenciarmos na prática do dia a dia o que estou dizendo aqui!

E como relação ao desapego o Gikovate está trazendo o lado da individualidade. Todos nós viemos ao mundo sozinhos e depois que morrermos vamos embora sozinhos também! Temos que ter a consciência de que a pessoa que se junta a nós está lá para compartilhar experiências e vivências conosco, e não para ser uma bengala, um muleta para nos apoiarmos e querer que ela resolva nossos pepinos!

O desapego é exatamente estar ao lado, mas apenas como um incentivo, sabendo que a outra pessoa tem todo o potencial necessário para resolver seus problemas.

Com essas duas questões bem resolvidas dentro de si, uau! O relacionamento certamente irá para outro nível de satisfação. Que talvez a palavra que melhor designa seja AMOR.

Vamos nos trabalhar para vivenciarmos o amor em toda a sua integridade?…

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O poder da escuta atenta

Por Isaias Costa

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“Uma das mais sinceras formas de respeito é ouvir o que o outro tem a dizer, sem interromper.”

Não consegui encontrar a autoria dessa frase lindíssima, mas quero a partir dela refletir com você sobre o poder da escuta atenta.

Eu trabalho como professor e psicanalista e aprendo imensamente com os pacientes que acompanho. Recentemente atendi a uma mulher já idosa e com ares de cansada. Fiquei tão comovido com seu relato que digo com sinceridade que as poucas palavras que dirigi a ela quase não saíram.

Ela passou quase a vida inteira cuidando de um filho que foi diagnosticado com esquizofrenia ainda na adolescência e a doença foi se agravando com o passar dos anos, de forma que ele se tornou totalmente dependente dela para tudo, desde a alimentação até a higiene mais básica. Não entrarei em detalhes por conta do sigilo profissional.

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A solidão e o silêncio

Por Isaias Costa

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No momento em que escrevo esse texto estou relendo um dos livros mais intensos da mega escritora Clarice Lispector chamado “Um sopro de vida”, livro que ela escreveu já bem próximo da sua morte.

Num determinado trecho ela fala um pouco sobre o sentimento de SOLIDÃO relacionando com a perturbação do SILÊNCIO, algo vivenciado por quase todas as pessoas. Farei uma breve reflexão a partir das suas palavras. Confira!

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Às vezes não dizer nada já diz tudo

Por Isaias Costa

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Praticamente todos os dias eu me lembro de uma das mais célebres frases atribuída ao grande Leonardo da Vinci que diz assim: “A simplicidade é o último grau de sofisticação”. Você sabia que quando ele disse essa frase não estava se referindo apenas ao que fosse operacional e prático? Ele estava se referindo, talvez, acima de tudo, ao nosso comportamento, à postura das pessoas sábias. Quanto mais sábia é uma pessoa, mais simples ela é, e opta por fazer tudo de um jeito que não traga estresse, dificuldades, não gere conflitos, mágoas ou ressentimentos com ninguém.

Esses dias eu estava refletindo sobre um comportamento que está presente em 100% das pessoas, em maior ou menor grau, que são as JUSTIFICATIVAS para aquilo que fazem ou que deixam de fazer. Um dos aprendizados bem difíceis na vida e as pessoas simples são nossas maiores professoras é o dizer NÃO na hora certa, pra pessoa certa e do jeito certo.

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Pratique o silêncio para não propagar fofocas

Por Isaias Costa

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Dadi Janki

Uma senhora de grande sabedoria e que é pouco conhecida no ocidente é a querida Dadi Janki, uma paquistanesa que é líder espiritual e praticamente de Ioga, e viaja o mundo todo. Lendo algumas de suas palavras, fiquei refletindo sobre a importância de cultivarmos e praticarmos o silêncio sagrado, aquele silêncio que nos aproxima de Deus. Segue abaixo suas lindas palavras…

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“Evite usar seus olhos para ver o que não vale a pena ver. Deixe que comentários inúteis e negativos entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Esses são os segredos para permanecer sempre leve. Portanto, cuide-se para não ficar pesado. Deus é tão leve! Fique leve e Deus ficará o tempo todo com você. A consciência de ser uma alma o levará para o silêncio e você se sentirá leve em um segundo. Seja cooperativo com todos e interaja com amor, mas cuide-se para não se envolver em grupos que se queixam e fofocam. Lembre-se: corvos pegam defeitos, cisnes pegam virtudes. Seja como um cisne. Pratique o silêncio. Seja sagrado…”

Dadi Janki

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Os três tipos de doação

Por Isaias Costa

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Doar nosso tempo é uma das maiores doações…

Nesse momento estou lendo um livro maravilhoso da monja budista Jetsunma Tenzin Palmo chamado “No coração da vida” e a cada página estou aprendendo mais coisas e mudando algumas perspectivas. Ele tem também me inspirado bastante a escrever. Farei uma breve reflexão sobre os três tipos de doação, que ela explica com bastante didatismo nesse livro. Abaixo está transcrito o trecho no qual ela fala sobre isso…

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“Na linguagem budista, existem três tipos de doação. Em primeiro lugar, a doação de presentes materiais. Em segundo lugar, a doação do Darma. Isso significa estar ao lado das pessoas ouvindo-as, tentando ajudá-las de alguma maneira, até mesmo clareando um pouco suas mentes, oferendo conselhos. E depois há também a doação do destemor, de ser um meio de proteção e ajudar os outros a descobrirem a sua própria coragem – esse é um presente que não tem preço.”

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8 sábios conselhos de Shakespeare mais atuais do que nunca

Por Isaias Costa

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William Shakespeare foi e ainda é considerado um dos maiores poetas e dramaturgos de todos os tempos. Sua sabedoria e genialidade de escritos são atemporais. Acredito que mesmo que ele seja lido ainda por séculos continuará sendo atual.

Nos últimos dias, assisti a um trecho de uma palestra do filósofo e escritor Leandro Karnal falando sobre o livro Hamlet de Shakespeare e nesse trecho ele fez um comentário sobre 8 sábios conselhos preferidos por Polônio a Laertes, personagens dessa peça. Farei uma breve reflexão a partir desses 8 conselhos, que foram transcritos logo abaixo, juntamente com esse vídeo. Confira…

1) Não expressar tudo o que se pensa.

2) Ouvir a todos, mas falar com poucos.

3) Ser amistoso, mas nunca ser vulgar.

4) Valorizar amigos testados, mas não oferecer amizade a cada um que aparecer a sua frente.

5) Evitar qualquer briga, mas se for obrigado a entrar numa, que seus inimigos o temam.

6) Usar roupas de acordo com sua renda, sem nunca ser extravagante.

7) Não emprestar dinheiro a amigos, para não perder amigos e dinheiro.

8) Ser fiel a ti mesmo, e jamais serás falso com ninguém.

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Quem controla os sentimentos segue a verdade

Por Isaias Costa

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Um dos mestres que mais me ensina a ser uma pessoa melhor e sentir a presença de Deus em tudo é o grande Paramahansa Yogananda. Inspirado nas suas palavras, venho nesse texto refletir um pouco com você sobre seguirmos a verdade e o bem que fazemos à humanidade com essa postura.

As palavras que transcrevi abaixo foram extraídas do seu livro “O Romance com Deus”. Leia-as com bastante atenção…

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“É bom ser agradável e simpático, se seu comportamento for sincero. Mas concordar com todos, o tempo todo, porque tem receio de dizer a verdade para não desagradar não pode ser chamado de controle dos sentimentos. Quem o possui segue a verdade, difundindo-a onde pode, mas evitando irritar desnecessariamente os que não são receptivos. Esta pessoa sabe quando falar e quando calar, mas nunca compromete seus próprios ideais nem sua paz interior, sendo uma grande força para elevação do bem maior no mundo.”

Paramahansa Yogananda

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